Expansion Lemma
5.4 Component Order Connectivity
O terceiro passo no ciclo de inteligência cultural (Figura 5) é o QC Estratégia ou dimensão metacognitiva, que é a dimensão responsável pela capacidade de consciência nos próprios comportamentos e conhecimentos durante interações multiculturais. Como já foi dito, cada pessoa é diferente e nem sempre indivíduos da mesma cultura terão os mesmos comportamentos devido à influência dos traços de personalidade ou até de experiências passadas. O QC estratégia é de grande relevância, porque durante interações com pessoas de outras culturas, um indivíduo tem de ter consciência e tem de ser capaz de determinar o que se está a passar, mesmo que o comportamento da outra pessoa não seja o esperado. O QC estratégia possibilita adaptação do indivíduo a essa situação no próprio momento.
O termo de QC metacognitivo refere-se ao nível de consciência cultural durante interações interculturais. Pessoas com um forte QC metacognitivo questionam-se conscientemente das suas próprias pressuposições culturais, ponderam durante as interações e adaptam o seu conhecimento cultural quando interagindo com pessoas de outras culturas. (…) O QC metacognitivo reflete os processos mentais que os indivíduos usam para adquirir e compreender o conhecimento cultural. (Ang & Van Dyne, 2008, p. 5)
O QC Estratégia engloba três subdivisões: o planeamento, a consciência e a verificação (checking). O planeamento é a capacidade de preparar uma estratégia para situações como encontros com pessoas de diferentes culturas. É necessário ter concentração e pensamento profundo sobre a
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cultura estrangeira, fazer uma preparação antes das interações interculturais. Enquanto que o planeamento se concentra no “antes” do acontecimento, a consciência concentra-se no “durante”, ou seja, a capacidade de se aperceber como é que a cultura influencia os próprios comportamentos e os comportamentos dos outros, assim como a situação em que se encontram. Por fim, a verificação ou checking não só envolve reflexão (questionar suposições que estejam mais enraizadas), mas também conseguir atualizar a própria base de conhecimento de acordo com as novas informações recebidas. Para que este processo seja possível é necessário haver uma comparação entre as expectativas que se podem ter previamente, com o que realmente aconteceu depois das interações. Quando todas estas subdivisões estão bem desenvolvidas é possível para o indivíduo planear com antecedência, questionar- se constantemente das suas suposições sobre os outros, refletir sobre o que acontece ou o que não acontece durante interações, ainda poderá ajustar e aumentar o seu conhecimento de acordo com o que acontece enquanto comunica ou observa alguém de uma cultura estrangeira. (Van Dyne et al., 2012, pp. 299–300)
D. Livermore (2011) sugere algumas formas para aumentar o nível de QC Estratégia. Algumas das estratégias aconselhadas são:
• Em primeiro lugar, é importante ter atenção e não se precipitar para dar uma resposta ao comportamento de outras pessoas, pois desta forma poderá haver um curto período de tempo para pensar na melhor forma de responder evitando desentendimentos;
• Treinar a mente para pensar abertamente, isto é, focar-se nas coisas como um todo e não nos pequenos detalhes. É difícil aceitar o que é diferente do habitual, quando se dá demasiada importância aos pormenores. Este é o nível de conforto (ou desconforto) que se sente com algo que não se encaixa perfeitamente em nenhuma categoria: se muito desconfortável, então será complicado para um indivíduo aceitar tudo que seja diferente da sua própria cultura. É importante nestas situações saber que não existe “certo” ou “errado”; apenas “diferente” (Livermore, 2011, pp. 115–119);
• Podem-se planear interações sociais. É necessário passar por experiências para se melhorar. Ter interações com pessoas de outras culturas pessoalmente pode criar dificuldades, quanto maior o nível dessas interações (alto: trabalhar com alguém de outra cultura vs. baixo: ser servido num restaurante por uma pessoa de outra cultura), maiores serão os conflitos e desafios. Por essa razão, planear interações previamente ajuda a prever alguns problemas que poderão
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surgir. Por outro lado, talvez todo o plano que foi preparado tenha sido em vão mas só o tempo e reflexão que se dedica a esse planeamento já aumenta o nível de QC estratégia;
• É importante gerir as expectativas antes de encontros interculturais. Manter expectativas realistas pode ser muito benéfico. Quanto mais exatas forem as expectativas, mais facilmente se terá sucesso na adaptação a outras culturas (seja em conversas com outras pessoas ou até trabalhar no estrangeiro);
• É crucial controlar a forma como interpretamos uma situação. Em encontros interculturais, se uma pessoa estiver zangada e a outra pessoa estiver totalmente normal (ou não tem ideia que a primeira está zangada), é provável que a razão por trás disso sejam diferenças culturais. Se um indivíduo se sente zangado por algo que outra pessoa fez ou disse, deve parar para analisar a situação. Provavelmente interpretou o ato da outra pessoa através da sua própria cultura e/ou valores culturais (que podem ser opostos entre as duas culturas), acabando por provocar esse sentimento. Se observar esse comportamento como se fosse um nativo da outra cultura vai entender que não é razão para reagir negativamente. Este tipo de análise de mudança da interpretação de comportamentos, ajuda na evolução do nível de QC Estratégia;
• Testar a precisão do planeamento e expectativas. É necessário testar a precisão para saber se todo esse processo está a funcionar corretamente ou se precisa de melhorias. A melhor forma de o fazer é após a criação de uma hipótese, ou plano, para uma situação cultural, pode ser feita uma pesquisa sobre o assunto, falando com várias pessoas das culturas envolvidas com o objetivo de ouvir as suas opiniões e observar o que acontece;
• Deve-se questionar tudo: questionar observações, hipóteses e pressuposições. Perguntar-se o “porquê?” de tudo é uma boa maneira de aprofundar conhecimentos que estão diretamente relacionados com situações interculturais e de explorar a razão por trás dos comportamentos observados. (Livermore, 2011, pp. 126–137)