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No passado, o colonialismo baseou-se na invasão militar por parte dos países ocidentais, como Espanha e Portugal, que tinham a hegemonia marítima no século XV. No século XVI, a Grã-Bretanha e a França tornaram-se os países imperialistas mais fortes, a Grã-Bretanha ficou mesmo conhecida como o império onde “o sol nunca se põe. Até que as nações colonizadas conquistaram sucessivamente a sua independência, na segunda metade do século XX, depois da Segunda Guerra Mundial. O colonialismo diminuiu, as nações ocidentais procuraram influência nas áreas da política, economia e literatura. Damos a este neocolonialismo o nome de pós- colonialismo, termo relacionado com a multi-comunicação e influência política, que permitiram nova invasão do mundo oriental.
O Orientalismo é uma subdivisão do colonialismo que remonta ao século XIX, mas ganhou o seu lugar na investigação académica desde a publicação da obra
Orientalism de Edward Said64, em 1978. O livro foi uma das maiores realizações de
Said no mundo. Contudo, o autor raramente se refere à China no livro, não inclui uma análise detalhada sobre o país no sistema do Orientalismo. Enquanto o maior país do Oriente, a importância da China nesta discussão é, na verdade, evidente por si só.
Edward Said incluiu uma famosa citação de Marx junto ao título da obra: "Não podem representar-se a si próprios; têm de ser representados" (Said, 2004). Esta sentença de Marx foi originalmente usada para falar sobre as diferenças de classe;
"eles" simbolizavam o proletariado oprimido e privado do direito de falar. Said usou esta frase para descrever a situação do oriental na literatura ocidental.
De um modo geral, existem três características proeminentes do Orientalismo. Em primeiro lugar, Said aponta um território especial: “o Oriente” ou “o terceiro mundo”, que não representa apenas a sua localização geográfica, mas também uma maneira de pensar, falar e representar o mundo.
Em segundo lugar, o orientalismo é essencial: pode-se falar (na Europa) de uma personalidade oriental, uma atmosfera oriental, um conto oriental, um despotismo oriental ou um modo oriental de produção, e ser-se compreendido. Assim, a descrição sobre o Oriente, mesmo que ridícula, pode ser aceitável para os ocidentais. O orientalismo é “um estilo de pensamento baseado numa diferença ontológica e epistemológica estabelecida entre ‘o Oriente’ e (na maioria dos casos) ‘o Ocidente’” (Said, 2004, p. 2). Nessa perspetiva, Said descreve o Orientalismo como “uma instituição corporativa que lida com o Oriente - que se relaciona com ele emitindo juízos sobre ele, autorizando visões dele, descrevendo-o, ensinando-o, colonizando-o, governando-o: em suma, o orientalismo é um estilo ocidental para dominar, reestruturar e exercer autoridade sobre o Oriente”(Said, 2004, p. 3).
Em terceiro lugar, o Orientalismo divide o mundo em duas partes: o Ocidente e o Oriente, com um forte contraste e criação de hierarquias. Há um forte sentimento de que o Oriente e o Ocidente devem ser comparados. Os seguintes pares de palavras mostram como “o Oriente” é produzido como algo perigoso e desejável, “o Oriente” dá ao “Ocidente” um sentimento misto, revelando características contrastivas.
(Luo, 2007)
Esta representação simples derivou numa série de antíteses: Ocidental vs. Oriental, superior vs. inferior, avançado vs. atrasado, civilização vs. selvagem, rico vs. pobre e assim por diante. Nessas oposições binárias, os países do Leste são frequentemente considerados como nações retardatárias com pessoas não civilizadas. Mas, para muitos pesquisadores, essas oposições binárias estendem-se a um significado profundo, com o processo de alteridade como algo típico. Na diferenciação dos sistemas de crenças não ocidentais, os ocidentais estabelecem os seus próprios valores e padrões como naturais e justificados, que falam pela sua vontade de poder. O Orientalismo expressa a oposição entre o Oriente e o Ocidente, mas os homens e as mulheres do Oriente também são percecionados pelos ocidentais como tendo características opostas: os homens são maus, astutos e insidiosos e as mulheres são obedientes, exóticas e sedutoras. No orientalismo, os ocidentais são racionais, pacíficos, liberais e lógicos, mas os orientais (árabes) não possuem nenhuma destas características (Said, 2004, p. 56). O Oriente é um regime autoritário, sinónimo de
Oriental Ocidental
Despotismo Democracia
Crueldade Tratamento justo
Sensualidade Autocontrole
Sem auto-governo Auto-governo
Artístico Prático Místico Sensato Irracional Racional Ilógico Lógico Intriga Franqueza Destreza Confiança Letargia Atividade Depravado Virtuoso Infantil Maduro Exótico Não-exótico Passivo Ativo Misterioso Ó bvio Silencioso Articular Fraco Forte Escuro Claro
crueldade e devassidão. Insidioso, preguiçoso, lascivo, antiquado, etc. são adjetivos todos eles apontados ao Oriente.
O escritor francês do século XIX Gustave Flaubert acreditava que “a mulher oriental é uma máquina e não distingue entre um homem e outro” (Lowe, 1994). Said mencionou que em Voyage en Orient de Nerval65, o autor reconhece que o Oriente é
"le pays des rêves et de l'illusion" que, como os véus que ele encontra por toda a parte no Cairo, esconde um fundo profundo e rico de sexualidade feminina (Said, 2004, p. 213). A maioria das impressões orientais de Flaubert e de outros escritores ocidentais vem dos árabes do Médio Oriente, e não do Extremo Oriente da civilização confucionista. O orientalismo da Europa resulta sobretudo do mundo árabe, mas os Estados Unidos estão mais preocupados com o Orientalismo da China e do Japão. Mas tanto o médio como o extremo Oriente deve ser salvo.
No livro The Asian Mystique (2005), da americana Sheridan Prasso, a autora analisa a origem dos estereótipos das mulheres orientais no Orientalismo. O fascínio pelas mulheres orientais pode remontar à descrição da China de Marco Polo no século XIII. O livro As Viagens de Marco Polo foi escrito na prisão por Rustichello da Pisa, baseado nas histórias que este ouviu de Marco Polo, sobre as viagens do italiano à Ásia Central e à China. O segundo capítulo do livro não apenas descreve a majestade do palácio chinês, mas também expressa a sua fantasia sobre as mulheres orientais. Ele descreve as mulheres orientais dentro de um padrão generalizado de beleza, mistério, gentileza e obediência. O livro foi traduzido para muitas línguas e, embora a autenticidade de muitos dos conteúdos não possa ser determinada, despertou a curiosidade da Europa sobre o mundo oriental e, indiretamente, promoveu a interação entre a China e o Ocidente. A impressão inicial dos ocidentais sobre as mulheres orientais também foi estabelecida.