2. Mediets formidling
2.3 Modalitetene
Os fatores cognitivos incluem todos os processos internos que são ativados durante a percepção, compreensão, práticas, organização, armazenagem, memória e manipulação da informação. Segundo Pizzolatto (1995), ao aprender estão em jogo todas essas operações intelectuais pelas quais o indivíduo adquire conhecimentos sobre ideias e concepções. E, nesse sentido, uma das principais características existentes no processo de envelhecimento é o declínio em relação à memória e à capacidade de atenção.
Sobre a questão da memória e dos processos linguístico-cognitivos, esse autor afirma que o cérebro possui três estágios hierárquicos crescentes de retenção de informação a partir do insumo recebido. São eles, o estágio da memória sensória, memória de curto prazo e memória de longo prazo. Todavia, o autor relata que estudos mais recentes sobre a memória comprovam, por experiência, que a perda da memória em uma pessoa na idade mais madura acontece devido à grande expectativa de que isso aconteça. Em outros casos, à dificuldade de aprendizagem de um idoso que nem sempre corresponde à impossibilidade.
A esse respeito, vale lembrar que Ausubel et al. (1978) definem dois tipos de aprendizagem: a) aprendizagem mecânica: caracterizada pelo não envolvimento real e interação entre professor e aluno, e favorecida pelo uso da memória a curto prazo (apenas para fazer um teste, uma avaliação, depois é apagada); b) aprendizagem significativa: dirigida por aspectos que unem afeto e cognição mediante a interações reais e, como resultado, a incorporação de itens linguísticos ancorados aos anteriores. E consideram que o ensino centrado na aprendizagem significativa promove a habilidade na nova língua, considerando o aluno a descobrir o próprio caminho e identidade.
Um estudo longitudinal de Argimon e Stein (2005), realizado com 46 idosos, acima de 80 anos de idade, no município de Veranópolis/RS, utilizou os mesmos instrumentos, em dois momentos, e num intervalo de três anos (1998 e 2001), para investigar as habilidades cognitivas de percepção subjetiva da memória, fluência verbal, memória e atenção. E, além disso, analisar se a escolaridade, idade e lazer contribuíam para explicar diferenças nos escores observados nesse intervalo. As pesquisadoras constataram que as maiores perdas relacionaram-se à memória e aos níveis de atenção.
A essa questão, mais uma vez, partilhando da visão de Monteiro (2008, p. 80), adiciono um ponto importante: é preciso entender, por outro lado, também, que a atenção humana, por ser seletiva, necessita de interesse em determinada situação para que faça sentido o cérebro memorizá-la. Esse fato também remete à motivação para a aprendizagem (LIMA, 2007).
Entretanto, à medida que se avança em idade, a capacidade intelectual vai se tornando mais seletiva, daí a ênfase de que o idoso tem que se manter ativo para continuar produzindo. Nessa perspectiva, alguns estudiosos da neurociência (SHORS, 2009) e da gerontologia (MONTEIRO, 2008) entendem que o cérebro precisa de treino para se aprimorar e se abastecem da relevância de manter a mente ocupada com ações que preservem a lucidez na idade avançada. Por exemplo, exercícios como leituras, conversas, trocas de ideias etc. são indispensáveis nessa fase da vida.
Essas referências no campo da neurociência resgatam o que, historicamente, há aproximadamente dois mil anos, Cícero (1999) já mencionava em seu livro: que a memória podia declinar com a velhice, caso não fosse cultivada. Então aqueles que conservavam uma boa memória permaneciam intelectualmente ativos, pois, o cérebro, assim como o corpo físico, se atrofia quando não estimulado.
Shors (2009) avalia que, diariamente, nascem novos neurônios em cérebros adultos. Tais células, quanto mais solicitadas, mais se desenvolvem, auxiliando no aprendizado de tarefas complexas. O teste, embora feito com ratos, permite evidenciar que o aprendizado potencializa a sobrevivência de novos neurônios no cérebro adulto. E quanto mais desafiadora e envolvente for a tarefa, maior o número de neurônios envolvidos no processo:
Tarefas mais simples de serem executadas não conseguem resgatar novas células da morte, porque não exigem muito esforço do pensamento. Acredita-se que as tarefas que resgatam uma quantidade maior de neurônios são as mais difíceis de aprender, exigindo um esforço mental maior. (SHORS, 2009, p. 1).
A autora ratifica que esses estudos não permitem pesquisas, pelo menos até o momento, em seres humanos. Todavia, há algumas evidências da importância em manter a neurogênese (processo de formação de novos neurônios) em pacientes idosos, de um modo geral, sobretudo aos que possuem estágios iniciais da doença de Alzheimer, tão comum nessa faixa etária, através da aprendizagem que ativa o hipocampo12.
Wang et al. (2006) concordam com a ideia ao avaliar que há uma correlação entre atividade física e área cognitiva. Assim uma rotina de exercícios físicos, ainda que simples, ajuda a evitar a demência e outras doenças do cérebro relacionadas à idade entre pessoas de 65 anos ou mais. Segundo esse estudo que durou seis anos e envolveu 1.740 idosos, essas atividades, além de tornar mais lenta a progressão de doenças relacionadas à idade, como Alzheimer, promovem a melhora do funcionamento do cérebro, já que impulsionam o fluxo sanguíneo, prevenindo e recuperando áreas relacionadas à memória.
Efetivamente, há uma estreita relação entre os fatores físicos (biológicos) e os fatores cognitivos. Ambos se debruçam e isso me faz crer que a preservação e o bom uso de um deles consistem em estímulos positivos sobre o outro. Afinal, a ativação e agrupamento de funções nesse par é a garantia de uma saúde fisiológica completa para a aprendizagem.
12 Estrutura responsável pelo aprendizado e memória, situada na face inferior de lobo temporal do cérebro, onde,
Nessa mesma proporção, o fator cognitivo é o principal aspecto que diferencia o adulto de uma criança, se comparado com o processo de aprendizagem de línguas (BROWN, 2007). Enquanto o foco de atenção da criança é reconhecidamente espontâneo e periférico, isto é, relativamente curto, o foco do adulto, além de consciente, centra-se nos aspectos formais e estruturais da língua. Existem ainda outros fatores distintos relativos ao crescimento (cognitivo, físico, social e cultural), à vulnerabilidade (fatores emocionais e afetivos) e ao letramento que também são muito importantes em se considerar.
Nas palavras de Pallu (2008, p. 152),
Tendo o adulto já passado por grande parte de seu desenvolvimento cognitivo, isso o capacita a lidar com conceitos abstratos e hipotéticos, enquanto que a criança, ainda em formação, depende fundamentalmente de experiências concretas e de percepção direta. Isso pode explicar a capacidade maior dos adultos de compreender a estrutura gramatical da língua estrangeira e de compará-la a sua própria língua materna.
Krashen (1982) pontua que os alunos idosos superam os mais jovens apenas em tarefas monitoradas que requerem análise gramatical. Nesse sentido, a vantagem do adulto é caracterizada pela habilidade de manipular essas categorias abstratas, formalizando regras e conceitos. Contrapondo essa teoria às considerações de Pallu (2008, p. 157), isso não significa que, ao aprender dessa forma, o adulto se torne melhor aprendiz ou aprenda a falar o idioma com facilidade. Pelo contrário, é possível que a dificuldade de alguns adultos em aprender o inglês esteja vinculada justamente ao fato de que, em sala de aula, a língua é tratada como pura abstração.
Essas representações, no entanto, no contexto de sala de aula, impõem algumas dificuldades à criança em detrimento do adulto, e vice-versa. O adulto, por um lado, consegue adaptar-se mais facilmente a atividades descontextualizadas e garantir maior capacidade de concentração nas tarefas. Diferenciando-se de uma criança que, por sua vez, consegue desenvolver habilidades relacionadas a práticas letradas na língua materna, de forma criativa e engajada na interação, ao mesmo tempo em que está aprendendo uma LE.
Pallu (2008) visualiza estudos relacionados à maturidade cognitiva do adulto em vantagem da criança aprendendo LE, cujas amostras apontam o ganho que o adulto possui em termos de lidar com estratégias de aprendizagem, em torno de uma atividade consciente. No entanto, pondera que ser consciente na aprendizagem indica desvantagem pelo fato de a aquisição vir a se tornar uma lógica hipotético-dedutiva, e não mais um processo indutivo e natural, como geralmente ocorre em crianças.