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1. Barnelitteratur på ny plattform

1.5 Historikk

Não posso deixar de incluir aqui o evento social mais característico da aprendizagem: a aula (ALMEIDA FILHO, 2007). O lugar onde acontece essa interação social, isto é, a sala de aula, tem sido cenário da construção de conhecimento de LE para muitos idosos que se propõem ao ato de se integrarem à sociedade.

Conceição (1999) observa que é grande e comum o número de pessoas com essa faixa etária recorrendo, a esse tipo de atividade, com o intuito de garantir função dentro da sociedade e desmistificar o estigma vivido pela classe. Entretanto, infelizmente, ressalta a autora, “o meio educacional não deixa de também refletir o estigma da idade” (p.10).

Mais adiante é possível ver que o estigma vivido pelo idoso, no Brasil, também o coloca em desvantagem, quando comparado com crianças em termos de aprendizagem. Segundo Pizzolatto (1995), essas relações surgidas nas vivências práticas caracterizam a imagem do idoso, em quase todas as esferas sociais, como incapaz, improdutivo etc.

8 Neologismo criado por Moderno (2004) para designar o caráter e a condição de ser idoso. De acordo com o

autor, “Por mera coincidência o sufixo idade cai como uma luva junto a idoso, como que também designando a idade idosa” (p.71, grifo do autor).

Pizzolatto (2008) afirma ainda que é de praxe o senso comum reiterar o mito de que a tarefa de aprender bem uma LE é específica aos jovens, sobretudo às crianças, mas, por outro lado, salienta que não há nenhum fundamento verdadeiramente científico para essa crença social sobre tal impossibilidade. Nesse ponto, certos mitos são imperativos de serem questionados.

Com efeito, mitos sobre idosos aprendendo LE envolvem considerações particulares, baseadas na cultura de quem vive e leva consigo determinadas verdades. Mclaughlin (1992) já indicava alguns mitos e ideias equivocadas sobre a aprendizagem de línguas. Dos cinco mitos por ele levantados, dois envolvem a habilidade da criança e, automaticamente, estigmatizam o idoso no exercício de aprender uma LE: i) crianças aprendem L2 rápido e facilmente; ii) quanto mais jovem a criança, mais habilitada para adquirir L2.

Concepções como essas dão margem à cultura de julgar como ineficiente o papel do idoso na sociedade. Aliás, conforme se nota, a cultura produzida por diversos meios é responsável por criar convicções e representações semelhantes a essas, apenas a partir daquilo que o outro produz. Nesse contexto, a pessoa reproduz uma visão manifestada pelo senso comum e se utiliza desses exemplos, algumas vezes, sem ter vivenciado tais práticas, que possam denotar a alusão própria e proveniente de experiências individuais (LINELL, 1990).

Por tudo o que foi dito, percebo, ainda, que a análise das crenças9 é estritamente relevante, uma vez que são comuns inferências relacionadas à impossibilidade de se obter o sucesso ao tentar aprender inglês na velhice, e essa ação se volte em forma de uma prática negativa. Monteiro (2008) adiciona que a sociedade, em geral, possui uma crença negativa arraigada sobre o envelhecimento. Em geral, há um grande poder existente na tradição, e, por isso, basta questionar alguém sobre o fato de acreditar em algo tão ilógico e a resposta do questionado costuma ser simples e direta: porque aprendi assim. Dessa forma, em consonância com Linell (1990), a cultura transmitida de geração em geração pode acionar ou reverter a motivação para a aprendizagem de línguas de um modo (in)voluntário e extremamente natural, através da vivência.

Entretanto, a psicologia da anciedade entende que o envelhecer não significa uma decadência, e, sim, uma sequência da vida, com suas peculiaridades e características (ALMEIDA, 2008). Portanto, é importante nos conscientizarmos do valoroso papel social do

9 Esse construto será resenhado e discutido adiante, na seção 1.7, e englobará discussões em torno da abordagem

contextual para investigação das crenças sobre ensino aprendizagem de línguas (BARCELOS, 2001, 2004, 2006a).

idoso em uma sociedade e cultura e, nessa perspectiva, propor meios, incentivos e ações que façam dessa idade uma época para continuar aprendendo e trocando experiências.

Tufano (2007) acredita que seja necessária a valorização de cada idade a considerar suas próprias belezas e potencialidades. Tal sabedoria consiste na ação de cultivar a vida com olhos sempre novos, cheios de curiosidade. É importante, para tanto, que o idoso também reconheça o seu valor intrínseco, como ser humano pleno, e assim, conforme Zacharias (2009, p. 1), “[a] velhice não pode[rá] ser vista como término, mas como um recomeçar com características e valores próprios. E uma nova forma de olhar o mundo”.

Essa autora aposta no estimulo do autoconhecimento e da sabedoria por parte dos idosos, a fim de que possam se autoquestionar e, por conseguinte, autoconstruírem consciente e socialmente. Com esse foco, esses adultos terão maior facilidade de aprender a conviver com os limites em meio à convivência familiar e social. Além disso, poderão refletir sobre suas vidas e extrair de suas experiências o combustível capaz de direcionar as ações e os novos projetos de vida, no sentido de satisfazer as suas necessidades e, por consequência, melhorar a qualidade de vida.

Além desses conceitos, Pallu (2008, p. 29) acredita que seja interessante, em se tratando de ambiente de ensino de línguas, que se defina o que seja “aprender inglês”. Em seu estudo, a autora discute a hipótese da distinção entre aprendizagem (metalinguagem) e aquisição (uso) de Krashen (1982) e avalia que aprender LE engloba as quatro habilidades: ouvir, falar, ler e escrever. Em ambientes formais de sala de aula de ensino médio, por exemplo, segundo a autora, o foco consiste nas habilidades de leitura e escrita, tendo em vista o vestibular, ao passo que, em um curso de idiomas, o foco esteja voltado às habilidades de uso: falar e ouvir.

Tenho consciência de que esses conceitos podem estar baseados no pano avaliativo da operação global do ensino de línguas (ALMEIDA FILHO, 2007) por parte dos professores, e nos objetivos dessa aprendizagem por parte dos alunos. Entretanto, os termos aprendizagem e aquisição, nesta obra, serão considerados como sinônimos, atribuindo a concepção de que alguém que se investe na tarefa de aprender uma LE (inglês) esteja consciente de que desenvolverá todas as habilidades propostas na língua, a fim de alcançar o sucesso, ou a aprendizagem.

Após discorrer sobre os cenários físicos e psicológicos que integram mensurável grau de importância ao se considerar a relação de ser humano atuante em uma sociedade, avanço nos questionamentos acerca de outro componente extremamente relevante nessa relação contextual: o idoso munido de suas características, apresento, a seguir, um

mapeamento geral sobre o que se tem estudado acerca do idoso no que se refere ao ensino de línguas.