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Miljømessig verdiskaping

6. Måloppnåelse

6.4 Hovedmål III: Bred verdiskaping

6.4.1 Miljømessig verdiskaping

Clama-se por patriotas. Termo que foi adotado a partir das ideias republicanas, cunhado na revolução francesa, utilizado pelo governo, como citou Lopez e Mota (2008, p. 326), ―Foram dotados novos tratamentos e novos costumes deveriam ser implantados. Foram adotados os termos ―patriota‖ [...]‖, um termo construindo socialmente que, pela força e urgência do momento, transformaria servos em cidadãos.

Uma construção do Estado, o patriotismo relaciona-se com a ideia de cidadão, que tem direitos, mas também deveres com a pátria. Uma construção ideólogica, baseada na capacidade do Estado-Nação e de todos os seus símbolos de promover o sentido de pertencimento e co-responsabilidade pelo território e de estimular, no indivíduo, o desejo de se sentir parte dele.

A Independência significou a necessidade de patriotismo pelo Brasil. O Estado começou a procurar o vínculo entre a pessoa e a terra, tanto nos que moravam aqui, quanto nos eventuais errantes que se identificassem com a causa brasileira a ponto de se disporem a defendê-la. Era necessário, se não encontrá-los, construir o brasileiro, formar o cidadão brasileiro, alguém que tivesse, no Brasil, sua terra preferida acima de qualquer outra, onde estava sua família, seu lar, seu trabalho e pelo que seria capaz de lutar, matar ou morrer.

Bertaud (2013, p.195) comenta que ―A virilidade do civil é dom da vida, a do militar é a busca de morte. O soldado exerce seu corpo e modela seu espírito em preparação

para a mais abominável das violências[...]‖, logo estar disposto a lutar, matar e morrer se preciso for. Para bem empregar essa virilidade, a educação foi manipulada para estimular a honra e o brio dos militares (recrutados, alistados, engajados, voluntários) e assim defenderem a pátria. Mesmo forçados a participar de um conflito, cujas causas e implicações eram quase ignoradas, a desonra da corvadia ou deserção eram inconcebíveis. Mesmo expostos a essa violência, a instrução e o aprendizado que receberam em sua formação profissional (no caso, militar) os impedia de desistir de lutar pela pátria.

Bertaud (2013) ainda afirma que a virilidade do militar transcende a violência, na medida em que, condicionada pela educação e moralidade recebidas, reflete-se no amor à pátria: patriotismo24 que o caracteriza como soldado-cidadão. A honra militar espelhava-se

naquela dos cavaleiros medievais, que prezavam por sua reputação, mantinham a palavra dada, protegiam os indefesos, as viúvas e os orfãos e, acima de tudo, viviam para a Pátria.

D. Pedro, em 1 de agosto de 1823, urgiu os filhos do Brasil em sua defesa: o Secretário de Estado dos Negócios da Marinha recebeu, do Imperador, a tarefa de visitar a Companhia de Guardas-Marinha e a Academia Real de Marinha a fim de transmitir aos oficiais navais comandantes o Ato de Proclamação25.

Nessa proclamação, D. Pedro enfatizou o patriotismo ao dever que se tem pela família, onde todos estão ligados por fortes laços de afetividade e fraternidade. No caso do patriotismo, esses laços serviriam também para regeneração política do país. Afetividade,

24BERTAUD, 2013, p.200. ―Nascido cidadão, o amor da pátria,Com o sangue circula em seu coração;Mas

quando se propõe a ser seu defensor É um duplo laço que o prende;Seus talentos, suas virtudes, sua glória, seus prazeres Ele deve sacrificar, mesmo em sua velhice A esse belo título que recorda sempre Até o momento de seus últimos suspiros10.‖ (Apud - ARMAND - Le Moyen d‘être heureux (O modelo de ser feliz). op. cit., p.62.)

25Ver SILVA, 1881, vol 1, p. 28-30. Proclamação: « Brazileiros! Apenas resoou por todo este grandioso Imperio

o brado de Independência Brazilica, e apenas os puros votos, e amor geral dos briosos Brazileiros Me Collocaram no Throno Constitucional da America Austral, veio a ser um dever sagrado para todos os filhos da Patria, espalhados pelo Mundo, abandonarem o território dos nossos inimigos, unirem-se a seus Irmãos do Brazil e tomarem parte em suas fadigas, e na gloria, que lhes resultará de generalisarem e cimentarem a Independência Americana. « O Vosso Imperador, Vosso Perpetuo Defensor, e Vosso Amigo, não deve duvidar um só momento de vossa honra, e patriotismo, Está certo que vireis sem perda de tempo rodear o seu Throno Constitucional, que é o garante da perpetuidade de Vossa Independência. Espera ver-vos chegar á porfia de empregardes vosso patriotismo, talentos e virtudes no serviço do Império, e bem da nossa Chara Pátria. Todavia não desconheço que alguns motivos ponderosos, e difficuldades suscitadas acintemente por nossos implacáveis inimigos, poderão obstar vossos desejos, e retardar vossa chegada. « Não vos assustem quaesquer sacrifícios, e incommodos; pois a Pátria e a Glória vos merecem tudo. Eu vos as igno por tanto o prazo de seis mezes para regressardes aos vossos Lares. Vinde trabalhar com vossos Concidadãos na grande Obra de Nossa Regeneração Política, O Brazil assim o exige, e o Vosso Imperador vol-o manda. «Se todavia, no fim do prescripto prazo, houver algum Brazileiro, tão degenerado, ou illudido (o que Deus não permitta) que expontaneamente se deixe ficar entre os nossos injustos inimigos, deverá então ser reputado por indigno de fazer parte da grande Familia Brazileira, será immediatamente considerado, como subdito do Governo Portuguez; perdera para sempre os fóros de Cidadão do Império, e suas propriedades ficarão sujeitas á pena cominada no Meu Imperial Decreto de Onze de Dezembro próximo passado. « Brazileiros! Estou certo, porém, que a vossa resolução será o que dicta a Honra, e Brio Nacional. Eu em vós confio. « Palácio do Rio de Janeiro, 8 de Janeiro de 1823, Segundo da Independência e do Império.- Imperador. »

amor, honra pela glória da pátria seriam demonstrados no serviço ao Império com talento, virtude e um poquinho de poder econômico, mas não tão pouquinho assim.

D. Pedro buscou incentivar seus compatriotas a investir na causa da pátria: o patriotismo se materializa em valores doados por ele e a imperatriz, como cita Prado Maia:

O patriotismo dos brasileiros não se fez esperar. O próprio Imperador deu o exemplo comprando a David Jewet, por vinte e dois contos de réis, um brigue mercante, que ofereceu ao Estado. Esse foi o brigue Cabloco, mais coberto de louros na Cisplatina. Além disso, tomou para si 250 ações do Plano, enquanto a Imperatriz se reservava 100 delas, pagando ambos, adiantadamente, a quantia correspondente aos três anos. (PRADO MAIA, 1965, p.57)

O patriotismo, então, implicava sacrifício, também financeiros, diferenciados entre as camadas sociais vigentes na época. No início do século XIX, a sociedade era muito bem dividida em somente duas camadas: os ricos, que continha as elites política e econômica (no caso do Brasil: nobres portugueses, classe média – os comerciantes, grandes latifundiarios, clérigos e militares); e os pobres. Desnecessário apontar que o sacrifício exigido pelo Patriotismo de cada classe foi bastante diferenciado. Da elite, livre para se estabelecer em qualquer lugar, deveria reconhecer o Brasil como lar (não apenas como um local de negócios). O povo, por amor à pátria só podeira empenhar a própria vida e a dos seus (não havia excessões velhos, crianças, todos deveriam demonstrar o sentimento pelo chão que os alimentava).

Dentro da Marinha, os oficiais foram separados de imediato: aqueles que assumiram a brasilidade ficaram com seus comandos, em defesa da causa brasileira; os outros foram reenviados, com suas famílias, à sua terra de origem. Não havia meio termo quanto ao posicionamento do sentimento patriótico. Da mesma forma, os oficiais brasileiros erradicados, fora do Brasil, foram convocados a retornarem ao solo nacional com urgência.

Abaixo, temos o relato do oficial português Joaquim Raymundo de Moraes de Lamare (futuro Ministro da Marinha) que aderiu à causa brasílica:

DO CAPITÃO DE MAR E GUERRA

JOAQUIM RAYMUNDO DE MORAES DE LAMARE.

« Accuso a recepção do officio que me dirigio o Ajudante de Ordens de V. Ex. em data de 20 do corrente, em consequência da Portaria da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha da mesma data. «Respondendo como me cumpre, ao seu conteúdo, tenho a dizer: Que tendo-se-me proporcionado occasião de regressar a Portugal, como de próximo aconteceu em a Náo Rainha, o tenho deixado de fazer por tencionar persistir no Brazil onde sirvo ha 15 annos; e agora com mais gosto que nunca depois que Sua Magestade fez aos habitantes deste hemispherio a graça de se declarar seu Defensor Perpetuo, fazendo com isto a felicidade deste vasto e riquíssimo continente e de todos os seus habitantes, a cujo numero tenho a honra de pertencer, e de que não desejo ser de modo algum privado, juntamente com minha mulher e meus filhos, que sendo todos indígenas deste Paiz não anhelamos outra

Pátria mais que o Brazil. « O que communico a V. Ex. para que o leve ao conhecimento de Sua Magestade Imperial ou de quem pertencer. « Praia Grande, 28 de Dezembro de 1822. >> (SILVA, 1881, vol. 1, p.50)

Como mencionado, patriotismo26 é uma construção social, como construção não implica realmente uma origem, mas uma escolha, daí acontecer o reconhecimento do sentimento de nacionalidade pelos laços com a família e a terra a que ela pertence. Aconteceu, com frequência, de oficiais estrangeiros defederem a causa da Independência, por suas famílias eminentementes brasileiras.

À parte os esforços físicos e o risco de morte, patriotismo também foi cobrado (como no Ato de Proclamação do Imperador) em espécie: houve ações de quantias significativas em todas as províncias. Esse dinheiro foi empregado na compra de equipamentos bélicos para as forças armadas, assim como na contratação de oficiais estrangeiros.

Na marinha, houve o investimento em compra de novos navios e manutenção dos antigos, deixando-os prontos para batalha. Foi necessário também construir navios de carga, que transportassem o material de reparo dos navios de guerra, reavivando a construção naval. Foram feitos negócios com a Inglaterra, Estados Unidos e até mesmo com Portugal, retoma-se a construção naval brasileira. Houve, também, a reestruturação dos arsenais da Bahia, Rio de Janeiro, Pará, Pernambuco, Paranaguá, Porto Alegre, etc. Os navios da armada portuguesa foram mantidos no Brasil durante a Independência, retidos como presas de guerra, porém, muitos se encontravam sem condições de combate (quase inúteis para navegar). Na verdade, os melhores acompanharam D. João VI a Portugal.