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Os anos 1990 foram bem acentuados para a Petrobras, ocorreram fatos marcantes, que promoveram grandes mudanças no comportamento, planejamento e ações da companhia. Dentre eles, merecem destaque: fim do monopólio, abertura comercial e mudanças estruturais de suas subsidiárias.

No inicio dessa década, ocorre a reforma administrativa implantada pelo governo Fernando Collor de Mello (1990-92) e, com ela, foi extinto o Conselho Nacional do Petróleo, seguida pela extinção das subsidiárias Interbrás e Petromisa. A implantação do Plano Collor deu àquele governo um inicio muito difícil, marcado por confiscos nos ativos financeiros e denúncias de corrupção, que acabaram por desestabilizar o governo. Esses fatos também repercutiram para a Petrobras, ocasionando problemas no fechamento de contratos com fornecedores e também na administração do fundo de pensão dos funcionários. (CPDOC/FGV, 2010).

Entretanto, os escândalos de corrupção não foram os atores principais da década, dividindo a cena com o retorno de velhos problemas, como a inflação. O governo voltava a experimentar a tentação de controlar os preços dos derivados, com repercussões imediatas sobre os resultados da empresa, dando início a um novo ciclo de crise financeira a partir de junho de 1992. A Petrobras começa, então, a analisar alternativas de associação ao capital estrangeiro como uma fonte de recursos para investimentos.

O Brasil passava por um período de grande instabilidade política e econômica, o que acabou tornando a relação entre governo e estatal um pouco desgastada. Porém, esse quadro mudou quando assume a presidência o então vice de Collor, Itamar Franco (1992-1995). Tal

mudança promoveu uma reforma ministerial, além de um plano de controle a inflação, criando assim “condições mais favoráveis para a conduta da empresa. Sob o governo de Itamar Franco, Joel Mendes Rennó iniciou, em meados de 1993, aquela que seria a primeira gestão continuada da empresa desde o fim do regime militar”. (CPDOC/FGV 2010),

A década também trouxe grandes frutos para a Petrobras, como sua indicação na

Offshore Technology Conference para receber o Distinguished Achievement Award, o maior

prêmio do setor petrolífero mundial, em reconhecimento à sua notável contribuição para o avanço da tecnologia de produção em águas profundas. Isso foi resultado da busca pela produção de petróleo em águas abaixo de 500 metros, o que fez com que a companhia avançasse no desenvolvimento de alta tecnologia. O sucesso foi tanto que, em 1999, a Petrobras alcançou o recorde no campo de Roncador, na bacia de Campos, quando produziu a 1.853 metros de profundidade. (CPDOC/FGV, 2010).

A partir do Decreto Nº 99.503 foi possível a criação, em setembro de 1990, de uma comissão cujo objetivo era reexaminar as políticas energéticas da matriz nacional. Após uma analise do cenário macroeconômico, a comissão apresentou relatório no qual propôs que , no primeiro semestre uma taxa média de crescimento de 1,2% a 2,3% e no segundo semestre de 5% a baixa e 6% a alta. A estratégia era fazer políticas globais que buscassem preços realistas, eficiência, competitividade, proteção ambiental e desenvolvimento tecnológico. Essas políticas atingiram os setores de gás natural, elétrico, petrolífero, produção e consumo. (PETROBRAS, 1993).

Em relação ao gás natural, foi possível um melhor aproveitamento da produção, buscando melhorar a importação e elevar sua participação na matriz energética. A política buscava alcançar três pontos: eliminação de desperdícios, aumento da eficiência energética e implantação de uma cultura de racionalização energética.

O final da década de 90 foi muito importante para a Petrobras, pois foram consolidadas novas regras para o mercado de petróleo, com novas bases para a expansão da companhia. O ano de 1999 foi marcado pelo fim da atuação da estatal como empresa monopolista, além do assentamento das bases para sua transformação em uma empresa competitiva, capacitada para disputar, em igualdade de condições com as demais companhias, as novas oportunidades surgidas no mercado.

O ano de 1999 marca o surgimento de uma nova Petrobras. A Companhia conta com uma base sólida, sedimentada e comprovada ao longo de 46 anos, graças à sua capacidade gerencial e tecnológica na prospecção, produção e distribuição de petróleo e gás. A partir do ano que termina, ela passa a ser uma empresa com a mesma base, mas com outro perfil: mais ágil, mais sofisticada, mais transparente e mais competitiva. (PETROBRAS, 2009, p. 13)

Com esse novo cenário mais competitivo, a empresa analisou as oportunidades de negócios no Brasil e no exterior e, como resultado, criou sua nova administração, o que chamou de Plano Estratégico. O objetivo foi a elaboração do Plano Estratégico, com estudos bem elaborados, projetando os resultados, buscando oportunidades e estratégias, no sentido de direcionar o rumo e as melhores trajetórias de negócios. De acordo com a Petrobras (2009, p. 21), “Em linhas gerais, seu objetivo básico é consolidar a Petrobras na liderança do mercado brasileiro de petróleo, dentro das novas regras de concorrência que regem o setor”.

O setor petrolífero possui grande influência sobre a economia, especialmente no que diz respeito ao balanço de pagamento e contas públicas. Segundo Petrobras (1993), isso se deve a sua forte ligação com os demais setores, o que proporciona papel fundamental no processo de desenvolvimento econômico.

As alterações ocorridas nas últimas décadas, no que diz respeito às políticas industriais e de comércio exterior, tiveram como objetivo estimular a competitividade do setor. Nesse sentido, a Petrobras buscou manter o papel de introdutora do desenvolvimento, com alianças estratégias e parcerias com fornecedores, de modo a garantir a continuidade operacional dos segmentos industriais, além da introdução de mecanismos que aumentariam a produtividade do setor.

4.1.2 Presidentes

Diante dos fatos ocorridos nos anos 1990, que gerou grandes mudanças no desempenho, planejamento e ações da companhia, pode se observar que no governo do Fernando Collor de Melo a Companhia teve nada menos que 5 presidentes num período de dois anos. Como mostra a Tabela 21.

Luiz Octavio Carvalho da Motta Veiga, presidente da Petrobras em 1990, é advogado Em 1978, foi advogado da Shell do Brasil, onde permaneceu até 1980. Ainda em 1980, ocupou o cargo de assistente jurídico da diretoria na Anglo American. Foi presidente da Comissão de Valores Mobiliários e integrante da Comissão para Reestruturação do Mercado de Valores Mobiliários, de 1986 a 1988.

No anos seguinte, foi presidente da empresa Eduardo de Freitas Teixeira, economista, foi secretário executivo do Ministério da Fazenda, Ministro dos Transportes, das Comunicações do Brasil e Presidente da Petrobrás no governo Fernando Collor de Mello.

Durante o governo Itamar Franco, Joel Mendes Rennó, foi o único presidente da Petrobras neste periodo e o que ficou por mais tempo ficou neste cargo da maior na companhia

José Coutinho Barbosa, ingressou na Petrobrás em 1965. Entre 1967 e 1972, foi chefe de equipes de geofísica de campo na região amazônica e intérprete sísmico de várias bacias marítimas brasileiras na sede do Departamento de Exploração, no Rio de Janeiro. De 1973 a 1976, ocupou a gerência de Exploração da Braspetro no Cairo, Egito. Nesse período, integrou missões para a avaliação de negócios de exploração e produção de petróleo em países da América do Sul, África, Oriente Médio e Ásia. Assumiu, em 1985, o cargo de superintendente-adjunto da Superintendência dos Contratos de Risco, que ocupou até o ano seguinte. Entre 1999 e 2001 foi presidente da Petrobrás

2000.

Presidentes do Brasil Presidentes da Petrobrás

Nome Período Nome Período

Fernando Collor de

Melo Mar. 1990/Mar. 1992

Luís Octavio Carvalho da Motta

Veiga Mar. 1990/Out. 1990 Eduardo de Freitas Teixeira Out. 1990/Mar. 1991 Alfeu de Melo Valença Abr. 1991/Ago. 1991 Ernesto Teixeira Weber Ago. 1991/Maio 1992 Benedicto Fonseca Moreira Maio de 1992/Nov. 1992 Itamar Franco Nov. 1992/Jan. 1995 Joel Mendes Rennó Nov. 1992/Jan. 1995 Fernando Henrique

Cardoso Jan. 1995/Mar. 1999

Joel Mendes Rennó Jan. 1995/Mar. 1999 José Coutinho Barbosa Mar. 1999/Mar. 1999 Fonte: Elaboraço a partir de Coopetroleo (2010 apud Petrobras 2009)