No final da década de 1950, a Petrobras modestamente iniciou seu desenvolvimento tecnológico em pesquisa de Petróleo através dos estudos realizados pelo Centro de
Aperfeiçoamento e Pesquisa de Petróleo (CENAP). A introdução da pesquisa aplicada ocorreu na REDUC, que antes recebia petróleo do Oriente Médio, e necessitava avançar tecnologicamente nas suas condições de operação para poder utilizar o petróleo nacional, mais denso que o importado. O CENAP possibilitou esse avanço e, assim passou-se a utilizar mão- de-obra nacional, dando margem às demais refinarias, que passaram a exigir intervenções semelhantes.
A Estatal sempre procurou atender as necessidades do país em termos de expansão industrial e, com a modernização que acompanhou a década de 1960, a Petrobras decide criar seu próprio centro de pesquisa. Com a finalidade de atender suas demandas tecnológicas, cria em 1968 o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Migrez de Mello (CENPES), principal órgão executor de atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), ligado diretamente à direção executiva da empresa. Para Villela (1984), seu objetivo era atender as necessidades de P&D da empresa, além de elevar os índices de nacionalização dos equipamentos da Petrobrás através da substituição de importação.
O objetivo do Cenpes - Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello - é atender às demandas tecnológicas que impulsionam a Petrobras. Uma de suas principais áreas, a tecnologia é a base para a consolidação e a expansão da Petrobras no cenário da energia mundial. Como resultado das pesquisas realizadas, a Companhia domina, atualmente, inúmeras tecnologias, fazendo dela a maior empresa brasileira. (PETROBRAS, 2010, p. 9)
O CENPES está localizado na Ilha do Fundão (Cidade Universitária) no Rio de Janeiro. Suas instalações possuem 122 mil metros quadrados, sendo capaz de simular os processos tecnológicos das diferentes áreas da empresa, como: exploração, explotação, industrial, técnica e engenharia básica. A construção foi projetada pelo arquiteto Sérgio Bernardes, que desenhou os laboratórios à volta de um núcleo circular, como “asas elevadas acima do solo”, de forma que as tubulações de suprimento de gases, líquidos e infra-estrutura corressem por baixo, permitindo uma grande reorganização interna dos laboratórios conforme a necessidade (PETROBRAS, 2010).
Com quase 2.000 empregados distribuídos em uma área de 122 mil metros quadrados, o Cenpes conta com 30 unidades-piloto e 137 laboratórios que atendem aos órgãos da Companhia. A excelência do corpo técnico do Cenpes pode ser comprovada pelo número de pós-graduados. O Centro de Pesquisas da Petrobras encerrou o ano de 2007 com 178 doutores e 478 mestres em seu quadro efetivo. (PETROBRAS, 2010, p.12)
Com o desenvolvimento tecnológico proporcionado pelo trabalho no CENPES foi possível gerar patentes, fazendo da Petrobras a empresa que mais gera patentes no Brasil e no Exterior. “Os números de patentes depositadas no ano em 2007 demonstram que o Cenpes é um dos maiores centros de pesquisa aplicada do mundo. Só nesse ano, no Brasil, foram concedidas 22 patentes e depositadas 59 novas solicitações. Fora do país foram depositados 129 pedidos e obtidas 29 patentes” (PETROBRAS, 2010).
Villela (1984, p. 163) apresenta as áreas de atuação do CENPES, como:
• Exploração – geologia, bioestratigrafia, geoquímica, geofísica.
• Explotação – geologia para a exploração, tecnologia de perfuração, tecnologia de produção, tecnologia de reservatórios.
• Indústria – refinação e catálise, petroquímica, polímeros e fertilizantes, tecnologia de produtos, fontes alternativas de energia.
• Apoio Técnico – química, engenharia metalúrgica (de materiais e de equipamentos), análises de rochas, fluidos de matérias, informação técnica e propriedade industrial.
• Engenharia Básica – projetos industriais (refinação e tratamentos; petroquímica, fertilizantes e alcoolquímica; fontes alternativas e conservação de energia) : - projetos de exploração;
- projetos de equipamentos e sistemas.
Em 1968, com apenas cinco anos de fundação, as pesquisas do centro já auxiliavam nas primeiras descobertas de petróleo no mar, como no caso do Campo de Guaricema, em Sergipe e, “no mesmo ano foi perfurado o primeiro poço submarino na Bacia de Campos, RJ, onde se descobriram cerca de 85% da produção nacional de petróleo.” (PETROBRAS, 2010).
Em 1976 foi criada a área de Engenharia Básica da Petrobras, integrada à P&D do CENPES, o que possibilitou o lançamento no mercado nacional da linha LUBRAX, com mais de cem produtos com diversas aplicações nas áreas automotiva, industrial e aviação, bem como nos setores ferroviário e marítimo.
Na década de 80, o CENPES intensifica as pesquisas em águas profundas, investindo pesadamente na Bacia de Campos, o que resultou no primeiro recorde mundial atingido com a perfuração de poços de lâminas d’água superiores a 1200 metros, além da produção a profundidades de cerca de 400 metros. No mesmo período foi lançado o Plano Diretor, com os objetivos de promover o aumento dos recursos orçamentários de 0,2% para 0,6% e criar três centros tecnológicos com finalidades específicas: exploração & produção, industrial (refino, petroquímica e fertilizantes) e treinamento.
Desde então, o Centro vem contribuindo com a adaptação de novas tecnologias à realidade brasileira, respondendo às demandas tecnológicas, inclusive desenvolvendo tecnologia para produção do combustível utilizado na Fórmula 1 sem precisar importar conhecimento de fora. Fato que comprova o sucesso do CENPES como o maior Centro de
Pesquisas da América Latina, é ter vencedor do prêmio mais importante do setor petrolífero mundial, o Offshore Technology Conference, em reconhecimento à sua notável contribuição para o avanço da tecnologia de produção em águas profundas. A Petrobras passa a destinar ao centro 1% de sua renda bruta e, assim, integra o rol das Companhias que mais investem em pesquisa e desenvolvimento no mundo. (PETROBRAS, 2010).
Em 2006, a Petrobras comemora a auto-suficiência sustentável do Brasil na produção de petróleo e gás, com a entrada em operação das plataformas P-34 e P-50, cujos projetos foram desenvolvidos pelo Cenpes, com importantes inovações tecnológicas. A Companhia anuncia ainda a descoberta do H-Bio, um inovador processo de refino que utiliza uma parcela de óleo vegetal na produção do diesel convencional. [...] Em 2007, a Petrobras anuncia a descoberta da área de Tupi, na Bacia de Santos, com grande concentração de petróleo e gás em seções de pré-sal. A nova fronteira poderá aumentar em 50% as reservas de óleo e gás no país e, para a produção desta jazida ter viabilidade comercial, muito está sendo investido em tecnologia. Também é destaque a entrada em operação da primeira planta piloto de bioetanol (etanol de lignocelulose) do Brasil pela via enzimática. Esta planta coloca a Petrobras na vanguarda dos biocombustíveis de 2ª geração, aqueles fabricados a partir de resíduos agroindustriais. (PETROBRAS, 2010, p.18)