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Ao longo do texto, foram discutidas algumas questões relativas à adolescência, sua constituição identitária e à relação entre a participação da capoeira e essa constituição. Embora este trabalho reflita a realidade de um grupo específico e a sua ampliação em outros contextos seja importante para enriquecer a discussão e o conhecimento dessas questões, algumas reflexões significativas podem ser feitas, tendo o presente estudo como um ponto de partida.

Um primeiro tópico é a relação entre a influência da família e a participação da capoeira, dos colegas de capoeira e do Mestre na formação da identidade do adolescente. Ficou claro que a capoeira tem um papel importante entre as atividades que despertam o interesse e o prazer dos alunos e que ela gera mudanças no seu devir. Entretanto, essa importância da capoeira não supera a base familiar e dos amigos na estruturação de valores e referências nem sobrepõe o valor dos estudos como forma de alcançar metas futuras, as quais, por sua vez, incluem a capoeira como atividade a ser praticada, mas se baseiam primordial e novamente, nos referenciais familiares.

No presente estudo, a capoeira é uma complementação a uma base sólida advinda de uma família estruturada, somada a uma rede de amigos já existente, mas ampliada com a capoeira. Ou seja, embora os adolescentes percebam mudanças na sua forma de ser após a prática da capoeira, a base familiar ainda é o eixo primordial que estrutura sua identidade. Entretanto, um elemento fundamental surgido deste estudo, é o papel do Mestre, do professor de capoeira na orientação e no “controle” dos alunos. No presente estudo, a díade família – amigos se apresenta como a principal referência de base, de valores já assimilados e que determinam em grande medida as escolhas futuras dos adolescnetes. Porém, é incorporada a essa base, em grande escala, no que diz

Considerações Finais

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respeito à assimilação de novos referenciais, a posição do professor, a postura pedagógica por ele assumida e que se apresenta bastante significativa para estes adolescentes como elemento de orientação em relação a valores a serem incorporados nessa nova busca de referenciais que a adolescência representa.

Fica o questionamento de como seria essa relação em se tratando de crianças advindas de famílias não estruturadas ou mesmo órfãs. Não há como definir os resultados do presente estudo como definitivos e universais. Faz-se necessário estudar esta relação em contextos nos quais a base familiar não seja tão significativa para se conhecer o grau de participação da capoeira e do professor nestes contextos. Tais estudos podem ajudar a entender a popularidade que a capoeira assume em projetos sociais em comunidades carentes, os quais não foram o foco da presente pesquisa. Pode- se supor que na carência de um referencial familiar, os adolescentes busquem esse referencial em outras redes de relacionamento e a capoeira venha a se tornar uma dessas referências. Entretanto, para que uma afirmação como esta seja feita com segurança, outros estudos tornam-se necessários.

Outra constatação que surge é a multiplicidade de fatores que levaram os adolescentes a procurar a capoeira como uma prática, bem como a diversidade de informações fornecidas em relação à forma como eles vêem o que é a capoeira em suas vidas hoje. Isso reflete a riqueza e a diversidade que caracterizam a capoeira, tornando-a um recurso de múltipla utilidade.

Cabe aos profissionais que trabalham com essa atividade conhecerem as possibilidades que ela oferece para melhor aproveitarem seu potencial. Saber como e quanto ela pode influenciar na constituição da identidade de seus alunos e que valores podem ser agregados a esses sujeitos é de grande importância. Somado a isso o fato de que os próprios adolescentes atribuem ao professor uma grande responsabilidade no

“controle” de questões como a violência ou o preconceito social que por vezes é

associado a essa atividade, em especial quando mal orientada, torna-se ainda mais pertinente a preocupação com a capacitação do professor que deverá atuar com uma maior responsabilidade.

Não há como ignorar que a postura pedagógica dos professores de capoeira pode ser decisiva, tanto na formação de seus alunos como também na importância que a capoeira pode vir a ter como recurso pedagógico. Orientar ou moldar, limitar ou desenvolver, crescer ou estagnar, tudo isso depende da postura do profissional de capoeira.

Os adolescentes reconhecem a importância desse exemplo como decisiva na delimitação de limites, na orientação positiva ou negativa dos alunos. Os profissionais precisam também estar cientes de sua postura pedagógica e de seu papel na formação não apenas de jogadores de capoeira, como também de cidadãos bem ajustados na sociedade. Uma formação sólida dos profissionais, uma busca constatne por conhecimento e crescimento profissional, uma capacitação pedagógica são elementos não mais secundários ao desempenho dentro da roda, quando se trata de atuar profissionalmente com uma modalidade que pode ser bastante determinante na formação da identidade de seus praticantes.

Em qualquer idade isso seria importante, mas em relação ao presente estudo, no qual o adolescente é o foco, vale ressaltar que é primordial que os profissionais que trabalham com a capoeira, além dos conhecimentos sobre a capoeira, também conheçam o que essa fase da vida representa, quais os conflitos ou as transformações pelas quais o adolescente passa, para melhor orientá-los.

Uma outra questão levantada no presente estudo sobre este papel do professor é a orientação que ele deve dar aos seus alunos, em relação ao preconceito e à violência

Considerações Finais

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por vezes associados à capoeira. Vale aqui uma reflexão crítica sobre este tópico, abrindo uma brecha para discussões futuras. Essa reflexão está na origem deste preconceito e desta violência. A capoeira surgiu de um passado de resistência, de perseguição. Ela incorpora em sua história uma atitude de rebeldia que, muitas vezes, se identifica com a rebeldia adolescente, daí a grande identificação destes com a capoeira. Entretanto, este passado e esta história refletem-se ainda hoje, na capoeira, através do preconceito por ela carregado e da imagem de violência muitas vezes ainda alimentado pelos seus praticantes, pouco conscientes do que isso representa hoje e do que representou em outros momentos, em que esta atividade era o intrumento de defesa de uma classe oprimida. Quando adolescentes de classe média e média alta questionam e se opõem ao preconceito que a capoeira sofre, vale discutir se esta rebeldia é contra o preconceito original, sócio-cultural, contra o preconceito que atinge a classe de onde a capoeira surgiu, ou apenas uma luta pela aceitação de uma modalidade incorporada em seu meio, a qual eles querem ver aceita como uma prática desportiva, cultural, bem conceituada.

O presente estudo não objetivou discutir a questão do papel pedagógico do professor especificamente nem a história da capoeira, nem a questão do preconceito ou da violência, nem a musicalidade, nem qualquer outro componente particular deste

ethos capoeirístico. O presente estudo tentou colher dos adolescentes uma visão geral do

que este ethos pode representer em suas vidas; entretanto, das várias possibilidades de afunilamento desta análise, a mais contundente nas falas dos adolescentes, está na postura do professor, na orientação e no “controle” que este deve ter de seus alunos para conduzí-los de forma adequada, pacífica e saudável. Estes aspectos isolados, a postura didática do profissional de capoeira, a violência e o “controle” da violência na capoeira,

o preconceito são tópicos que permitem e pedem novos estudos. Muito ainda há para se questionar e debater acerca destas questões.

Fica aqui a sugestão para que estes temas sejam aprofundados e fica também, e principalmente, um alerta aos profissionais que trabalham com a capoeira, em qualquer idade, mas em especial com adolescentes, que estejam conscientes de seu papel e da importância de uma sólida formação para atuar nesta área. Não basta jogar capoeira, não basta estudar capoeira; é preciso que os professores e as escolas de capoeira procurem ter uma postura metodológica embasada e responsável para conduzir seus trabalhos.

Enfim, o presente estudo revela a necessidade da compreensão de que a prática da capoeira vai além de uma atividade física, sendo, também, uma atividade componente da rede de referenciais que constituem os valores, os princípios e a identidade dos adolescentes que a praticam. Essa tomada de consciência é importante, tanto para aqueles que com ela trabalham, de modo a explorarem melhor e adequadamente seu potencial, como para os familiares que devem saber a que profissional entregar seus adolescentes e, principalmente, para o próprio adolescente que, num momento de experimentação, de descoberta, de definição de um novo status, adulto, carece de oportunidades bem como de limites, de desafios, de regras, de referenciais que o façam sentir-se um indivíduo singular e, ao mesmo tempo, integrado na sociedade em que vive. A capoeira pode refletir essa sociedade e essa identificação com referenciais que compõem a descoberta de um eu adulto, identificado.

Considerações Finais

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“Então o que é que a gente tem próprio? Que mistura música, que mistura alegria, que mistura movimento, que mistura cultura, que mistura gente? Eu acho que é o maior símbolo do Brasil, por que mistura todos os pontos que o brasileiro tem, sabe, a amizade, rivalidade também, ás vezes, a alegria, a música, a dança, a luta também, a luta que o brasileiro tem pra ganhar na vida. Então é assim, uma coisa, que eu acho que é a mais característica, mais própria.”

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Anexo 1. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Senhores pais e/ou responsáveis e alunos,

O Mestrado da Universidade Católica de Brasília se propõe a desenvolver pesquisas em diversas áreas. Estamos realizando neste momento uma pesquisa na área da Psicologia do Desenvolvimento com o objetivo de melhor conhecer a relação entre o sujeito adolescente, a constituição de sua identidade e a participação da prática da capoeira nesse processo.

Esta pesquisa será realizada com pessoas que tenham entre 12 e 16 anos e que participam das aulas de capoeira na ACM – Associação Cristã de Moços.

Os sujeitos da pesquisa serão convidados a participar de 5 (cinco) encontros: o1 primeiro destinado a aplicação de um questionário. O quinto para uma entrevista individual; enquanto no segundo, terceiro e quarto encontros, o menor participará de reuniões de grupo para debater sobre a capoeira. Estes encontros de grupo serão gravados em áudio, por meio de um aparelho de MP3, gravador de voz e posteriormente transcritos para análise das informações.

As entrevistas individuais serão realizadas após as reuniões de grupo se houver necessidade de maiores esclarecimentos sobre as questões discutidas e serão agendadas com antecedência. Estas entrevistas também serão gravadas e transcritas.

Os 5 encontros serão coordenados pela pesquisadora, Psicóloga Yara Camargo Cordeiro, CRP 8228 - DF, e Mestranda em Psicologia da Universidade Católica de Brasília, matrícula UC05084336 e acontecerão na própria instituição onde ocorrem as aulas de capoeira.

Os encontros de grupo para debater sobre capoeira terão duração de aproximadamente 90 minutos

Os dados a serem obtidos nas atividades de pesquisa subsidiarão a dissertação de Mestrado da pesquisadora Yara Camargo Cordeiro e visam ajudar a compreender melhor a relação entre a prática da capoeira e constituição identitária dos adolescentes, contribuindo, assim, para a melhor utilização desta relação, além de auxiliar futuras pesquisas e trabalhos que envolvam a capoeira e o público adolescente.

Esclarecemos que o tratamento dos dados será feito a partir de preceitos éticos exigidos pelas pesquisas científicas, não acarretando em nenhum risco de danos físicos, morais ou psicossociais dos participantes. Os resultados da pesquisa poderão ser publicados em eventos e periódicos científicos, preservando-se a integridade dos participantes da pesquisa, mantendo-se em rigoroso sigilo sobre sua identidade.

Dessa forma, solicitamos ao responsável, o consentimento, livre e espontâneo, expressando a sua autorização para participação do menor na pesquisa, bem como a declaração do menor, de seu interesse em participar da mesma.

Por meio deste termo de consentimento livre e esclarecido autorizo meu filho(a) ... a participar da pesquisa que fundamentará a Dissertação de Mestrado intitulada: A relação entre a constituição de identidade e a

prática da capoeira.

Estou ciente de que a participação do menor acima citado não implicará em qualquer forma de divulgação comercial nem em nenhum dano físico, moral ou psicossocial dos envolvidos na pesquisa.

Durante a realização dos encontros terei a plena liberdade de retirar o meu consentimento, assim como o menor poderá decidir não mais participar da pesquisa, em qualquer uma de suas fases, sem penalização alguma e sem prejuízo a minha pessoa ou do menor pelo qual me responsabilizo.

Observação: nos encontros haverá respeito aos valores culturais, sociais, morais, religiosos e éticos, bem como aos hábitos e costumes de cada participante da pesquisa. Esse documento é constituído de duas páginas numeradas e será assinado por um responsável por cada participante dos 5 encontros em duas vias, sendo uma via do responsável da pessoa pesquisada e outra via do pesquisador.

Nome da Pesquisadora: Yara Camargo Cordeiro - Mestranda em Psicologia Telefone para contato: 9994.3577

Assinatura:______________________________________________________

Nome da Professora Orientadora responsável pela pesquisa: CARMEN JANSEN DE CÁRDENAS

Telefone para contato: 3448.7147

Assinatura: ______________________________________________________ Nome do Participante:______________________________________________ Assinatura do participante: __________________________________________ Nome do Responsável: _____________________________________________ Assinatura do responsável: __________________________________________ Endereço do participante: ___________________________________________ CEP: _________________ Telefones: _____________/ ____________ Brasília, ______/______/2006.

Coloco-me a disposição para eventuais dúvidas e/ou esclarecimentos através do telefone: 9994.3577 e e-mail: [email protected]

YARA CAMARGO CORDEIRO CRP 0882 - DF Psicóloga e Mestranda em Psicologia

Anexo 3. Questionário

QUESTIONÁRIO

Por favor, leia cada uma das questões e responda de forma clara e sincera. Não há respostas certas ou erradas. Caso tenha dúvida na resposta de alguma das questões, responda o que tiver certeza, deixando em branco o que não souber.

1 - Idade:

2 - Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino 3 - Há quanto tempo pratica capoeira: ______________

4 - Você mora com:

( ) Pai ( ) Mãe ( ) Irmãos ( ) Avós

5 - Você mora em:

( ) Casa própria ( ) Casa alugada

6 - Você estuda em:

( ) Colégio Público ( ) Colégio Particular

7 - Você está em que ano no colégio: _____________

8 - Você pensa em cursar faculdade?

( ) Sim ( ) Não ( ) Ainda não sei

9 - Se pensa? Qual Curso? Onde? ( ) Ainda não sei

Curso: _______________________ Onde: _____________________

10 – Você planeja casar e ter filhos?

( ) Sim ( ) Não ( ) Ainda não sei

11 - Você pratica outras atividades regulares além da capoeira tais como, estudo de línguas, outros esportes, atividades culturais?

( ) Sim ( ) Não

12 - Se pratica: Quais? E há quanto tempo?

Atividade: _________________________ Tempo: ____________________ Atividade: _________________________ Tempo: ____________________ Atividade: _________________________ Tempo: ____________________

13 – Você escolheu participar dessa(s) atividade(s) com a ajuda de familiares, amigos ou professores?

( ) Sim. Quem: ____________________ ( ) Não. Escolhi sozinho.

14 – Por que decidiu praticar capoeira?

15 – Você acredita que a prática da capoeira mudou sua forma de ser? ( ) Sim ( ) Não

16 – Se mudou. Em quê?

17 – Você mantém contato, pessoalmente, telefonemas, internet,..., com seus colegas de capoeira além dos encontros nas aulas?

( ) Sim ( ) Não

18 – Se mantém, como e com que freqüência?

19 - Você costuma fazer outras atividades com seus colegas de capoeira além das aulas regulares? Quais?

20 - Você acha seus colegas de capoeira são apenas colegas de aula ou uma turma de amigos?

21 – Você tem interesse de participar de entrevistas e de encontros de grupo para falar sobre a capoeira e como ela interfere na sua vida?

Anexo 4. Roteiro das reuniões de Grupo Focal

REUNIÕES DE GRUPO FOCAL

Por favor, falem sobre os assuntos que iremos propor de forma clara e sincera. Um de cada vez.

Não há respostas certas ou erradas.

1º encontro:

Dia: _____/____/______

Horário: início ______________ término ______________

ƒ “Identidade” – perguntas: Como me vejo? Planos? Gostos? Certezas?

ƒ “Crise de identidade” – perguntas: Incertezas? Conflitos? Ocupações X projetos?

2º encontro:

Dia: _____/____/______

Horário: início ______________ término ______________

ƒ Família – perguntas: Relacionamento familiar?

ƒ “grupo” – perguntas: Quais atividade mais se identifica? Por que? Amigos?

ƒ “o que entende por capoeira” – perguntas: O que é capoeira?

3º encontro:

Dia: _____/____/______

Horário: início ______________ término ______________

ƒ “Como a capoeira participa na vida” – perguntas: Importância? Tempo