Para Le Coadic (1996, p. 27)
As atividades científicas e técnicas são o manancial de onde surgem os conhecimentos científicos e técnicos que se transformarão, depois de registrados, em informações científicas e técnicas. Mas, de modo inverso, essas atividades só 10 15 9 9 10 12 14 14 12 25 25 13 29 31 0 5 10 15 20 25 30 35 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
existem, só se concretizam, mediante essas informações. A informação é o sangue da ciência. Sem informação, a ciência não pode se desenvolver e viver. Sem informação a pesquisa seria inútil e não existiria o conhecimento. Fluido precioso, continuamente produzido e renovado, a informação só interessa se circula, e, sobretudo, se circula livremente.
A comunicação é essencial para a ciência, sem informação o conhecimento não avança, não se desenvolve, não se renova. Por isso, os veículos de comunicação e divulgação do conhecimento científico assumem papel de destaque na atualidade, sobretudo, com o advento das novas tecnologias da informação e comunicação.
Para Targino (2000, p. 13) “A comunicabilidade é parte integrante da produção científica, uma vez que permite o reconhecimento do pesquisador pela comunidade científica, reconhecimento este, que é condição sine qua non para garantir o sucesso dos cientistas [...]”.
Ainda para Targino (2000, p.18), a divulgação do conhecimento científico à comunidade científica é uma necessidade da ciência e do pesquisador, pois, espera-se que as novas “[...] concepções formuladas tornem-se contribuições científicas reconhecidas pelos pares, devem ser comunicadas de forma a favorecer sua comprovação e verificação, e a seguir, sua utilização em novas descobertas”.
Mueller (2000, p. 23), por sua vez, enfatiza que a comunicação científica se utiliza de canais formais e informais. No primeiro caso, são geralmente as publicações que possuem ampla divulgação como periódicos e livros. Dentre esses, “[...] o mais importante, para a ciência, são os artigos publicados em periódicos científicos”. (MUELLER, 2000, p. 23)
O periódico científico é um dos veículos de comunicação do conhecimento entre os pares da comunidade científica.
Como veículo de comunicação do conhecimento, o periódico cumpre funções de registro oficial público da informação [...] Ele cumpre, entretanto, também outra importantíssima função, qual seja, a de definir e legitimar novas disciplinas e campos de estudos, constituindo-se em um legítimo espaço para institucionalização do conhecimento e avanço de suas fronteiras (MIRANDA; PEREIRA, 1996, p. 376).
Ao constituírem-se como espaço de divulgação de novos campos de pesquisa, os periódicos científicos também expõem as perspectivas de análises dos objetos de estudo, seja dos já consolidados ou dos novos constructos. Por isso, esse tipo de veículo é um importante instrumento de disseminação do conhecimento científico.
No âmbito da disseminação científica, os periódicos científicos estão se transformando em suportes de extrema importância para o meio acadêmico. Sua evolução, principalmente com relação ao seu formato, é inegável, sendo o meio eletrônico, por excelência, o mais utilizado na atualidade para os periódicos científicos, que, originalmente, eram impressos. Há que considerar ainda aqueles que iniciaram sua publicação em formato eletrônico e não têm equivalente no
formato impresso, e as formas de divulgação como arquivos de fonte aberta (open source), que aumentam significativamente as oportunidades de acesso para os interessados [...] (REIS; GIANNASI-KAIMEN, 2007, p. 256).
Os periódicos científicos, de acordo com Biojone (2003, p. 47), “[...] podem auxiliar na análise da evolução da ciência e da evolução das prioridades das políticas científicas ao refletir a produção científica das diversas áreas do conhecimento”. Por isso, tornou-se um importante suporte à pesquisa acadêmica.
Biojone (2003) considera que os periódicos científicos exercem várias funções, como, por exemplo: memória e arquivo da informação científica, preservação e documentação do conhecimento científico, estimula a comunicação científica entre os pesquisadores, formalização do conhecimento, disseminação e disponibilização para leitura e interpretação. Por isso, o periódico científico pode ser “[...] considerado como a base do conhecimento coletivo, refletindo dessa forma a produção científica de uma determinada área” (BIOJONE, 2003, p. 44).
A dissertação de Oliveira (2006), intitulada Uso de periódicos científicos eletrônicos
entre os docentes e pós-graduandos do Instituto de Geociência da USP identificou que os
periódicos eletrônicos estão incorporados às atividades de ensino e pesquisa de docentes e pós-graduandos, embora a cultura de utilização dos periódicos impressos ainda esteja presente. Constatou, também, que a utilização dos periódicos eletrônicos tem crescido nos últimos dez anos em função do aumento do número de títulos disponíveis, da regularidade das edições, melhorias nas condições de acesso, confiabilidade adquirida e, ainda, pela possibilidade de acesso à informação de forma rápida e com baixo custo operacional.
Os periódicos não são, porém, os únicos instrumentos utilizados no processo de comunicação científica. Os outros meios são as publicações resultantes de congressos e reuniões científicas, além dos livros científicos. Esses produtos são utilizados com intensidades diferentes, de acordo com a área de pesquisa. No entanto, o periódico é, na maioria das vezes, o meio mais utilizado para a publicação dos resultados de pesquisas em diversas áreas do conhecimento (BIOJONE, 2003, p. 23).
Na pesquisa realizada por Costa (2007) sobre a análise do uso de periódicos científicos na transição do meio impresso ao eletrônico em dissertações e teses: o impacto do portal de periódicos/CAPES na produção do conhecimento, identifiquei que a vantagem do periódico eletrônico em relação ao impresso está relacionada à velocidade e dinamização do acesso (espaço/tempo); em função dessa dinâmica os pesquisadores estão citando mais títulos e mais rapidamente.
Para identificar os periódicos que mais publicaram artigos dos líderes dos grupos de pesquisa do campo do currículo, recorri novamente ao Currículo Lattes dos pesquisadores e selecionei os artigos que abordavam a temática curricular. Posteriormente, identifiquei e relacionei os periódicos nos quais foram publicados os textos.
No final desse mapeamento, cheguei ao total de treze periódicos, os quais concentram a maioria das publicações da área (181 artigos), quais sejam: Currículo sem Fronteiras,
Revista e-Curriculum (PUCSP), Revista Espaço do Currículo, Educação e Realidade, Revista Teias (UERJ. Online), Educação & Sociedade (Impresso), Revista de Educação. AEC, Revista da SBEnBIO, Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Chagas), Presença Pedagógica, Revista Brasileira de Educação, Educação em Revista (UFMG. Impresso), Revista de Educação Pública. O quadro 25 apresenta o quantitativo de artigos publicados por
esses periódicos.
Quadro 28: Número de artigo sobre currículo publicado por cada periódico.
Nº PERIÓDICOS Nº ARTIGOS
01 Currículo sem Fronteiras 29
02 Revista e-Curriculum (PUCSP) 24
03 Revista Espaço do Currículo 19
04 Educação e Realidade 19
05 Revista teias (UERJ. Online) 17
06 Educação & Sociedade (Impresso) 13
07 Revista de educação. AEC 11
08 Revista da SBEnBIO 11
09 Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Chagas) 08
10 Presença Pedagógica 08
11 Revista Brasileira de Educação 08
12 Educação em Revista (UFMG. Impresso) 07
13 Revista de Educação Pública 07
TOTAL 181
Fonte: CNPq, 2014.
Dos 181 artigos publicados nos periódicos acima relacionados foram localizados apenas 11831. Os artigos da Revista de Educação - AEC não estão disponíveis no formato eletrônico. Os artigos da Revista Presença Pedagógica só podem ser acessados por meio de assinatura. Apenas três artigos da Revista SBEnBIO foram localizados. Da Revista de
Educação Pública também foram localizados 03 artigos. Da Revista Espaço do Currículo
foram obtidos 14 artigos. Da Revista Educação e Sociedade foram extraídos 10 artigos. Da
Educação em Revista foram acessados 06 artigos. Do Caderno de Pesquisa (da Fundação
Carlos Chagas) foram listados 07 artigos. Da Revista E-currículo foram anotados 21 artigos.
Da Revista Educação e Realidade foram computados 08 artigos e da Revista Teias 15 artigos. Da Revista Brasileira de Educação foram encontrados 08 artigos. Da Revista Currículo sem
fronteira todos estavam disponíveis.
A Revista Educação e Sociedade, embora os pesquisadores tenham indicado a versão impressa, os textos no formato eletrônico são equivalentes ao impresso e estão disponíveis no sítio do periódico. Para Oliveira (2006, p. 61) “[...] a coexistência dos formatos impresso e eletrônico do mesmo periódico facilita o processo de aceitação dos periódicos eletrônicos, pois integra a confiabilidade da versão impressa à rapidez da eletrônica”.
Nesta perspectiva, Meadows (2001, p. 05) afirma que os
Usuários de periódicos agora têm a chance de ler uma comunicação tanto em papel quanto na tela do computador. O que eles escolhem fazer depende de suas preferências pessoais (relativas a facilidade de acesso etc.) e das características do grupo de pares (tais como que canal é mais útil para o grupo). Contudo, as formas de apresentação, impressa ou eletrônica, podem também complementar uma à outra. É verdade, por exemplo, que muitos leitores preferem realizar pesquisas (search) eletronicamente, mas consultar o material (browse) em papel. Consequentemente uma transição do impresso para o eletrônico não implica necessariamente uma total eliminação do uso do impresso. Mais que isso, significa que o emprego paralelo dos dois meios permite diversificar o processo de publicação.
A publicação do periódico no formato impresso e eletrônico facilita o acesso à informação e permite maior circulação do conhecimento científico. Por isso, a publicação de artigos nesses veículos alcança um número maior de leitores em um curto espaço de tempo, do mesmo modo que possibilita que os resultados das pesquisas sejam compartilhados dentro do campo científico e cheguem em tempo exíguo aos pesquisadores.
Nos quadros 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33 e 34 apresento a quantidade de artigos publicadas pelos líderes de grupos de pesquisa do campo do currículo nos periódicos
Currículo sem Fronteiras, Revista E-curriculum, Revista Espaço do Currículo, Revista Educação e Realidade, Revista Teias, Revista Educação e Sociedade, Cadernos de Pesquisa
(Fundação Carlos Chaga), Revista Brasileira de Educação e Educação em Revista (UFMG). A Revista Currículo sem Fronteiras é classificada na avaliação do sistema Qualis da CAPES como A2, sendo indexada em oito bases de dados: duas nacionais e seis internacionais. Possui três editores, são eles: João M. Paraskeva, Luís Armando Gandin e Álvaro Moreira Hypolito. Seu conselho editorial é formado por pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Neste periódico, foram publicados 29 artigos pelos autores relacionados no Quadro 26:
Quadro 29: Relação de líderes que mais publicaram artigos no periódico Currículo sem Fronteira
PERIÓDICO LÍDERES QUANT. DE ARTIGOS