1.1 Bakgrunn og teoretisk grunnlag
1.1.4 Ledelsesstrategier for kvalitetsforbedring
Os eventos científicos são momentos formativos inestimáveis, contribuem para a socialização da pesquisa, o diálogo entre os pesquisadores, a troca de conhecimento e retroalimenta as pesquisas em andamento.
Para Targino (2000, p. 19-20), os eventos científicos caracterizam-se como comunicação científica informal, pois,
[...] consiste na utilização de canais informais, em que a transferência da informação ocorre através de contatos interpessoais e de quaisquer recursos destituídos de formalismo, como reuniões científicas, participação em associações profissionais e colégios invisíveis. É a comunicação direta pessoa a pessoa. Chamada por Le Coadic (1996) de comunicação oral, incorpora formas públicas de troca de informações, tais como conferências, colóquios, seminários e congêneres, e particulares ou privadas - conversas, telefonemas, cartas, fax, visitas in loco a centros de pesquisa e laboratórios.
Embora seja um canal informal de comunicação, os eventos científicos propiciam momentos de diálogos que enriquece a pesquisa, contribuem para o seu aprimoramento, além de possibilitar o fortalecimento dos grupos de pesquisas. Além disso, favorecem o contato pessoal “É ele que cria laços humanos, propiciando confidências, trocas de opinião e o fortalecimento do espírito de grupo” (TARGINO, 2000, p. 20).
Na pesquisa realizada por Ranzan (2006) denominada de “Eventos científicos como instância de produção e divulgação do conhecimento científico para os grupos de pesquisa em educação”, a autora investigou a contribuição que os encontros científicos proporcionam aos grupos de pesquisa de um programa de mestrado em educação. A autora analisou a partir das seguintes categorias: a dinâmica interna dos grupos pesquisados, a comunicação com outros
grupos de pesquisa, as produções e a participação em eventos científicos. Frequentemente publicações das produções dos grupos ocorrem primeiramente nos eventos científicos e posteriormente nos periódicos. Para a autora, “As produções, discutidas no interior dos grupos e apresentadas nos encontros científicos aos pares, adquirem o aval da comunidade científica, atualizam a discussão, e permitem o avanço do conhecimento científico” (RANZAN, 2006, p. 12).
Os eventos científicos reúnem em um único local vários membros de uma comunidade científica, por isso, contribuem para ampliar a comunicação pessoal e favorecem a troca de informações de maneira intensa (CAMPELLO, 2000). Por isso, a participação em eventos científicos permite ao pesquisador uma constante atualização
[...] em relação aos avanços de sua área, inteirando-se do que os outros cientistas estão fazendo e, por outro lado, mostrando o que ele próprio está realizando, como forma de ter seu trabalho avaliado pelos seus pares e de garantir a prioridade de suas descobertas (CAMPELLO, 2000, p. 55).
A oportunidade de dialogar com seus pares é de fundamental importância ao pesquisador e para o desenvolvimento do conhecimento científico. Os eventos científicos proporcionam esses momentos de interação entre os pesquisadores, como por exemplo, nas seções de comunicação oral interativa.
A grande quantidade de eventos de caráter científico que ocorrem atualmente em todas as áreas do conhecimento mostra que o encontro pessoal ainda é uma forma de comunicação que muito agrada aos cientistas e pesquisadores. Mesmo com as novas possibilidades trazidas pela tecnologia, como, por exemplo, as teleconferências e as listas de discussão via correio eletrônico, que permitem a comunicação rápida e a baixo custo, os encontros continuam a ocorrer com frequência, reunindo os membros de uma comunidade científica e/ou técnica para exporem e discutirem seus trabalhos, envolvendo-os num processo de avaliação que constitui o cerne da atividade de pesquisa (CAMPELLO, 2000, p. 56).
Por isso, a participação em eventos científicos é importante para o pesquisador, pois influencia o desenvolvimento de sua pesquisa e, sobretudo, sua formação. Nesses eventos o acesso à informação se dá de forma mais rápida, o diálogo com os pares é mais intenso. Os trabalhos são avaliados em dois momentos, a saber, antes do evento, realizada pela comissão científica e durante o evento nas seções de apresentação das comunicações orais interativas, por isso, há enriquecimento à pesquisa, seja no aspecto teórico e/ou metodológico.
Quadro 18: Eventos onde circulam os líderes de grupos de pesquisa que discutem o currículo.
Nº EVENTO Participações
01 ENDIPE – Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino. 44
02 Colóquio Luso-brasileiro sobre Questões curriculares 38
03 REUNIÃO ANUAL DA ANPED – Associação Nacional de Pós-Graduação e
Pesquisa em Educação 36
04 Colóquio Internacional de Políticas e Práticas Curriculares 27
05 EPENN – Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste - Reunião
Científica Regional da ANPEd Norte/Nordeste. 17
06 SBPC 13
07 Encontro de Pesquisa em Educação da Região Sudeste - Reunião Científica
Regional ANPEd SUDESTE 12
08 REDESTRADO – Red Latinoamericana de Estudios Sobre Trabajo Docente 10
09 Congresso Luso-Brasileiro de História da Educação 10
10 Conferência Nacional de Educação 09
11 ANPED – SUL. Reunião Científica da ANPED 08
12 Encontro de Pesquisa em Educação da Região Centro Oeste - Reunião
Científica Regional ANPEd Centro Oeste 08
13 Congresso Nacional de Educação – EDUCERE 07
14 Simpósio Brasileiro de Política e Administração da Educação 07
Fonte: CNPq, 2014
Os eventos mais frequentados pelos líderes de grupos de pesquisa são: Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino; Colóquio Luso-Brasileiro sobre Questões Curriculares; Reunião Anual da ANPED; Colóquio Internacional de Políticas e Práticas Curriculares; Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste - Reunião Científica Regional da ANPEd Norte/Nordeste; SBPC; Encontro de Pesquisa em Educação da Região Sudeste - Reunião Científica Regional ANPEd SUDESTE, REDESTRADO, Congresso Luso- Brasileiro de História da Educação, Conferencia Nacional de Educação; ANPED – Sul. Encontro de Pesquisa em Educação da Região Centro Oeste - Reunião Científica Regional ANPEd Centro Oeste, Congresso Nacional de Educação e Simpósio Brasileiro de Política e Administração da Educação.
Dos eventos supracitados, os organizados pela ANPEd são os que mais tem mobilizado os pesquisadores do campo do currículo. Somando as participações nas Reuniões Anuais da ANPEd e nos encontros regionais, a saber, Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste – EPENN – Reunião Científica Regional da ANPEd Norte/Nordeste, Encontro de Pesquisa em Educação da Região Sudeste - Reunião Científica Regional ANPEd Sudeste, ANPED – SUL e Encontro de Pesquisa em Educação da Região Centro Oeste - Reunião Científica Regional ANPEd Centro-Oeste, totalizei 58 (78%) líderes da área do currículo participando desses eventos. Tal procura se justifica pela importância que esta associação tem na área de educação, tornando-se o fórum prioritário para a discussão e disseminação da produção científica da área, quando se trata de evento.
A ANPEd é uma das principais entidades científicas do campo da educação no Brasil (senão a principal) e, como tal, vem desempenhando um importante papel legitimador do conhecimento produzido sobre a educação. A legitimação processa- se por meio de uma série de ritos e práticas, desenvolvidos nos interstícios de tempo de suas reuniões anuais, que pode efetivar-se, ou não, quando os trabalhos são publicados nos GTs, os quais representam uma peça fundamental da engrenagem alimentadora da Associação (AZEVEDO, AGUIAR, 2001, p.50).
A reunião anual da ANPED é um dos principais eventos brasileiro na área da educação. Um espaço privilegiado para divulgação das pesquisas realizadas nos programas de pós-graduação em educação, que contribui para a qualificação desses trabalhos, conforme afirmam Sousa e Bianchetti (2007, p. 394).
A ANPEd, como fórum de debates e divulgação do que se realiza na pós-graduação, além de promover a interlocução entre pesquisadores, é reconhecida como espaço de qualificação das produções acadêmicas, por meio do Comitê Científico, dos grupos de trabalho, do Fórum de Coordenadores, das reuniões anuais, espaços estes de exposição e diálogo sobre as pesquisas e a formação realizadas em todo o Brasil.
Essa dinâmica de organização das atividades realizadas pela associação permitiu uma interlocução mais ampla com os pesquisadores individuais e com os programas de pós- graduação. Diferentemente das outras associações que agregam apenas programas de pós- graduação, a ANPEd congrega também o pesquisador, denominado de sócio individual.
De acordo com Ferraro (2005, p. 53).
[...] essa foi uma das opções mais felizes e de maior alcance na história da associação. É isso que explica os dois fundamentos sobre os quais se apóiam a ANPEd e as suas práticas: de um lado, a base constituída pelos sócios individuais, pela estrutura de grupos de trabalho, pelas reuniões anuais e regionais, com a preocupação centrada na produção e disseminação do conhecimento, dando, por aí, sustentação à pós-graduação (ao ensino e às avaliações externas dos programas); de outro, a base constituída pelos programas de pós-graduação e o Fórum de Coordenadores, com a atenção voltada para a consolidação dos programas e para a participação como atores, não como meros pacientes, nas políticas públicas de pós- graduação e pesquisa, o que se traduz em apoio e benefício da produção e disseminação do conhecimento.
Essas duas bases de sustentação da ANPEd, quais sejam, uma direcionada à disseminação do conhecimento por meio das reuniões anuais e regionais e outra com foco na consolidação dos programas de pós-graduação, evidenciam que a associação respondeu de modo particular às interferências do Estado (SOUSA; BIANCHETTI, 2007).
Segundo Calazans (citado por FERRARO, 2005, p. 51).
É bom recordar – diz ela a propósito da origem da ANPED – que as associações nacionais de pós-graduação (de todas as áreas) não são instrumentos das políticas de Estado, mas nasceram sob o patrocínio destas [...] em vista das diferentes interpretações que têm sido dadas ao papel do Estado e às iniciativas da sociedade civil na criação de tais entidades. A eleição da primeira diretoria foi disputada no voto, com decisão apertada. É inegável o ‘patrocínio’ estatal. Mas os fundadores e as
fundadoras da associação optaram, em sua maioria, na eleição, por uma chapa que queria constituir uma associação identificada mais com a sociedade civil do que com o Estado.
Calazans se refere ao papel que o Estado brasileiro exerceu na criação das associações de pesquisa nas diversas áreas do conhecimento, tornando-se o incentivador da organização dessas associações. No caso da ANPEd, desde o início optou-se por uma gestão identificada com a sociedade civil. Essa escolha, segundo Ferraro (2005), marcou toda a história da ANPEd, foi o que propiciou uma certa autonomia institucional em relação às agências de fomento à pesquisa.
[...] merece destaque a atuação da ANPEd na interlocução com a CAPES e com o CNPq. Especificamente em relação à CAPES, instância do governo federal responsável, desde 1976, pela avaliação dos programas, têm sido reiterados os questionamentos dos critérios adotados, bem como o encaminhamento de propostas, iniciativas essas que expressam uma dada noção de qualidade da pesquisa e pós- graduação, construída no interior da associação (SOUSA; BIANCHETTI, 2007, p. 395/396).
Neste sentindo, Maria Malta (citada por SOUSA; BIANCHETTI 2007, p. 393) afirma:
A ANPEd esteve sempre presente na tensão entre os órgãos do Estado que lidam com a educação e com a pós-graduação, especificamente, e a sociedade civil, sua organização, suas demandas e sua crítica a respeito dos problemas na educação. Ela não é uma instituição burocrática como tantas outras. Ela tem um caráter de fórum, uma prática de debates abertos.
Nota-se, pois, que uma das bases de sustentação da ANPEd é a disseminação do conhecimento por meio das reuniões anuais e dos encontros regionais. Estes se tornaram [...] “verdadeiros escoadouros das produções da área” (FERRARO, 2005, p. 65). De acordo com o depoimento de Jacques Therrien reproduzido por Ferraro (Idem).
[...] a realização de Encontros Regionais de Pesquisa e Pós-graduação, organizados pelos Programas de Pós-Graduação nos moldes dos encontros anuais da ANPEd, permitiu ampla divulgação da produção científica local além de possibilitar maior intercâmbio entre os docentes e pesquisadores. Esses encontros, particularmente nas regiões Norte e Nordeste, tornaram-se fatores que viabilizaram a criação de novos programas, além de facilitarem o acesso à produção científica da área. Com o apoio da SUDENE, ao qual se juntaram o CNPq e a CAPES no Seminário de Pesquisa Educacional no Nordeste, realizado em Recife em novembro de 1980, deu-se início aos encontros regionais anuais, o primeiro deles realizado em João Pessoa, em 1981. Posteriormente, esses encontros ocorreram a cada dois anos, chegando ao XVII Encontro, em Belém do Pará, em 2005. Nos mesmos moldes, incentivados nos contextos da ANPEd, as demais regiões brasileiras passaram a realizar encontros regionais, embora com menor freqüência, mas com grande participação dos professores, pesquisadores e alunos dos programas de pós-graduação.
Os encontros regionais de pesquisa possibilitaram um intercâmbio maior entre os pesquisadores e favoreceram a circulação da produção científica local. No levantamento realizado junto aos líderes dos grupos de pesquisa, observei que há uma participação efetiva
dos mesmos nos encontros regionais, ao todo identifiquei 45 (61% do total de 74 líderes) participações nos referidos encontros, com destaque para o EPENN que contabilizou 17 (23%) participações, seguido da ANPEd Sudeste com 12 (16%) participações e posteriormente a ANPEd Centro-Oeste e ANPEd Sul com 08 (11%) participações respectivamente.
Segundo Sousa e Bianchetti (2007, p. 395/396), o
[...] estímulo à realização dos seminários de pesquisa regionais (as ‘anpedinhas’) causou impacto positivo, criando outros espaços de formação, possibilitando que alunos de pós-graduação pudessem se deslocar mais proximamente e propiciando que sejam atendidas e respeitadas especificidades regionais.
Segundo Ferraro (2005, p. 67) uma das estratégias que contribuiu para a disseminação das produções científicas dos pesquisadores nas reuniões anuais e regionais foi [...] “a introdução do meio digital para publicação na íntegra dos trabalhos aceitos”.
A publicação dos trabalhos nos anais dos eventos científicos, seja nos cadernos de resumos, ou o texto no integra em CD-ROM e/ou a divulgação no sitio do evento, contribuiu para a aceitação desses espaços como canais de divulgação das pesquisas científicas.
Para Targino (2000, p. 21),
[...] os cientistas, para difusão de suas pesquisas, sobretudo os resultados parciais, não escolhem de imediato os meios convencionais. São cada vez mais comuns as predições (preprints), as versões provisórias (prepapers) e as comunicações em congressos ou outros encontros científicos, publicadas ou não. São veículos que guardam, ao mesmo tempo, [...] características informais na sua forma de apresentação oral e nas discussões que provocam, e características formais na sua divulgação através de cópias ou da edição de anais. Surge, assim, a idéia de comunicação científica semiformal, como a que guarda, simultaneamente, aspectos formais e informais, e que, como a informal, possibilita discussão crítica entre os pares, o que conduz a modificações ou confirmações do teor original.
Apresentar uma pesquisa (seja resultado parcial ou final) em um evento científico significa que a investigação já passou por um processo de avaliação pelos especialistas da área (comitê científico) que conferem legitimidade ao que já foi produzido. É um momento de troca de experiência e de divulgação dos trabalhos que estão sendo realizados. Permite identificar as tendências e perspectivas teóricas em evidência nas diversas áreas do conhecimento.
Para termos um panorama da circulação dos líderes de grupos de pesquisas nos eventos científicos, analisei os quatro eventos que congregam com regularidade os líderes do campo do currículo, quais sejam: Reunião Anual da ANPEd, ENDIPE, Colóquio Luso Brasileiro e Colóquio Internacional de Currículo e Práticas Curriculares.
No quadro 16 apresento a relação dos líderes que participam com assiduidade das Reuniões Anuais da ANPEd.
Quadro 19: Relação de líderes que frequentam com regularidade as reuniões anuais da ANPEd
Nº LIDER/VICE-LIDER
PARTICIPAÇÕES