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6.3 Preliminary study in IMPETUS Afea Solver

6.3.4 Mesh sensitivity study

Segundo Rosenberg (2006), existiriam quatro modos de se orientar a busca do conhecimento científico: o progresso tecnológico; o retorno econômico; as necessidades tecnológicas induzidas pela produção ou operação; e por meio da instrumentação. No entanto, como será mostrado, pode-se afirmar que existe uma quinta maneira de se orientar a busca do conhecimento: as necessidades de defesa.

O primeiro modo de orientar a pesquisa científica identificada por Rosenberg (2006) seria o progresso tecnológico. Rosenberg afirmou que “as preocupações tecnológicas moldam, de várias maneiras, a empresa científica”. Ele afirmou também que o conhecimento foi por muito tempo adquirido e acumulado de modo empírico e rudimentar, sem qualquer embasamento científico e que “o progresso tecnológico desempenha um papel muito importante na formulação da agenda subseqüente da ciência”, pois “a trajetória natural de certos melhoramentos tecnológicos identifica e define os limites de novos melhoramentos, o que, por seu turno, orienta o foco da pesquisa científica” (ROSENBERG, 2006). Ora, a análise prospectiva fornece um meio para se tentar antecipar quais são aqueles aludidos limites da tecnologia, a fim de se orientar adequadamente a pesquisa.

Outro modo, segundo Rosenberg (2006), de se orientar a busca do conhecimento é o potencial de retorno econômico. Ele cita como exemplo a possibilidade de retorno econômico no uso do aço no final do século XIX. Naquela ocasião, o baixo preço do aço tornou viável seu emprego em uma variedade de propósitos que não eram, anteriormente, viáveis. No entanto, tornou-se extremamente importante entender aspectos novos relacionados ao aço, tais como suas características de desempenho quando submetido a novos tipos de trações, tensões e pressões, em aplicações inteiramente novas (ROSENBERG, 2006). Nesse caso, a análise prospectiva pode ajudar a antecipar as novas aplicações de uma dada tecnologia.

67 A pesquisa básica pode ser orientada também pelas necessidades tecnológicas induzidas pela produção ou operação dos sistemas existentes (ROSENBERG, 2006). Roserberg cita como exemplo o setor de comunicações. A necessidade de transmitir a distâncias cada vez maiores levou ao desenvolvimento da fibra óptica. Esta, por sua vez, só foi viável pelo desenvolvimento anterior da tecnologia do laser. Estes dois avanços tecnológicos, a fibra óptica e o laser, induziram a pesquisa básica no campo da ótica, na expectativa de ampliar ainda mais as possibilidades das novas tecnologias de comunicações (Rosenberg, 2006). Aqui também a análise prospectiva pode ser empregada para antecipar as necessidades tecnológicas e orientar a pesquisa.

O quarto modo identificado por Rosenberg para orientar a pesquisa básica é por meio da instrumentação (ROSENBERG, 2006). O termo instrumentação refere- se ao desenvolvimento de técnicas de observação, de testes e medidas. Os aperfeiçoamentos da instrumentação têm reflexos significativos sobre as possibilidades de observação e medida em diversas áreas da ciência, sendo, por isso, um importante determinante do progresso científico. Ele cita, como um exemplo claro dessa afirmação, o computador, que é empregado em uma escala cada vez maior nas pesquisas científicas em praticamente todas as áreas, incluindo as ciências sociais. Da mesma forma, a análise prospectiva pode ser entendida também como um instrumento que possibilita à ciência avançar de forma coordenada rumo a um possível cenário vislumbrado.

Nesta tese, apresenta-se um quinto modo de orientar a pesquisa básica: a necessidade de defesa. A importância do setor de defesa para a evolução da ciência e da tecnologia é inegável e pode ser avaliado por meio de um breve levantamento histórico. A seguir, apresenta-se, de forma sucinta, como a necessidade de defesa contribuiu para o avanço da ciência e da tecnologia em sete países, a saber: Reino Unido, França, Israel, China, Alemanha, Estados Unidos da América e África do Sul.

O Reino Unido foi o berço da 1ª Revolução Industrial, no século XVIII. Seus cientistas destacaram-se por descobertas que revolucionaram a ciência e a

68 tecnologia, dentre eles, Isaac Newton, Robert Boyle e James Watt (Landes,1994). Atualmente, com vendas anuais da ordem de £17 bilhões, a indústria de defesa do Reino Unido é um dos pilares da economia daquele país. O Reino Unido é o quinto maior exportador de produtos de defesa do mundo, com cerca de 20% do mercado mundial. Seu setor de defesa emprega diretamente 350.000 pessoas em mais de 11.000 empresas de defesa, gerando 1,2 milhões de empregos indiretos. Um significativo exemplo de produto de defesa do Reino Unido, dotado de grande conteúdo tecnológico, é o submarino nuclear da classe Astute, que possui um custo unitário médio de U$ 1,5 bilhão. Tal custo se justifica, pois um submarino nuclear é um produto extremamente complexo, cujo desenvolvimento pode levar de 10 a 30 anos, envolvendo uma equipe multidisciplinar (mecânica, engenharia naval, eletrônica, engenharia nuclear, computação, dentre outras). Resta evidente que a necessidade de defesa orientou a C&T no Reino Unido e, por sua vez, a ciência e a tecnologia foram fatores fundamentais para o papel proeminente da indústria de defesa do Reino Unido (BBC, 2010).

Recentemente, o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy afirmou que “Il n’ya pás de liberté, Il n’ya pás d’égalité, Il n’ya pás de fraternité sans securité” (Sarkozy, 2010). A França possui um longo histórico de P&D científico-tecnológica, podendo- se citar o cientista francês Antoine Lavoisier (química), e a cientista Marie Curie (radioatividade) (Landes, 1994). A Delegation Generale pour l’Armement (DGA) apóia o surgimento de programas de armamento em cooperação com outros países e contribui para o desenvolvimento da Agência Europeia de Defesa. Dentre esses programas, destacam-se: helicóptero de combate Tiger, mísseis terra-ar de curto alcance Roland/Frole, radar de contra-bateria COBRA, família de sistemas terra-ar do futuro (FSAF), aviões de transporte militar A400M, e sistema anti-aéreo PAAMS. Dessa forma, verifica-se que a ciência e a tecnologia tiveram um papel fundamental para que a França alcançasse uma posição de destaque mundial na fabricação de produtos de defesa (DGA, 2010).

69 A transformação de Israel em um produtor de sistemas de armas sofisticados ocorreu após a Guerra dos Seis Dias (1967). Em virtude de um embargo econômico, Israel iniciou o desenvolvimento de seus próprios materiais de defesa. As três maiores empresas são as estatais Israel Aircraft Industries (IAI), Israel Military Industry (IMI) e Rafael, as quais produzem diversas armas convencionais e sistemas de defesa eletrônicos avançados. As principais empresas privadas são Elbit Systems e Tadiran, focadas em produtos eletrônicos de defesa. Atualmente, há cerca de 150 empresas de defesa em Israel, empregando mais de 50.000 pessoas, com um faturamento anual aproximado de U$ 3,5 bilhões. Assim, verifica-se que o esforço em C&T após a Guerra dos Seis Dias levou Israel a se tornar um dos maiores fabricantes de produtos de defesa no mundo (GAT, 1991).

De 1949 a 1965 a China recebeu forte assistência militar da Ex-União Soviética. Nesse período, foram criados 38 Institutos de P&D de defesa, empregando cerca de 80.000 pesquisadores. Em 1977, foi criada a Comissão de Ciência, Tecnologia e Equipamento. Em 1982 foi criada a Comissão Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria para a Defesa Nacional (NDSTIC), no intuito de unificar os esforços de P&D. Em 1987, a China adotou uma nova divisão de esforços para a P&D de defesa, a saber: pesquisa de equipamentos militares, pesquisa básica e aplicada, e serviços tecnológicos não-identificados. Atualmente, o NDSTIC coordena as atividades de P&D de interesse da defesa. Dessa forma, pode-se afirmar que a P&D de interesse da defesa contribuiu fortemente para que a China se transformasse em um grande fabricante de produtos de defesa (GAT,1991).

A humanidade deve algumas de suas mais fantásticas realizações a cientistas alemães. Para citar apenas dois, Albert Einstein, formulador da teoria da relatividade, suas descobertas possibilitaram o domínio da energia nuclear. Wernher Von Braun, suas pesquisas no campo dos mísseis e foguetes levaram o homem à lua. Atualmente, a Alemanha é o terceiro maior exportador de produtos de defesa do mundo, com U$ 2,5 bilhões em vendas. Dentre suas empresas de defesa, destacam-se a Rheinmetal (sistemas de armas) e a Rohde & Schwarz (guerra

70 eletrônica e comunicações). Assim, a Alemanha destaca-se no setor de defesa graças ao brilhantismo de seus cientistas e engenheiros (GAT, 1991).

A importância dos Estados Unidos da América para a Ciência, Tecnologia e Inovação é incontestável. A América produziu algumas das mais relevantes inovações da história, a partir de cientistas e inventores brilhantes, dentre os quais destacam-se: Thomas Edson, considerado o maior inventor de todos os tempos; Graham Bell, o inventor do telefone; e os irmãos Wright, inventores do avião (paralelamente a Santos Dumont). Atualmente, os EUA são o maior produtor e exportador de produtos de defesa do mundo, com um faturamento anual de cerca de U$ 6,8 bilhões em exportações (GAT, 1991).

Em 1963, em conseqüência da política racista do apartheid, a ONU decretou um embargo nas exportações de produtos de defesa para a África do Sul, o que levou o Estado sul-africano a estabelecer o Ato de Produção e Desenvolvimento de Armamentos, criando uma unidade de produção estatal, a Corporação de Produção e Desenvolvimento de Armamento (ARMSCOR). Em meados da década de 1970, a ARMSCOR assumiu o controle sobre a maioria da pesquisa e desenvolvimento de interesse da defesa. Atualmente, a África do Sul produz uma grande variedade de armamentos avançados, com destaque para o helicóptero de ataque Rooivalk e o míssil ar-ar A-Darter. Assim, verifica-se que o esforço em P&D no setor de defesa da África do Sul, orientado pelo Estado, levou esse país a destacar-se dentre as nações emergentes como um grande fabricante de produtos de defesa (GAT, 1991).

Fica claro, portanto, que a necessidade de defesa é uma das formas de se orientar a pesquisa científica. De fato, os exemplos fornecidos demonstram essa afirmação: o papel proeminente da indústria de defesa do Reino Unido; a posição de destaque mundial da França na fabricação de produtos de defesa; a posição de Israel e da China como um dos maiores fabricantes de produtos de defesa no mundo; a Alemanha destaca-se no setor de defesa graças ao brilhantismo de seus cientistas e engenheiros; os EUA são o maior produtor e exportador de produtos de defesa do mundo; e, finalmente, a África do Sul destaca-se dentre as nações emergentes como um grande fabricante de produtos de defesa.

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