4 Evaluation of Departments and Institutes
4.10 SINTEF
4.10.1.1 Material Physics
O conceito de rede vem sendo amplamente estudado e utilizado dentro do campo científico em geral. Desde a década de 1940, foi incorporado pelas Ciências Sociais e, atualmente, constitui-se “[...] num paradigma de análise bastante usado, porém com significados diversos” (SCHERER-WARREN, 1999, p. 21).
O conceito original de rede vem do latim, retis e significa entrelaçamento de fios com aberturas regulares, que formam uma espécie de tecido.
Nesse sentido, OLIVERI (2002) assinala que a rede é tecida por atores sociais que representam seus interesses, objetivos e temáticas comuns (2002, p. 3).
Para SCHERER-WARREN ainda, a noção de rede é polissêmica e vem sendo construída como um conceito analítico e propositivo, pelos movimentos sociais, assim aponta que,
[...] a ideia de rede como conceito propositivo utilizado por atores coletivos e movimentos sociais refere-se a uma estratégia de ação coletiva, isto é, a uma nova forma de organização e de ação (como rede). Subjacente a essa ideia encontra-se, pois, uma nova visão do processo de mudança social – que considera fundamental a
participação cidadã – e da forma de organização dos atores sociais para conduzir esse processo [...] contém significados ideológicos e simbólicos e comporta resultados sociais políticos (SCHERER- WARREN 1999, p. 23;24).
Scherer-Warren observa ainda que o apoderamento das redes pelos movimentos sociais tornou-se uma estratégia empregada pela sociedade civil para a disseminação da informação e do conhecimento por meio das relações entre os seus sujeitos, de modo a propiciar suas próprias articulações políticas na contemporaneidade, como sujeitos de resistência, proponentes de políticas públicas (1999, p. 207).
Nessa perspectiva, as redes assumem duas dimensões distintas, organizacional e estratégica, tendo vários poderes instituídos, considerando as possibilidades de estabelecimento de relações horizontais, descentralizadas e democráticas.
SCHERER-WARREN (1999) aborda também as redes como estratégias fundamentais para a sociedade contemporânea, na era globalizada e tecnológica, percebidas como um dos meios potenciais de reunir forças coletivas diante do capitalismo globalizado, uma vez que tem potencializado significativamente as lutas dos trabalhadores em todo o mundo.
FALEIROS (2001) apresenta as redes sociais, como um meio fortalecedor dos sujeitos na atual realidade social. Na construção do paradigma da correlação de forças, define este como:
[...] a concepção da intervenção profissional como confrontação de interesses, recursos, energias, conhecimentos, inscrita no processo de hegemonia/contra-hegemonia, de dominação/resistência e conflito/consenso que os grupos sociais desenvolvem a partir de projetos societários básicos (FALEIROS, 2001, p. 44).
SCHERER-WARREN (1999) faz uma análise do local, enquanto espaço territorial definidor de identidade e de formas de sociabilidade, e apresenta uma divisão das redes sociais em dois tipos de redes permeáveis entre si.
O primeiro tipo são as soberanias, que têm uma definição muito próxima ao conceito de rede primária de FALEIROS (2001), ou seja, que se constituem, a
partir de uma base social informal, dos círculos sociais dos indivíduos, “[...] sua ênfase recai no entendimento das relações no cotidiano mais imediato dos indivíduos, de seus vínculos culturais e simbólicos” (SCHERER-WARREN, 1999, p. 35). O segundo tipo de rede social apresentado pela autora são as associativistas, que formam o tecido social local associativo por meio das relações estabelecidas entre os diversos coletivos sociais. Nelas, “[...] buscam-se as interações políticas entre grupos, tendo em vista a formulação de movimentos, organizações reivindicatórias, etc. (a politização)” (SCHERER-WARREN, 1999, p. 35-36).
Esse entendimento permite que se compreenda a rede social local como uma expressão dialética entre o particular e o geral, e SCHERER-WARREN (1999) complementa esse argumento, ao se referir a esse movimento constitutivo do real na dinâmica das redes de movimentos sociais, expressando-se assim:
[...] A análise em termos de redes de movimentos implica buscar as formas de articulação entre o local e global, entre o particular e o universal, entre o uno e o diverso, nas interconexões das identidades dos atores sociais com o pluralismo. Enfim, trata-se de buscar os significados dos movimentos sociais num mundo que se apresenta cada vez mais interdependente, intercomunicativo, no qual surge um número cada vez maior de movimentos de caráter transnacional, como os dos direitos humanos, pela paz, ecologistas, feministas, étnicos e outros. (SCHERER WARREN, 1993, p. 9-10).
A construção dos estudos sobre rede social vem, ao longo da história, combinando várias contribuições das disciplinas para a compreensão e a operacionalização das redes sociais, principalmente nas Ciências Sociais Aplicadas, que visam, além de explicar a realidade, transformá-la.
Na rede social, cada sujeito tem sua função e identidade cultural. A relação entre os indivíduos forma um todo coerente que representa a rede, assim se organizam por temáticas com configurações diferenciadas e mutantes.
Castells estabelece uma relação direta das redes com a sociedade e as descreve
[...] como um conjunto de nós interconectados. Nó é o ponto no qual uma curva se entrecorta. Concretamente, o que um nó é depende do tipo de redes concretas de que falamos, [...] podem ser formal ou informal e os nós podem também ser representados por indivíduos ou grupos de indivíduos (CASTELLS,1999, p. 498).
Castells (1997), apud Scherer-Warren (1998), relata ainda que as redes de novos movimentos sociais fazem mais do que organizar atividades e socializar informações, são de fato “produtoras e distribuidoras de códigos culturais” (p. 27).
Para Scherer-Warren, as redes retratam a sociedade civil pela lógica da integração de diversidades. Assim, a sociedade civil passa a ser representada por vários níveis de interesses e valores da cidadania organizados em cada sociedade, para encaminhar suas ações a favor de políticas sociais e públicas, protestos sociais e manifestações simbólicas. (2006, p. 110).
A rede social é uma estrutura constituída por pessoas ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns. As redes como estratégia de comunicação e de empoderamento da sociedade civil são as formas mais expressivas das articulações políticas contemporâneas, segundo SCHERER-WARREN (2007, p. 42).
Contudo, destaca-se a importância da organização da rede social de cada órgão que a compõe, que considere sua determinação e motivação ética e política. Os desafios são grandes e encontram-se relacionados às necessidades de mudanças e transformações culturais, organizacionais, políticas, as quais representam as dinâmicas que integram a sociedade como um todo. Pode-se afirmar que os conceitos de movimentos sociais e redes constituem-se numa importante chave analítica para a compreensão das novas configurações dos movimentos sociais no século XXI, desvelando novas articulações, formas organizativas e de comunicação que ultrapassam fronteiras físicas, culturais, de tempo e espaço.
Scherer-Warren ressalta que a
[...] análise em termos de redes de movimentos implica buscar as formas de articulação entre o local e o global, entre o particular e o universal, entre o uno e o diverso, nas interconexões das identidades dos atores com o pluralismo. Enfim trata-se de buscar os significados dos movimentos sociais num mundo que se apresenta cada vez mais como interdependente, intercomunicativo, no qual surge um número cada vez maior de movimentos de caráter transnacional, como os de direitos humanos, pela paz, ecologistas, feministas, étnicos e outros. (SCHERER-WARREN, 1996, p.10)
Destaca ainda que o estudo como caminho investigativo para as análises de redes em ações coletivas tem apontado a ideia de que essas ações surgem das próprias redes – que interagem e influenciam-se mutuamente (Scherer-Warren, 1996).
Assim, essas redes são reconhecidas como agentes facilitadores da compreensão dos processos de mobilização, de formação das redes, como também dos caminhos percorridos pela informação no processo associativo. Dessa forma, as várias dimensões de análise são articuladas de forma complementar, passando por diferentes espaços, interação entre diversos territórios e articulação entre as redes.
CASTELLS (1999) identifica a lógica de redes como uma das características de qualquer sistema nas novas tecnologias da informação devido à complexidade das interações. [...] aponta como características desse novo paradigma: tecnologias para agir sobre a informação; penetrabilidade de seus efeitos; lógica de redes; flexibilidade; convergência de tecnologias específicas para um sistema altamente integrado (p.77-78).
Para esse autor, a viabilização do trabalho em rede é enriquecida pelo sistema de novas tecnologias que permeia a sociedade contemporânea.
As relações que se estabelecem entre os diversos movimentos sociais e organizações da sociedade civil, bem como as relações desses agrupamentos com o Estado e com os partidos políticos ganham novos contornos e significados, que devem ser desvelados e compreendidos em profundidade pelos estudiosos desses sujeitos sociopolíticos (SILVA, 2012).
VALLA&STOTZ (1994), ao trabalharem o tema participação popular em busca da cidadania:
[...] quais as respostas do movimento popular ao estado de emergência permanente, apontam ainda que a rede de relações estabelecidas entre as associações de moradores e o Estado, em seus diversos níveis de governo, indica uma progressiva extensão dos direitos sociais de cidadania (1994, p. 104).