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mars Nr. 931 2005

In document N ORSK L OVTIDEND (sider 42-46)

O conceito de Inclusividade tem vindo a ser desenvolvido bastante aprofundadamente no âmbito do Design Inclusivo, ou Design Universal. O Design Inclusivo opera nos equipamentos e espaços por forma a tornar a sua utilização acessível à generalidade das pessoas, independentemente do seu espólio funcional, em segurança e sem esforço, sem que seja necessário recorrer a projetos adicionais, adaptados ou especializados, para a integração de pessoas em condições de incapacidade ou desvantagem física face ao meio construído, contribuindo assim para a não discriminação e para a inclusão social de toda a população.244

A disciplina do Design Universal foi definida pelo arquiteto Ronald L. Mace (1998) a partir de 1985. Deste processo resultaram terminologias, definições e, essencialmente, a distinção entre o novo termo e as, então conhecidas, noções de acessibilidade – ou barrier-free design – e de tecnologias de apoio.245 Desde então, novos termos têm vindo a ser desenvolvidos246 por forma a esclarecer e especificar o escopo e o modus operandi da inclusividade no contexto arquitectónico. A essência de muitos destes termos coincide com aquela inicialmente esboçada por Ronald L. Mace, sendo por isso o emprego destes vocábulos intercambiável. Mace esclarece que o Design Universal, ou Inclusivo, é o design que representa um compromisso com o tempo – a progressão natural da vida e os seus diversos estados – e com a exceção; é o design cujo compromisso a que se propõe não se

244Simões, J. F. et al., op. cit., p.8.

245 Ferramentas ou produtos que desempenham um papel de auxílio na execução de uma função que se encontra, por algum motivo, limitada ou intransponível.

246 Design for all (Bendixen & Benktzon, 2015) e inclusive design (Clarkson, Coleman, Keates & Lebbon, 2003).

restringe apenas a pessoas com deficiências, ou mobilidade condicionada, mas engloba e acomoda as necessidades de todos, num mundo onde a esperança média de vida aumenta – e consigo a consequente perda ou degeneração de capacidades – a par da diminuição da taxa de mortalidade e do prolongamento do tempo de vida dos indivíduos com deficiências – em estados degenerativos e com doenças crónicas, temporárias ou progressivas.247

O Design Inclusivo, por padrão, opera sobre a crença de que todas as pessoas têm, ou naturalmente desenvolverão, algum tipo de limitação. O Design Inclusivo é portanto o processo de ideação de produtos ou ambientes cuja maximização de usabilidade, para todos os tipos de aptidão e utilizadores, é antecipada durante os seus estágios mais iniciais, sem que seja necessário recorrer à adaptação do design, ao auxílio de design especializado ou à diminuição da autonomia dos utilizadores.248

Mace explana ainda que a sensibilização para a questão da exceção, desenvolvida mais aprofundadamente em contextos hospitalares ou de projetos de acessibilidade, resulta em exemplares de design que, com frequência, se revelam duplamente bem-sucedidos uma vez que a sua tipologia de uso é preferida – e por isso se difunde – pelo utilizador-tipo, dito normal, comparativamente a soluções anteriores. A transição entre o emprego de botões para a utilização de sensores de movimento, por exemplo, no design das vulgares luminárias de secretária é um simples exemplo resultante da aplicação da consciência ativa sobre a questão da

exceção – neste caso, de idosos e indivíduos cuja a capacidade de preensão é

diminuta – à prática projetual.

Da mesma forma, e resultando de uma abordagem semelhante, o telefone

Freestyle 60249 – uma progressão do modelo anterior, o BT Freestyle 70 –

converteu-se, aquando o seu lançamento, num dos mais vendidos telefones fixos no Reino Unido (Fig. 23). Ao contrário do seu antecessor, o novo modelo enfatiza, através da linha curva, a diferença entre a parte superior (do auscultador) e aparte inferior do objeto (onde se localiza o teclado), bem como se adapta mais confortavelmente à anatomia da mão – em especial de pessoas com menos

247 Mace, R. L., A Perspective on Universal Design.

248Mace, R. L. et al., Accessible Environments: Toward Universal Design. 249 Clarkson, J. et al., op. cit., pp.263-265.

destreza manual. Adicionalmente, também a legibilidade da sua função foi aumentada mediante alterações de contraste entre o corpo do telefone e o teclado.

Figura 23: Auscultador e base do modelo telefónico Freestyle 60 da BT. Clarkson, J.; Coleman, R.;

Keates, S.; Lebbon, C. (2003) Inclusive Design: Design for the Whole Population, London: Springer-Verlag, p. 264.

Figura 24: Cabos dos utensílios de cozinha da OXO. Consultado a 15 de Setembro de 2017: <

http://blog.oxo.com/behind-design-oxos-iconic-good-grips-handles/ >

Os produtos da linha Good Grips da OXO, fabricante de utensílios de cozinha, teve, por parte dos consumidores, uma recepção idêntica aos dois exemplos descritos anteriormente. Inicialmente concebidos para benefício da população idosa ou de pessoas com artrite, os produtos Good Grips tinham cabos mais largos, compostos por TPV (Santoprene™ thermoplastic vulcanizate), um polímero leve e fácil de manusear independentemente do tamanho da mão ou da capacidade de

preensão, e por uma espécie de “barbatanas” laterais que cedem com o toque, amortecendo o movimento de preensão (Fig. 24). Com um design apelativo que diferenciava o seu aspecto dos produtos que se inseriam na categoria de tecnologia de apoio,250 a sua utilização acabaria por se difundir pela maioria dos utilizadores,

tanto com como sem limitações da função da mão.

Sob orientação de Mace, em 1997, um grupo de arquitetos, designers de produto, engenheiros e investigadores de design de ambientes estabeleceram sete princípios básicos para orientar o design de ambientes, produtos e comunicações na direção da inclusividade. A elaboração de projetos segundo as diretrizes do Design Universal obedecem, portanto, aos seguintes princípios:251

I. Utilização equitativa: o design deve ser útil, utilizável e comercializável

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