5. ANALYSIS
5.1 MARKET SELECTION
5.1.2 Market and Firm Compatibility – The CAGE Framework
Os sentidos, para a dança, perpassam diferentes ambientes e geram diversas expectativas. Siqueira (2006) cita os espetáculos como eventos, em que tempo, espaço, movimentos, coreografias, gestos, bailarinos e platéia se configuram na
percepção de um todo, o qual acontece no âmbito do repertório cultural de informações, tanto do intérprete, quanto do espectador.
De acordo com Couto (2008), a dança é um acontecimento visível em tempo e espaço, capaz de despertar aspectos subjetivos e conduzir, por meio de seus significados, ao conhecimento e à autodescoberta. Para Caminada (1999), esta atividade pode ser percebida por meio de inúmeras maneiras e enfoques.
Strazzacappa (2001) salienta que o interesse por esta atividade pode ser observado em vários contextos. Entre eles, as muitas iniciativas no espaço escolar, visando ao desenvolvimento das capacidades motoras, imaginativas e criativas, por meio de trabalhos que vislumbrem também a dança educativa ou expressiva, como são comumente chamadas. Além da escola, há, inclusive, os espaços de conservatórios e academias, nos quais prevalecem as técnicas de dança específicas para a formação do profissional (bailarino ou professor) e, ainda, como atividade de reinserção social em programas de apoio a pessoas desfavorecidas, obtendo, geralmente, o objetivo de trabalhar o aspecto social da dança.
Toda modalidade de dança é, segundo Strazzacappa (2001), educativa e expressiva e as expectativas apresentadas revelam sua abrangência como área de estudo. Gariba e Franzoni (2007) também entendem que estas manifestações abrangem uma diversidade de campos e acrescenta que as possibilidades da dança são vislumbradas também por intermédio de caminhos terapêuticos, artísticos e educacionais, o que implica em cuidados na apreensão dos conhecimentos e experiências advindas.
Para Strazzacappa (2001), toda dança adquire funções, que são estabelecidas a partir de diferentes motivações. Essas funções dizem respeito às formas de expressão, de vivência da recreação e da dança no sentido do espetáculo. Este, segundo Siqueira (2006), é capaz de promover, ao mesmo tempo, uma representação e uma reflexão sobre o corpo, cogitando imagens que remetem a aspirações sociais, culturais e estéticas.
Nesta feita, sendo considerados eventos que por meio dos movimentos coreograficamente construídos e repetidos, contam histórias, revelam problemas, valores, conceitos, os espetáculos refletem contextos históricos, econômicos, educativos que por analogia, pode ser pensado como um fato social, o qual expressa formas de comunicação e linguagem por meio de associações complexas
e diversificadas, sobre o qual se pode incidir inúmeras discussões, além ser se tornar um objeto de estudo em diferentes áreas do conhecimento.
A expressão é descrita por Strazzacappa (2001) como uma motivação essencial, a qual pode representar manifestações não só de cunho social e cultural, mas com os propósitos também de recreação e educação inseridos no universo do espetáculo e percebidos como uma opção no âmbito do lazer. Para ilustrar ainda mais esta diversidade de enfoques, pode-se citar o diagrama elaborado por Robinson (1978), em que a autora indica as várias ramificações interligadas por diferentes aplicações da dança na vida do ser humano e suas relações com a sociedade.
Figura 1- Diagrama Robinson (1978)
No esquema proposto pela autora, a expressão encontra-se num plano central, onde são destacados a educação e o lazer, o teatro e a dança contemporânea. Ligados por este eixo, aparecem o espetáculo, com ramificações para a dança clássica, o clássico amador, a música hall e a recreação, em que se localizam as
danças de salão, a ginástica rítmica, o jazz amador e o jazz teatro. As danças primitivas, populares e étnicas estão no tronco principal e são manifestações que podem ser interligadas a todas as motivações.
Este diagrama foi estruturado de forma a adequar-se às formas de expressão existentes na sociedade, incluindo aqui as atividades culturais e artísticas e permite uma análise das diferentes aplicações da dança e a abertura a outras interpretações. Strazzacappa (2001) salienta que estes dados podem ser atualizados e contextualizados de acordo com as danças provenientes das mais diversas regiões e países específicos. Neste sentido, a autora acrescenta, em seus estudos, exemplos da dança popular brasileira e de outros países, entre outras de estimado valor cultural, como as danças de rua.
Para Couto (2008), toda essa diversidade de formas e perspectivas fez com que as concepções e os focos em dança tomassem rumos distintos e fossem sofrendo modificações em seus significados. Essa pesquisadora ainda defende que algumas manifestações permitem, mais do que outras, a aproximação e a integração das dimensões existenciais no humano. Neste sentido, Gariba e Franzoni (2007) corrobora a autora ao evidenciar a dança como uma atividade inserida em um universo cultural que expressa significados e simboliza esta existência humana.
No tronco principal deste diagrama, que Robinson (1978) chamou de Árvore da Dança, Gariba e Franzoni (2007) destacam que todo esse desenvolvimento está interligado e é gerado de acordo com as relações humanas na sociedade. Os autores salientam que a dança deve ser vivida e aprendida na medida em que favorece vertentes qualitativas para questões que estão além da produção do conhecimento, remetendo à vivência de momentos preciosos advindos de elementos como expressividade, liberdade, capacidade de comunicação, entre outros relevantes à vida humana como as emoções.
Nesta tessitura, o lazer pode também ser colocado em pauta como uma motivação para o desenvolvimento das funções espetáculo, recreação e expressão, ambos associados à busca pelo prazer e ao envolvimento com aspectos subjetivos. Assim, as várias formas de manifestação existentes na linguagem da dança podem ser abarcadas também com estes propósitos, em ambientes diversificados.
Na dança, o estudo dos movimentos, gestos, de uma linguagem criativa, ou mesmo das peculiaridades das diferentes modalidades e fatos que compõem a
história da dança e das artes, pode-se com estratégias adequadas e conhecimento, promover ações educativas, transdisciplinariedade, atender ao desenvolvimento artístico e entre outros, proporcionar a descoberta do corpo expressivo. Assim como o que ocorre em conservatórios e academias, estes sentidos podem ser ampliados também para os âmbitos dos espetáculos.
Nestes espaços de escolas especializadas, são desenvolvidas técnicas de dança específicas para a formação do artista e tendo em vista a Recreação e o Lazer, se torna preemente o estímulo à criatividade e estratégias menos rígidas, permeadas por métodos diversificados, momentos de prazer e descontração. Além disto, é importante que sejam associadas com outras danças, baseadas em determinadas culturas, tradições, religiões, festas populares, cerimônias, entre outros. Estas e outras práticas artísticas podem se tornar um foco a ser desenvolvido também em programas de apoio a pessoas desfavorecidas, onde são focalizados os aspectos terapêuticos e sociais.
As manifestações culturais envolvem acontecimentos importantes e significativos à vida em sociedade que são expressos por uma variedade de opções que refletem a necessidade de expressão do ser humano, seja qual for a estética que lhe seja inerente. Não só a dança, mas outras atividades em suas formas artísticas adquirem, não só a função de expressão, mas também, de recreação, educação e espetáculo. Unidas aos aspectos culturais e étnicos, são de grande relevância para os conteúdos inseridos no âmbito do lazer, contexto que pode representar uma motivação principal, por ser percebido como um momento permeado pela livre escolha e espontaneidade, capaz de promover sensações de bem estar, prazer, divertimento, satisfação, superação de limites, entre outros que podem inclusive conduzir aos propósitos terapêuticos e educativos.
De acordo com Gariba e Franzoni (2007), o que se pode inferir como o mais importante é compreender a dança como uma linguagem, a qual prioriza os elementos essenciais para o desenvolvimento do ser humano. Com base na possibilidade de se associar vertentes cognitivas, éticas e estéticas de forma sensível e com base na afetividade, no respeito e na apreensão da capacidade criativa e diversidade cultural existente, a relevância destas práticas deve ser a de alcançar qualitativamente aspectos de socialização e expressão, independente do estilo ou modalidade escolhida.
Ainda para estas autoras anteriormente citadas, é fundamental compreender os resultados advindos destes processos, o que remete em despertar a consciências crítica de quem os vivencia. Sendo assim, a dança pode ser inserida nos mais diversos contextos sociais e representar uma forma de arte ao alcance de todos. Isto implica em um repensar de conceitos, tornando-se indispensável entender-se o quê, bem como, o porquê dos movimentos expressivos e a busca pelo criativo em dança.
Para Hércoles (2005), para se compreender as ações em dança, é preciso também buscar um entendimento das ações humanas, com base também nas capacidades adquiridas de movimentação do corpo humano. O ato de dançar, diz respeito à conquista dos padrões de movimento especializados para além dos domínios da espontaneidade e de maneira distinta dos movimentos envolvidos nas atividades cotidianas.
Ainda para a autora anteriormente citada, toda ação humana, implica, não só nos desempenhos cerebral e muscular, mas também, em considerar os receptores de sensibilidade, bem como, a organização de segmentos ósseos e articulares para a execução de qualquer movimento. Assim, a aquisição de habilidades, incluindo a de dançar, depende de adaptações entre as competências de se perceber e agir, determinantes no funcionamento da capacidade sensório-motora.
Os sentidos de dançar perpassam diversos contextos sociais e as ações em dança são permeadas pelas ações humanas expressas em forma de Arte. Os movimentos humanos são configurados a partir de padrões de comportamento que podem ser modificados pelas experiências vividas e regulados por componentes que atuam no ciclo percepção-ação. Este processo resulta na transformação de movimentos instantâneos em ações especializadas, implicando no remodelamento das conexões neurais envolvidas. Desta forma, na dança, para a especialização tátil-sinestésica, é preciso acontecer uma redefinição das relações entre componentes como ossos, músculos e articulações, bem como, uma reconfiguração frente aos receptores de sensibilidade proprioceptiva e sinestésica presentes (HÉRCOLES, 2005).
A dança representa um sistema que possibilita o processamento de informações, por meio de um conjunto de relações em que a prática constitui a base para o aprendizado e a construção do conhecimento. Para Caldeira (2008) isto inclui o envolvimento das dinâmicas das ações entre os diversos segmentos corporais.
Neste sentido, para Hércoles (2005), pensar em um processo codificador de informações implica em considerar as formas como ocorrem estes acordos e os movimentos corporais.
Os conteúdos a serem abarcados no processo de ensino-aprendizagem em dança são, para Caldeira (2008), muito abrangentes. Devem compreender, desde a consciência corporal, o condicionamento físico e os conhecimentos específicos de como dançar (knowing how), até os elementos históricos, sociais e culturais, os quais abrangem história, estética, apreciação, crítica, música, sociologia, antropologia, anatomia, fisiologia, cinesiologia, entre outros, os quais a autora denomina contextos da dança ou saberes sobre a dança (knowing-that).
Outro grupo a ser apreendido é o que esta pesquisadora chama de textos da dança. Estes, além de caracterizarem, trazem os conhecimentos diretos sobre dança (know-this) como a improvisação, a composição coreográfica e o repertório a ser dançado. Ainda, de acordo com a autora, é por meio da escolha destes que se torna possível, a articulação dos itens citados anteriormente com o processo educativo. Esta ação traz implicações para que a construção do conhecimento em dança também por meio das técnicas de movimento instigue a associação entre as dimensões conceituais, atitudinais e procedimentais.
Os contentos apresentados criam inúmeras possibilidades da ampliação em diferentes contextos, de forma que podem interagir com os saberes científicos, culturais e sociais e com as diversas realidades que perpassam as experiências pessoais. Desta forma, o universo que permeia a dança torna-se um complexo, que pode apresentar suas expressões interligadas, não só à aquisição de conhecimentos e habilidades, mas a esferas subjetivas ao ser humano. Isto se dá com base na percepção das emoções, da imaginação, da criatividade, gerando sensações de satisfação e prazer, além de apresentar suas interfaces com práticas educativas permeadas pela espontaneidade, por meio do desenvolvimento dos conteúdos culturais físico-desportivos, sociais, e artísticos reconhecidos no âmbito do lazer por Dumazedier (1980).