5. ANALYSIS
5.1 MARKET SELECTION
5.1.3 Competitive Environment – Five Forces Analysis
As distintas possibilidades existentes para as expressões das ações em dança diferem daquelas que são constituídas por movimentos espontâneos e composta por gestos permeados pela emoção das que obedecem a padrões regulares e previamente estabelecidos. Porém, independentemente das atuações, as expressões em dança conduzem à vivência de tempos e espaços diferenciados (COUTO, 1999). Isto pode ser percebido em toda a diversidade cultural existente entre os diferentes estilos e as formas de participação. Também, todos os acontecimentos que permeiam a história da dança e a sua evolução remontam um leque de conhecimentos que podem ser construídos e criados a partir de percepções e emoções, as quais são expressas no âmbito da individualidade e que podem trazer implicações para a formação pessoal.
A dança combina conhecimentos, histórias, geografias, mitologias, ritmos, músicas, movimentos, entre tantos outros que estruturam a identidade e se apropriam dos sentidos e dos significados destas experiências. Para Couto (2008), este é um processo evolutivo, civilizador e criador que não acontece de forma única e isolada, mas se manifesta, como uma necessidade humana de emancipação e de apreensão de aspectos lúdicos.
Pode ser observado na literatura, como em Moreira e Schwartz (2009), um amplo espectro de possibilidades acerca da conduta lúdica. Esta pode ser livre de regras, servir para relaxamento e recreação ou podem ser formalizadas de acordo com os objetivos de competir, como nos jogos, de aprimorar desempenhos, ou mesmo, como um recurso para os fatores aprendizagem, estímulo à expressividade, fluir artístico, entre outros.
Na perspectiva lúdica, as autoras salientam que estas atividades permitem aprimorar sensações e percepções, aflorar atributos como o senso de self e, entre outras, conjugarem elementos como a criatividade. Por suas características diretamente associadas ao prazer, podem promover motivação e experimentação e, por serem dotadas de uma carga afetivo-emocional, podem promover ressignificações nos modos de pensar e agir.
Todo ser humano busca encontrar satisfação por intermédio de diversas atividades e relacionamentos com os quais estão diretamente envolvidos no
cotidiano, seja no trabalho, nos afazeres do dia-a-dia e, principalmente, nas preferências do indivíduo para as atividades com os pressupostos para momentos de lazer. Uma das possibilidades para estas vivências são as atividades físicas, as quais possuem uma indiscutível importância para a qualidade de vida, fato que vem sendo evidenciado em diversas publicações científicas (MOREIRA; SCHWARTZ, 2009, NANNI, 2005, PAIM; PEREIRA, 2008, SARTO; MARCELLINO, 2008).
Entre as várias possibilidades, a atividade da dança é salientada por Sarto e Marcellino (2006), no que concerne ao seu envolvimento no contexto do lazer. Os autores enfatizam sua importância e evidenciam a necessidade de se promover o seu potencial em busca da alegria, satisfação e manifestação de aspectos lúdicos, no sentido de contribuir com novos significados e sentidos à vida. Ainda para estes autores, assim como para Freitas e Tolocka (2006), a dança deve ser entendida como emoção, interpretação, criatividade e, ao utilizar movimentos voluntários, o ser humano cria possibilidades, por meio da experiência de dançar, de expressar seus sentimentos em busca, inclusive, de sua autossuperação.
O universo de possibilidade que envolve a dança no campo de aprendizagem é vasto e, de acordo com Sarto e Marcellino (2008), apresenta-se de forma privilegiada. Por suas características expressivas e estéticas, esta pode ser inserida nos conteúdos artísticos do lazer e, por proporcionar movimentos corporais valendo- se das capacidades e habilidades motoras com base em ritmos e dinâmicas diversificadas, é também inerente aos conteúdos físico-desportivos. Por intermédio da dança, os indivíduos podem desvelar formas de agir, sentir e pensar, interagir e desempenhar papéis sociais, com base nas relações existentes entre os grupos, o que justifica a inclusão e o reconhecimento desta atividade nos conteúdos sociais do lazer.
A vivência dos diversos conteúdos culturais do lazer, como os artísticos, os sociais, os manuais, os intelectuais, os físico-desportivos, conforme evidenciados por Dumazedier (1980), acrescidos dos turísticos, propostos por Camargo (1998) e do virtual, sugerido por Schwartz (2003), instiga a perspectiva de desenvolvimento pessoal e social, por meio do divertimento e de atividades prazerosas. Marcellino (2003) acrescenta que um processo educativo de incentivo à imaginação criadora, estabelecida por intermédio de uma educação para o lazer, se faz necessário ao objetivo de satisfazer as expectativas sociais. Neste sentido, a dança pode
representar um meio educativo, especialmente quando vivenciada no âmbito do lazer.
As interfaces físico-desportivas, artísticas e sociais promovidas pelos conteúdos culturais apreendidos pelas experiências em dança, principalmente no contexto do lazer, conduzem a caminhos que vislumbram, não só a inserção social e cultural do indivíduo, conforme evidenciam Sarto e Marcellino (2008). Tais vivências, quando estimuladas e percebidas de forma lúdica e prazerosa, em que a criatividade, a imaginação e os sentimentos podem ser valorizados por meio do respeito à individualidade e à integridade física e psíquica, podem contribuir qualitativamente com todas as esferas da existência humana.
Uma vida saudável está diretamente relacionada ao estilo e aos hábitos cotidianos que favoreçam a manutenção e a percepção de estados emocionais capazes de proporcionar bem-estar, assim como, relaciona-se à maneira com a qual o indivíduo aprende a extravasar, suprimir ou conduzir situações e sentimentos desagradáveis, de forma a utilizá-los em benefício do seu crescimento pessoal e amadurecimento psicológico. Uma vida nos âmbitos social e familiar prazerosa, aliada a momentos disponibilizados no âmbito do lazer e associada a hábitos saudáveis de alimentação e prática regular de atividades físicas, vem sendo amplamente difundida no meio acadêmico em diversas áreas do conhecimento e considerada por diversos profissionais da saúde e pesquisadores da área (ALMEIDA; VITAGLIANO, 2009, PINTO-NETO; CONDE, 2008), como um caminho para a longevidade, prevenção de doenças e melhor qualidade no que tange às esferas que permeiam a vida humana.
Com base nestes conceitos, observa-se uma crescente demanda no que concerne à procura por atividades que conduzam à satisfação pessoal, ao prazer e a práticas educativas, ou seja, especialmente aquelas atividades inseridas no contexto do lazer, como a dança, uma atividade inerente à cultura corporal do movimento, muito difundida desde a infância até a idade adulta. Atualmente, são muitos os que procuram pelos cursos oferecidos por academias ou escolas de dança, com o intuito de usufruir dos benefícios que a prática regular de uma atividade física pode proporcionar.
A opção por esta modalidade pode ser uma forma de preencher o tempo disponível de maneira saudável, prazerosa e segura, com orientação profissional
para o entendimento dos conteúdos artísticos, físico-desportivos e sociais do lazer. Este tempo representa, para Marcellino (2003), uma possibilidade de escolha de atividades contemplativas, para o uso voluntário e prazeroso dos momentos que o ser humano tem como disponíveis para estas práticas.
Portanto, a vivência dos conteúdos culturais do lazer intermediadas pelos cursos de dança pode apresentar seus contextos no âmbito do que Dumazedier (1980) denominou como semilazer. Para este autor, estes pressupostos podem ser recorrentes às atividades de lazer que estejam envolvidas com finalidades relacionadas às obrigações institucionais, sejam elas, lucrativas, utilitárias ou ideológicas.
Nesta esfera, podem ser inseridos os estudantes dos cursos de dança, os quais permanecem envolvidos em seus contextos por muitos anos, assumindo os compromissos e as responsabilidades para o cumprimento das exigências destes cursos por livre escolha. Estes estudantes buscam, nesses cursos, as possibilidades de formação, juntamente com a procura por uma atividade capaz de promover momentos prazerosos, de distração e divertimento vivenciados no momento do lazer. Da mesma forma, isto pode ser ressaltado para os coreógrafos e professores, os quais, mesmo envolvidos em suas atividades profissionais promovem espaços que reconhecem como lazer, como os espetáculos e apresentações públicas, nos quais são participativos e atuantes por vontade própria.
A escolha pela atividade dança pode ser fomentada por diversas razões, entre as quais, o modismo, o desejo de pertencer a algum grupo, imposição dos pais, indicações médicas devido a diversos problemas ósteoarticulares, por questões estéticas, por uma opção pessoal, por afinidade com esta arte, entre outros. Para Nanni (2005), assim como para Paim e Pereira (2008), questões relacionadas à saúde, estética, aprimoramento das habilidades motoras, bem como, conquista de amizades e opção no contexto do lazer, são fatores motivacionais relevantes para essa prática.
Corroborando a visão dos autores anteriormente citados, Nanni (2005) aponta que o reconhecimento da importância desta atividade se justifica, não só pelas abordagens já mencionadas, mas também, sob a ótica da manutenção da autonomia física para uma qualidade de vida melhor. Ainda para esta autora, apesar de ser atribuído à dança um grande valor físico-performático, sob a perspectiva
artístico-cultural, esta ainda apresenta inúmeras possibilidades educacionais. Daí pode-se compreender a procura crescente por estas práticas, bem como, o aumento da oferta de espaços que promovam esta atividade.
O desenvolvimento desta modalidade pode ser percebido em diversos contextos, como em clubes, praças públicas, ruas e avenidas das cidades, clínicas, academias, escolas, entre outros, nos quais os conteúdos e conhecimentos são apreendidos por diferentes métodos, procedimentos e propósitos. No entanto, nem todas as formas utilizadas por meio destas linguagens, refletem as necessidades existentes.
Para Couto (2008) há ainda hoje situações em que as vivências em dança assumem formas que fazem desaparecer aspectos como os lúdicos, os quais seriam, para a autora, capazes de revelar o potencial criativo humano. Para esta autora, uma atuação conjunta entre razão e sensibilidade, permite ao ser humano apreender sentidos e significações. Também, as danças, assim como os jogos e as brincadeiras perpassam muitas gerações e denotam tradições, heranças culturais e conceitos estéticos que poderiam ser abarcados por meio de Educação pela Arte e pela Estética com base na ligação entre pensamento, sensações e impulso lúdico.
A ampliação destas intervenções aponta para a necessidade de inserção de aspectos significativos ao praticante. Estes devem ter a finalidade de favorecer temas relevantes à subjetividade, como o respeito às diversas habilidades, à capacidade criativa, visando à espontaneidade, à autoestima, ao empreendorismo e, principalmente, à percepção da satisfação, prazer e da autoconfiança, o que, provavelmente, será de grande benefício, inclusive para o desenvolvimento das diversas técnicas envolvidas em cada estilo de dança escolhido.