VIII. Nomenklatur / Forkortelser / Symboler
1.2 Mål
Outra operação creditada ao coletivo e que obteve grande visibilidade midiática foi a Operação AntiSec, contração de Anti Security (Anti-Segurança), como foi batizada, que visou o ataque simultâneo a diversos sites governamentais em diferentes países. Sua execução foi feita por um pequeno grupo de hackers, que já agiam em nome de Anonymous, chamado LulzSec. Seu desenho era de um boneco do jogo Banco Imobiliário, com um monóculo e um cigarro.
LulzSec foi um pequeno um grupo de hackers que se reuniu exclusivamente para promover ataques mais agressivos a empresas e governos na internet. “Lulz” é uma variante da sigla LOL, “laughing out loud”, algo como “rindo bem alto”; portanto, LulzSec seria algo como “rindo bem alto da segurança”. O LulzSec foi o responsável por invadir o website do Senado Americano e retirar do ar temporariamente o site público da Central Intelligence
Agency (CIA), a central de inteligência do governo norte-americano. Durante a mesma
operação, o Citibank, o segundo maior banco do país, teve 1% da base de dados de seus clientes roubada por um grupo de cibercriminosos ainda não identificados81. Isso foi mais do
81 Disponível em < http://tecnologia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2011/06/09/citigroup-diz-que-hackers- acessaram-dados-de-milhares-de-clientes-norte-americanos.jhtm>. Acesso em 06 de julho de 2011.
96 que suficiente para toda a imprensa internacional saturar o tema e elaborar uma série inesgotável de notícias sobre a operação. Jornais impressos, televisivos, radiofônicos e, principalmente, digitais, estamparam nas suas manchetes que o caos virtual que estava se formando e trazendo uma série de consequências ao “mundo real”.
Em diversos países do mundo foram nascendo “derivações” regionais de subgrupos que passaram a agir agora em nome de LulzSec. No Brasil, um grupo que se intitulava como a filial brasileira do Lulz, realizou uma operação que representou o maior ataque hacker da história em volume de acessos feito a sites do governo, de acordo com o Serpro, Serviço de Processamento de Dados82. Sites como o da Presidência da República83, Portal Brasil84 e Receita Federal85, ficaram fora do ar por mais de uma hora no dia 22 de junho de 2011.
Segundo investigações da polícia brasileira, a maioria dos ataques veio de servidores localizados na Itália, o que demonstra a união entre os usuários de internet de todo o mundo para criar um ataque mundial em tempo real, graças, em grande parte, à grandes redes de computadores zumbis espalhados pelo globo. No dia seguinte, uma nova série de ataques foi feita ao site da Petrobrás86 e do Ministério dos Esportes87. Além disso, foram divulgadas
informações particulares da presidente Dilma Roussef e de Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, completando a operação.
No dia 24 de junho, um grupo hacker denominado Fail Shell foi o responsável por retirar do ar o site do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No lugar da página inicial foi colocado um grande olho com a bandeira do Brasil e a seguinte mensagem: “Entendam tais ataques como forma de protesto de um grupo nacionalista que deseja fazer do Brasil um país melhor. Tenha orgulho de ser brasileiro, ame o país, só assim poderemos evoluir!”88.
Durante todo o mês de junho, diversos ataques simultâneos foram feitos a governos de todo o mundo. Foram ações tomadas em um tempo mundial, “TEMPO MUDIAL em que a simultaneidade das ações logo supera seu caráter sucessório” (VIRILIO, 1999, p. 20). Sob a luz de um “FALSO DIA produzido pela iluminação das telecomunicações, [onde] levanta-se
82 Disponível em < http://www1.folha.uol.com.br/poder/933841-ataque-a-sites-do-governo-foi-o-maior-ja- registrado-diz-serpro.shtml >. Acesso em 06 de julho de 2011.
83 Endereço eletrônico: http://www.presidencia.gov.br/. Acesso em 06 de julho de 2011. 84 Endereço eletrônico: http://www.brasil.gov.br/. Acesso em 06 de julho de 2011.
85 Endereço eletrônico: http://www.receita.fazenda.gov.br/. Acesso em 06 de julho de 2011. 86 Endereço eletrônico: http://www.petrobras.com.br/. Acesso em 06 de julho de 2011. 87 Endereço eletrônico: http://www.esporte.gov.br/. Acesso em 06 de julho de 2011.
88 Disponível em < http://tecnologia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2011/06/24/ibge-reconhece-acao-de- hackers-e-tira-pagina-do-ar-para-manutencao.jhtm >. Acesso em 06 de julho de 2011.
97 um sol artificial, uma iluminação de emergência” (VIRILIO, 1999, p. 20). Não havia fuso horário, os ataques simplesmente aconteciam através da rede mundial de computadores. “Aqui, a expressão “tempo real” já não faz mais sentido para a humanidade, mas apenas para as máquinas, hoje capazes de operar com tempos infinitamente grandes (quando dos cálculos astronômicos) e infinitamente pequenos (quando dos processadores eletrônicos)” (PELEGRINI, 2008, p. 17).
Assim como no Brasil, em diversos outros países grupos se organizaram para agir “localmente,” como a Inglaterra, Turquia, Vietnã, Malásia, Zimbábue, Itália, entre tantos outros, que tiveram sites governamentais sob ataque durante todo aquele mês. Órgãos internacionais, como FMI e a OTAN, também foram vítimas de ataques. O poder de fogo demonstrado pelos grupos derivados de Anonymous e seus seguidores foi tamanho que a própria Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) classificou em um de seus relatórios89 o Anonymous como um grupo terrorista de extremo perigo para a sociedade.
Nesses “protestos”, diversos grupos de hackers agiam ou somente levavam crédito pelas ações, que sempre se diziam em prol de Anonymous. Vários grupos hackers associaram sua imagem a de Anonymous pelo fato de já estar em alta nos jornais e revistas, tornando mais fácil obter atenção. Quando não o fazia, a própria imprensa era a responsável por essa associação. Como no caso da Revista Época, que documentou toda a operação AntiSec, número 684, de 27 de junho de 2011, com o título: “A guerra virtual começou”.
Na reportagem, a revista coloca o LulzSec como uma “estrela emergente no universo hacker” (Revista Época, nº 684, p. 94), que deixou de existir exatamente 50 dias após o início de suas ações, mesmo obtendo grande repercussão internacional. Enquanto em alta, diversas ramificações do Lulz passaram a surgir em diversos países, como no caso do Brasil, com o LulzSec Brasil. Porém, mesmo com seu fim, as ramificações permaneceram agindo, deixando em dúvida a real ligação entre os subgrupos e o seu original. Todos queriam levar os créditos pelas ações bem sucedidas.
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Figuras 27 e 28: Capa da revista Época edição nº 684 e a primeira página da reportagem “A Guerra Virtual Começou”
Apesar de a revista fazer apenas uma pequena referência sobre Anonymous, considerando-o um grupo hacker que mais se destacam nos ataques acontecidos na época, o fato do LulzSec agir de acordo com a ideologia do Anonymous acaba por associar o coletivo à reportagem. Além disso, explica-se que, “apesar do evidente teor adolescente nas manifestações, eles trazem um ingrediente novo para o universo hacker – a motivação política”90.
Em agosto de 2011, a revista brasileira especializada em informática de maior circulação, a Info Exame, publicou na capa de sua 306ª edição a máscara símbolo do Coletivo Anonymous. No total, a publicação dedicou 20 páginas do seu conteúdo ao assunto na tentativa de explicar uma possível guerra digital sem precedentes, onde “no intervalo de pouco mais de dois meses, dezenas de sites de governos tiveram dados sigilosos roubados ou foram tirados do ar pela ação de grupos hackers que se proclamam contra a corrupção e pela liberdade da informação”91. Diversas fotos produzidas em estúdio com pessoas utilizando a
máscara de Guy Fawkes foram utilizadas para ilustrar a matéria. Nelas, aparecem homens e mulheres, de várias idades e etnias, utilizando os mais variados estilos de roupa, inclusive
90 Revista Época, edição nº 684, p. 96 91 Revista Info Exame, edição nº 306, p. 54
99 uma senhora aparentemente vestindo roupa de dormir, escondendo o rosto atrás da máscara, na tentativa de demonstrar que todos poderiam ser Anonymous.
A reportagem diz que uma das primeiras aparições públicas do Anonymous foi em 2008, “quando o grupo resolveu implicar com os adeptos da Cientologia”. Mas, ainda de acordo com a revista, as intenções do coletivo “não passavam de trollagem”, “internautas que se ocupam de provocar e estimular o confronto apenas para ver o circo pegar fogo”92. O foco
maior da revista se deu no fato de como o usuário comum, perfil padrão dos leitores da publicação, poderia se defender mediante a existência dessa guerra. Afinal, “na guerra digital, os hackers assumem os computadores de usuários da internet para ganhar poder de fogo. As máquinas são comandadas à distância”93. Inclusive, foi publicada uma lista de dicas sobre
como o usuário de computadores poderia se proteger para não se tornar uma vítima do cibercrime, sendo apresentados números para causar pânico entre os leitores, como o fato de que 80% dos computadores pessoais no Brasil já terem sido vítimas de algum tipo de ameaça.
Além disso, o material tenta causar medo entre os leitores, quando diz que “com vírus, cavalos de tróia, vermes, programas espiões e tantas outras denominações, seu computador está em permanente perigo”94, e mostra o lado comercial cibercriminalidade, uma atividade
milionária e profissional.