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MUJER INMIGRANTE

3.1 Las políticas sociales y la integración de la población inmigrante inmigrante

3.1.3 Los obstáculos en las políticas de integración

Antes de analisar a importância da contribuição de Simonsen para a compreensão da relação entre inflação e a dinâmica salarial, deve-se ter em mente que a descrição da curva de Simonsen não foi proposta inicialmente por Simonsen, como ele mesmo admitiu a Barbosa e a Rubens Cysne: “Alguns anos atrás eu perguntei ao Simonsen, para satisfazer minha curiosidade (uma característica de minha personalidade, que pode ser mal interpretada por quem não me conhece de perto), como ele tinha chegado à idéia de sua curva do salário real. Ele respondeu me que tinha visto algo semelhante num relatório de uma comissão estrangeira que tinha feito uma análise da inflação chilena na década dos 50.” (BARBOSA, 1997:118).

147 Serrano (2010) especula que Simonsen estivesse fazendo referência a um relatório escrito por Felipe Pazos, que trabalhava na comissão econômica da “Aliança para o Progresso” e na Organização dos estados Americanos (OEA) – o outro economista que inspirou o Mecanismo Pazos-Simonsen. Em trabalhos de Pazos da década de 1960, está presente um gráfico referente a salários no Chile, semelhante à Curva de Simonsen, como por exemplo Pazos (1969: 62).

No entanto, Vera (2008) chama a atenção para um trabalho de Kaldor feito em decorrência de uma série de palestras que ele ministrou na Fundação Getúlio Vargas em outubro de 1956 e que foi publicado na RBE em 1957, chamado “Inflação e Desenvolvimento Econômico”. Nesse trabalho, Kaldor (1957) não só esboça graficamente a relação entre salários reais e inflação que ficou conhecida como curva de Simonsen (KALDOR, 1957: 68), como a descreve em detalhes. Tal relação seria causada pelo fato de aumentos de preços serem contínuos, enquanto aumentos de salários nominais são descontínuos. Segundo Kaldor (1957: 67), “os salários reais flutuam em torno de uma média definida pelos níveis de salários imediatamente anterior e imediatamente posterior a determinado reajustamento. A característica de uma espiral salário/preço é a compressão crescente do ziguezague. Isto significa, evidentemente, uma aceleração contínua na taxa de aumento do nível geral de preços.”

Ou seja, Kaldor não somente propôs a relação entre salários reais e inflação sete anos antes Simonsen, como foi além – indicou que esse processo se acelerava, no sentido que os reajustes se tornavam cada vez mais próximos. Como pode-se observar na figura 3, no trabalho de Kaldor, o intervalo de reajuste diminui com o tempo:

Figura 3 - Relação Salários Reais e Inflação ao longo do tempo, segundo Kaldor (1957):

148 Fonte: Kaldor (1957)

Com base nessa figura, Vera (2008) credita a Kaldor (1957) e não a Pazos e Simonsen, como fizera Dornbusch (1985) o reconhecimento da importância de variações endógenas de contratos para a aceleração da inflação.

Observa-se assim, que a Curva de Simonsen não pode ser considerada, de fato, uma contribuição de Simonsen à macroeconomia. No entanto, deve-se observar que, mesmo que o trabalho não tenha sido pioneiro, ele foi importante por três motivos. Primeiro pelo fato de que, não fosse Simonsen, tal contribuição teria, provavelmente, passado despercebida pela academia brasileira, apesar do trabalho de Kaldor ter sido publicado na RBE e ter sido baseado em uma palestra ministrada por ele na FGV (evidenciado pelo fato de tanto Barbosa quanto Campos ignoraram o trabalho de Kaldor). De qualquer forma, foi Simonsen quem criou uma agenda de pesquisa na área e introduziu no país o interesse por esse tema. Muitos foram os trabalhos escritos nas décadas de 1970 e 1980 influenciados por essa descrição, como Vera (2008) e Barbosa (1997) observam.

Em segundo lugar, tal contribuição foi importante, pois permitiu a formulação de toda uma política que se sustentava nesse conhecimento – a própria política salarial formulada por Simonsen no âmbito do PAEG. Essa relação tão direta entre a teoria e a prática não é comum e, caso se aceitem os argumentos de Simonsen acerca das

149 conseqüências do abandono dessa política em 1979, ela foi em parte responsável pela perpetuação da inflação mas também permitiu a contenção de pressões de custos que poderiam ter acelerado ainda mais a inflação na década de 1970. E essa talvez seja até uma contribuição mais importante que a própria Curva, pois influenciou políticas e ainda justifica outra contribuição de Simonsen, a defesa das políticas de rendas.

Pode-se afirmar, no entanto, que em relação à questão salarial, a contribuição mais importante de Simonsen esteja relacionada com o emprego prático de uma política de renda que de fato contribui para o controle da inflação (como foi o caso da política salarial no PAEG) e não a curva de Simonsen em si.

4.13. Conclusões:

O trabalho de Simonsen foi muito importante para o estudo da inflação e para o desenvolvimento de planos de estabilização no Brasil. Isso é claro pelo número de economistas influenciados com ele, por sua participação ativa no debate e na formulação da política econômica. Alguns pontos devem ser ressaltados sobre essa importância.

Em primeiro lugar, a importância de Simonsen se dá muito mais pela disseminação de idéias do que pela proposição de idéias originais122. Esse foi o caso em relação à idéia de realimentação inflacionária e em relação à curva de Simonsen. Ambas as idéias já existiam na literatura, mas foi Simonsen quem as trouxe para o centro do debate econômico no Brasil.

Em segundo lugar, todas essas contribuições estavam relacionadas com o momento em que foram propostas. A idéia de realimentação e, mais tarde, de inércia inflacionária, se tornou cada vez mais presente nos trabalhos de Simonsen a medida que a correção monetária tornava mais rígida a taxa de inflação brasileira. A discussão do comportamento de salários no Brasil e a necessidade de se reajustar pela média e não pelo pico é amplamente embasada em reajustes salariais ocorridos na década de 1960 e que eram vistos como desordenados e fonte de pressão sobre a inflação por Simonsen.

150 Em relação às políticas de renda, o surgimento da hipótese de expectativas racionais que afirmava ser possível uma estabilização sem crise e a impossibilidade empírica, na visão de Simonsen, de isso acontecer no Brasil da década de 1980 motivaram sua defesa.

Essa relação entre teoria e prática não é, entretanto, unívoca. Uma leitura detalhada da discussão de Simonsen (1970) mostra as bases do Plano Cruzado descritas no capítulo seis desse livro. As diversas políticas salariais empregadas de 1964 a 1994 tiveram inspiração nos trabalhos de Simonsen. E a sua ênfase em ajuste fiscal moldou o Plano Real (apesar desse não ter atingido o ajuste fiscal na prática).

Muitas vezes, uma idéia necessita ser discutida de forma diferente para que tenha impacto. Em relação ao estudo de inflação, a conclusão que se chega é que, mesmo que suas contribuições não tenham sido originais, foi Simonsen quem determinou os termos do debate, seja reformulando a idéia de realimentação (e mais tarde, como o próprio Arida lembrou, reexplicando a proposta da moeda indexada), ou o comportamento de salários sob inflação ou fornecendo uma justificativa para o uso de políticas de renda. A partir de sua intervenção, que essas idéias tiveram lugar de destaque e puderam influenciar os formuladores de política da época.

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Capítulo Cinco – As demais contribuições de Simonsen: a crítica à

hipótese de expectativas racionais e a regra de endividamento

prudencial:

Durante década de 1980, logo após deixar o governo, a produção acadêmica de Simonsen foi bem intensa. Parte dessa produção já foi discutida aqui: a defesa do uso de políticas de renda em planos de estabilização e a análise da política salarial posta em prática pelo governo brasileiro a partir de 1979 e suas conseqüências sobre a taxa de inflação brasileira.

Duas outras contribuições importantes de Simonsen também são desse período e são o objeto de estudo desse presente capítulo: a crítica à hipótese de expectativas racionais e a regra de endividamento prudencial. A primeira, já mencionada no capítulo anterior, é uma contribuição essencialmente teórica, mas que no fundo está preocupada com a veracidade e aplicabilidade dos modelos desenvolvidos. A segunda é claramente inspirada pela situação vivida pelo Brasil e os demais países em desenvolvimento.

O presente capítulo tem cinco seções. A primeira seção discute o papel de expectativas na análise econômica, enquanto a segunda trata especificamente das expectativas racionais. A terceira seção apresenta as críticas de Simonsen a essa hipótese, a quarta seção descreve a regra de endividamento prudencial a importância dessa contribuição de Simonsen, enquanto a quinta seção traz as conclusões do capítulo.