• No results found

LA INMIGRACIÓN COMO PROCESO MULTIDIMENSIONAL

1.4 El fenómeno migratorio en Europa

1.4.1 El fenómeno migratorio en la Europa de la postguerra

Foi discutido que, assim como a TQM, a visão keynesiana também considera somente a inflação pelo lado da demanda. É verdade que as duas visões diferem principalmente em relação a causas: a TQM enfatiza a política monetária, enquanto a visão keynesiana enfatiza a política fiscal. Definindo o hiato inflacionário como sendo a diferença entre a demanda efetiva e a renda de pleno emprego, como a demanda não pode ser indefinidamente superior à oferta, os preços sobem para eliminar o hiato (MARQUES, 1987)39. Essa seria a noção de demand-pull inflation (PERRY, 2008a), que, em outras palavras, surgiria de desequilíbrios entre a oferta agregada e a demanda agregada em situações de pleno emprego.

Já a noção de cost-push inflation teria surgido no pós guerra e ocorreria quando a ação de sindicatos pressiona os salários para cima mesmo sob a existência de desemprego. Já foi mostrado que Simonsen (1979b) interpretava a Curva de Phillips original como um modelo de inflação de custos. Já no modelo neoclássico com rigidez de preços, se os salários são aumentados alem da produtividade, haverá aumento de preços mesmo que não haja expansão dos meios de pagamentos. A autoridade monetária se vê obrigada a aumentar a oferta de moeda nesse caso se quiser evitar recessão (tornando de demanda, uma inflação de custos).

39 Por considerar a inflação fenômeno típico de situações de pleno emprego, esse arcabouço não explica a

57 Samuelson e Solow (1960) chamam atenção que algum tipo de concorrência imperfeita no mercado de fatores (em que o mark-up não está diretamente relacionado a condições de mercado) ou de bens é necessária para que aumentos de preços surjam antes de atingida a plena capacidade da economia. Já Simonsen (1970) relaciona a inflação de custos com a alta de preços administrados, também enfocando a questão da falta de concorrência. Segundo ele, “seu conceito parte da observação de que nas economias modernas nem todos os preços são determinados pelo livre jogo das forças de mercado, mas muitos deles são fixados institucionalmente pelo Governo, pelos sindicatos, etc. A inflação de custos é entendida como resultante da alta desses preços ditos administrados.” (SIMONSEN, 1970:119) Mais adiante nesse mesmo texto, Simonsen, no entanto reafirma o papel de estruturas oligopolistas no processo de inflação de custos: “No mundo moderno não apenas os salários são administrados institucionalmente. Também, com a crescente participação dos oligopólios, as margens de lucro constumam ser fixadas a priori, sem estreita relação, pelo menos a curto prazo, com a mudança das condições de mercado. Se essas margens forem exageradas, poderá ocorrer uma alta de preços que mereceria o título de „inflação de margens de lucro‟ (Mark-up inflation)”. (SIMONSEN, 1970:120)

Simonsen (1979b) enfatiza o papel de imperfeições de mercado na ocorrência de inflações de custos ao afirmar que na existência de flexibilidade de preços sob livre concorrência, “é difícil imaginar outra origem possível para a inflação [senão o excesso da demanda global sobre a oferta]”, uma vez que a flexibilidade de preços permitiria que altas esporádicas de uns preços fossem compensadas pela queda de outros preços.

De modo simples, Simonsen (1979b) mostra como a Mark-Up Inflation surge. Em uma economia fechada, sem impostos ou gastos públicos, ao nível de pleno emprego, considera-se que os únicos componente de valor adicionado são salários e lucros. Seja o índice geral de preços no período t e represente os salários enquanto o total de lucros e o produto real a pleno emprego (por simplificação, invariável no tempo):

(23)

58

(24)

E que empresários mantenham uma margem média de lucros equivalente a uma fração m dos salários:

(25)

Logo,

(26)

No caso em que w (1 + m) > 1, surgiria o problema de inflação de margens, descrito por Ackley (1959)40. Esse exercício busca mostrar a importância de fatores setoriais geralmente abstraídos de modelos agregativos. (Com rigidez de preços, qualquer mudança na estrutura de preços relativo ocorre às custas do aumento do nível geral de preços SIMONSEN, 1979b).41

Após os choques do petróleo da década de 1970, passou a se considerar cost-push inflation qualquer aumento de preços provocado por um choque de oferta dada uma curva de demanda agregada (PERRY, 2008b). Marques (1987) associa ainda a todas essas causas fatores institucionais ligados ao conflito distributivo, em que os diferentes grupos da sociedade lutam pela distribuição da renda nacional.

O controle de uma inflação de demanda é realizado por políticas de contenção de demanda como uma contração fiscal e/ou monetária. No entanto, em relação a uma inflação de custos, a situação é mais complicada, pois essas políticas usuais de estabilização levariam provavelmente a uma recessão. Como elas não estariam agindo na fonte do aumento de preços (o aumento exógeno de custos), elas deprimiriam a

40 Pressupõe-se implicitamente, nesse exemplo, que a política monetária sanciona o aumento de preços.

41 Simonsen menciona o modelo de Baumol (1967), que explica como uma inflação crônica pode resultar

de diferenças intersetoriais de aumentos de produtividade. Setores em que a produtividade cresce mais lentamente que nos demais (mas como salários são uniformes entre indústrias) acabam tendo preços mais altos. Além disso, trabalhadores de indústrias mais produtivas podem conseguir reajustes correspondentes aos aumentos de produtividade nesses setores já que esses aumentos não afetam preços uma vez que refletem o aumento da produtividade – no entanto, esses reajustes acabam se propagando aos setores de menor produtividade, levando a um foco setorial de inflação.

59 demanda de forma desnecessária. O que restaria à Autoridade Monetária seria permitir um aumento passivo no estoque monetário de forma a aceitar esse aumento de preços. No entanto, isso poderia agravar o problema inflacionário, tornando essas pressões iniciais uma fonte contínua de inflação, de modo que a inflação que começou como sendo de custos pode desenvolver um componente de demanda também (SIMONSEN, 1970)42. Além disso, pode-se fazer uso de políticas de preços e rendas, por meio do controle de preços administrados e da política salarial para conter esses aumentos autônomos de custos (MARQUES, 1987). Em outras palavras, o controle de uma inflação de demanda exige medidas de controle de demanda, que podem ocasionar uma crise de estabilização. Já o correto controle de uma inflação de custos deve ser feito por uma política de preços e rendas, já que aquelas políticas além de ineficazes, levariam à recessão.

Apesar de, teoricamente, ambas as causas serem bem divididas, empiricamente geralmente não há consenso em relação a causas de determinado período inflacionário, pois a interdependência das diversas variáveis envolvidas dificulta a distinção entre aumentos exógenos e endógenos principalmente de salários (PERRY, 2008b).

Marques (1987) menciona também discussões acerca da inflação setorial, que estaria relacionada com mudanças de preços relativos que levariam a aumentos do índice geral de preços, mesmo na ausência de excesso de demanda. Isso ocorreria quando variações setoriais são acomodadas por políticas monetárias e/ou fiscais passivas.

Debates no Brasil sobre as Causas da Inflação: