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LA INMIGRACIÓN COMO PROCESO MULTIDIMENSIONAL

1.2 Enfoques teóricos en el estudio de las migraciones

1.2.4 Otros enfoques teóricos

As causas da inflação de acordo com a TQM surgiriam pelo lado da demanda, já que essas estão relacionadas com uma expansão monetária exagerada. No entanto, ao longo

49 do século XX, a teoria keynesiana35 permitiu o desenvolvimento de outra interpretação para as causas da inflação pelo lado da demanda.

De acordo com Simonsen (1979b), o modelo Keynesiano introduz duas inovações ao substituir a equação wickselliana de equilíbrio da taxa de juros ao nível natural (equação 7) pela equação de equilíbrio produto-despesa (equação 14) e a substituição da TQM pela equação 8, que descreve a demanda por moeda como função da taxa de juros devido à demanda especulativa por moeda.

Numa economia fechada, a despesa seria descrita por:

(14)

Simonsen (1979b) argumenta que o defeito do modelo discutido na Teoria Geral (uma versão simplificada em que o investimento é tido como exógeno e independente da taxa de juros) está em se admitir que o nível da renda e de emprego depende apenas da vontade de investir do setor privado, dos gastos públicos e dos impostos, não sendo afetado pela política monetária. Nesse caso, movimentos na oferta monetária afetariam a taxa de juros, alterando o estoque de moeda procurado para fins especulativos.

Um pouco depois da publicação da Teoria Geral, foi desenvolvido o modelo IS-LM, que descrevia um sistema keynesiano que determinava simultaneamente níveis de produto e emprego e onde a política monetária poderia aumentar nível de emprego. Além disso, começou-se a considerar que o consumo pessoal dependesse também da liquidez real, de modo que a expansão monetária aumentaria o nível de demanda não apenas pela baixa da taxa de juros, mas também pelo efeito liquidez real (SIMONSEN, 1979b).

Considerando as premissas keynesianas usuais, a economia poderia operar com uma alocação de recursos outra que não a de pleno emprego. Uma expansão de demanda

35 Sobre uma teoria de inflação em Keynes, Simonsen (1980: 10) afirma “da obra de Keynes o que se

extrai de relevante para a teoria da inflação é mais a inspiração metodológica do que qualquer teoria objetiva”.

50 poderia ser utilizada para garantir um maior emprego desses recursos. Keynes enfatizava o uso da política fiscal, pois acreditava que a monetária poderia não ser tão eficaz. Tal política poderia elevar preços e salários, mas isso é visto como um movimento adaptativo, no sentido em que alguns fatores de produção se tornam escassos, enquanto outros continuam ociosos. No entanto, uma vez atingido a posição de pleno emprego, qualquer expansão adicional da demanda elevaria preços e salários36.

Segundo Simonsen (1979b), do ponto de vista da teoria monetária, contribuição da Teoria Geral foi o abandono da hipótese de que velocidade renda da moeda seria constante, devido à dependência da procura de moeda em relação à taxa de juros, sem justificar, no entanto, tal dependência.

O desencadeamento do processo inflacionário pode ser visto de forma um pouco mais formal. Definindo a despesa real induzida no período t como função da renda nominal

do período anterior, deflacionada pelo nível de preços do período e supondo

um nível constante de despesas autônomas a além de uma propensão marginal a gastar constante e igual a b, a demanda global no período t é de

(15)

O hiato inflacionário seria o excesso de sobre o produto de pleno emprego se os preços não se alterarem, isto é, se

(16) )

A taxa de inflação que equilibra o sistema será aquela que igualar a demanda à oferta de pleno emprego37:

(17)

36 Keynes (1940) discute essa situação no contexto da guerra, em que a economia está em pleno emprego

e que o consumo deve ser limitado pelo esforço de guerra. Nesse caso, o aumento do emprego causado por esse esforço e seu conseqüente aumento de renda não podem ser satisfeitos por um aumento no consumo, de modo que o resultado dessa situação será um aumento da taxa de inflação.

37 Assumindo que o hiato é positivo e que o volume de despesas autônomas é inferior ao produto de pleno

51 Sendo

a taxa de inflação, a taxa inflacionária capaz de absorver o hiato inflacionário é de

(18)

Simonsen (1979b) argumenta que esse modelo não estabeleceria uma relação entre inflação e expansão monetária (defeito resultante da versão simplificada do modelo keynesiano, em que o investimento não era afetado pela política monetária). Alterando essa premissa e considerando então que a demanda, além do componente autônomo e induzido pela renda, também seja influenciada pela taxa de juros, pelo efeito liquidez real ou por ambos, a equação 15 torna-se:

(15a)

Onde é a ofeta de moeda no período t.

Supondo a + b inferior a , o hiato inflacionário passa a ser:

(16a)

e a equação de equilíbrio de pleno emprego é

(17a)

Nesse contexto, um processo inflacionário é desencadeado por um aumento de gastos autônomos ou por uma expansão contínua dos meios de pagamentos. O primeiro caso não seria permanente sob a hipótese de produto de pleno emprego constante, mas o segundo pode ser responsável por uma alta crônica de preços já que não há limites para expansão de papel-moeda.

Simonsen (1979b) menciona como inovações keynesianas em relação à visão clássica a possibilidade de inflação sem expansão monetária por meio do aumento de gastos e a

52 defasagem de transição entre taxa de expansão monetária e inflação, devido à queda na velocidade-renda da moeda (ligada à euforia inicial dos processos inflacionários).

Simonsen admirava muito a visão keynesiana, e sua tentativa de descrever uma economia fora do equilíbrio walrasiano, na ausência do leiloeiro. Como essa visão está relacionada com a visão de Simonsen sobre o processo de equilíbrio (e de desequilíbrio) de uma economia, essa discussão será deixada para o capítulo seis.