4. Intelligibility of N2 speech
4.3 Listeners and their intelligibility data
Se o Estágio Curricular constitui-se um desafio nos cursos presenciais de formação de professores, esse desafio é ainda maior e mais complexo na modalidade a distância. A Educação a Distância é algo relativamente novo no ensino superior, portanto, há pouca literatura sobre o Estágio nessa modalidade.
Foram inúmeras as tentativas feitas em busca de referencial teórico sobre o Estágio na modalidade EaD, para dar suporte a esta pesquisa. Pesquisas foram realizadas, levantamento das produções do INEP, órgãos foram visitados a fim de encontrar mais subsídios. Teses e dissertações do CEDUC/UnB foram consultados, além de livrarias, sites, entre outros.
Uma referência encontrada diz respeito à experiência sobre o curso de Pedagogia a Distância, oferecido pela Universidade de Caxias do Sul - RS. Essa experiência de Estágio curricular definiu como concepção metodológica de um processo desenvolvido em três dimensões. A primeira dimensão é a realização da análise da realidade, a segunda é a definição das formas de mediação, e a terceira é a síntese reflexiva do professor diante da intervenção realizada.
Os supervisores de Estágio da referida instituição apoiam os estudantes no processo de “aprender a aprender”, conduzem o processo de tomada de consciência metacognitiva. Os supervisores organizam e planejam os trabalhos da avaliação, isto é, explicitam claramente os objetivos de ensino e avaliação, enunciando indicadores para tal. Ao produzirem os guias de Estágio Curricular, sejam impressos, sejam propostas de mediações interativas no fórum de um ambiente virtual, sejam objetos virtuais de aprendizagem, de diários on-line, entre outros, os supervisores apresentam a comunicação didática e as abordagens pedagógicas pensando na mesma direção.
No contexto de Estágio em rede, a supervisão é ressignificada de forma que se caracterize pelas relações direta (observação presencial) e semidireta (observação dos indicadores registrados nos espaços do AVA − Ambiente Virtual de Aprendizagem) entre os atores da rede. Nessa forma colaborativa de Estágio em rede, realizada pela Universidade de Caxias do Sul, o professor e ou o supervisor são importantes no processo de avaliação, porém, no processo de aprendizagem, o papel do aluno é fundamental. Segundo Rela et al. (2006), mesmo identificando efeitos positivos produzidos pela atividade cooperativa, é possível verificar muitas dificuldades que não foram superadas, por causa da complexidade de se adotar a aprendizagem cooperativa em instituições caracterizadas pela aprendizagem tradicional.
A prática de ensino e Estágio Supervisionado da UNITINS são momentos e instâncias-chave do projeto curricular do curso de Pedagogia. De forma alguma se reduzem a um absolutismo metodológico das práticas consideradas “tradicionais”, ou seja, dos infalíveis produtos realizados pelos acadêmicos em sala de aula (relatórios abstratos ou as pastas-relatórios) com intencionalidade burocrática, isto é, para finalização de uma rota acadêmica e diplomação.
O PPC do curso de Pedagogia da UNITINS aponta para a necessidade de discutir teoricamente a prática ou realizar o Estágio „pró-forma‟ e atender à exigência legal a fim de cumprir formalidade em face das exigências das autoridades e/ou dos órgãos competentes. Tais exigências, expressadas por meio de relatórios e TCC, posteriormente ficam arquivados nos polos ou nos CAs, a fim de obter o título desejado. Assinala também para a busca de espaços de discussão teórico- metodológica, de reflexão sobre o que é vivenciado no campo do Estágio como o planejamento e o replanejamento das atividades e o estabelecimento da relação da teoria com a prática. Essas ações propiciam a construção do conhecimento e a oportunidade de experienciar, por meio da visualização e da ação do e no campo que o acadêmico atuará posteriormente como profissional.
A UNITINS, por meio de suas equipes docentes multidisciplinares e em observância às bases legais da educação nacional, às matrizes teóricas e metodológicas dos pesquisadores educacionais e por sua experiência teórico-
metodológica, concebe o protocolo de prática de ensino e Estágio Supervisionado, que exponho na sequência.
a) A compreensão institucional da prática de ensino e do Estágio Supervisionado, como instâncias articuladoras e mediadoras da formação teórica e prática dos alunos, visa ao estabelecimento do exercício docente em uma magnitude mais ampla, das disciplinas e dos seus respectivos conteúdos para práticas observacionais e sistêmicas, bem como da inserção nos conteúdos para uma aprendizagem significativa e construtivista. Em suma, visa à efetivação de um profissional crítico e atuante nos domínios da educação.
O Estágio, tanto em um curso presencial quanto a distância, torna-se um dos momentos desafiadores para a concretização curricular. É nesse espaço que os alunos, de maneira privilegiada, vivenciam o entrelaçamento teórico-prático concretizado nas experiências de observação, intervenção e regência de sala de aula, exigido em sua proposta de formação.
É clara a ansiedade dos alunos e até mesmo dos professores ao iniciarem a disciplina de prática e a expectativa para vivenciarem a regência de sala de aula. Embora a maioria já tenha experiência com a prática docente, muitos ficaram ansiosos com o Estágio. Ilustro essa situação com a fala de uma aluna: “Na semana
que eu tenho que ir fazer o Estágio na escola não durmo direito, tenho dor estômago só de pensar que eu tenho que dar aula com a professora regente na sala e pensar que ela vai preencher uma ficha me avaliando”. Outra aluna revelou: “uma coisa é
eu dar aula para os meus alunos, outra coisa é ensinar os alunos que eu não conheço; tenho medo deles não aprenderem e também da professora da turma ou da coordenadora não gostarem do meu trabalho”.
Percebi que os professores ficam ansiosos com a proximidade do período do Estágio e até mesmo um pouco inseguros com relação à qualidade do trabalho a ser desenvolvido pelos alunos. Essa ansiedade perdura até o período de correção dos relatórios, pois é o único retorno do trabalho desenvolvido por eles.
b) As adequações pedagógicas diante dos dispositivos tecnocomunicacionais são mediadores presentes na nova modalidade de ensino oferecido pela UNITINS. Foi
permitido desenvolver o Estágio voltado para uma formação teórico-prática, na realidade da sala de aula em que os alunos estarão inseridos após a conclusão do curso e estágios voltados para os acadêmicos inseridos na modalidade EaD. Os Estágios visam a conhecer, inserir e integrar os alunos à realidade docente das unidades escolares (das redes de ensino público estadual, público municipal e privada) dos ensinos fundamental e médio.
Busca-se por meio desses ajustamentos uma concepção dialética do processo ensino e aprendizagem, na qual a prática não se restringe ao simples fazer, mas se torna uma reflexão que subsidia a teoria. O Estágio é visto como uma possibilidade de ser um processo criativo de investigação, interpretação e intervenção na realidade educacional, portanto, passou a ser entendido como um espaço interdisciplinar de formação. De acordo com Pimenta e Lima (2004), cabe ao Estágio dos cursos de formação possibilitar que os futuros professores compreendam a complexidade das transformações do mundo em andamento. No caso da Educação a Distância, não basta apenas compreender os avanços no campo da comunicação e da tecnologia, mas, necessariamente, deve estar instrumentalizado para lidar com as interfaces tecnológicas, inserir-se num espaço virtual de aprendizagem e assegurar uma formação profissional de qualidade.
É importante perceber que as políticas educacionais sugerem a prática de ensino não restrita ao Estágio, mas presente desde o início do curso. O Estágio Curricular passa a ser considerado um espaço interdisciplinar de formação, com a finalidade de favorecer maior conhecimento da realidade profissional, por meio de um processo de estudo, análise, problematização, teorização, reflexão, proposição de alternativas, intervenção e redimensionamento da ação. Esse exercício de ação- reflexão-ação possibilita a unidade entre a teoria-prática e favorece a formação de um profissional crítico, reflexivo, capaz de transformar a realidade em que vai atuar.
Caso o protocolo de prática de ensino e Estágio Supervisionado da instituição investigada realmente se efetive conforme o prescrito, provavelmente, teria condições de formar pedagogos capazes de atuarem nos anos iniciais do ensino fundamental. No entanto, conforme os achados desta pesquisa, mesmo o curso sendo a distância e o Estágio presencial e o coordenador do curso, os professores e os tutores procurando realizar suas funções com responsabilidade e
compromisso, as evidências descritas anteriormente mostram que, na realidade, o Estágio ocorre de forma fragmentada, sem acompanhamento, orientação e supervisão, de forma que os objetivos não são totalmente alcançados conforme previsto.
O curso de Pedagogia em EaD mantém a carga horária do Estágio Curricular, conforme uma legislação já revogada, o que se justifica pelo fato do referido curso ter se sido iniciado em 2006, autorizado por meio da Resolução n. 9/2005, de 31 de outubro de 2005, anterior à aprovação das Diretrizes Curriculares (2006).
A prática e o Estágio têm o propósito de contribuir para a formação de futuros profissionais, contemplar os elementos fundamentais que proporcionam o contato com todas as atividades educativas, como atividades fora do espaço da telessala, atividades administrativas e profissionais. Além disso, constitui-se em intento para reunir, o mais sistematicamente possível, elementos que convergem para o processo de ensino e aprendizagem e se propõem a ajudar o aluno em aprender a aprender.
4.5.1 Matriz epistemológica do curso de Pedagogia
O curso apresenta, em sua proposta de Estágio, uma matriz epistemológica considerada terminologicamente como Vivência Educadora, organizada em módulos, distribuídos do primeiro ao sétimo período, conforme a figura a seguir.
MÓDULO