4. Intelligibility of N2 speech
4.4 Effects of manipulations
4.4.1 Original versus close-original stimuli
4.4.2.2 Learning effects
Os professores do curso de Pedagogia, conforme dito anteriormente, não recebem o feedback necessário do que de fato acontece nas telessalas e, principalmente, na escola-campo sobre a realização do Estágio. O retorno por meio da interatividade e dos relatórios escritos, segundo eles, não é suficiente para ter a garantia de que o Estágio é cumprido conforme o PPP. Dos professores entrevistados, apenas a professora Lara acredita que o Estágio contribui para a formação do pedagogo, os demais têm opiniões diferentes.
A professora Flávia enfatiza: “então eu não sei exatamente o que eles estão
fazendo porque eu, enquanto professora, não estou tendo esse retorno, não posso dizer se eles estão realizando ou não um bom trabalho. Só diria se tivesse um relatório do polo e isso não tem”. A professora Flávia acrescenta: “por isso que eu digo que tem que ter uma pessoa lá para orientar realmente o caminho a seguir e isso vai motivar o aluno, tendo uma pessoa para acompanhar e orientar seu trabalho”.
A professora Lara se posicionou da seguinte maneira:
Eu acredito é que deve estar sendo acompanhado não pelos professores, mas, sim pelos supervisores de campo, dos polos, foi pelo menos repassado que eles estavam fazendo as visitas. [...] O acadêmico estagiário, a partir do momento que ele toma a decisão de ir à escola, ele tem autonomia e o compromisso e está adquirindo autoconhecimento, isso dá um status nesse Estágio, de confiança nele mesmo.
O professor João Carlos também acredita que o Estágio contribui para a formação do pedagogo:
Nós temos alunos que já são professores e outros não; aí a gente consegue perceber lógico que não é 100%, eu acho que seria uns 70%, a gente consegue perceber a participação, a vontade de querer conhecer. E a gente tem alguns depoimentos até emocionantes de pessoas que foram à escola e viram a finalidade de outra disciplina do curso que no Estágio ele ia precisar, por isso eu acho que uns 70% faz o Estágio e leva a sério.
Já o professor Ricardo tem uma visão bem diferente dos outros professores, ele disse:
Não dá pra dizer como a gente pelo menos possa imaginar que essa
formação se dê, deveria sim contribuir para essa formação, mas, eu suspeito que ainda não, a gente tem que crescer em vários níveis, pensar a EaD como um todo, pensar em alternativas, eu acho que a ainda tem uma distância, tem um caminho a ser percorrido.
Pelo depoimento dos professores, constatei que 50% deles acreditam que o Estágio realmente contribui para a formação do pedagogo, em contrapartida, outros 50% têm muitas dúvidas em relação a essa afirmação. Percebo que a falta de
feedback, associada ao desconhecimento da realidade, indica a incerteza da
contribuição do Estágio em relação à formação do pedagogo. Por outro lado, o otimismo dos outros professores é subjetivo, mesmo não tendo provas concretas de como o Estágio é de fato realizado. Se as sugestões dos alunos, dos tutores e dos próprios professores fossem atendidas, no sentido de ter um pedagogo para orientar e acompanhar o estagiário nas telessalas e na escola-campo, provavelmente teria de ser um pedagogo com um perfil diferente do que se supõe ter atualmente, formado na modalidade a distância no formato da instituição pesquisada. Em pesquisa realizada por Pimenta e Lima (2004, p. 188), há a afirmação de que
A maioria dos orientadores encaminha a realização dos Estágios em escolas públicas, considerando que a inserção profissional dos alunos egressos dos cursos de graduação ocorrerá em grande parte nesse universo; considerando ainda, que as escolas públicas se constituem em espaço especialmente privilegiado para a aprendizagem profissional, uma vez que nelas emergem, de modo mais evidente, as contradições da educação escolar no país.
Assim, independentemente do fato, é imprescindível afirmar que a articulação, a orientação e o acompanhamento direto com as escolas e demais instâncias educativas sociais devem privilegiar a relação teoria-prática, bem como a
análise dos saberes nelas realizados como recurso para o preparo dos futuros pedagogos.
A visão dos professores de Estágio revela isso. Ao ser questionada se as orientações são recebidas e compreendidas pelos alunos sem deixar dúvidas, a professora Flávia respondeu que
Alguns alunos captam bem a mensagem e as orientações, mas a grande maioria não. A gente explica uma atividade e eles levam tempo para entender, tem que explicar tudo passo a passo; eles têm o manual, mesmo assim tem que informar sobre como as atividades devem ser desenvolvidas. Agora se os alunos estão enviando as atividades apenas para obter nota, quer dizer que não está atingindo o objetivo; tá existindo um faz de conta, entendeu? Nós, professores, estamos pensando que estamos fazendo a nossa parte, fazendo a parte pedagógica, mas o Estágio não depende apenas dessa parte, depende também da parte operacional. E essa parte operacional é refletida exatamente nessa aprendizagem do aluno, no retorno do aluno.
A professora Flávia, assim como os demais entrevistados, demonstra grande preocupação com o processo e o resultado do Estágio:
Ele se perde no final do processo, por que precisa ser amarrado lá na ponta. O professor ensina aqui, tem um manual, mas quem orienta, quem direciona, quem avalia, quem verifica realmente se o processo tá acontecendo ou não, não aparece por que falta esse alguém.
Moraes (2000, p. 62) também salienta a importância que há em realizar um Estágio com supervisão qualitativa, envolvendo orientação, supervisão e avaliação, pois, segundo ele, “o Estágio, quando mal orientado, é encarado apenas como uma exigência acadêmica necessária para a aquisição do diploma”. Parece existir um consenso entre os professores e os alunos que, enquanto não tiver um tutor qualificado, preparado para atender aos envolvidos no processo, dificilmente o Estágio será efetivado a contento.
Em relação ao Estágio, os professores questionaram: se tivéssemos um tutor presencial com formação em Pedagogia para orientar, acompanhar e avaliar os acadêmicos, bem como ser o elo entre a instituição e a escola-campo, os acadêmicos não se sentiriam mais seguros e mais bem preparados para o exercício da profissão? Essas reflexões sobre o Estágio e o cumprimento do PPP podem gerar posturas mais coletivas e alertar não só para o cumprimento da proposta
pedagógica, mas também para a necessidade de mudanças. Os professores, mesmo tendo ciência de alguns entraves sobre o Estágio em um curso na modalidade a distância e a necessidade de adequações, correções e mudanças no processo, acreditam na EaD e a defendem como uma excelente forma de ensino. Nesse sentido, Moore e Kearsley (2008, p. 169) afirmam que
Os professores que ensinam a distância geralmente são otimistas em relação a essa metodologia e suas atitudes tendem a se tornar mais positivas com a experiência. [...] Os professores acreditam que a experiência de Educação a Distância melhora seu ensino tradicional.
Em virtude de a EaD ser uma modalidade relativamente nova no Brasil e de estarmos ainda muito arraigados ao ensino presencial, os professores que ensinam a distância procuram inovar suas aulas com recursos e metodologias variadas, visando a manter o interesse e a atenção do aluno. Eles detectam dúvidas, por meio do portal, desde as mais elementares, como perguntas muito simples até os relatórios e os artigos (TCC) mal elaborados, que são encaminhados para refacção. Isso faz com que os professores repensem sua prática pedagógica tanto na modalidade a distância quanto no presencial, além de possibilitá-los fazer a adequação e a transposição de determinadas estratégias pedagógicas da modalidade a distância para o presencial e vice-versa. O professor João Carlos comentou: “se eu tivesse no presencial os recursos que temos aqui e tivesse como
fazer lá muitas coisas que faço aqui, o ensino lá seria bem melhor”. A professora
Lara expôs: “depois que eu estou trabalhando na EaD e no presencial, senti que
minha prática lá mudou muito, pra melhor, é claro”.
A UNITINS, por meio de seus documentos institucionais, deixa claro que o Estágio não se limita ao projeto de docência, mas às atividades práticas desenvolvidas desde o segundo período do curso. A instituição prevê um convênio para o desenvolvimento das práticas de ensino e do Estágio Curricular Supervisionado na escola-campo, além de profissionais responsáveis tanto no âmbito presencial quanto a distância para o planejamento, o acompanhamento e avaliação das atividades. O não-cumprimento de requisitos previstos no convênio e nos documentos relativos ao Estágio, a falta de profissionais devidamente qualificados para a efetivação das etapas do Estágio podem acarretar no aluno
insegurança, além da falta do devido preparo para a docência. Esse fato pode gerar também certa desesperança no professor por não ter o feedback do processo e, ao corrigir os relatórios e o TCC, comprovar que muitos não corresponderam ao que foi solicitado, orientado e desenvolvido por ele.
Barreiro e Gebran (2006, p. 104) expõem que
Os estagiários deverão contar com a supervisão direta de seu orientador em todos os momentos do Estágio que sejam essenciais para a reflexão sobre as observações/investigações realizadas e nos encaminhamentos possíveis e necessários em cada etapa. A supervisão coletiva é mais rica, por possibilitar a construção de conhecimentos por meio da prática do outro, e se constitui em aprendizagem valorizada pelos alunos, que a consideram uma mostra do que se deve ou não fazer.
Shön (2000) destaca a dinâmica da reflexão antes, durante e após a ação; isso associado à modalidade a distância, no que tange ao Estágio, é tão importante não só para o professor, quanto também para o aluno, para que não corra o risco de apenas cumprir um aspecto legal e obrigatório do curso. O professor Ricardo demonstra preocupação em relação a isso:
Em razão do número reduzido de aulas do semestre (16 aulas de 45”), reside aí um problema do ensino a distância; o tempo não dá para uma discussão mais aprofundada e isso causa prejuízo aos alunos. Enquanto, no presencial, a gente toma três, quatro aulas em um determinado assunto, na EaD isso fica comprometido; eu acho que eles continuam reproduzindo aquilo que os professores da escola tem feito. Em nível de intervenção, não vou generalizar, mas, quantos é que tem condição de discutir, argumentando com os professores da escola? ou eles vão, só observam e agem tal qual já está sendo feito? E é preocupante porque a gente está falando de Estágio, que tem um papel fundamental na formação do aluno. Tudo o que se faz no Estágio, o objetivo é dar condição ao aluno de fazer a relação teoria-prática e poder fazer as intervenções necessárias, seja no Estágio de docência, como no Estágio de supervisão pedagógica.
A preocupação dos professores é pertinente, pois o Estágio é fundamental no processo de formação do aluno e não deve se restringir ao cumprimento de um aspecto legal. Demo apud Barreiro e Gebran (2006, p. 24) afirma que
A formação inicial é determinante para as práticas de reprodução. Nesse processo, é fundamental o papel dos professores-formadores ao favorecer e oferecer caminhos que levem à reconstrução de conhecimentos. A universidade que apenas reproduz conhecimento é desnecessária.
Os caminhos que rompem com as práticas de reprodução passam fundamentalmente pela reflexão de que a teoria possibilita quando confrontada com a prática. Essa é uma forte razão para a formação de um profissional crítico reflexivo.
Pimenta e Ghedin (2002, p. 115) afirmam que
[...] o papel da teoria é oferecer aos professores perspectivas da análise para compreenderem os contextos históricos, sociais, culturais, organizacionais e de si mesmos como profissionais, nos quais se dá sua atividade docente, para neles intervir, transformando-os.
Para ilustrar essa tendência à reprodução, Bourdieu e Passeron (2008, p. 83) citam Durkheim
Diz-se que o jovem mestre se pautará sobre as lembranças de sua vida de liceu e de sua vida de estudante? Não se vê que isso é decretar a perpetuidade da rotina. Pois, então o professor de amanhã não poderá fazer outra coisa senão repetir os gestos de seu professor de ontem e, como este não fazia ele mesmo senão imitar seu próprio mestre, não se vê como nessa sequência ininterrupta de modelos que se reproduzem uns aos outros, se poderia jamais introduzir qualquer novidade.
A formação tanto inicial quanto continuada é base para o exercício da atividade profissional, ela deve possibilitar a construção de um saber aberto para novas experiências que ampliem a teoria. Com essa compreensão, a formação dos profissionais da educação passa a ser relevante para que ocorra um processo educativo qualitativo, buscando, no princípio educativo e científico, o caminho metodológico para a formação docente.