8. Conclusion
8.1. Limitations and suggestions for further research
A educação infantil atende crianças a partir da idade de 1 ano e 5 meses até 6 anos. A organização das salas abaixo é determinada pela escola, que segue as orientações dos parâmetros curriculares nacional e que corresponde às seguintes classes:
Mini-maternal: 1 ano e 5 meses a 2 anos. Nesta sala as atividades são voltadas para a socialização das crianças, que ainda têm brincadeiras paralelas às de outras crianças. São desenvolvidas algumas produções gráficas, que correspondem à capacidade motora desta idade. A criança pinta com a mão, manipula massa de modelagem e argila, demonstra gosto pela música, permitindo que a professora estimule a fala através desse recurso.
A partir dos dois anos de idade inicia-se o controle esfincteriano e as professoras auxiliam neste processo durante o período de permanência na escola. A maior parte do período na escola é destinada a atividades no parque, com areia, água, gramado e brinquedos. As crianças nessa idade ainda mamam, tomam banho e tiram “sonecas” durante seu período de aula.
A professora dessa sala tem que ajudar no processo de separação da mãe e do filho. Muitas vezes a mãe sente-se culpada por ter que trabalhar e delegar os cuidados do filho a escola, essa culpa traz angústias, que são vivenciadas pela criança como algo a se temer. Embora não tenha clareza do que é perigoso, a criança reage aos sentimentos maternos chorando, como se estes sentimentos a pertencesse.
Maternal I: de 2 à 3 anos nessa faixa etária as atividades são voltadas para o parque, e brincadeiras com bonecas carrinhos, tanque de areia, água. Existe uma predominância no brincar ao lado da outra criança, e não junto, devido ao início processo de socialização da criança, é um momento evolutivo em que a criança quer tudo pra si e apresenta dificuldades em dividir a atenção dos adultos e compartilhar seus brinquedos. Também apresenta pouca
habilidade em controlar seus sentimentos de afetos e contrariedade, exigindo da professora atenção para intervir de forma afetiva, e ajudar as crianças a entenderem o que sentem naquele momento, nomeando as sensações e sentimentos, para que a criança possa identificá- las. Também são trabalhadas noções sobre o próprio corpo, cor forma e musicas.
Maternal: 3 anos. As crianças ainda passam grande parte do horário de aula no parque, brincando com os colegas de turma e do mini-maternal. As atividades gráficas são executadas com giz de cera, lápis e pincel. Os desenhos são grandes e as crianças têm “aula de linha”, na qual são discutidas as regras da sala, a comunicação verbal, histórias e fatos do cotidiano. A criança já tolera brinquedos coletivos e gosta de ajudar nas tarefas, emocionalmente tem maior consciência do Eu e do Você, isto é do interno e do externo.
São trabalhadas atividades concretas com noções de círculo, quadrado, triângulo, retângulo, idéias de cores e conceitos em cima, embaixo, ao lado.
A professora do maternal ainda lida com as dificuldades de separação mãe–filho, como no ano anterior. Outra caraterística dessa idade é lidar com a dificuldade que algumas mães apresentam em permitir que o filho cresça, questionando as atividades propostas pela professora quando estas buscam uma maior autonomia para a criança, respeitando a sua capacidade e características.
Jardim I: 4 anos. As atividades diversificam com aulas de inglês, espanhol, informática e educação física, ministradas por professores específicos. As crianças nessa idade têm maior autonomia motora, suas relações sociais ampliaram-se, facilitando a participação em grupo, o vocabulário ampliou facilitando a comunicação.
As atividades pedagógicas são direcionadas para o nível pré-silábico.
Jardim II: 5 anos. As crianças têm as aulas complementares de inglês, espanhol, informática e educação física, mais as aulas com a professora responsável pela sala, que direciona as atividades para os níveis pré-silábico e silábico, utilizando com freqüência o
alfabeto móvel e jogos de matemática. Os jogos de regras ajudam na convivência com os amigos, a suportar as frustrações, aprendendo a ganhar e a perder. Esse aprendizado é difícil, mas pode tornar-se menos árduo quando realizado em grupo. As atividades livres no parque são diárias e as crianças freqüentam a brinquedoteca semanalmente.
Jardim III: 6 anos. As crianças têm as mesmas aulas complementares do jardim II. As atividades pedagógicas são direcionadas para o nível silábico-alfabético ou, partindo do estágio da criança ou da turma, utilizam-se atividades de um nível anterior, isso porque nessa sala a escola recebe várias crianças que vêm de outras escolas e com outra forma de ensino ou mesmo crianças que estão tendo o primeiro contato com a escola. Devido e essa característica, a professora deve ter maior flexibilidade e recursos pedagógicos e afetivos para lidar com as características singulares dos alunos.
No desenvolvimento do trabalho, as professoras estão envolvidas com a educação pedagógica dessas crianças, mas devido à sua faixa etária, o trabalho se estende a outras esferas da aprendizagem. As professoras cuidam da adaptação das crianças na escola e auxiliam no processo de separação da mãe e do filho durante o período das aulas. Lidam com toda angústia vivenciada pelas mães e pelo filho durante esse processo. Ajudam a promover a socialização entre as crianças.
As professoras passam a fazer parte do cotidiano das crianças e elas do cotidiano das professoras, vivenciam momentos importantes da vida dos pequenos, como a aquisição da fala, o controle esfincteriano, o amadurecimento motor, a construção das hipóteses de aprendizagem e o processo de busca de autonomia. O trabalho não se limita a cuidar das crianças e ensiná-las, mas também lidar com os seus afetos e emoções e com as angústias e exigências dos pais e da instituição. Em razão desses aspectos, observamos que se trata de um trabalho intenso e permeado pela afetividade, onde as funções de professora e cuidadora se encontram.