4. TEORI OM ORGANISERING OG LEDELSE AV SKOLEN
4.3 L EDELSE AV UTVIKLING
4.3.1 Ledelse i et læringsperspektiv
A classificação dos símbolos do imaginário em categorias diversas apresenta grandes dificuldades ocasionadas pela não linearidade das imagens.
Várias classificações foram realizadas, tomando como partida pontos de vistas sociológicos, religiosos, históricos, psicológicos entre outros.
Durand (2002) apresenta algumas classificações realizadas e procede a uma breve análise das mesmas.
Vamos apresentar uma síntese dos estudos realizados por Durand (2002) visando compreender o Trajeto Antropológico adotado pelo autor, que embasa o seu método de classificação das imagens.
Durand (2002) inicia o estudo das classificações considerando a visão religiosa. Os estudiosos da religião buscam suas motivações nos símbolos da natureza, como Krappe, que classifica os símbolos religiosos em duas categorias: os símbolos celestes e os símbolos terrestres (KRAPPE, 1952 apud DURAND, 2002, p. 34).
Na obra Tratado da História das Religiões, Eliade procede a uma classificação muito próxima à de Krappe, porém com maior profundidade. Ele classifica as imagens segundo ritos e símbolos uranianos, solares, lunares, das águas e da Terra. No final da obra de Eliade, os símbolos agrários são conectados aos símbolos da fecundidade, dos rituais de renovação e de fertilidade. Paulatinamente, Eliade, no Tratado da
História das Religiões, deixa de realizar uma classificação mais objetiva e “reconduz
insensivelmente o problema das motivações ao plano da assimilação das imagens ao
drama de uma duração íntima” (ELIADE, 1949 apud DURAND 2002, p. 34).
Bachelard percebe a importância da assimilação subjetiva no estudo dos símbolos e suas motivações. Na sua teoria da imaginação, ele incorpora elementos da física aristotélica, e considera os quatro elementos – terra, ar, fogo e água - os hormônios da imaginação.
“Com efeito, acreditamos possível estabelecer, no reino da imaginação, uma lei dos quatro elementos, que classifica as diversas imaginações materiais conforme elas se associem ao fogo, ao ar, à água ou à terra... Compreende-se assim que a um elemento material como o fogo se possa associar um tipo de devaneio que comanda as crenças, as paixões, o ideal, a filosofia de toda uma vida.... Todos os demais elementos prodigalizam semelhantes certezas ambivalentes. Sugerem confidências secretas e mostram imagens resplandecentes... Ao cantá-los, acreditamos ser fiéis a uma imagem favorita, quando na verdade estamos sendo fiéis a um sentimento humano primitivo, a uma realidade orgânica primordial, a um temperamento onírico fundamental”.
Durand (2002) assinala que Bachelard com uma grande intuição psicológica percebe que essa classificação é demasiadamente racional e que um mesmo elemento como a água, pode tanto remeter à tranqüilidade e doçura, no caso das águas calmas e límpidas, como pode remeter às imagens tenebrosas, como no caso das águas negras e turbulentas. Um mesmo elemento encerra uma dualidade.
Na obra posterior O Ar e os Sonhos, Bachelard incorpora o caráter da mobilidade. Segundo o autor, “Só a imaginação pode ver os matizes; ela os apreende
na passagem de uma cor para outra. Há neste velho mundo, portanto, flores que
tínhamos visto mal! Tínhamo-las visto mal porque não as tínhamos visto mudar de
matizes”. (BACHELARD, 2001, p.4).
Segundo Durand (2002), a categorização de Bachelard apresenta algo de estranho ao admitir que um mesmo elemento possa conduzir a imagens díspares.
Durand (2002, p.36) cita os trabalhos de Dumézil e Piganiol. O primeiro utiliza motivações sociológicas no estudo das sociedades indo-européias e utiliza a tripartição da sociedade nas castas: sacerdotal, guerreira e produtiva. Essa divisão explicaria o sistema de representações e os sistemas simbólicos empregados. Contudo, algumas ambigüidades surgem quando da análise do guerreiro que pertence à realeza ou sacerdote mágico, entre outras.
A obra de Piganiol insere fatores históricos unidos aos sociológicos. Piganiol observa que há uma bipartição nos usos, costumes, pensamentos e simbologias das sociedades mediterrânicas: enquanto as populações pastoris cultuam o fogo, o Sol, e erguem altares, as populações agrícolas cultuam deuses ligados à Terra e à Lua, e apontam para uma mentalidade mais feminina.
Segundo Durand (2002, p. 37), o grande problema no excelente trabalho de Piganiol encontra-se na não explicação da origem das motivações dessas duas grandes correntes de motivações simbólicas.
Durand cita também o trabalho de Pryluski, o qual se preocupa com as motivações simbólicas religiosas. Para esse autor, a imaginação simbólica sofreria uma evolução a partir de uma simbologia ligada ao culto da fecundidade, aparentemente feminina, em direção às motivações mais elevadas, ligadas a um Deus masculino. O grande problema encontrado no trabalho de Pryluski, segundo Durand (2002) é a hierarquização dos sistemas simbólicos. Como podemos proceder à tomada de valor entre dois símbolos ou entre duas imagens?
Para Durand (2002), todos os estudos apontados até o momento consideram as motivações simbólicas externas ao ser, logo, o capital simbólico da humanidade, segundo a perspectiva apontada até o momento, não apresenta nenhuma contribuição inerente ao próprio ser. Discutiremos, no Capítulo 2 desta Dissertação, a Abordagem Bio-cognitiva, que considera de primordial importância tanto a relação do ser com o meio, quanto a tomada de consciência do ser sobre si mesmo. Desse modo, como também o faz Durand (2002) não podemos compartilhar de um pensamento que, ao elaborar as bases teóricas do estudo do imaginário, dá primazia aos elementos extrínsecos ao ser.
Trilhando os caminhos seguidos pelo trabalho de Durand (2002), vamos apresentar uma segunda possibilidade que é dada pela psicanálise, a qual considera as questões relacionadas ao psiquismo humano, porém sem adotar explicações altamente racionalizadas e lineares como na psicologia clássica.
Como afirmamos antes, o criador da psicanálise, Sigmund Freud, postula sua teoria sobre o psiquismo humano concebendo o consciente e o inconsciente. No inconsciente encontram-se os elementos excluídos da consciência, bem como os elementos recalcados e censurados.
A teoria freudiana concebe os instintos ou pulsões. Os instintos são pressões que conduzem um organismo para objetivos particulares. Os aspectos físicos do instinto são denominados necessidades e os aspectos mentais desejos.
Na obra O Mal-Estar na Civilização, Freud (1977) faz uma análise detalhada do conflito entre as necessidades da pulsão e as restrições impostas pela civilização. O “Princípio da Realidade” estrutura o Eu para superar os desprazeres que o mundo externo pode lhe oferecer. O propósito da vida humana, segundo Freud, é a busca do prazer e a fuga do sofrimento, assim o objetivo da vida é o “Princípio do Prazer”.
Para Freud, o símbolo é motivado pelo “Princípio do Prazer”, no entanto o “Princípio da Realidade” produz mecanismos de recalque para que o Eu possa sobreviver coletivamente fugindo do sofrimento.
“Toda renúncia à pulsão torna-se agora fonte dinâmica de consciência, e cada nova renúncia aumenta a severidade e a intolerância desta última. Se pudéssemos colocar isso mais em harmonia com o que já sabemos sobre a história da origem da consciência, ficaríamos tentados a defender a afirmativa paradoxal de que a consciência é o resultado da renúncia pulsional, ou que a renúncia pulsional (imposta a nós de fora) cria a consciência, a qual, então, exige mais renúncias pulsionais”. (FREUD,
Contrariando o “Princípio do Prazer” e o seu recalque, Adler concebe uma teoria psicanalítica na qual o “Princípio do Poder” rege toda a motivação simbólica. Segundo Adler, todas as crianças são afetadas por um sentimento de inferioridade.
O sentimento profundo de inferioridade pode causar problemas no desenvolvimento da criança, enquanto um sentimento moderado de inferioridade é considerado benéfico para o seu desenvolvimento.
Na teoria adleriana a agressividade e a luta pelo poder são consideradas motivações benéficas para a sobrevivência pessoal e das espécies. A agressividade não é tomada como sinônimo de hostilidade, mas como uma ação enérgica, forte. A obra de Jung, também já comentada brevemente antes, introduz o conceito de inconsciente coletivo, o qual contém o aprendizado originário da experiência humana em todos os tempos, sendo herdado pelo indivíduo. Podemos pensar no inconsciente coletivo como um patrimônio herdado pela espécie humana. Os arquétipos formam o conteúdo do inconsciente coletivo. Jung denomina “imagens primordiais” os arquétipos ou estruturas psíquicas; são formas universais sem conteúdo que possibilitam o desenvolvimento psíquico da humanidade.
A crítica que Durand (2002) faz à obra de Jung está centrada na hereditariedade
psíquica da humanidade. Contudo, as objeções mais contundentes são feitas à psicanálise de Freud e Adler. A classificação dos símbolos para ambos ocorre de forma extremamente unitária. O primeiro adota o esquema da sexualidade humana, enquanto o segundo utiliza os esquemas da agressividade.
Segundo Piaget, citado por Durand (2002, p. 39), há um imperialismo do recalcamento, pois a imagem é vista como resultado das tensões entre as pulsões e o seu recalcamento social. No entanto, ela é entendida como um acordo entre os desejos do ambiente social e natural.
Podemos observar que os dois pontos de vista analisados são altamente reducionistas. As visões de Krappe, Eliade, Dumézil, Piganiol e Pryluski preocupam-se com as questões sociais, culturais, históricas e religiosas e desprezam as pulsões do ser, adquirindo características exteriores à consciência. As visões de Freud, Adler e Jung centram-se exclusivamente nas pulsões e desprezam por completo as contribuições do meio.
Acreditamos, como Durand, que a imagem encontra-se na interface entre as pulsões subjetivas e as emanações do meio. Para estudar o imaginário, vamos adotar o ponto de vista antropológico, para o qual não se deve desconsiderar nada do que é relacionado ao ser humano. O estudo do imaginário seguirá a linha antropológica. Adotaremos a definição concebida por Durand de Trajeto Antropológico.
“Para tal, precisamos nos colocar deliberadamente no que chamaremos o trajeto antropológico, ou seja, a incessante troca que existe ao nível do imaginário entre as pulsões subjetivas e assimiladoras e as intimações objetivas que emanam do meio cósmico e social” (DURAND, 2002, p. 41).