4. TEORI OM ORGANISERING OG LEDELSE AV SKOLEN
5.1 V IKSTRAND KOMMUNE
5.1.2 Ledelse av utvikling i skolen
A Antropologia do Imaginário de Gilbert Durand constitui o referencial teórico que
possibilita a leitura dos símbolos representados nos Brasões.
Os símbolos serão categorizados segundo o Regime Diurno e o Regime Noturno Sintético ou Noturno Místico. Contudo, gostaríamos de elucidar com mais profundidade as bases teóricas e metodológicas que possibilitam conectar a Antropologia do
Imaginário de Gilbert Durand com a autoformação concebida no interior da Abordagem Bio-cognitiva e com a Metodologia dos Brasões desenvolvida por Pascal Galvani. Como apresentado nos Capítulos anteriores, compartilhamos de um pensar que não dissocia o sujeito do meio, mas procura estudar os processos de mediação, acreditando que o sujeito existe na interação com o meio e não como uma entidade isolada e substancial. Justamente por optar por uma visão que dá importância às interações do sujeito com o meio, os símbolos parecem se adequar ao estudo das mediações que surgem nessa interação.
Para discutir com mais clareza as relações entre a Antropologia do Imaginário de Gilbert Durand e a autoformação vamos inicialmente apresentar a Antropologia da Educação, a Antropologia da Formação e o Novo Espírito Antropológico. Posteriormente definiremos a antropoformação segundo a Antropologia do Imaginário de Gilbert Durand e apresentaremos as seis características que distinguem a Antropologia Tradicional da concepção ocidental do homem moderno, apresentando sua relação com a metodologia dos Brasões. Toda a seqüência descrita é uma síntese do capítulo 5 da obra de Pascal Galvani (1997).
3.5.1 A Antropologia da Educação, a Antropologia da Formação e o Novo
Espírito Antropológico
A Antropologia da Educação descende da corrente culturalista da antropologia. A
Antropologia Cultural apresenta três correntes principais: a corrente funcionalista (Malinowski), a interacionista (Whyte) e a interpretativa (Geertz). Contudo essas correntes podem ser agrupadas em seis características metodológicas comuns:
“1- permanecer no interior da comunidade estudada; 2- o interesse pelas atividades cotidianas; 3- a atenção dada ao sentido que os indivíduos
atribuem à sua ação; 4- o esforço para produzir um relatório sintético e contextualizado; 5- a tendência para conceber um cenário interpretativo no lugar de um conjunto de hipóteses; 6- uma apresentação final que une voluntariamente a descrição e a narração com a conceituação teórica”
(HENRIOT-VAN ZANTEN, in Dictionnaire Encyclopédique de l’Éducation et de la Formation apud GALVANI, 1997, p. 187, tradução nossa).
A Antropologia da Educação, por descender da Antropologia Cultural, também
compartilha dessas características metodológicas e pode ser classificada em Antropologia Cultural Interna e Antropologia Cultural Externa da Educação. A Antropologia Cultural Interna da Educação estuda como ocorre a socialização das crianças pertencentes às minorias culturais no interior de uma cultura dominante. A Antropologia Cultural Externa da Educação preocupa-se em compreender as “outras” culturas no interior da Educação e a socialização educativa integrada na vida da comunidade.
Devido ao encontro com “outras” culturas, a Antropologia da Educação obriga a um descentramento em relação aos hábitos e valores hereditários. Ela coloca a questão da existência interna como agrupamento dinâmico de valores, de símbolos, de mitos e de visões de mundo que um indivíduo coloca em seu cotidiano e que tece assim uma rede de sentidos relativamente estruturados.
Questões referentes aos processos de relações humanas, às formas de socialização, aos sistemas de valores, principalmente das “outras” culturas, dentro de suas relações com a sensibilidade simbólica e mítica do ser humano conduzem a uma visão existencial da Educação. Essa característica existencial aproxima a Educação da Abordagem Bio-cognitiva da autoformação. Segundo Gaston Pineau, citado por Galvani (1997):
“Falar de formação mais do que educação, de instrução ou de ensinamento (...) indica uma mudança importante de sentido: de um sentido à conotação analítica e extrodeterminada, para adicionar um
sentido mais sintético e mais introdeterminado, se formar, se dar uma forma é uma atividade mais ontológica do que se educar, quer dizer, se elevar, se nutrir. Se formar é reconhecer que nenhuma forma completa existente a priori será dada do exterior. Essa forma sempre inacabada depende de uma ação. Sua construção própria é uma atividade permanente”. (PINEAU, in Dictionnaire Encyclopédique de l’Education et
de la Formation apud GALVANI, 1997, pp. 188-189, tradução nossa). Devido ao caráter vital da formação procura-se uma abordagem antropológica para o seu estudo. Contudo, o processo de formação tem características auto- referentes; isso conduz a uma antropologia mais genética do que cultural, isto é, uma antropologia que leva em consideração os fatores educacionais e sociais e enfatiza os processos de interação imaginária entre a pessoa e o meio ambiente físico e social. Pode-se falar, então, de uma Antropologia da Formação.
O Novo Espírito Antropológico surge com a adoção de uma perspectiva fenomenológica que coloca o sujeito, mais do que o fato social, no centro do percurso metodológico. Esse Novo Espírito Antropológico é coerente com a Abordagem Bio- cognitiva da autoformação porque ele se define a partir de uma perspectiva genética e existencial sobre o homem. A Antropologia da Formação é uma abordagem genética da antropoformação, ela tenta esclarecer o gesto cognitivo segundo o qual o ser humano se coloca em forma, sendo esse gesto fundamental para a imaginação criativa.
A imaginação simbólica humana é orientada pelo imenso patrimônio simbólico e arquetípico coletado pela antropologia do sagrado. Através do estudo comparado das estruturas arquetípicas do imaginário aparecem certas constantes de sentido dentro das produções imaginárias. Essas constantes de sentido estão ligadas à estrutura física humana que caracteriza as interações pessoa/meio.
A formação é então um processo onde a imagem simbólica opera uma mediação entre o sujeito, o meio físico e o patrimônio cultural e simbólico.
A Antropologia do Imaginário, dentro da sua perspectiva genética, deve explorar o arquétipo ou o esquema estrutural subjacente a toda produção simbólica.
3.5.2 A Antropologia do Imaginário de Gilbert Durand e os Brasões
As estruturas arquetípicas das mediações simbólicas centram a orientação geral
da Antropologia do Imaginário. Os processos de autoformação se desenvolvem segundo as estruturas imaginárias do Trajeto Antropológico.
A Antropologia do Imaginário de Gilbert Durand considera que as mediações se realizam seja pelo Regime Diurno, estruturado pela dominante postural, seja pelo Regime Noturno, estruturado pela dominante copulativa e digestiva.
Desse modo, a autoformação segundo o Regime Diurno, ascensional e heróico, é a emergência voluntária do sujeito que se opõe, se distinguindo de seu meio físico e social. Com o Regime Noturno Sintético, a autoformação se desenvolve estabelecendo relações pessoais significativas com o meio. Por último, a autoformação opera uma co- emergência unificada do sujeito e do objeto no Regime Noturno Místico. Observam-se três grandes estruturas da razão definidas pela antropologia do conhecimento: uma razão diurna com o regime das oposições, uma razão noturna sintética com o regime das mediações e uma razão noturna mística com o regime da união.
A Antropologia do Imaginário de Gilbert Durand propõe uma qualidade dinâmica das estruturas do imaginário, sendo a galáxia do imaginário uma estrutura viva, com as imagens animadas por um gesto. Desse modo, a antropoformação segue as três estruturas do imaginário antropológico, que concebem os modos de articulação cognitiva entre a pessoa e o meio: a distinção separativa, a articulação generativa e a fusão participativa.
Esses três modos de acoplamento estrutural caracterizam a emergência do ser, ou seja, seu fechamento operacional. Contudo, isso se dá numa perspectiva na qual os modos de acoplamento estrutural não são irredutíveis uns aos outros, e nem exclusivos, ou seja, a permanência de uma estrutura não indica a exclusão da outra. Visando uma melhor compreensão do Novo Espírito Antropológico, do qual a Antropologia do Imaginário faz parte, Galvani (1997) apresenta as características da Antropologia Tradicional, sobre as quais se fundamenta o Novo Espírito Antropológico. A primeira característica da Antropologia Tradicional é a unidade do homem e do mundo. O homem vem ao mundo através da participação, todos os mitos e ritos buscam um engajamento no interior do universo. A unidade das ordens de realidade está fundamentada no princípio da analogia, das similitudes ou das correspondências, como recuperado pelo Brasão.
A segunda característica relaciona-se com a primeira e afirma a unidade do conhecimento, porém essa unidade não é concebida segundo a concepção racional moderna da unidade do método ou do pensamento. A unidade a que se refere à segunda característica está fundamentada na unidade da totalidade do real.
A terceira característica relaciona-se ao modo como se tem a percepção da unidade. Para a Antropologia Tradicional a unidade do conhecimento é uma busca que se realiza pela intuição simbólica, ou seja, pela faculdade de ler o sentido das coisas além da sua imagem.
A quarta característica da Antropologia Tradicional é o processo simbólico como caminho indivisível; a ligação simbólica do conhecer e do conhecido, direcionado a um conhecimento qualitativo.
A quinta característica está relacionada com a sabedoria e inscreve a ética
A sexta e última característica da Antropologia Tradicional refere-se à existência. A vida é um êxodo, um retorno e não mais um exílio. A busca de sentido não é um vagar agonizante, mas um retorno ao centro.
Diante dessas seis características da Antropologia Tradicional, podemos observar uma íntima relação entre a Abordagem Bio-cognitiva, a Antropologia do Imaginário de Gilbert Durand e a Metodologia dos Brasões. Pelo princípio da similitude ou da correspondência podemos utilizar a metodologia dos Brasões para a revelação do imaginário pessoal. Esse mesmo princípio fundamenta a Antropologia do Imaginário de Gilbert Durand através da similitude entre diferentes relações que convergem ao redor de constelações de imagens semelhantes.
Outro ponto em comum entre a Metodologia dos Brasões e a Antropologia do Imaginário de Gilbert Durand é a ênfase dada ao símbolo como elemento revelador das mediações entre o sujeito e o meio.
Além de observar a ressonância entre a Metodologia utilizada neste trabalho e o seu referencial teórico, gostaríamos de salientar que ambas apresentam uma visão de mundo que busca uma realidade una, na qual sujeito e objeto estão ligados indissociavelmente.
CAPÍTULO 4