• No results found

K LARGJØRING TIL REGNSKAPSANALYSE

5. REGNSKAPSANALYSE

5.1 K LARGJØRING TIL REGNSKAPSANALYSE

Em todas as conversas, entrevistas e material escrito sobre a história da Colônia Riograndense comentam-se que a construção dos primeiros ranchos, da igreja e da escola foram feitos em mutirão.

Félix aponta que na Colônia Riograndense havia uma divisão entre católicos e luteranos. Estes se destacam por serem em maior número e também porque chamam mais atenção, pois constituem, na região, uma comunidade diferente e opõem-se às práticas comuns dos grupos não-alemães. Já os católicos, no início, se isolaram e posteriormente confundiram-se com brasileiros, católicos em sua maioria. (FÉLIX, 1997-1998, p.135).

Os católicos situaram-se no bairro urbano São José da Laranjeiras, e os luteranos, do outro lado do Rio Capivara, no Bairro da Barra Mansa, e em outros bairros ao entorno deste.

As primeiras igrejas, tanto a Luterana como a Católica, foram construídas no inicio da colonização. Para os alemães eram imprescindível construir escolas e igrejas nos lugares onde se instalavam. Kreutz aponta a construção de igrejas como elemento básico na vida doméstica dos alemães.

Nas primeiras décadas, a vida dos imigrantes alemães se caracterizou mais por uma luta pela sobrevivência e pela constituição, gradativa, de alguns elementos básicos na sua vida doméstica, como construção de casa e benfeitorias, e na sua vida comunitária, como a construção de escola e de igreja. (KREUTZ, 1994, p. 21).

Na imagem abaixo, temos a primeira Igreja Luterana da colônia, com a comunidade reunida para alguma celebração.

Figura 21 – Primeira Igreja Evangélica Luterana. Década de 20.

Em seguida temos a mesma igreja, provavelmente com sua torre sendo desmanchada ou reformada. Por volta de 1959 um novo templo fora construído em seu lugar.

Figura 22 – Igreja Evangélica Luterana. Década de 30.

Logo atrás da igreja, tendo um portão na entrada, está o cemitério dos luteranos. Ainda hoje as pessoas dessa igreja são enterradas nesse lugar. “O primeiro culto religioso da colônia foi realizado na casa paroquial, no dia 28 de setembro de 1924 [...] Os cultos eram celebrados, durante várias décadas, em alemão.” (SILVA, 2006, p. 17-8) 32

A comunidade alemã Católica também providenciou sua igreja, ficando esta bem ao centro de São José das Laranjeiras. De acordo com registros particulares de colonos a primeira missa foi celebrada no dia 16 de agosto de 1926, na casa do colono Bernardo Ludwig, o que significa que a igreja foi construída posteriormente.

Figura 23 - Igreja Católica de São José das Laranjeiras.

A religiosidade estava presente desde os primeiros anos da formação da Colônia, dado que esses colonos encontravam na fé e na religião a força para superar as dificuldades, como relata Weissheimer ao ser questionada sobre a importância da religião para ela, em entrevista a Lídia Braun: “Ah! Sempre fomo muito ligado. Eu acho que ajudo de agüentá.” (WEISSHEIMER, 2003 apud BRAUN, 2003, p. 105)

Oberacker também aborda a religião em seu artigo sobre a Riograndense, destacando a Igreja como a única organização que reúne todos os falantes de alemão sem distinção, e neste caso, ambas as igrejas, a evangélica luterana e a católica, mas principalmente a Igreja Evangélica Luterana, da qual pertencia a maioria da população da colônia. (OBERACKER, 1965, p. 394)

Quanto à Igreja Católica, embora tenham sido os alemães os mentores da sua construção, os sermões eram feitos em alemão e em português, dado que a mesma se localiza em zona urbana e os brasileiros da região também a frequentavam.

Ambas as igrejas possuíam jornais ou boletins que veiculavam suas informações, orações e reflexões em língua alemã, garantindo aos colonos serem evangelizados de acordo com seu credo, na sua própria língua. Oberacker menciona alguns: o jornal Deutsche Volksblatt, da Igreja Católica de Porto Alegre, os boletins Sonntagsblatt, do Rio Grande do Sul e o boletim da Igreja Luterana. (OBERACKER, 1965, p.395)

Sobre a Igreja Evangélica Luterana, Pastor Johannes Knoch escreve um texto intitulado Kirchengeinde Riograndense (Comunidade Paroquial Riograndense) no qual descreve a trajetória desta comunidade, de sua formação, construção da igreja até o ano 1955.

Seus escritos também fazem alusão à chegada do primeiro Pastor da Comunidade, Heinrich Wrede, vindo do Espírito Santo.

Auf der Suche nach Neuland für die Kolonisten von Espírito Santo begriffen kam auch Pastor Heinrich Wrede in die damals kleine Deutsche Siedlung, die den Namen Rio Grandense erhalten hatte, da die ersten Siedler von Rio Grande gekommen waren. (KNOCH, 1955, p.169)33

Quanto a este pastor, Grete Wrede, sua nora, em suas lembranças da Colônia comenta:

Heinrich Wrede. Ele veio do Espírito Santo para cá. Os pastores da Alemanha tinham direito a férias lá, e ele estava a muito tempo sem tirar férias, em 1939 ele tirou férias para passear na Alemanha e nisso estourou a Guerra e ele não pode

33Na busca de novas terras inclusive para os colonos do Espírito Santo, veio então o pastor Heinrich Wrede para, na época, pequena colônia alemã, que tinha recebido o nome Riograndense porque os pioneiros tinham vindo do Rio Grande do Sul. (FÉLIX, 2000, p.64)

voltar mais. Depois ele adoeceu e começaram a vir outros. E por causa da Guerra não pode voltar até 1945. (WREDE, 2005)

Assim, citando Braun, vale destacar que desde os primeiros anos da fundação da Colônia, a religião representava uma forte referência para os colonos, dado que esta prática estava além do exercício da crença e do alento nas dificuldades, “[...] frequentar a Igreja significava se reunir, ter nela um espaço de comunicação e de troca, além de reforçar hábitos e tradições na realização dos rituais e festas.”(BRAUN, 2003, p. 104)

As iconografias que se seguem apresentam as igrejas Católica e Luterana nos dias atuais.

Figura 24 – Igreja Evangélica Luterana da Colônia Riograndense, 2008.

Ambas se encontram no mesmo local de outrora, ou seja, no centro de suas

Figura 25 – Igreja Católica de São José das Laranjeiras, 2010.

Os cultos e as missas acontecem com frequência e são ambos em língua portuguesa, uma vez que a língua alemã é falada apenas pelos mais velhos. No entanto, em datas comemorativas, como Natal e Páscoa, de acordo com os entrevistados, na Igreja Luterana os cultos são celebrados em língua alemã.

Uma vez apresentada as práticas religiosas dos alemães da Colônia Riograndense, passo agora, às práticas educacionais e recreativas. Havia escola em meio a mata? Como era a escola dos alemães? Como os alemães conviviam socialmente? Como se organizavam para se divertirem?

CAPÍTULO 4:

A EDUCAÇÃO ALEMÃ NA COLÔNIA RIOGRANDENSE: ESCOLAS, CLUBES E