2 Hva er skolevegring
4.2 Langsiktige konsekvenser av skolevegring
Na perspectiva bakhtiniana a construção de gêneros discursivos é resultante de formas-padrão “relativamente estáveis” de um enunciado, determinado sócio- historicamente (Bakhtin, 2003). O enunciado, segundo Bakhtin, pressupõe uma intenção comunicativa de um sujeito e é carregado de sentido, podendo ser
composto de uma palavra ou oração. Esse autor ainda considera que os discursos podem ser “primários” ou “secundários”. Os primários ocorrem em situações do cotidiano, informais, não elaborados como os diálogos, cartas e bilhetes. Já os secundários normalmente são mediados pela escrita, aparecendo em situações comunicativas mais complexas e elaboradas como no teatro, romance, tese científica, palestra, etc. Concordando com a classificação Ambas são verbais pois operam através dos recursos linguísticos (BAKHTIN 2003, pg. 273), diferindo apenas pela complexidade em que se apresentam. Também é importante salientar que o texto como código de linguagem é considerado verbal, pois recorre aos signos lingüísticos distinguindo-se da comunicação não verbal que utiliza de signos como gestos, movimentos, espaços, tempos, sons imagens, etc. (SERRA 2007, p. 81).
Bakhtin também considera que os discursos secundários surgem da reelaborações dos primários. Para fins de classificação, também são percebidas por Bakhtin características como o conteúdo temático (assunto) o plano composicional (estrutura formal) e o estilo (a forma individual de escrever; vocabulário, composição frasal e gramatical). Tais características se relacionam entre si e são determinadas a partir da esfera comunicacional.
Se estabelecermos como esfera os veículos de mídia, tais características podem auxiliar na determinação genérica de construções quanto aos temas, estrutura e estilo. Não obstante, podemos encontrar como elementos linguísticos de construção de discurso nos textos dos jornais, narrativas, descrições, argumentos e pedidos. Para entender as possibilidades para as sínteses dos textos o seu sentido ou força pode-se buscar classificações que diferenciem os textos dos jornais.
Buscando entender possibilidades de classificação dos tipos de enunciados em um jornal, entendendo como um discurso verbal mediado pela escrita e que possui intencionalidade, pode-se estabelecer semelhanças e diferenças nos aspectos temáticos, estruturais ou formais e estilísticas como proposto por Bakhtin (2003).
Patrick Charaudeau, analisando as distinções das diversas possibilidades de classificação dos textos presentes nos veículos de comunicação, estabelece possibilidades para a Análise do Discurso (AD) no que se refere a características
linguísticas. A tipificação dos textos dos veículos de comunicação serviu para Charaudeau (2006) estabelecer hierarquias quanto a posição do enunciador ou veículo em relação a um determinado tema ou assunto. Do ponto de vista metodológico, tal consideração abre possibilidade de se estabelecer relações de categorias para explicar as analogias entre ‘tipos’ de textos presentes. Charaudeau estabelece que a “tipologia é o resultado de uma determinada classificação dos gêneros” (CHARAUDEAU 2006, p.208). Sem considerar a tradição literária Charaudeau (2006) considera que “um gênero é constituído pelo conjunto das características de um objeto e constitui uma classe à qual o objeto pertence” (CHARAUDEAU 2006, p.204).
Não é minha intenção aqui demonstrar tais possibilidades, mas só expor como as diferentes formas de abordar os fatos nos jornais estabelecem uma relação de engajamento com o fato retratado como uma forma de delimitação do contexto sociocultural no qual um determinado tema se insere. Tal relação revela as nuances discursivas inseridas na seleção do tipo de tratamento dado pelo veículo de comunicação ao fato retratado.
A tipologia que se adota aqui busca classificar os discursos encontrados em textos produzidos pelos veículos de mídia para possibilitar uma análise objetiva. Um meio de comunicação de massa já se constitui como tipo de comunicação específico quanto a sua situação na sociedade, ou seja, no domínio da atividade social na qual se efetua o discurso (CHARAUDEAU; MAINGUENEAU, 2008). Essa consideração auxilia na separação dos enunciados em categorias (como jornal, televisão, rádio, revista, internet, etc) e subcategorias (editoriais, publicidades, notas, entrevistas, cartas, notícias, etc) distintas. Essas subcategorias são denominadas por Charaudeau como ‘modos discursivos’ e por Fairclough como ‘modalidades enunciativas’ (FAIRCLOUGH 2008, p.68). São as formas de tratamento dadas ao enunciado e constituem o acontecimento midiático em notícia atribuindo propriedades. Charaudeau organiza três categorias, conforme sua intencionalidade: “relatar o acontecimento”, “comentar o acontecimento” e “provocar o acontecimento” (CHARAUDEAU 2006, p. 207).
A figura abaixo elaborada por Charaudeau descreve relações de engajamento e ‘tipos de textos’, encontrados comumente em veículos de mídia.
Figura 2 – Níveis de engajamento representando nuances entre ‘tipos’ discursivos encontrados em veículos de mídia (CHARAUDEAU 2006, p.208): Acontecimento Relatado (AR), Acontecimento Comentado (AC) e Acontecimento Provocado (AP)2
Essas categorias predeterminadas dão suporte analítico para auxiliar a AD, em aspectos textuais como a coesão (onde se considera aspectos como a argumentação e os conectivos), pois orientam quanto ao contrato comunicacional3 vigente em cada situação.
Considerando que o contrato de comunicação das mídias estabelece o serviço de produção e transmissão da informação para a sociedade, acordadas pelas instâncias de produção ou seleção de material que será publicado (a redações dos jornais como esta pesquisa propõe) e recepção (os leitores do jornal), Charaudeau (2006) destaca como alguns tipos de enunciação podem determinar a manifestação do enunciador (do jornal em última instância) uma maior ou menor
2 Charaudeau estabelece as relações entre os diferentes tipos de textos que justificam sua hierarquização quanto ao engajamento em (CHARAUDEAU 2006, p.209-211).
3 Termo empregado para “designar o que faz com que o ato de comunicação seja reconhecido como válido do ponto de vista do sentido” (CHARAUDEAU; MAINGUENEAU, 2008, p. 130)
intensidade no engajamento do discurso. Em outras palavras, um editorial em um jornal pode ser mais engajado que uma reportagem. O autor propõe uma hierarquização dos tipos de enunciação, definindo um maior ou menor engajamento.
Vale ressaltar que, para a AD, o engajamento definido aqui trata da manifestação do emissor e, portanto, sinalizando a intenção deste em mostrar sua posição diante do tema abordado: engajada ou neutra em sua aparência.