• No results found

2 Hva er skolevegring

6.3 Intervensjoner med barnet

A Modernidade não é simplesmente constituída do aspecto tecnológico, mas, em sua essência é determinada pela mudança de mentalidade, ou seja, a forma de pensar a realidade. Um aspecto que marca a transição da mentalidade entre a Idade Média e a Modernidade é a confirmação da racionalidade instrumental como valor moral que impulsiona a lógica tecnocrata – fragmentada – da sociedade industrial (MARCUSE, 1969, p. 143-144).

A racionalidade instrumental possibilitou aprimorar os meios de produção a partir do desenvolvimento tecnológico e, por consequência, a industrialização da produção. Para Marcuse, “a gerência científica e a divisão científica do trabalho aumentaram enormemente a produtividade do empreendimento econômico, político e cultural” (MARCUSE, 1969, p.144). Marcuse ainda salienta que a maior exploração da natureza resultante do avanço tecnológico, também resultou no aumento da exploração do homem. Esse aumento de produtividade proporcionado pelo avanço tecnológico dos meios de produção, na verdade, se configurou como uma forma de controle social, pois, foi estabelecido como pensamento hegemônico, fundado na

finalidade moral de alcançar melhores condições para a humanidade. Conforme a visão hegemônica a relação servo-nobre ou escravo-senhor se transformou em patrão-operário, mantendo a relação de dominação social. Tal transformação é definida por Marx como a transformação do trabalho em algo passível de valoração econômica, convertendo a mão-de-obra em algo que pode ser trocado no mercado. Segundo Marcuse, essa condição cria uma fragmentação das relações sociais onde não se distingue trabalho de mercadorias. A mão-de-obra passa a ser integrada em partes das mercadorias, tornando fragmentada a percepção do operário. A essa condição Marx chama de alienação do homem em relação à sociedade. Para Marx, o operário da era industrial se distingue do artesão em relação ao domínio do processo de produção, onde o operário executa poucas tarefas e o artesão, todas. O entendimento dos processos e fatores que interferem na produção, não faz parte do cotidiano do operário o que os torna alheios a realidade que os cerca. Nessa condição o operário atende a necessidade da produção e consumo, sem questionar seu papel no processo ou a acumulação de capital por parte dos que detêm o poder sobre os meios de produção.

Como meio de comunicação social, a mídia de massa foi configurada nos ideais da industrialização. Assim como na indústria, onde a manufatura é segmentada e padronizada em uma linha de produção, a racionalidade de produção sistemática dos jornais acabou por estabelecer padrões e segmentações do processo de produção de informação. Hoje o produtor da notícia não domina os meios, apenas desempenha um papel na linha de montagem7. A informação

midiática, atualmente, é produzida por diversas pessoas que desempenham diferentes papéis. A tendência de fragmentação do processo de produção da notícia é uma das características marcantes das redações das mídias que dominam o mercado da comunicação (CORRÊA, 2007). Tal fato não é mera coincidência, pois, como adiantei, a partir da industrialização passa a ser coerente a divisão de trabalho, o acúmulo de capital e as relações contratuais fundamentais à ideologia do capitalismo. Não obstante, essa ideologia configurou a impessoalidade e a alienação dos indivíduos da sociedade, culminando no que se denomina de sociedade industrial de massa.

Conforme relatam De Fleur e Ball-Rokeach (1993, p.177-178), a sociedade de massa começa a existir no final do século XIX, quando as relações sociais se tornaram mais complexas com o início da industrialização. Nessa condição, os indivíduos se tornaram psicologicamente isolados uns dos outros, impessoais em suas interações e isentos de suas obrigações sociais informais forçosas. É certo que grandes centros urbanos ocidentais possuem tal cultura, mas a idéia de massa não se relaciona somente ao número de indivíduos. Na verdade, a sociedade de massa ocorre devido a características como a complexidade e o isolamento dos indivíduos, somadas à sedimentação social, que são os valores comuns, a ideologia homogênea corrente. Indivíduos de uma sociedade de massa, mesmo pertencendo a classes sociais diferentes, estabelecem valores semelhantes que se refletem em comportamentos como, por exemplo, o consumo.

Morin (1969) descreve esses valores presentes dentro da cultura de massa que, ao mesmo tempo em que se desagrega em classes, também se identifica em relação aos ideais de consumo. Nas suas palavras:

Múltiplos compartimentos são mantidos ou construídos entre os diferentes status sociais: os funcionários públicos recusam a identificar-se com os operários, os operários permanecem com sua consciência de classe, a fábrica continua sendo o gueto da civilização industrial. Prestígios, convenções, hierarquias, reivindicações, diferenciam e dividem essa grande camada assalariada. Mas, o que a homogeneíza não é apenas o ‘estatuto salarial’ (seguros sociais, aposentadorias, às vezes seguros de desempregos), é a identidade dos valores de consumo, e são esses valores comuns que veiculam os mass-media, é essa unidade que caracteriza a cultura de massa (MORIN, 1969, p.43-44).

Os meios de comunicação de massa acabam por se estabelecer como agentes integradores da sociedade na medida em que promovem, dirigem e uniformizam certas informações para os indivíduos que, por sua vez, se sentem pertencentes à sociedade por compartilharem certos valores. Esses valores são cultivados ao longo do tempo, justamente pelo conteúdo promovido pelos meios de comunicação.

Assim, de acordo com essa interpretação, a mídia ajuda a integrar os indivíduos na sociedade, criando um conteúdo com características estéticas que atrai a atenção do público para suas mensagens. Na possibilidade de ‘elaborar’ o conteúdo é que se estabelece um ponto de enorme tensão. Afinal, buscar padrões que sejam atraentes ao público e o próprio conteúdo submetem a informação à arbitrariedade de quem a controla.

Os veículos de mídia, principalmente os privados, tendem a cumprir com uma agenda de comunicação dentro de uma perspectiva de mercado. Tanto o conteúdo produzido quanto o espaço publicitário se submetem a lógica do mercado, na busca de índices de audiência (no caso da televisão) e número de leitores (jornal, revista, impressos). É certo que esta lógica define a própria razão de existência dos veículos que atendem à demanda de informação. No entanto, a polaridade entre o interesse da sociedade e o dos veículos e seus controladores é tema que precisa ser considerado quando levamos em conta as mensagens da mídia, de forma a separar e identificar tais interesses em seu conteúdo e, assim, verificar suas prováveis consequências sociais, econômicas e ambientais.

No que se refere ao jornalismo – impresso em seu início –, a sistematização de informações que trouxesse um panorama dos fatos sociais acabou por constituir o que entendemos como notícia.

A transformação da informação em mercadoria não só possibilitou a produção jornalística, mas também, propiciou outras formas de produção industrial de informação como os filmes, músicas, entre tantas outras que conhecemos hoje, disponibilizadas no mercado cultural. A lógica capitalista mantém a produção de informação midiática conformada às leis de mercado – que produz mercadorias assim como cria necessidades para ampliar o mercado e as mercadorias disponíveis –, criando produtos que estejam de acordo com a mentalidade fragmentada, realimentando a alienação (GERBNER et al, 2003).

Como já foi dito anteriormente, o discurso publicitário está presente em grande parte dos meios de comunicação de massa, mesmo naqueles que se dispõem a se dedicar ao jornalismo. São discursos que trazem mensagens que ilustram fatos, suas causas e seus efeitos, elaborando uma imagem da realidade. Para o público, esta imagem pode ser entendida como um “espelho da realidade” ou, em outras palavras, é como se o ponto de vista que se lê, ouve ou vê fossem um espelho da vida real, em uma linguagem dramática, de fácil consumo.

Essa tendência é reforçada se for analisada sob a perspectiva da audiência mais propensa ao consumismo. Para esses indivíduos, segundo Lasch (1987), esse espelho da vida real é, na verdade, uma projeção da sociedade industrial de consumo, onde a aparência e suas impressões superficiais são o centro de referência que convida os indivíduos a desempenharem uma identidade moldada pelos olhos dos outros. Nas palavras deste autor;

A produção de mercadorias e o consumismo alteram as percepções não apenas do eu como do mundo exterior ao eu; criam um mundo de espelhos, de imagens insubstanciais, de ilusões cada vez mais indistinguíveis da realidade. O efeito especular faz do sujeito um objeto; ao mesmo tempo, transforma o mundo dos objetos numa extensão ou projeção do eu. É enganoso caracterizar a cultura do consumo como uma cultura dominada por coisas. O consumidor vive rodeado não apenas por coisas como por fantasias. Vive num mundo que não dispõe de existência objetiva ou independente e que parece existir somente para gratificar ou contrariar seus desejos (LASCH, 1987, p.22).

Lasch dá um sentido para a sociedade de consumo que sugere uma valorização do material e da aparência, que se traduz em imagens de uma realidade na qual o consumo de coisas se torna o centro de todas as expectativas humanas. Essa idéia é cultivada pela mídia de massa através da propaganda contínua, do espaço publicitário, nos diversos gêneros de comunicação, nos quais a ideologia consumista está presente em mensagens aparentemente inofensivas, mas que afirmam o consumo como uma condição de integração e de posição na escala social.

2.12 O Jornalismo como linguagem: a aparência de realidade

A configuração de uma linguagem própria para o jornalismo, com regras sintáticas, se estabeleceu a partir de uma necessidade de objetivar o fato como se apresenta no real (MACHADO, 2003). A articulação das informações dentro das premissas que uma notícia deve cumprir submete-a a um padrão que, tanto seus produtores como o público consumidor devem identificar como parte do real. Não que isso ocorra de fato, pois, tal construção diz respeito a uma perspectiva do que seus produtores entendem como realidade.

A “realidade” entendida pelos produtores de informação midiática, na perspectiva sociológica, recebe sentido de subjetividade, pois são concebidos a partir de recortes. São fragmentos da complexidade do real selecionados pela escolha do fato e abordagem vistos de um ponto de vista interessado. O interesse dos produtores de informação das mídias é discutido são no que Herman & Chomsky (2003) chamaram de modelo de propaganda. Valores como a propriedade privada do veículo, os interesses dos anunciantes, a preocupação com as repercussões negativas das informações transmitidas, assim como o comprometimento com os valores de mercado e consumismo estabelecem as