2 Hva er skolevegring
5.2 Individrettede tiltak
5.2.2 Lærer-elev relasjoner
Para a realização de estudos sobre mídia e ambiente, o uso de métodos que relacionem aspectos linguísticos à representação do ambiente pode revelar valores que a sociedade partilha, ou mesmo novos valores que se quer introduzir – a exemplo da publicidade que busca provocar um determinado comportamento como o consumo de um determinado produto. Nesse sentido, aspectos como a associação de termos que designe ambiente ou natureza nos textos encontrados em comunicações dos veículos pode ser uma fonte de informação para a pesquisa.
Termos como poluição, recursos naturais, sustentabilidade, natureza, etc., atualmente, são exemplos comumente encontrados em textos elaborados nas redações de jornais, telejornais e revistas. Em pesquisas anteriores, verifiquei alguns aspectos aos quais se associavam termos relacionados ao ambiente. Um exemplo encontrado no telejornal da EPTV4 é o uso de imagens de rios, animais silvestres e
florestas como sinônimo de natureza, além de sua apropriação, ou como recurso
4 Emissoras Pioneiras de Televisão. Rede de emissoras afiliadas a Rede Globo de Televisão, dividida em quatro emissoras, três no Estado de São Paulo e uma no Estado de Minas Gerais.
com finalidade de suprir necessidades – a água principalmente –, ou como elemento espetacular na composição de produtos midiáticos (CORRÊA, 2006).
Almeida Jr. e Andrade (2007) salientam questões que envolvem a publicidade, mídia e ambiente. Entre as questões levantadas pelos autores, se destacam a colonização do espaço midiático pela publicidade, tendo o consumo como ideologia norteadora, além da apropriação do discurso ambientalista com finalidades como a “camuflagem para atividades danosas ao meio ambiente e à saúde da população” (ALMEIDA JR.; ANDRADE 2007, p. 116). Dessa forma se entende que os interesses econômicos implícitos na adoção do discurso ambiental não constituem necessariamente na adoção de práticas alinhadas com a necessidade de manutenção do ambiente.
Segundo esses autores,
Essa aproximação entre mídia, consumo e ambiente resulta em um redirecionamento da reflexão. Não é mais possível discutir a produção comunicacional sobre a realidade ambiental em termos de formação, atuação e conscientização pública e ação política. A prática publicitária e a interação entre agências, grupos de consumo e entidades públicas solicitam um reordenamento de iniciativas e conceitos (ALMEIDA JR.; ANDRADE 2007, p. 118).
Concordando com Almeida Jr. e Andrade (2007), é importante a busca de maior objetividade e participação da sociedade na discussão das bases de uma política de comunicação de massa que revele as questões ambientais em suas várias dimensões, promovendo a maior informação e atuação da sociedade.
Os discursos sobre o ambiente nos meios de comunicação de massa podem abordar diversas temáticas. São imagens e textos que constroem e propagam sentidos vinculados a aspectos ambientais, contribuindo na composição de uma visão de realidade compartilhada. Segundo Gerbner et al (2002), esse compartilhamento contribui para a homogeneização do pensamento pela exposição continuada dos indivíduos aos meios de comunicação de massa, desde a infância, quando estes estão se integrando à sociedade. Gerbner enfatiza que as crianças têm na televisão uma fonte de primária da socialização e informação na sociedade contemporânea (GERBNER et al 2002, pg. 43). Dependendo de grau de exposição, ao ingressarem no mundo adulto os indivíduos já trazem um conjunto de valores
estabelecidos e condicionados pela atuação da comunicação de massa. Dessa forma, uma visão de mundo homogênea é “cultivada” junto àqueles que possuem predisposição em entender a realidade a partir da ideologia propagada nos meios de comunicação de massa. Assim, se por um lado esses meios integram as pessoas à sociedade, por outro, as tornam ideologicamente parecidas e propensas a concordar e reproduzir o discurso corrente nos meios de comunicação, induzindo a comportamentos de consumo, por exemplo. Essa tese é defendida por Gerbner com o nome de “Teoria do Cultivo”.
A partir do pressuposto que o pensamento da sociedade é “cultivado”, outra indagação que surge é quais os valores que estão sendo construídos? Quais as consequências possíveis para a sociedade e para o ambiente a partir dessa construção?
A reflexão de Shanahan e McComas (1998) é de que a televisão dissemina a ignorância em relação às questões ambientais. Além disso, propaga o sentimento de impotência quanto à resolução das questões ambientais, relegando esta responsabilidade às corporações e aos governos (SHANAHAN; McCOMAS 1998, p. 144)
A formação de opinião junto à sociedade que é imputada aos meios de comunicação de massa é verificada por diversos pesquisadores como Ramos (1995), Andrade (2003), Shanahan e McComas (1998), Beder (2002), entre outros, que relacionam as questões ambientais com mensagens e discursos dos veículos de comunicação. Tais pesquisas surgem nos anos 1980 com um aumento paulatino até a atualidade. Tal comportamento pode ser explicado pelo aumento da cobertura de questões ambientais pelos meios de comunicação nesse período (ALMEIDA JR.; ANDRADE 2007, p. 107).
Ramos (1995), estudando a cobertura de jornais de circulação nacional sobre a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), verificou que a cobertura jornalística da temática ambiental é muito depende de eventos para se tornarem notícias. Também constatou que a abordagem é fragmentada, ou seja, o fato é apresentado sem informações adicionais que permitam o entendimento da relevância da questão ambiental
(RAMOS 1995, p. 148). Outra constatação de Ramos é a superficialidade com a qual é tratado o tema ambiental. Somente referências vagas à necessidade e importância do tema, assim como a ausência da discussão de modelos de desenvolvimento menos nocivos ao meio ambiente e mais voltado para a redução das desigualdades sociais (RAMOS 1995, p. 149).
Trigueiro (2003) ressalta que a temática ambiental, em comparação com outras que se resolvem em uma escala de tempo mais definida, tem menos apelo junto ao público. Em outras palavras, o desfecho dos fatos em uma escala de tempo curto tem maior apelo para o público de interesses imediatistas (TRIGUEIRO 2003, p. 74).
Beder (2002) relata a reação de corporações no sentido de manter os interesses econômicos ameaçados por argumentos formulados pelos movimentos ambientalistas. Através de ações de Relações Públicas, nas quais as mídias desempenham um importante papel, essas corporações passam a inserir campanhas buscando a manutenção de uma boa imagem junto ao público. Beder ainda relata que as ações de RP não pararam por aí. Também houveram financiamentos de ONGs e institutos de pesquisas que atendessem às necessidades ideológicas e científicas das grandes corporações, até representações judiciais contra seus inimigos ideológicos e interesses antagônicos (BEDER 2002). Tais práticas iniciaram na década de 1960 e se tornaram comuns e crescentes em países como os Estados Unidos (BEDER 2002, p. 1107-108)
Outra tendência de no tratamento da temática ambiental nos meios de comunicação, como foi dito anteriormente, é a abordagem fantástica e espetacular. A televisão, a partir da década de 1970, apresentou imagens de rios, cataratas, locais apresentados como inacessíveis e repletos de desafios para os seus exploradores. Conforme relata Andrade (2003), no Brasil o programa de televisão apresentado pelo Deputado e jornalista, Fidelis dos Santos Amaral Netto, iniciou essa abordagem que se mantém até hoje como gênero de comunicação, que apresenta paisagens naturais em seus aspectos grotescos e espetaculares como apelo ao público.
Assim, a fragmentação do assunto e a dependência de eventos ou de datas especiais para a cobertura da temática ambiental, resultando na omissão de fatos importantes do ponto de vista ambiental (RAMOS, 1995), o discurso conservador e formador de uma postura passiva por parte da audiência (SHANAHAM; MCCOMAS, 1998), a retratação sensacional do mundo natural (ANDRADE, 2003), mensagens resultantes da reação dos grupos empresariais, com o objetivo de desacreditar os ideais dos movimentos ambientalistas (BEDER, 2002) são exemplos de vieses agregados ao discurso dos meios de comunicação de massa em relação ao ambiente. Essas situações ocorrem nos veículos, por razões como o despreparo dos profissionais de comunicação em relação às questões ambientais (TRIGUEIRO, 2003), ou mesmo pela defesa dos interesses conservadores que influenciam os veículos de comunicação (HERMAN; CHOMSKY, 2003). De qualquer forma, tais situações tendem a contribuir para a reprodução de mensagens em desacordo com as necessidades crescentes de ações efetivas e preconizadas pelo conceito do desenvolvimento sustentável.