4. TEKNOLOGISK UTVIKLING
4.4 Læringskurve for bioenergi
Na visão de Ade, o avô, a ideia de saúde é forjada em meio à possibilidade de praticar exercícios regulares, alimentar-se bem e se manter vigilante para não cometer exageros. Essa visão orienta sua rotina, que envolve disciplina e regularidade.
Simone (Pesq.) – Pra vocês... Se vocês fossem falar o que é saúde, o que cada um falaria?
Ade (A) – Diria que o cara tem que exercitar bastante. Comer a comida certa. Não ficar comendo hambúrguer... Comer ele come, mas não viver em cima daquilo. É se alimentar bem e se exercitar... O exercício é tudo na vida. O exercício corta remédio. Corta tudo.
(transcrição, linhas 330-331)
Simone (Pesq.) – E como vocês acham que os homens... Como vocês acham que vocês podem se cuidar para ter
uma vida saudável?
Marinho (P) – Você mantendo atitude de...
Ade (A) – De não exagerar nas coisas que prejudica a gente. (transcrição, linhas 349-351)
As falas do avô nos levam a refletir sobre as tecnologias disciplinares a que se referia Michel Foucault (1987; 1999). Para Ade, a noção de saúde tem como foco seu corpo individualizado, um corpo que foi obediente às rotinas das indústrias e agora se molda a um corpo, ainda útil, de trabalhador aposentado de “saúde muito boa”, que, embora sofra com suas “cartilagens gastas”, confia que o “exercício é tudo na vida. O exercício corta remédio. Corta tudo.” E, assim, ele se entrega à repetição (de levantar pesos “todo dia 220 vezes”) e à regularidade dos exercícios. Sem problematizar se tal rotina pode, ao mesmo tempo, beneficiar e comprometer sua saúde, sem refletir sobre suas práticas e suas necessidades singulares.
No entendimento de Marinho (o pai), para ter uma vida saudável “você ‘tem que’”; ou seja, é preciso ter atitudes para mantê-la saudável. A noção que ele apresenta é perpassada pela ideia de fazer, de dever. Ele expõe sua crença na responsabilização individual do cuidado com a saúde; associa suas escolhas à consciência pessoal e, consequentemente, as enquadra em um enfoque moralista. Assim, embora em sua formulação mais abrangente a saúde promocional não vise imputar responsabilidade individual às pessoas, por vezes, como podemos observar na fala apresentada a seguir, essa concepção fica distorcida. Desse modo, o direito de Marinho à saúde fica reconfigurado em uma versão em que se passa a ter o dever de manter-se saudável (CARRASCO, 1999; SPINK, 2010).
Simone (Pesq.) – E se vocês fossem passar uma mensagem sobre cuidado com a saúde, o que falariam?
Marinho (P) – Ah... cuidado é você ter, por exemplo, a consciência de que você tem que cuidar do seu corpo. Você tem que cuidar da sua saúde pra não dar problema pros outros, porque é um patrimônio seu. Não é delegar um patrimônio seu pra uma outra pessoa cuidar. Acho que é a consciência de cada... que você tem que ter. Que você é responsável por seu corpo, seus membros, sua cabeça, seu coração. Então, essa pessoa tem que se amar pra cuidar desse corpo... que foi dado por Deus e você tem que cuidar, né? Acho que essa é a ideia... Que eu penso...
(transcrição, linhas 379-380)
As falas de Marinho também podem nos convidar a refletir sobre aspectos muito destacados entre as questões de gênero. Por exemplo, qual a sua condição de problematizar como sua noção de masculinidade influencia sua noção de saúde e suas práticas? Nós todos dependemos de cuidados com a saúde, em diferentes graus e em algum momento da vida. Mas Marinho demonstra acreditar que, seguindo as recomendações prescritas em torno do “estilo de vida saudável”, pode escapar dessa situação. Em seu relato procura mostrar que valoriza o autocuidado, que se diferencia dos homens que, em sua visão, não se cuidaram bem. Em sua posição de homem adulto, responsável e cuidador teme não estar saudável; tornar-se uma pessoa dependente “[...] Eu tenho muito medo com a saúde... Eu quero sempre estar bem... Pra não deixar ninguém com a responsabilidade. Então, por isso eu cuido [...]” (transcrição, linha 226).
Outro elemento perceptível no discurso de Marinho demonstra a hierarquização de seu tempo. Mesmo valorizando a prática de exercícios físicos, atualmente ele “só trabalha” – relata que trabalha entre 18 e 20 horas por dia. Então, a maior parte de seu dia está centrada no trabalho remunerado. As crenças que levam Marinho a se constituir nesse modelo de trabalhador não são compatíveis com sua noção de saúde, o que é angustiante e, de certo modo, perverso, pois a associação dessas perspectivas diferentes o leva a acreditar que deveria ser capaz de conciliá-las harmonicamente e, talvez, encontrar uma solução (mágica) que lhe permitisse satisfazer todas as demandas que elas geram.
Durante a conversa Marinho também apresenta uma resposta que parece mais livre de implicações do tipo “tem que”; que parece respeitar sua singularidade e o estilo de vida que gostaria de ter.
Simone (Pesq.) – Pra você, o que é um homem saudável?
Marinho (P) – É aquele que acorda sem dor de cabeça, vai dormir sem dor de cabeça... Sem algum mal-estar,
entendeu? Que come e digere bem os alimentos... Que faça uma caminhada, um exercício e aguente. Que não tenha nenhum tipo de doença. Isso é um homem saudável! Que durma bem e acorde bem... Por ter tido uma boa noite de sono.
Em relação à noção de saúde apresentada pelo avô, Marinho, o pai, manifesta concordâncias e reconfigurações. Ele valoriza a prática regular de exercícios físicos para a constituição e manutenção de um corpo saudável, mas a percepção da funcionalidade cotidiana de seu corpo está associada a uma noção medicalizada; ele se apoia na materialidade dos resultados dos exames, na opinião de especialistas, em informações de diferentes fontes (como a mídia e a internet) e em consultas médicas para avaliar sua condição física. Uma das consequências dessa sua noção de saúde é que seu corpo é muito mais investigado, medicado e pensado que o corpo de seu pai.
[Quando a pesquisadora questiona: “Se vocês tivessem que falar o que é saúde, o que cada um falaria?”, Marinho responde:]
Marinho (P) – Eu não estou fazendo nada, nem caminhando. Só tô trabalhando. Eu espero que agora, nos
próximos anos, eu consiga já retomar essa... Perder um pouco de peso. E, realmente, você vai sentindo mais flacidez. E você vai sentindo que se o músculo não vai sendo usado, vai atrofiando... Você usa dele e percebe que começa a tremer, porque não tá treinado. Mas, saúde em si, só aqueles [exames] periódicos. E estou realmente precisando fazer exercícios.
(transcrição, linha 342)
A noção de saúde de Marinho também mostra a incorporação de noções do discurso psicossomático,48 que abarca entendimentos da associação do sofrimento psíquico e corporal. [Após, a pesquisadora questionar como ele cuida da sua saúde, sua resposta a fez indagar sobre o que o leva a incluir detalhes do aparelho digestivo:]
Marinho (P) – Porque foi constatado que tenho uma hérnia de hiato e acaba que eu tenho alguns refluxos... Eu
meio que controlo... E quando eu fico muito nervoso, eu meio que... pra não estourar... eu tenho altas cólicas. Eu absorvo isso... Então, isso me deixa, assim, meio acabado... A única coisa que me preocupa... Tem horas que eu fico, assim, muito vulnerável... Pra não brigar, então, eu fico calmo, mas depois em algum lugar isso estoura... Então, eu tenho preocupação com isso... Aí vou, né? Sempre a gente vai atrás...
(transcrição, linha 210)
Ele também associa a saúde mental, o amor próprio e a crença em Deus à sua noção de saúde:
[Após a frase disparadora da pesquisadora – “Se vocês fossem deixar uma mensagem pra outros homens, o que falariam para eles sobre saúde?” –, os participantes conversam e Marinho fala:]
Marinho (P) – A mente do ser humano também controla muito a saúde, né? Tem que estar com uma cabeça boa.
Pedir pra Deus pra estar com a cabeça boa e cuidar dela. E se amar também, né? Tem gente que não se ama! São suicidas, né? A pessoa que não está com a cabeça boa, ela se suicida. O primeiro suicídio que tem é a pessoa não se cuidar. E acaba que...
(transcrição, linha, 378).
48 Um maior entendimento sobre soluções psicossomáticas pode ser encontrado, por exemplo, nos trabalhos de
Joyce McDougall: Em defesa de uma certa anormalidade: teoria e clínica psicanalítica (1991) e Teatros do corpo: o psicossoma em psicanálise (2000).
Durante a entrevista podemos notar, nas falas de Marinho a incorporação em sua noção de saúde do discurso de João, o filho, sobre a importância de “manter a cabeça em ordem”. Contudo, o sentido que o pai emprega já aparece reconfigurado em suas falas. Assim, enquanto João traz uma ideia de saúde mental ligada à qualidade de vida e aos limites, Marinho a apresenta como uma possibilidade cognitiva, um exercício racional que envolve as práticas de cuidado com a saúde.
[Quando a pesquisadora pergunta “como vocês podem se cuidar para ter uma vida saudável?”, Marinho responde:]
Marinho (P) – Pra ter uma vida saudável você tem que ter atitudes para mantê-la saudável. Não pegar muito sol... Desde a pele até... Interior até o exterior... Não ficar ouvindo besteira, não ficar lendo besteira. Manter a cabeça em ordem, né? É muito importante isso. O que ele [João] falou é interessante: você, hoje, com uma cabeça boa consegue administrar toda a situação interna e externa. Então, se o cara não está com uma cabeça boa, é muito ruim... Se ele está com uma cabeça boa e sabe procurar o que o faz ficar saudável... Eu acho que isso é importantíssimo. Foi muito feliz... eu acho que é isso mesmo: se você tem consciência que você tem que ir no médico... a cabeça que fala... Se você tem consciência que você tem que cuidar... a cabeça é que fala... Se você tem consciência que você tem que se tratar, que você tem que tomar [medicações, vitaminas], você tem que fazer exercícios... Cara, acho que isso controla tudo mesmo! Acho que isso é sinônimo de saúde mesmo... Se você estiver estabilizado.
(transcrição, linha 352)
João, o filho, além de ressaltar a importância da saúde mental, acrescenta elementos como a felicidade e defende que as pessoas não se preocupem excessivamente com a questão. Para ele saúde é mais do que não estar doente; o processo envolve respeito e consciência limpa. Representante da terceira geração, o jovem apresenta uma noção de saúde que incorpora mudanças atuais na trajetória do cuidado com a saúde, sobretudo direcionadas para a perspectiva da saúde promocional (CASTIEL, 2002; CASTIEL, VASCONCELLOS- SILVA, 2004; SPINK, 2009).
[A pesquisadora pergunta: “o que é um homem saudável?”, e João responde:]
João (F) – Se eu fosse dar um exemplo, eu acho que, sei lá, seria do tipo “faça alguma coisa, mas não se preocupe”. Acho que tem gente que fica tão bitolado com a saúde que fica doente! Não doente fisicamente, mas de cabeça, e isso já é uma doença. Acho que ficar doente de cabeça é pior do que de corpo, porque do corpo, muitas vezes, você pode curar. De cabeça é muito mais difícil.
Simone (Pesq.) – E o que é saúde pra você?
João (F) – Saúde é... acho que, sei lá... ser feliz. Quando a pessoa é feliz ela tem saúde! Porque mesmo que a
pessoa esteja doente e ela seja feliz, ela tem esperança que vai se recuperar e isso deixa ela saudável. Assim... mesmo que esteja podre! Porque saúde é muito mais do que coisa física. Vai da pessoa! Tem uma pessoa que você pode ver que ela está muito ferrada, mas que você vê que ela é saudável, muito mais saudável que alguém que pode estar bem, mas esteja doente de cabeça. Acho que a pessoa... sei lá, precisa respeitar o próximo... um monte de coisas... Ter a consciência limpa, assim... acho que é muito mais saudável que qualquer questão física. Entendeu?... Eu não sei se foi uma resposta boa, mas acho que é isso, mais ou menos...
Na conversa, apesar do jovem demonstrar que concorda com a crítica ao modo como Lobão lidou com o autocuidado, seu investimento maior fica direcionado para mudanças na atualidade, entendendo-as como significativas para os homens. Desse modo, sua contribuição amplia a discussão para um âmbito histórico e também mais geral da vivência masculina. Simone (Pesq.) – O que vocês pensam sobre o que é oferecido para saúde dos homens?
João (F) – Tudo que tem hoje começou com a mulher. A mulher é assim...
Marinho (P) – A mulher, sexo frágil?...
João (F) – Não. Não é sexo frágil... Mas, ela sempre... Tipo, começou pra ela porque ela tinha que ficar bonita,
ficar saudável para o homem... Acho que agora o homem está percebendo que pra igualar esse saudável os dois têm que estar saudáveis. Por exemplo, antigamente tinha produtos que eram só paras as mulheres; agora tem para os dois, porque acho que antigamente o homem tinha que passar essa imagem de bruto... De, sei lá, “eu consigo viver sem tomar nada. Eu consigo viver sem tomar remédio”...
Marinho (P) – Alla Lobão [o sogro]?
João (F) – É... Ah. acho que não como o vô... O vô era cabeçudo, né? Porque tinha [recursos] e ele não usava.
Antigamente eles nem iam atrás. Tipo, nem tinha. Porque eles... sei lá, achavam que precisavam provar alguma coisa pra sociedade.
Ade (A) – E nada acontecia, né?
Marinho (P) – Acho que era preconceito, sei lá?
João (F) – Acho que o homem, o ego dele, sempre fala que ele é de ferro, sempre ele acha que ele nunca vai
morrer... Nunca vai ter isso, nunca vai ter aquilo. Não faz exame de próstata só porque é um negócio assim, tipo...
Marinho (P) – Invasivo...
João (F) – É... Eu não sei se é invasivo, porque eu nunca fiz.
Marinho (P) – É invasivo [risos].
João (F) – Mas deve ser invasivo... Acham que vai ferir o ego dele se fizer alguma coisa... E, acho que a cada dia isso está mudando, porque a pessoa morre... Tá vendo que morre! Hoje tem tanta coisa que mata a pessoa... Também pelo fato de ter muito corante... Muito industrializado, mata muito! Acho que... sei lá, a alimentação hoje em dia é muito ruim, mesmo você se alimentando do tipo saudável, não é o saudável de antigamente... Antigamente não tinha agrotóxico, muitas coisas. Hoje, você vê um tomate vermelho, você vê que aquele tomate não é vermelho de espírito também [risos]. Ele só é aparência... Tipo, antigamente o tomate era vermelho! Então, você tem uma falsa ideia de ser saudável. Sua alimentação pode ser ótima e pode ajudar mais você, mas acho que não te ajuda tão bem quanto antes. Entendeu? Acho que é isso.
(transcrição, linhas 359-371)
Destacamos, então, as questões de gênero que aparecem performando a noção de saúde discutida. É interessante notar as diferenças perceptíveis entre Marinho e João. Enquanto o primeiro dá visibilidade às noções que envolvem a masculinidade hegemônica, seu filho parece mais um porta-voz das possibilidades de ruptura com esse modelo. Em relação ao pai, podemos observar que o filho discorda da visão de que as mulheres representam um sexo frágil. Na conversa, João inicialmente relaciona o histórico do cuidado feminino à manutenção da beleza e saúde para agradar aos homens, o que é claramente uma visão sexista. Entretanto, em seguida, apresenta diversos pontos de vista sobre os homens que diferenciam seu posicionamento: 1) os homens devem estar tão saudáveis quanto as mulheres;
2) eles passaram a buscar produtos que antes eram “exclusivos” para elas, e o mercado passou a disponibilizá-los; 3) socialmente os homens não precisam provar que são “de ferro” ou manter a imagem de brutos – para João, a vulnerabilidade masculina não é um problema; 4) eles devem usufruir da disponibilidade de medidas preventivas para a manutenção da saúde, como a possibilidade de realização do exame de próstata, mas atentos e sem se deixar iludir por falsas ideias sobre masculinidade ou o que é benéfico ou não à saúde; e 5) os homens conhecem históricos de outros homens que não cuidaram de si e isso os levou à morte – ou seja, eles têm condições de ter consciência do que se configura como situações de risco ou do que pode levá-los à morte, e podem ser capazes de evitar tais fatores.
João também relata que nem tudo que parece saudável contribui de fato para a manutenção da saúde. Em sua visão, “antigamente” a possibilidade de uma alimentação mais saudável parecia ser maior. Ele diz que atualmente os alimentos têm aparência saudável, mas o uso de agrotóxicos, por exemplo, pode indicar que eles não são confiáveis e interferir nas condições de suas escolhas. Vamos lembrar que ele convive com a experiência de passar mal após a ingestão de alimentos com corante. São alimentos inspecionados, aprovados, dentro da validade e que, mesmo assim, o prejudicam. Nessa perspectiva, como ele poderia tomar decisões racionais sobre o que come e bebe, sobre as substâncias tóxicas que consome?
Também é interessante observar que avô, pai e filho, mesmo com intensidades diferentes, constituíram noções de saúde atravessadas pelo discurso atual da saúde promocional. Os três demonstram a crença comum de que a prática de esportes, a ingestão de uma alimentação saudável, o não consumo de tabaco, bebidas alcoólicas e drogas ilícitas favorecem a manutenção de “uma boa saúde”.
Simone (Pesq.) – Se vocês fossem deixar uma mensagem pra outros homens, o que falariam pra eles sobre
saúde?
João (F) – Saúde... Não fume e pratique esporte [risos].
Marinho (P) – Agradeça a Deus pela saúde que Ele te deu, primeiro, né? Se Ele não te deu, corra atrás dela...
João (F) – Se você está vivo, agradeça a Deus e depois vá praticar algum esporte! [risos]
Marinho (P) – Corra atrás da sua saúde praticando esporte.
Ade (A) – A saúde está tudo no movimento do corpo. Se a pessoa movimentar bem o corpo e se alimentar bem,
ela sempre terá uma saúde boa. E se ela tiver qualquer retrocesso na carreira, é fácil de curar. Agora você pega uma pessoa que tá aí e não faz exercícios, se ficar doente, é mais duro pra levantar.
De modo geral, Marinho é quem demonstra claramente em seu cotidiano os efeitos de cinco aspectos49 que corroboram nossas discussões: 1) as medidas prescritivas direcionadas aos estilos de vida saudáveis; 2) a noção de responsabilização individual que pode acompanhar certos recortes da saúde promocional; 3) a noção de que o conhecimento seria o veículo central para levar a “boas escolhas”, e que isso proporcionaria a sensação (ilusória) de controle em relação à sua saúde; 4) a noção de cuidado envolvida tanto na lógica do cuidado como na da provisão; e 5) uma rotina diária em que o tempo é hierarquizado, fragmentado e, por vezes, percebido como insuficiente, em um cenário no qual a ocupação remunerada é priorizada em detrimento do tempo que é considerado necessário para o cuidado com a saúde.