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KONKLUSJON OG DISKUSJON

In document Bioenergi i Norge (sider 85-90)

Na geração dos avôs as noções de cuidado com a saúde aparecem diretamente ligadas com as experiências cotidianas. Além da atuação de suas mães, os três avôs demoram a reconhecer outras pessoas que contribuíram para a formação de suas noções de cuidado com a saúde. Em geral, eles lembram algumas recomendações presentes no cotidiano, falas

atribuídas a pessoas de seu convívio. Contudo, nenhum dos avôs nomeia um porta-voz específico.

Nesse enquadre destacamos a experiência descrita por Ade (família Matos). Mas, antes cabe ressaltar que muitas dessas informações se propagam ao longo do tempo e acabam conhecidas pelas gerações seguintes.

Simone (Pesq.) – Naquela época o que as pessoas falavam que tinham de fazer pra se cuidar?

Ade (A) – Nada, ninguém falava! Só falavam pra tomar cuidado para não acidentar. Se ia no rio tomar banho:

“Cuidado pra não se afogar!” Era essas as palavras...

Marinho (P) – Se subia na árvore: “Cuidado pra não cair!” [risos].

Simone (Pesq.) – Então eles falavam, não é?

Ade (A) – Falavam sim.

Simone (Pesq.) – Cobra...

Ade (A) – Assim: “Cuidado!”

Marinho (P) – Pra não passar atrás do cavalo...

Ade (A) – “Não passa lá que as vacas pode pegar você.” Tinha uma vaca que só vê um ela já partia pra cima. A

gente tinha esses cuidados.

Marinho (P) – Eram outros problemas. O problema do meu pai foi um, o meu foi outro. E o dele [João] é outro hoje!

Ade (A) – Hoje tá mil maravilhas...

(transcrição, linhas 281 – 291)

De acordo com Ade, Vilar e Nascimento, a circulação de informações que extrapolavam a esfera familiar era comumente decorrente de um evento disparador do conhecimento sobre um tema. Por exemplo, se algumas crianças se intoxicavam comendo um tipo de pinhão, logo as pessoas próximas conversavam sobre como diferenciar alimentos próprios e impróprios para consumo ou quais partes deles eram tóxicas; as estratégias conhecidas para lidar com a intoxicação; e quais pessoas deviam ser advertidas sobre os perigos envolvidos nessas situações. Desse modo, sintomas e consequências de diversas situações eram reavivados na memória de vizinhos, amigos, pessoas mais velhas, passando todos esses elementos a compor as experiências cotidianas, as conversas nas calçadas e no trabalho, os cuidados durante as brincadeiras das crianças.

Os relatos desses avôs nos faz pensar que a circulação dessas informações ocorria de modo pulverizado. Como não há a nomeação das pessoas representantes dessas falas usamos a analogia do processo de pulverização para pensar o fenômeno. Ou seja, entendemos que as informações não têm uma fonte específica; elas são acumuladas pelo conhecimento popular, transmitidas diante de vivências singulares e, assim, acabam se espalhando nas relações

cotidianas. Enquanto são “espalhadas” quase não conseguimos visualizá-las. Mas quando essas pequenas porções se acumulam em algum espaço, enfim, podemos percebê-las com clareza.

Na figura a seguir destacamos os elementos descritos como significativos para circulação e constituição da noção de cuidado com a saúde para a geração dos avôs.

Figura 5 - Fontes de informação e contextos destacados na circulação da noção de cuidados com a

saúde na geração dos avôs.

Fonte: elaboração própria

Em relação à geração dos pais, percebemos que o modo de circulação descrito pelos avôs continua reverberando. Porém cada participante agrega novos aspectos a ele. Ramos (Batalhazzo) relata o mesmo modo de pulverização de informações presente na geração dos avós; contudo, em alguns momentos suas falas nos permitem entender que as pessoas que participavam do convívio cotidiano (crianças mais velhas, irmãos, primos e adultos) procuravam passar recomendações (as quais, por vezes, não eram seguidas). Em seu relato também fica ressaltado que quem fala demonstra se importar diretamente com quem recebe a informação.

[Ramos retoma a pergunta da pesquisadora sobre quem falava de cuidados para ele na infância e adolescência:] Ramos (P) [...] Você falava de orientação... No sítio a gente já crescia acompanhando de perto, porque de criança a gente já ia pra roça, junto. Tava sempre... Sem querer, o outro já tava alertando: “Oh, cuidado!!!” Saia gritando automaticamente.

Simone (Pesq.) – E o que eram essas coisas que um alertava ao outro?

Ramos (P) – Os mais velhos iam alertando sobre tudo: pisar em cobra ou sapo, aranha ou prego enferrujado... Sabe? Andar descalço... Mas, a gente adorava andar descalço.

Simone (Pesq.) – E tinha rio por perto?

Ramos (P) – Tinha... Tinha um riozinho.

Ramos (P) – Também aconselhavam a não ir, entendeu? [indica os pais com um gesto de mão]. Aí saímos uma vez eu e meus primos: “Vamos nadar? Vamos!!!” De lá fomos parar no sítio do vizinho... Chupar manga... O Castor foi buscar lá e o vergão na perna levantou, né? Levamos uma surra danada!

Simone (Pesq.) – Mas como vocês aprendiam a nadar? Quem ensinava quem? Quem cuidava pra garotada não

se...

Ramos (P) – Sempre os mais velhos. É que era bastante... sempre os irmãos e primos e tal que conviviam junto lá... Os mais velhos que ensinavam, que cuidavam, que levavam...

(transcrição, linhas 370-378)

As falas de Cabral, além das informações presentes na convivência cotidiana, destacam outros meios de informação (como a mídia digital e impressa e a internet). Em sua busca ativa por informações sobre a temática ele relata que, quando algo chama sua atenção, as fontes mais usadas são o noticiário e a internet. Um exemplo é seu interesse em relação à doença de Alzheimer, que afetou sua mãe.

Simone (Pesq.) – Vocês costumam ouvir falar de saúde, de cuidado?

Cabral (P) – No familiar, acho que mais com a minha sogra, né? Ela sempre fica falando do estado de saúde

dela, de uma neta que ela tem lá, que tem a saúde complicadinha. Mas é pontual, certo?

Simone (Pesq.) – E pro cuidado de vocês? Vocês lembram algum lugar em que leem ou veem? Alguém que fala

ou um lugar em que vocês procuram algo sobre isso?

Cabral (P) – Assim, que desperta interesse? Gosto muito de acompanhar noticiário sobre Alzheimer, porque

minha mãe faleceu com Alzheimer, entendeu? Então, eu vejo notícia, tanto na internet quanto no jornal... Procuro abrir minha mente e perseguir as informações, porque a gente conviveu com esse quadro e é uma coisa muito terrível. Então, esse assunto me interessa bastante.

(transcrição, linhas 150-153)

Enquanto na geração dos avôs as fontes são principalmente pessoas que integram a convivência cotidiana e é nítido que quem fala se importa especificamente com quem recebe a informação, entre os membros da geração dos pais o papel dos veículos de comunicação que podem transmitir mensagens para a coletividade e não têm qualquer relação direta com quem as escuta é que passa a ser destaque. As falas dos pais ressaltam a disponibilidade de informações e uma circulação que é absorvida por eles de modo mais intenso do que por qualquer outro integrante de outras gerações. Marinho (Matos) destaca o papel da mídia e da internet, acrescentando a elas também os médicos (vizinhos e cunhado) e leituras como fontes de informação.

Simone (Pesq.) – Como você escuta falar de saúde?

Marinho (P) – Saúde... Então, entrevistas, internet... Moro num prédio que tem um monte de médicos. A gente conversa com um, com outro. Eu tenho um cunhado que é médico também e a gente discute. Eu tenho muito medo com a saúde; eu quero sempre estar bem pra não deixar ninguém com a responsabilidade [de assumir os cuidados com a sua saúde]. Então, por isso, eu [me] cuido. Eu vejo se eu estou comendo de mais... Se eu tô não me sentindo bem, eu procuro me virar, procuro ler... A internet hoje me ajuda muito, porque... Eu tô tendo um

sintoma, eu coloco lá... aparece... Aí eu começo a me monitorar: não pode beber isso, que acontece aquilo, tal. E é verdade! Você começa a dar umas paradas... Eu tava vendo do intestino, por exemplo, você fica com diarreia... Você vai ver é porque bebeu duas, três cervejas a mais; então, você manera na cerveja. Então, eu meio que me controlo, sabe? Eu meio que... quero ser o comandante da minha carcaça! Doeu o pé, doeu aqui, doeu ali, eu vou atrás disso e... Sou um bom paciente também. Se tiver que tomar remédio eu tomo.

(transcrição, linhas 225-226)

Figura 6 - Fontes de informação e contextos destacados na circulação da noção de cuidados com a

saúde na geração dos pais.

Fonte: elaboração própria

Passando para a geração dos filhos ressaltamos o relato de Beto (família Cabral) e, em seguida, de João (família Matos). O primeiro destaca as conversas com a noiva e o futuro sogro, que são da área de educação física, e acrescenta os espaços de atividades corporais, de atuação profissional e seus ambientes de convívio, de modo geral.

[A pesquisadora redireciona a pergunta “Vocês costumam ouvir falar de saúde, de cuidado?”, respondida por Cabral (o pai), ao filho e ao avô e Beto responde:]

Simone (Pesq.) – E pra vocês [filho e avô]?

Beto (F) – Eu luto, faço academia e como professor de educação física não tem como não estar envolvido com

isso. E a minha noiva também é professora de educação física e o pai dela também é professor de educação física. Então, eu vivo isso. Todo o tempo estou escutando... Em relação à questão da saúde e qualidade de vida é o meu trabalho, é a minha profissão.

Cabral (P) – É isso aí quando se está ligado a essa área...

(transcrição, linhas 154-156)

Às vezes João é específico e cita, por exemplo, a dermatologista como uma pessoa que o auxiliou na constituição da noção de cuidado com a saúde. Mas ele também retrata outros porta-vozes de modo amplo. Em sua visão, há até mesmo uma generalização deles no cotidiano: o “mundo” fala que é importante cuidar da saúde.

Simone (Pesq.) – João, quem fala pra você que é importante cuidar da saúde? João (F) – Quem?

Simone (Pesq.) – Quem?

João (F) – Ah, sei lá... acho que é mais o mundo também. Hoje, toda vez que você vai ver, em algum lugar

falam que é importante cuidar da saúde. Igual esse negócio de usar filtro solar: eu peguei porque fui fazer uma consulta na dermatologista e ela falou que era importante e eu comecei a fazer. Mas eu acho que é uma coisa muito mais cotidiana. Tem um monte de programa de TV que dão dicas pra cuidar de saúde, como você pode melhorar seu estilo de vida, sua vida de um modo geral. Acho que é mais isso.

(transcrição, linhas 160-163)

Ele diz que percebe ser importante que as mensagens tenham sentido para si mesmo, que estejam de acordo com suas vivências. Em sua opinião, as experiências devem retomar a singularidade, e, hoje, esse trabalho está a cargo de cada um de nós.

[A pesquisadora pergunta se há mais alguma coisa que os participantes gostariam de acrescentar. João responde:]

João (F) – Uma mensagem final: crianças, joguem basquete! Eu não sei, não sei o que falar [risos]. Acho que é o

que a gente já falou. Mas acho que é mais a conversa, assim, e saber diferenciar bem. Às vezes um amigo fala uma coisa e você tem que ver mais por você... Você tem que ter mais personalidade. Até um pai e um avô fala alguma coisa pra você; é claro que você tem que escutar, mas você tem que julgar isso. Não que eu esteja errado e eles estejam certos, mas cada pessoa é diferente. O que funcionou com ele pode não funcionar comigo. Entendeu? É claro que tem alguns conselhos, você é meio que obrigado a seguir, porque é certo... Vai, tipo, universal. Mas tem coisa que você tem que julgar. Não adianta você ouvir algo de um médico... Tem que pensar: no fim vai te fazer bem? Então, você tem que julgar muito bem as coisas que você ouve e que pretende fazer pra você.

(transcrição, linha 398)

Os três jovens não citam irmãos e primos, indicando uma redução da participação de membros da mesma geração na constituição da noção de saúde, enquanto na dos pais eles foram frequentemente lembrados na infância e aparecem até mesmo na vida adulta. Simultaneamente, destacamos uma ampliação no espaço de circulação da noção de cuidado com a saúde descrito anteriormente. A percepção relatada é que as mensagens se espalham por meio de pessoas, instituições, ambientes de formação e profissional, mídia, internet. Os relatos dos membros dessa geração nos permitem observar que essas mensagens estão pulverizadas nos mais diferentes momentos e lugares.

Figura 7 - Fontes de informação e contextos destacados na circulação da noção de cuidados com a

saúde na geração dos filhos.

Fonte: elaboração própria

In document Bioenergi i Norge (sider 85-90)