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Lærer-elev-relasjon

In document «Det enkle er det beste» (sider 69-77)

4 Presentasjon og drøfting av funn

4.3 Ivaretakelse av elever med selvmordstanker

4.3.1 Lærer-elev-relasjon

O tratamento das informações, advindas das entrevistas e dos documentos selecionados, permitiu confirmar, reforçar ou negar as hipóteses levantadas no projeto, cabendo à pesquisa a investigação e o discernimento dos discursos sob a dialética das teorias postas que envolvem o tema, por meio das contribuições da análise do discurso e de conteúdo, considerando que a forma de análise das informações obtidas em uma pesquisa deve passar por uma escolha responsável do pesquisador.

A Análise de Conteúdo e a Análise de Discurso têm se firmado como formas de interpretação complementares, embora distintas entre si. Usadas, respectivamente, na análise de sentidos e significados obtidos, sobretudo, por entrevistas, mas também em materiais não verbais como formas de expressões que podem ser entrecruzadas. Tais formas acabam se mesclando e enriquecendo o trabalho de análise do pesquisador. Na pesquisa em questão a pesquisadora

utilizou-se, além das entrevistas, da análise dos documentos supracitados como materiais não verbais que possibilitaram o cruzamento de dados entre tais e destes com os dados das entrevistas.

Conforme afirmam Caregnato e Mutti (2006), apesar da variedade existente de análises de discurso, há uma unanimidade dos estudiosos quanto à rejeição da ideia de neutralidade da linguagem e bastante importância tem sido dada ao discurso na construção da vida social. A análise de discurso como disciplina interpretativa tomou emprestado da linguística a noção da fala e a revestiu do discurso; do materialismo histórico, tomou a teoria da ideologia; e da psicanálise, a noção do inconsciente. Michel Pecheux (1973), um dos fundadores da análise de discurso de linha francesa, propôs, em resumo, a combinação entre ideologia história e linguagem; ideologia aqui sendo entendida como o posicionamento do sujeito quando este se filia a um discurso, em acordo com o sistema de ideias que possui e que constitui suas representações. Daí parece importante frisar que o sujeito que discursa traz em sua fala uma série de representações que mostram a forma como este interpreta os fenômenos que o cercam. Mas o sujeito que escuta também não é um intérprete? Nesse sentido, os autores citados atentam para o fato de que numa pesquisa o analista do discurso também é um intérprete, que faz uma leitura também discursiva influenciada pelo seu afeto, posição, crenças, experiências, vivências. Isso também irá produzir seu próprio sentido.

A posição acima referenciada parece reforçar a rejeição à neutralidade, já mencionada, adotada pelos teóricos dessa linha de análise. O próprio recorte sócio- histórico resulta de uma teoria que é uma construção do analista. Nesse sentido, a pesquisadora precisou se precaver contra os vícios da função, apropriar-se do conhecimento e experiência que manteve e mantêm com o objeto para enriquecer sua análise, sem, contudo, enviesar sua interpretação para atender suas crenças ou um corpo teórico específico, o que poderia restringir o espaço e as possibilidades de outras possíveis investigações sobre o mesmo fenômeno.

Seguindo a linha de análise dos autores supracitados, a interpretação deverá ser feita sempre entre o interdiscurso e o intradiscurso chegando a posições representadas pelos sujeitos através das marcas linguísticas. Não vai se trabalhar a forma e o conteúdo, mas os efeitos do sentido que se pode apreender mediante a interpretação. Interpretação essa, passível de equívocos, sobretudo quando sai da

esfera das ciências da linguagem e passa a estar a serviço das ciências sociais. Provavelmente isso se deve ao caráter de conhecimento, ideologicamente manipulável, dessa vertente das Ciências.

Anterior à Análise do Discurso, surgiu no início do século XX, nos Estados Unidos, a Análise de Conteúdo, vista como sendo uma técnica de pesquisa que trabalha com a palavra. Ao contrário da análise do discurso, cuja interpretação só será qualitativa, esta linha de análise pode servir aos dois tipos de pesquisa: a qualitativa e a quantitativa. Enquanto a análise do discurso trabalha com o sentido, a análise de conteúdo trabalha com o conteúdo, com a materialidade linguística através das condições empíricas do texto, estabelecendo categorias para sua interpretação. O texto passa a ser, então, um meio de expressão do sujeito, onde o analista busca categorizar as unidades de texto que se repetem (abordagem quantitativa), considerando a presença ou a ausência de uma dada característica, num determinado fragmento da mensagem (abordagem qualitativa).

Na análise das entrevistas para essa pesquisa percebeu-se ênfases, pausas, metáforas, falas subentendidas, que, certamente, servem para elucidar ainda mais a análise de discurso feita pelo pesquisador. Isso mostra a complementaridade entre as formas de interpretação abordadas. Vários autores, dentre eles, os já citados, a colocam como um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando obter sistematicamente no conteúdo das mensagens, indicadores que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens.

Laville e Dionne (1999, p. 215), afirmam que à medida que colhe informações

o pesquisador elabora sua percepção do fenômeno e se deixa guiar pela especificidade do material selecionado. Parece pertinente afirmar que quaisquer que

sejam as formas de análise escolhidas, ao pesquisador cabem o conhecimento das mesmas e uma escolha consciente do referencial analítico que será um dos principais norteadores de sua pesquisa.

No caso da análise dos dados nessa pesquisa, a inserção dos diferentes sujeitos nos diferentes tempos mostrou-se um impeditivo à análise quantitativa de frequência de itens, embora uma palavra ou expressões sinônimas a ela se mostrou recorrente nas falas de boa parte dos entrevistados: a metacognição dos processos

como um ganho da avaliação formativa, que será adiante melhor discutida. Como se trabalhou bastante com as lembranças e a memória vivida na reconstrução dos fatos, as muitas reticências e pausas nas falas pareceram ser indicativas de evocação, de busca pelo momento vivido. Assim como a repetição da interjeição:

"né?" pareceu indicar uma tentativa de validação e confirmação da situação

evocada.

Carneiro e Carneiro em artigo publicado em 2007, denominado Notas

introdutórias sobre a análise do discurso, afirmam que os discursos se movem em

direção a outros, nunca está só, sempre está atravessado por vozes que o antecederam e que mantêm com ele constante duelo, ora legitimando-o, ora o confrontando. Citando Foucault (2005) os referidos autores afirmam que o discurso é o caminho de uma contradição a outra: se dá lugar às que vemos, é que obedecem à que oculta. Analisar o discurso sob essa premissa é, portanto, fazer com que apareçam e reapareçam as contradições, é mostrar o jogo que nele elas desempenham; é manifestar como ele pode exprimi-las, dar-lhes corpo, ou emprestar-lhe uma fugidia aparência. Segundo tais autores toda identidade do discurso são construções feitas através do próprio discurso, por isso permeável e passível de movências de sentido. Nesse sentido, o trabalho de análise das entrevistas nessa pesquisa procurou entrecruzar os discursos e pelo menos, no âmbito da gestão, ficou perceptível um olhar mais idealizado em relação à expectativa das famílias sobre os processos da escola, de um gestor em relação a outro.

O que define de fato o sujeito é o lugar de onde fala. Foucault diz que “não importa quem fala, mas o que ele diz não é dito de qualquer lugar” (2005, p. 139). Na pesquisa em questão, O lugar de onde foi proferido o discurso foi preponderante para sua análise, pois difere os sujeitos e suas interpretações do fenômeno, entendendo como lugar o âmbito da gestão, da docência, dos alunos e de suas famílias.

Conforme já observado, quando um discurso é proferido, ele já nasce filiado a uma rede tecida por outros discursos com semelhantes escolhas e exclusões. Esse estudo de caso analisou os discursos à luz das teorias postas para essa questão, interpretando seus sentidos, o que levou à confirmação ou esclarecimento das questões proposta pela pesquisa.

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