3 Metode
3.7 Etiske refleksjoner
2.3.1 Geral
Investigar, entre estudantes universitários, aspectos metacognitivos e autorreguladores do estudo individual e sua relação com contextos de ensino e aprendizagem
2.3.2 Específicos
Identificar hábitos e estratégias de estudo em termos de organização de estudo, gerenciamento de tempo, estudo solitário ou em grupo, técnicas de leitura, anotações e reelaboração e ressignificação do assunto estudado.
Caracterizar os aspectos metacognitivos e autorreguladores subjacentes às estratégias adotadas, investigando como essas estratégias foram aprendidas e são utilizadas.
Identificar a natureza das estratégias na dimensão profundidade-superficialidade.
Realizar uma intervenção aplicando um programa de regulação metacognitiva e identificar possíveis alterações nas estratégias de aprendizagem.
2.4 METODOLOGIA
2.4.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA
O referencial metodológico utilizou-se de uma triangulação dos resultados obtidos a partir do questionário sobre experiências de ensino e aprendizagem, a entrevista semi-estruturada e o questionário específico a respeito da intervenção. Desse modo, obtiveram-se, com os questionário, os dados quantitativos sobre os processos metacognitivos e autorregulatórios dos estudantes e suas percepções a respeito da intervenção, e com a entrevista, as percepções mais profundas dos mesmos sobre o seu processo de aprendizagem, em uma abordagem portanto qualitativa. As entrevistas foram realizadas apenas com estudantes participantes da intervenção, embora tenha abordado aspectos relativos à vida de estudante desde o ensino básico. Esse uso conjunto de aspectos quali-quantitativos permitiu uma visão mais ampla do que a que seria obtida a partir de apenas um método.
Esses métodos, portanto, não são tratados como separados, mas como estratégias complementares que possibilitam uma compreensão mais ampla do objeto de pesquisa, possibilitando dessa forma uma validação interna das questões de pesquisa. Há um nível de sobreposição entre as abordagens metodológicas quantitativa e qualitativa que foram utilizadas. Por exemplo, o questionário permite uma visão geral das tendências sobre as estratégis de estudo, mas a entrevista semi-estruturada permite coletar as impressões dos estudantes sobre como essas estratégias foram aprendidas em diferentes momentos da sua vida acadêmica.
Aqui se explica, então, a interrelação entre esses dois métodos, descrevendo-se a estratégia a ser utilizada para cada um deles e como os mesmos se unem em um todo coerente. Talvez o aspecto mais positivo dessa forma de coleta de dados seja o uso da técnica de triangulação, o que permite a interpretação do fenômeno sob múltiplas perspectivas. Embora Sarantakos (2005) aponte não haver evidências de que a triangulação seja superior a uma pesquisa com uma única metodologia, a possibilidade de esclarecer de forma qualitativa os resultados obtidos a partir do questionário nos levou a propor o uso dessa metodologia.
2.4.2 QUESTIONÁRIO
Durante a fase de planejamento, consideraram-se alternativas para a coleta de dados. O uso de questionário tem a pretensão de ser objetivo, medindo as realações entre as variáveis, que podem ser ou não consideradas causais a partir da visão do pesquisador (DENZIN; LINCOLN, 2006).
O questionário está estruturado na sua maior parte como questões do tipo Lickert, apresentando algumas questões abertas onde se pede que seja complementada alguma informação solicitada nas questões fechadas. Sabe-se da dificuldade de se obter respostas fidedignas nesses itens, mas tomou-se o cuidado de raramente solicitar-se uma opinião, e sim o complemento das informações.
Ao elaborar um questionário, o pesquisador deve ser muito cuidadoso, uma vez que o participante da pesquisa estará sozinho durante o ato de respondê-lo. Entre as consequências desse fato, pode ocorrer também que, notadamente quando o questionário é grande, exista a possibilidade do respondente cansar-se e, a partir de determinado ponto, deixar de respondê-lo ou responder a esmo, sem refletir sobre as questões. O questionário utilizado na presente pesquisa apresenta essa possível deficiência, por constar de 134 questões. Houve, desse modo, a consciência das limitações desse instrumento como um instrumento de coleta, que aponta as tendências dos estudantes. A resposta ao questionário demorou, em média, vinte e oito minutos. Assim sendo, a opção pela entrevista no presente trabalho como método complementar visa sanar essa deficiência que é inerente ao instrumento, e dessa forma enriquecer a pesquisa com um olhar um pouco mais pessoal. Sarantakos (2005) reconhece que questionários são mais baratos, produzem resultados rapidamente, oferecem grande segurança no anonimato, não são influenciados pela presença do pesquisador, são estáveis, uniformes e objetivos em termos de medida. Entretanto, não permitem um maior esclarecimento das respostas e a coleta de informação adicional. Robson (2011) acrescenta ainda que os dados podem ser superficiais, com pouca possibilidade de checagem em relação à honestidade e à seriedade das respostas.
O questionário utilizado para esta pesquisa é uma adaptação desenvolvida pelo grupo de pesquisa coordenado pelo orientador desse trabalho, prof. Galvão, do instrumento usado no projeto ETL (Enhancing Teaching-learning Environments) (ENTWISTLE, MCCUNE & HOUNSELL, 2002) e do instrumento utilizado por Galvão (2000) para o seu trabalho de doutorado, estando apresentado no Anexo 1. O questionário foca a orientação geral e as
estratégias de estudo de universitários, servindo principalmente para indicar essas tendências, e investiga os aspectos relacionados à metacognição, à autorregulação, à aprendizagem profunda e superficial e ao alinhamento curricular, bem como cobre as percepções de estudantes sobre o ambiente de aprendizagem em termos da organização e estrutura do curso. Também indaga sobre o processo ensino-aprendizagem, a relação entre estudantes e professores, e aborda os aspectos mais descritivos do estudo individual (tempo de estudo, dias da semana, lugares preferidos, material de estudo, entre outros). Cada um dos tópicos do questionário encontra respaldo conceitual na literatura.
Esse questionário foi pilotado pelo grupo de pesquisa e formou uma base de dados com alunos de diferentes cursos de uma universidade pública e outra particular do Distrito Federal. Foi utilizado como base para dissertações de mestrado do programa de pós-graduação Stricto sensu em Educação da Universidade Católica de Brasília, orientadas pelo professor Afonso Galvão, entre as quais as dissertações abordando os processos de metacognição dos alunos de Psicologia (LIMA, 2007), Letras-inglês (GALVÃO, 2007), Matemática (PEREIRA, 2007), Pedagogia (DEMOLINER, 2008) e alunos de cursos a distância (NASCIMENTO, 2011). A base formada naquela ocasião foi ampliada para a realização do presente trabalho.
Foram escolhidos inicialmente para participar da resposta ao questionário alunos dos cursos de Medicina, Letras, Pedagogia, Matemática, Psicologia e Direito. Na etapa do trabalho onde se realizou-se a intervenção, entretanto, foram convidados alunos de todos os cursos. Todos esses alunos responderam também a um questionário de vinte questões a respeito de suas percepções sobre a intervenção.
Para as entrevistas foram selecionados onze estudantes entre os que passaram por esse processo de intervenção pedagógica. Nas entrevistas, esses estudantes foram inquiridos inicialmente sobre suas estratégias de estudo anteriores à intervenção, o que nesse aspecto assemelham-se a qualquer outro possível entrevistado. Foram, entretanto, também questionados sobre se e em que medida o processo de intervenção alterou sua percepção sobre o processo de estudo, bem como se esse processo sofreu alguma modificação, em que nível e em que extensão.
Para a realização da entrevista deve-se levar em consideração uma série de fatores que podem influenciar as respostas, como a estrutura das questões, e o modo como os respondentes possam perceber a natureza, o propósito e a abrangência da pesquisa. Aqui percebe-se um
possível viés de parte das entrevista, uma vez que o professor que conduziu a atividade interveniente realizou também a entrevista. Considerou-se que, se por um lado o entrevistado poderia querer agradar ao professor, por outro a intimidade atingida ao longo das horas de convívio teria o poder de facilitar o processo de entrevista.
O questionário, apresentado em anexo, possui 134 questões, divididas em nove sessões, nomeadas como descrito abaixo:
I. Caracterização do participante;
II. Hábitos de estudo fora da sala de aula; III. Estratégias de estudo;
IV. Quanto ao conteúdo a ser estudado; V. Atitudes em sala de aula;
VI. Experiências de ensino e aprendizagem; a. Abordagem de aprendizagem e estudo b. Organização e estrutura
c. Ensino e aprendizagem d. Alunos e professores
e. Avaliações e trabalhos acadêmicos VII. Exigências das disciplinas
VIII. O que você tem aprendido ao longo do curso
IX. Percepções sobre o ambiente de ensino e aprendizagem
2.4.3 ENTREVISTA
A entrevista é um método de geração de dados que tem algumas limitações, como a demanda de tempo das duas partes. Encontra-se embasada na interação direta entre o pesquisador e o participante da pesquisa, também denominados entrevistador e entrevistado. Devido a essa interação, configura um método que pode obter informações que um questionário teria dificuldade em obter como, por exemplo, os significados subjetivos expressos pelo entrevistado. Pelo seu caráter interativo, a entrevista tem uma possibilidade menor de obter respostas aleatórias, o que seria percebido pelo pesquisador. A entrevista difere do questionário também na
possibilidade de obtenção de informações de analfabetos ou de pessoas que, apesar de alfabetizadas, teriam dificuldade em responder a um questionário, mesmo que simples. A entrevista não substitui, entretanto, o questionário em qualquer caso. Quando o número de respondentes é muito alto e as questões são simples, o questionário pode ser uma ferramenta mais adequada que a entrevista. De forma sintética, enquanto o questionário pode ser um excelente instrumento para elucidar questões do tipo “o quê”, a entrevista, pelo seu caráter subjetivo e interativo é mais apropriada para buscar as razões mais profundas do entrevistado, respondendo melhor a questões do tipo “o por quê” (LUDKE e ANDRÉ, 1986).
2.4.3.1 Tipos de entrevista
Uma entrevista pode ser planejada de três formas. A primeira seria a entrevista estruturada, composta por itens fixos. Permite muito pouca flexibilidade, devendo o entrevistador ater-se somente às questões nela presentes. Assemelha-se, desse modo, a um questionário aplicado por um entrevistador. É útil quando pretende-se conhecer de forma rápida a tendência expressa por um número maior de pessoas, por exemplo em pesquisas eleitorais que querem saber em qual candidato pretende-se votar para um determinado cargo.
Uma outra forma de entrevista que opõe-se diametralmente à entrevista estruturada é a entrevista aberta. Sem nenhum tipo de roteiro, pode ser utilizada por exemplo em consultórios de psicologia, onde o relato dos fatos inicia-se pelo paciente, e o psicólogo segue, portando, a linha sugerida pela narração. Seu uso em pesquisas é extremamente difícil, uma vez que em uma pesquisa, por definição, deve haver um objeto a ser investigado, que pode tornar-se o tema para uma conversa. Outra característica que dificultaria seu uso em pesquisa é ser dificilmente repetível, de modo que diferentes entrevistas não teriam como ser agrupadas.
Entre esses dois extremos situa-se a entrevista semi-estruturada. Baseando-se em um roteiro de questões pré elaboradas, o entrevistador tem a possibilidade de transitar de forma mais livre por esse roteiro, adaptando-o às respostas dos entrevistados. Assim, o roteiro não é um engessamento do processo, mas apenas uma base que, a partir do julgamento do entrevistador, poderá ser alterado tendo em vista que o importante não é seguir à risca um conjunto de perguntas, mas atingir os objetivos da pesquisa. Esse tipo de entrevista é o mais utilizado em
pesquisas qualitativas, devido à flexibilidade que permite ao entrevistador (LUDKE e ANDRÉ, 1986). A entrevista semi-estruturada, por sua abordagem qualitativa, permite explorar as visões pessoais a partir de um contato direto e pessoal do pesquisador com o entrevistado, o que permite uma interação e um processo de busca de significados e da perspectiva do entrevistado sobre o tema muito mais ricos, a partir da intervenção do entrevistador a cada momento em que julgue necessário um esclarecimento (NEVES, 1996, LANKSHEAR; KNOBEL, 2008).
Ao realizar-se as entrevistas no contexto da pesquisa qualitativa, uma pergunta fundamental impõe-se: quantas entrevistas devem ser realizadas para que os dados possam ser generalizados? Aqui cabe uma distinção entre os dois tipos possíveis de generalização. A generalização estatística ocorre quando nossa amostra é calculada com base em parâmetros, como por exemplo o erro aceitável. Assim, para outros grupos amostrais escolhidos ao acaso dentro da população alvo, teremos uma probabilidade pré-determinada de obtermos um resultado semelhante. Outro tipo de generalização é a generalização naturalística. Nesse caso não temos como estimar possibilidades de erro das respostas obtidas com a amostra. Assim, de forma estrita, a pesquisa apenas seria válida para o grupo estudado. Entretanto, a generalização naturalística permite ao pesquisador obter “insights” a partir dos resultados obtidos, supondo que, para situações semelhantes, os resultados possam ser também semelhantes. Assim sendo, não há um número pré determinado de entrevistas: usa-se o método da exaustão (SARANTAKOS, 2005, GALVÃO, 2000). Esse método preconiza que, a partir do momento em que as idéias expressas começam a repetir-se, não havendo mais novidades, pode-se encerrar a geração de dados. Esse número em geral situa-se normalmente em torno de uma dezena de entrevistas.
O pesquisador deve, também, fazer a opção pela entrevista com um entrevistado de cada vez ou entrevista em grupos (grupos focais). Cada modalidade tem suas vantagens e desvantagens. O grupo focal tem a clara vantagem de economia de tempo, ao obter-se a informação de diversas pessoas em uma única entrevista. Entretanto, o grupo pode ter duas consequências opostas no desempenho do entrevistado: ou ele pode inibir-se com medo de mostrar-se aos demais ou pode desinibir-se, ao ver que suas posições não são isoladas. Nesse caso, também pode haver uma tentativa do entrevistado de alinhar-se ao grupo, bloqueando posições divergentes. Na entrevista individual dificuldades de mesma ordem podem, entretanto, ocorrer. O entrevistado pode relatar coisas sozinho que não relataria em grupo ou pode, por outro lado, não revelar coisas que revelaria em grupo, estimulado por opiniões semelhantes. Sendo
essas dificuldades inerentes ao instrumento, cabe ao pesquisador tentar perceber a ocorrência desses fatos e procurar contorná-los, a partir do modelo escolhido para cada ocasião (GATTI, 2005).
2.4.3.2 Elaboração da entrevista
Sendo uma etapa fundamental, a elaboração da entrevista requer grande atenção do pesquisador, para que ela atinja os resultados pretendidos. Segundo Cohen e Manion (1994), vários estágios são percorridos nesse processo. Inicalmente deve-se procurar refletir os propósitos da pesquisa em objetivos específicos detalhados e precisos, nomeando-se cada objetivo, que passa a constituir uma variável da pesquisa. Como em outros tipos de pesquisa, a falta de rigor nessa fase é responsável por muitos problemas por vezes insolúveis na etapa de análise posterior dos resultados.
Uma segunda etapa seria a elaboração das questões de forma que permitam ao pesquisador realmente obter as informações desejadas. Nesse momento, deve-se decidir qual o formato das questões a serem utilizadas: itens fixos, tipo sim-não, discordo-concordo; itens escalonados, que podem ir, por exemplo, desde concordo plenamente até discordo totalmente; ou questões abertas. Essa decisão é influenciada pelo tipo de pesquisa, se busca investigar fatos, opiniões ou atitudes do público respondente selecionado e do tipo de empatia que o pesquisador pretende criar com o entrevistado. As questões também podem ter diversos formatos. Podem ser diretas ou indiretas, esta última sendo mais apropriada a obter respostas francas, por permitir uma maior elaboração pelos respondentes. Na mesma linha, as questões podem ser gerais ou específicas. As perguntas gerais tendem a provocar uma reação mais relaxada nos respondentes, enquanto as específicas podem ter uma aparência mais invasiva, causando por vezes um posicionamento defensivo. Em qualquer dos tipos, deve-se considerar também que essas perguntas podem ser de dois tipos: sobre fatos ou solicitando opiniões. Nesse aspecto, vale refletir que mesmo perguntas factuais podem ter como resposta a opinião ou percepção do respondente sobre o fato em si (COHEN e MANION, 1994).
No presente trabalho, os principais tópicos constantes do questionário foram então categorizados e utilizados como base para a construção do roteiro da entrevista semi-estruturada,
onde se buscou perceber a extensão da importância dada pelos estudantes aos diferentes tópicos abordados no questionário.
2.4.3.3 Condução da entrevista
A entrevista é um método de geração de dados que, pode-se afirmar, ganha vida na relação entrevistador-entrevistado. Essa característica permite a abordagem de temas mais complexos, inclusive pessoais, cuja dificuldade de expressão pode ser superada por meio da relação face a face. No entanto, uma série de cuidados devem ser tomados para que esse instrumento não venha a ter seus resultados comprometidos. Entre esses cuidados encontra-se a preocupação do entrevistador em preparar-se, obtendo informações sobre a cultura do grupo ou instituição onde realizar-se-ão as entrevistas.
Em uma entrevista está implícita uma relação desigual de poder entre o entrevistador e o entrevistado (SZYMANSKI, 2008). Para contornar essa situação, que pode deixar o entrevistado em posição defensiva, inicialmente o entrevistador deve procurar ganhar, de forma honesta, a confiança do seu entrevistado. O respeito por ele deve ser absoluto. Para tanto, duas garantias devem ser, prima facie, dadas pelo entrevistador, garantias essas que de certa forma sobrepõe-se: sigilo e anonimato. Em nenhuma circunstância essa relação de confiança pode ser quebrada: assemelha-se à confissão para um padre ou à entrevista dada a um jornalista sob essa condição. É certo que o objetivo é obter um resultado e divulgá-lo, mas o anonimato das fontes deve ser preservado a todo custo. Essa etapa de aquecimento deve ser um momento de conhecimento e apresentação mútuas, e de uma primeira fala, de modo geral, do entrevistador sobre o tema da entrevista (SZYMANSKI, 2008; LUDKE e ANDRÉ, 1986).
Para que a entrevista transcorra bem e as informações desejadas sejam obtidas, a experiência do entrevistador é fato relevante. Nesse aspecto, entrevistadores novatos devem ter suas entrevistas iniciais monitoradas, realizando sempre que possível entrevistas piloto anteriores às entrevistas reais. Esses testes permitem não apenas ajustar o roteiro da entrevista, quando existente, mas também preparar o entrevistador para reações comuns dos futuros entrevistados. Vários aspectos dependem dessa experiência do entrevistador.
Um aspecto fundamental é procurar ser um ouvinte sensível. Isso faz-se demonstrando ao entrevistado que ele é realmente o único foco da atenção do entrevistador no momento da entrevista. Essa atenção, entretanto, deve ser cuidadosamente demonstrada de forma a não induzir o entrevistado a querer agradar ao pesquisador. É comum o entrevistado confundir a entrevista com alguma espécie de teste, ou tentar ser “politicamente correto”, fornecendo respostas que não refletem realmente a sua posição sobre o assunto. Assim, determinadas posturas ou sinais não verbais emitidos pelo entrevistador podem comprometer o resultado da entrevista.
Se os sinais não verbais emitidos pelo entrevistador podem comprometer a entrevista, os sinais não verbais emitidos pelo entrevistado podem também fornecer pistas preciosas sobre a validade da informação que está sendo fornecida em determinado momento. O entrevistador deve, ao perceber a ocorrência de inconsistência entre o falado e o demonstrado, procurar confirmar a resposta obtida retornando à questão. Por outro lado, esse problema da validação da entrevista é uma séria dificuldade. A experiência do entrevistador aqui conta muito, e a triangulação dos dados obtidos por esse método e por outro podem ser uma importante forma de validação (LUDKE e ANDRÉ, 1986).
2.4.3.4 Análise da entrevista
O processo de análise não se inicia após a entrevista, inicia-se durante a sua execução. A primeira decisão a ser tomada é sobre como será realizado o registro da entrevista. Pode-se usar dois métodos: as notas e gravação. No primeiro caso a condução da entrevista fica mais lenta, pois o processo é mais demorado. Entretanto, ao forçar o entrevistador a tomar notas seletivamente, esse procedimento já faz parte do processo de reflexão e análise. Outrossim, esse método poderá fazer com que considerações que na hora da entrevista não tenham sido percebidas como importantes percam-se, não sendo possível recuperá-las. A gravação, por sua vez, requer um trabalho de transcrição realizado o mais próximo possível da entrevista, retendo todas as informações para uma análise posterior. A partir da primeira transcrição, pode-se “arrumar” o texto, corrigindo imperfeições de fala e erros de português: tem-se então o texto de referência, que será utilizado na etapa de análise mais aprofundada. Um método misto, no qual a
gravação exista mas o entrevistador tome notas de idéias consideradas fundamentais talvez seja uma possibilidade interessante.
Na etapa de análise propriamente dita, realiza-se inicialmente a categorização das