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Innledning

In document «Det enkle er det beste» (sider 13-16)

Sobre as condições do trabalho que evidenciam o ambiente físico, os equipamentos, as ferramentas e o suporte organizacional, as queixas não são tão frequentes, sendo que os fatores referentes ao ambiente de trabalho foram considerados

até satisfatórios.

Segundo Martinez (2002, p. 57), trata-se de um conceito em que estão envolvidos “aspectos subjetivos relacionados a valores, sentimentos e expectativas, uma vez que satisfação no trabalho é um estado emocional que envolve um componente cognitivo e um emocional”.

Nesse sentido, o sofrimento decorre, sobretudo, da organização do trabalho por conta de regras formais e informais rígidas, repressoras que limitam a autonomia do

professor e não leva em consideração o sujeito, nas dimensões subjetivas e profissionais.

Contudo, as condições de trabalho parecem proporcionar certo conforto aos

professores, de forma geral, pois eles contam com instalações satisfatórias, ambientes limpos e arejados, suporte organizacional razoável, equipamentos modernos que, de certa forma, amenizam o trabalho prescrito na organização.

4.1.3.1 Condições de trabalho e suporte organizacionais razoáveis, sem grandes riscos com potencial para causar dano físico ao professor:

Profª Mary: “[...] na verdade, as condições de trabalho que são os ambientes físicos, as instalações e tudo, são suficientes pra gente. O problema mesmo está na organização do trabalho, em como comandam o nosso trabalho, as alçadas, exatamente as alçadas, assim: o coordenador que normalmente não resolve porque não tá na alçada dele resolver ou te dar algum retorno. É uma instância, que tem outra instância, que tem outra instância.”

Profª Katy: “[...] as condições do trabalho, em geral, a gente tem a disponibilidade de alguns recursos, assim como a estrutura física necessária é fornecida. Em compensação, tem uma exigência burocrática que realmente foge do que é exercer a profissão de professor. Todo professor gosta de preparar uma boa aula, de preparar aquele conteúdo, de ter o contato com os alunos, realizar as atividades extraclasse que envolva o conteúdo, objeto de estudo. Mas atividades burocráticas como ter que agendar o que você vai precisar no semestre pelo sistema é limitante, e em alguns momentos enfadonho porque, às vezes, no decorrer do período e conforme a turma e o ritmo, os recursos também podem mudar.”

Profª Any “[...] bom, quanto às condições do trabalho em si, no ambiente físico, eu julgo bom, muito bom por sinal ver a questão das salas arejadas, salas amplas, contudo superlotadas. A ideia do motivacional mesmo, que a gente tem que produzir muito, render muito, já que a instituição é privada. Os equipamentos, eles são bons porque são modernos, mas são insuficientes para o número de salas e de professores que a gente tem na Instituição.”

“[...] quanto ao suporte organizacional, em termos de técnico eu falo, eu só não estou de acordo com o suporte organizacional que eles dão ao professor aqui na I.E.S., em termos de dinâmica das semanas pedagógicas, que eu volto a falar naquela coisa do

administrativo, deveria ser proposto minicursos para aprender a utilizar o sistema conforme as exigências, já que esse acesso, na prática, não é igualitário”.

Prof. Phil: “[...] a estrutura física, ambiente físico, a instituição tem salas

climatizadas, algumas com mofo no fundo, algumas com ar condicionado não funcionando a contento, precisando ser reformadas, mas no geral são razoáveis”.

“(...) no começo de semestre parece que foi pintada no mesmo horário, ou algumas horas antes. Quando a gente solicita não tem outra sala, temos que ficar em sala com área totalmente de vidro, exposta. Tira a privacidade do professor e do aluno, fazendo com que ele se atente a outras coisas, interferências externas, deixando de prestar atenção em sala de aula embora não ocorra por toda a Instituição”.

“[...] também não tem Data Show pra todos os professores, um recurso que, às vezes, a gente precisa. No meu caso de Sistema de Informação eu necessito usar um Data Show e por isso tenho de ir para o laboratório, ao invés de trabalhar em sala de aula”.

Profª Alice: “[...] Eu, por exemplo, que tenho que projetar imagens para exibir determinados processos biológicos, sem o recurso, compromete toda a minha aula. Essa é uma questão que realmente dinamiza um pouco a aula, sendo recurso importante para ministrar esses assuntos, bem como para o entendimento da maioria dos alunos nos temas dessa natureza. Assim mesmo, eu agendando previamente no sistema o recurso, acontece de às vezes não tê-lo, e o meu trabalho fica todo comprometido, ou ainda, às vezes demora pra chegar o recurso em sala e, na prática, quando essas coisas acontecem os alunos adoram porque vão embora mais cedo, porque vão pro shopping, pro bar, enfim, e pra instituição o que importa é o ponto e não a qualidade da sua aula. Então, como fazer? Pra quê fazer? Por quê se você não é reconhecido? Pelo contrário, parece que é um professor que quer enrolar a aula, ou aparecer. E se isso é ambiente acadêmico, não é importante, então, ser um professor de excelência?”.

Profª Any: “[...] quanto às dificuldades encontradas, eu acho que tem uma geração de professores aqui na casa que não tem tanto domínio sobre as ferramentas que temos que utilizar. Nós já fomos educados para isso e está sendo cada vez mais cedo requisitado o manuseio de computadores, de recursos de multimídia. E, em geral, a gente inclusive já percebe isso na própria dinâmica de ensino, que é o ensino à distância, a gente vê o ambiente virtual muito arraigado dentro da nossa rotina. Agora, as exigências para que se faça isso é que eu discordo porque há dois grupos, um grupo que é apto e outro que não é, e na hora da cobrança é por um todo. Não só para alunos,

como também e, principalmente, para professores. O que se observa é que tem alguns professores que não conseguem se desenvolver dentro dessa exigência, seja porque não se adaptam, seja porque não recebem o devido treinamento. Todavia, precisam do emprego e se submetem. Então se viram, por exemplo, pagando a uma secretária por esse serviço”.

Profª. May: “[...] isso mesmo, com certeza, concordo com a professora. Aqui

parece que temos três mundos distintos em cada Complexo. O mais distante do centro da cidade é o que tem menos estrutura, até rampa falta no C. São mais e melhores os equipamentos e suporte no A que nos outros Complexos. Além de que exigem as questões administrativas e digitais de nós, mas não nos qualificam, aí fica um professor ensinando o outro, outras vezes são as meninas da sala dos professores, ou você paga alguém fora pra fazer, senão chega o prazo e você é punido, além dos equipamentos que querem que a gente use como incremento nas aulas, mas que sequer pensaram em orientar como vamos utilizar. E há ainda o ponto negativo de tirar certas disciplinas que são presenciais, jogar para o ensino a distância, com a mistura de cursos tamanha que a disciplina perde sua essência”.

Na percepção do grupo, as condições do trabalho, de modo geral, atendem às necessidades mínimas de forma razoável, não possuindo riscos com potencial para causar danos físicos ao professor. Contudo, quanto ao suporte organizacional, este prejudica o emocional do professor devido ao modelo de gestão instituído na empresa.

Embora haja equipamentos modernos, a quantidade existente não supre a real necessidade dos professores uma vez que não há equipamentos necessários em cada sala de aula ou laboratórios suficientes para atender a demanda a contento. Há ainda a questão burocrática para a utilização dos equipamentos, causando transtornos e estresse, resultando em desistência da utilização dos mesmos e fazendo com que o professor se desgaste mais fisicamente e, consequentemente, afetando seu bem estar. Entretanto, essa realidade aplica-se mais aos cursos da área da saúde, informática e engenharias.

Os sujeitos pesquisados afirmam que apesar de as condições de trabalho serem razoáveis, deveria existir um melhor gerenciamento desse suporte, pois na realidade há uma divisão política dos cargos e não há compromisso da alta gestão com a Instituição, principalmente no que se refere ao setor acadêmico. A realidade que se apresenta demonstra uma subdivisão entre os Complexos e entre os cursos, deixando evidente distintas formas de atendimento.

Esse tipo de gestão aguça a competitividade entre os pares e até mesmo entre os alunos, uma vez que os coordenadores têm pouca gerência sobre os cursos que estão administrando e a alta gestão, além de não promover a interação entre cursos e setores, acarreta obstáculos nos procedimentos, como na aquisição de equipamentos e suprimentos, suporte para a realização de eventos acadêmicos, dentre outros.

Nesse sentido, percebe-se uma hierarquia fortemente verticalizada onde a utilização da coação e sobrecarga do trabalho docente representam empecilho para que os trabalhadores manifestem o seu descontentamento com a organização do trabalho. Toda essa lógica organizacional, segundo os professores, interfere na qualidade da saúde e do trabalho realizado.

Assim, tanto os fatores ambientais quanto as exigências físicas e mentais são destacados como geradores de estresse no trabalho embora, por outro lado, esses mesmos fatores, dependendo da forma como são administrados pela organização do trabalho, possam gerar situações e vivências de prazer e satisfação.

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