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Kostnadsprognose

In document Verdsettelse av Atlantic Sapphire (sider 79-83)

As atividades propostas às sócias do Grupo de fabricação de sabão caseiro foram desenvolvidas junto às mesmas durante 7 das 10 visitas realizadas, o que ocorreu nos dias 6 de janeiro de 2011, 16 de março de 2011, 11 de agosto de 2011, 12 de agosto de 2011, 7 de outubro de 2011, 23 de novembro de 2011 e 5 de janeiro de

2012. Quanto ao tempo total de aplicação, é difícil descrevê-lo com exatidão, pois as atividades ocorreram junto a outras situações e não podem ser desvinculadas destas, tais como discussões, compreensão do funcionamento e histórico do Grupo e cotidiano das sócias, entre outras.

Um fato que destacamos é que, durante o desenvolvimento das atividades acima descritas junto às integrantes do Grupo - às quais acreditamos constituírem-se como necessidades dos sujeitos de pesquisa no cotidiano deste EES no que se refere à utilização das “Matemáticas” no trabalho - tomou-se o cuidado de deixar cada sócia à vontade para utilizar, no momento em que julgasse relevante, seus conhecimentos prévios, especialmente seus saberes matemáticos, na tentativa de solucionar cada uma das atividades propostas; pois compreendemos que cada indivíduo é como um “todo integral e integrado e [...] suas práticas cognitivas e organizativas não são desvinculadas do contexto histórico no qual o processo se dá, contexto esse em permanente evolução” (D’AMBROSIO, 1999, p. 90).

Em meio ao desenvolvimento destas atividades junto às sócias, foi possível perceber que o saber fazer matemático de cada sócia encontra-se constantemente presente em meio às atividades acima propostas, as quais dizem respeito ao cotidiano deste EES. Como elementos da Etnomatemática desse grupo se pode evidenciar o ARREDONDAMENTO e ESTIMATIVA de valores, principalmente ao operarem com dinheiro, a ORALIDADE durante todo o processo, a EXPERIÊNCIA proveniente de suas experiências de vida e visões de mundo, o TRABALHO COLABORATIVO que permeia todo o processo e tem papel de destaque e o CÁLCULO MENTAL, especialmente pelas sócias [M] e [E].

No que se refere ao cálculo mental, durante as observações participantes e conversas informais com as sócias, foi possível notar a constante presença dele em suas atividades diárias, seja durante: a venda do sabão caseiro, a confecção do produto, a retirada do excedente, a aquisição de matéria prima etc. Algo que nos chamou a atenção foi a facilidade que as sócias [M] e [E] possuem para realizar tais cálculos e, por esse motivo, buscamos compreender como estes cálculos são pensados por estas sócias.

No cotidiano do Grupo, as sócias relataram que sempre vão frequentemente ao mercado próximo à sede do Grupo para comprar algumas coisas, principalmente café e pão para o ‘café da tarde’, e sempre levam a quantidade de dinheiro exata para pagar pelos produtos. Nesse contexto, através de conversa informal, estabeleceram-se preços fictícios para os produtos, a fim de compreender a maneira como o cálculo mental é pensado por cada sócia; como segue.

Primeiramente, solicitou-se à sócia [E] que ela somasse 5,10 + 3,90 e ela o fez da seguinte maneira:

Cinco e dez... mais três e noventa... são nove reais! [...] Eu somei cinco e dez, cinco reais mais dez centavos... aí com mais três e noventa... então são, seis reais... cinco e dez com mais noventa são seis, seis... são oito, nove reais. Eu somo, mas devagarzinho. [E]

E completou a explicação dizendo:

Eu faço pela cabeça [...] eu somo assim [...] nem eu num sei, eu somo o maior (primeiro)... a conta maior, por exemplo, o dez; depois vem o noventa centavos [...] sempre o maior [...]. [E]

Ao realizar a adição 37+19 +14, a sócia [E] afirmou:

Eu somo, mas devagar... se fosse vinte daria... cinqüenta e sete, daria cinqüenta e sete... como não é vinte, dá cinqüenta e seis. Do meu jeito eu somo! Cinquenta e seis com mais catorze... aí são... cinqüenta e seis, sessenta e seis, com mais quatro... cinqüenta e seis... cinqüenta e sete, cinqüenta e oito, cinqüenta e nove, sessenta... setenta!

Através destes relatos de [E] pudemos notar que esta sócia tem como suas principais estratégias sempre iniciar a operação pelo maior valor, pois ela afirmou que é mais fácil para continuar contando e, quando possível, ela arredonda o valor a fim de facilitar ainda mais os cálculos a serem realizados.

Solicitou-se também que a sócia [M] somasse 57+14 e ela o fez da seguinte maneira:

Eu somo o cinqüenta, depois eu ponho os catorze, dá sessenta e quatro, né? Sessenta e quatro... e depois eu ponho o sete, vai dar setenta e um! [...] (eu somo) o maior e depois o menor.

A estratégia da sócia [M] é um pouco diferente da estratégia da sócia [E], porém esta afirmou que também sempre inicia as operações pelo maior valor para facilitar os cálculos, mas ela realiza a soma das dezenas primeiramente e depois soma as unidades; o mesmo acontece quando esta precisa operar com dinheiro, ela opera com as dezenas, as unidades e depois com os decimais.

A partir dessas situações, foi possível notar também que as sócias utilizam-se geralmente apenas de operações de adição. A multiplicação é realizada como soma de valores iguais, e quando este valor é muito alto as sócias o fazem por meio de agrupamentos de 10. Já a subtração é realizada pela ação de completar, ou seja, as sócias vão adicionando ao menor valor até que ele se iguale com o maior. E a divisão elas pouco usam, e quando o fazem, pegam o valor e vão distribuindo entre as partes (retiradas de dinheiro).

A sócia [G] não possui familiaridade com o cálculo mental, ela prefere realizar os cálculos com auxílio do algoritmo e papel e caneta. Entretanto, as sócias [M] e [E] não possuem familiaridade quando precisam realizar anotações, por isso nota-se um trabalho colaborativo entre as integrantes deste EES, [G] domina a escrita e faz as anotações e [M] e [E] os cálculos.

O trabalho colaborativo é de grande importância para o Grupo de fabricação de sabão caseiro e boa parte das atividades pode ser realizada desta forma, porém, nós entendemos que, mesmo que o trabalho colaborativo permeie o cotidiano do Grupo, é preciso que todas as sócias saibam realizar as tarefas, para o caso de haver necessidade como, por exemplo, quando alguma delas não estiver presente na sede do grupo.

Nas palavras das próprias sócias, a calculadora é um instrumento que pode auxiliá-las no que se refere à necessidade de efetuar cálculos rapidamente e de forma precisa e, consequentemente, colabora na busca pela autogestão do Grupo.

Como coloca D’Ambrosio (2001), apesar de o conhecimento ser gerado de forma individual a partir das informações recebidas da realidade, é no encontro com o outro - através da comunicação - que estas são enriquecidas pelas informações captadas pelo

outro; o que faz com que conhecimentos sejam compartilhados pelo Grupo, caracterizando elementos de sua cultura.

Tais fatos nos permitiram concluir que as sócias, apesar de estarem inseridas em um mesmo grupo cultural específico, possuem conhecimentos matemáticos próprios, que diferem uns dos outros. Estes saberes fazeres matemáticos, aliados à prática da cooperação entre as sócias, se constituem como elementos da Etnomatemática deste Grupo e, devem auxiliar na prática da autogestão por este EES.

Assim, em um local informal e por meio de processos interativos intencionais entre pesquisadora e sócias, objetivou-se neste capítulo combinar o saber técnico científico com o saber popular, isto é, o saber formal, acadêmico e o saber presente no cotidiano do Grupo, de modo a facilitar o trabalho diário desempenhado pelas integrantes do mesmo na busca de sua autogestão.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Faz-se necessário considerar que este trabalho, por mais abrangente que possa parecer, foi desenvolvido por um período de tempo determinado e, por este motivo, deve ser entendido como um recorte da realidade na qual estão inseridos os sujeitos de pesquisa; não havendo possibilidade de abranger todo o cotidiano do grupo. Inclusive, trata-se do estudo de um grupo específico e de caráter qualitativo, o que não nos permite fazer generalizações estatísticas (ALVES, 1991). Portanto, as reflexões aqui tecidas não tiveram a pretensão de apresentar uma conclusão definitiva, pois esta não seria condizente com o enfoque dado a este estudo.

Ao retomarmos a questão de pesquisa - “Que saberes matemáticos estão presentes no Grupo de Fabricação de Sabão Caseiro e como ações pedagógicas em matemática poderiam ser desenvolvidas de modo a favorecer a autogestão deste grupo?” - é necessário que a pensemos em dois momentos, primeiramente tentamos (i) identificar os saberes matemáticos presentes no Grupo de fabricação de sabão caseiro e as dificuldades encontradas pelas integrantes deste grupo no trato com o conhecimento matemático e a partir daí, tentamos (ii) traçar ações pedagógicas visando sanar algumas dessas dificuldades, na direção de favorecer a autogestão do grupo.

Para que se tornasse possível o reconhecimento do conhecimento matemático construído em culturas diferenciadas, como é o caso do Grupo de fabricação de sabão caseiro, corroboramos com Costa (1998), que enfatiza a importância de considerarmos, como parte da história da matemática, a história das práticas e dos conhecimentos matemáticos únicos, particulares, existentes nas diferentes culturas.

Ao buscarmos pela autogestão do Grupo de fabricação de sabão caseiro, especialmente no que se refere à matemática, buscamos também que ocorresse o aprendizado, preparando as sócias para o exercício de uma cidadania crítica, para a vida em sociedade e para o desenvolvimento de sua criatividade, o que nos permite apontar para a relação natural entre Educação Matemática e Etnomatemática (D’AMBROSIO, 2008) presentes neste estudo.

Nós compreendemos que, caso as sócias do Grupo fossem capazes de exercer esta cidadania crítica, viverem em sociedade e desenvolverem sua criatividade, elas teriam chances maiores de tomar as melhores decisões, ou seja, quanto mais o

cooperado tiver conhecimento de tudo o que se passa no interior do empreendimento, melhores serão seus instrumentos e poder de decisão, alcançando a autogestão do Grupo.

Por meio deste estudo, no contexto da Educação Matemática, tivemos a finalidade de auxiliar as sócias do Grupo de fabricação de sabão caseiro a alcançar através desta educação o seu desenvolvimento pleno, isto é, deve-se alcançar uma melhor qualidade de vida e uma maior dignidade como um todo (D’AMBROSIO, 1996), o que acreditamos ser possível também através da prática da autogestão, a qual se dá no contexto da Economia Solidária. Para tanto, como educadores matemáticos, buscamos colocar a matemática a serviço da educação, sem dicotomizá-las (FIORENTINI; LORENZATO, 2006).

No que se refere à constituição se do Grupo de fabricação de sabão caseiro, notou-se, como colocado pelas próprias integrantes do mesmo, que este possui estreita relação com a questão da geração de renda; o que coloca em evidência o papel da Economia Solidária como uma política pública direcionada para trabalhadores que foram excluídos pela sociedade do capital.

O Grupo de fabricação de sabão caseiro é composto por trabalhadoras de idade avançada se comparadas aos padrões aceitos pelo mercado de trabalho brasileiro, além de possuírem baixa qualificação profissional, baixo grau de escolaridade, com dificuldades de inserção no mercado de trabalho e serem moradoras de um bairro onde a população encontra-se à margem da sociedade. Diante de tais fatos, este grupo constitui-se como um EES – acompanhado pela Igreja São Judas e pela ITCP/GFSC - que surge num contexto de populações sob ameaça às condições de sobrevivência, e que teve por finalidade busca de alternativas para que ocorra a inclusão social desta população.

Com fundamentos na Etnomatemática, na busca de sua sobrevivência e transcendência o indivíduo realiza ações, ou seja, é durante esta busca que os indivíduos utilizam a matemática, com aporte na Economia Solidária.

Entretanto, a constituição do Grupo de fabricação de sabão caseiro como um EES não tem apenas a finalidade de gerar trabalho e renda. É evidente que desde o momento da criação do empreendimento até os dias atuais, ao promover a inclusão

social e a participação de cada uma das sócias nas decisões que se fazem necessárias no interior do EES do qual fazem parte, as sócias sentem grande satisfação em fazer parte do grupo, atribuindo a ele um lugar de destaque em suas vidas; pela amizade, pelo convívio, por terem uma fonte de renda, por sentirem que estão colaborando com o meio ambiente ao arrecadar o óleo que seria descartado no mesmo e pelo aprendizado, isto é, pelo fato destas pessoas sentirem que ocupam um lugar de destaque no Grupo, fato que evidencia a elevação da autoestima e a presença da cooperação entre as sócias.

Outro fato que deve ser ressaltado é que, por mais complexa e difícil a situação vivida atualmente pelo Grupo de fabricação de sabão caseiro enquanto EES, sem a garantia de todos os direitos aos quais devem ter; esta situação apresenta-se como positiva se comparada às situações anteriores vividas por estas trabalhadoras.

No que se refere ao quesito participação e autonomia junto ao Grupo do qual fazem parte, foi possível perceber que há liderança por parte da sócia [G], fato este que parece ter relação com todo o seu histórico junto à comunidade local; seja tomando frente de iniciativas junto aos moradores de bairros carentes para a criação do Grupo, buscando auxílio na Igreja São Judas e na ITCP/GFSC para a sua criação, ensinando as demais sócias a confeccionar o produto, conscientizando a população do descarte do óleo de cozinha usado no meio ambiente, entre outras situações. Além disso, a sócia [G] é a que possui maior familiaridade com atividades de gerenciamento de negócios, pois ela já foi proprietária de um pequeno negócio no passado. Um fator que contribui ainda mais a manutenção desta liderança de [G] é que, a sócia [E], devido ao seu problema de audição, prefere não participar de certas atividades que dizem respeito ao grupo, especialmente àquelas que envolvem anotações e organização de informações. Diante desta situação, nota-se que as relações que se estabelecem no interior deste empreendimento se estabelecem não pelo consensual, mas sim pelo respeito às diferenças.

Em meio a estes acontecimentos, os quais contribuem para os avanços e retrocessos deste enquanto EES, podemos evidenciar como elementos da Etnomatemática desse grupo: o arredondamento e estimativa de valores, principalmente ao operarem com dinheiro; a oralidade durante todo o processo; a

experiência proveniente de suas experiências de vida e visões de mundo; o trabalho colaborativo que permeia todo o processo e tem papel de destaque e o cálculo mental, especialmente pelas sócias [M] e [E]; o que nos permitiu perceber a impossibilidade de não vincular a Educação Matemática às condições sócio-econômicas vividas por este EES.

Os saberes matemáticos das sócias, regidos pela diversidade cultural intrínseca a este Grupo, apontam para uma “matemática vista como expressão de uma cultura” (CARVALHO, 1991). Neste caso, as sócias utilizam-se de diversos conhecimentos matemáticos - unidades de medida, organização de dados, aproximação e arredondamentos de valores, tentativa e erro, proporcionalidade – sendo estes saberes orientados, motivados e induzidos pelo meio, refletindo os conhecimentos matemáticos prévios das mesmas. Neste caso, percebemos a Etnomatemática, que traz à tona “a matemática como uma prática natural e espontânea” (D’AMBROSIO, 1990, p.31).

Contudo, a partir do acompanhamento realizado junto a este grupo foi possível perceber que, apesar da sócia [G] ocupar ainda uma posição de liderança, sendo isso algo intrínseco ao funcionamento deste EES desde a sua origem, as demais sócias possuem habilidades que podem facilitar muito as atividades a serem desempenhadas no cotidiano do grupo, como é o caso do cálculo mental, – que a sócia [G] não domina tanto – o que caracteriza o trabalho colaborativo e a cooperação entre seus membros.

Como limitação das sócias do Grupo de fabricação de sabão caseiro, no que se refere ao emprego de conhecimentos matemáticos em seu cotidiano, nota-se algumas dificuldades diante de situações que surgem de maneira espontânea no cotidiano, as quais foram trabalhadas juntamente com as sócias através de situações problema, de forma a buscar também um equilíbrio maior na distribuição das atividades exercidas por cada sócia desse EES, isto é, de forma que possam saber realizar tudo, mesmo que não o façam diariamente, apontando, assim, para a necessidade de um redirecionamento da dinâmica de trabalho.

Apesar disso, as tomadas de decisões pelas sócias ocorrem sempre em conjunto, durante as assembleias, que se dão na sede do Grupo, quando necessário e não necessitam de agendamento prévio, uma vez que este EES possui um número pequeno de associadas.

Apesar das dificuldades diárias enfrentadas pelo Grupo, podemos considerar que esta experiência obteve sucesso, não no sentido de ausência total de dificuldades, mas entendemos que as conquistas, se comparadas às derrotas e dificuldades encontradas, garantem êxito a este Grupo. Este sucesso ao qual nos referimos está associado, sobretudo, aos “sacrifícios feitos pelos cooperadores, que se dispõem a trabalhar durante meses por ganhos mínimos, algumas vezes apenas em troca de cestas básicas” (SINGER, 2002b), com a finalidade de manter o EES do qual fazem parte.

Através da realização deste trabalho no contexto da Economia Solidária e da Etnomatemática, passamos a enxergar o homem como fruto de sua cultura, a qual é compartilhada pelo Grupo e torna possível a (re) construção constante da matemática, a qual alimenta o saber e fazer matemático que vai se construindo diariamente, no cotidiano deste EES, ou seja, há um propósito firme de se constituírem como um EES.

Ao propormos que fossem trabalhadas algumas atividades junto às sócias, trabalhamos com situações de seus cotidianos junto ao ESS da qual fazem parte de maneira a contribuir com conhecimentos para auxiliá-las na conquista da autogestão desse EES, especialmente em se tratando da matemática que usam ou precisam diariamente.

O êxito do Grupo de fabricação de sabão caseiro também está associado à adoção de tecnologias pelas sócias, - algumas delas por meio da AST - as quais encontram-se presentes em todo o cotidiano do empreendimento como uma alternativa que facilita o trabalho desempenhado, além de auxiliarem na elevação da autoestima das sócias.

Os principais produtos por nós compreendidos como aplicação de TS pelas sócias são: o RALADOR DE COZINHA, o qual foi substituído pela MÁQUINA DE RALAR QUEIJO para ralar o sabão e produzir o sabão em pó; o FIO DE NYLON para cortar o sabão em barra; a CAIXA DE LEITE LONGA VIDA para armazenar e moldar o sabão caseiro, além de estabelecer a ‘unidade de medida’ para o sabão em pó e a ‘CHAPINHA’ para moldar os pedaços de sabão em barra. Além disso, as integrantes do Grupo receberam uma espécie de batedeira, que serve como MÁQUINA DE BATER SABÃO, mas esta ainda encontra-se em fase de teste, uma vez que o sabão ainda não está atingindo o ‘ponto ideal’.

Além do emprego da TS no cotidiano do Grupo, as sócias também fazem uso de algumas TC, como é o caso da BALANÇA DE PRECISÃO para confeccionar os pacotes de sabão em pó, do FOGÃO INDUSTRIAL de duas bocas para derreter a banha usada na confecção do sabão e do VENTILADOR.

A adoção desta atividade e constituição deste Grupo como um EES proporcionou a melhoria das condições de vida das sócias, além de haver uma preocupação com o meio ambiente e a comunidade, sobretudo durante o processo de arrecadação do óleo e comercialização do produto.

Durante o desenvolvimento deste trabalho junto ao Grupo, percebemos que a Etnomatemática está presente em seu dia a dia de trabalho, enfatizando que o cotidiano do Grupo encontra-se impregnado de saberes e fazeres próprios da cultura (D’AMBROSIO, 2001).

A fim de exemplificar tal afirmação, podemos retomar as situações vivenciadas, como a presença do trabalho colaborativo entre as componentes do EES, o qual é de extrema importância para o Grupo, evidenciando que os saberes e fazeres culturais específicos de cada sócia estão presentes na maioria das atividades cotidianas deste. Tais fatos nos permitem concluir que é nas práticas cotidianas deste EES que circulam diferentes saberes e fazeres.

Alem disso, corroboramos com o posto por D’Ambrosio (2001), que coloca que mesmo o conhecimento sendo gerado de forma individual a partir das informações recebidas da realidade, é no encontro com o outro - através da comunicação - que estas são enriquecidas pelas informações captadas pelo outro; o que faz com que conhecimentos sejam compartilhados pelo Grupo, caracterizando elementos de sua cultura.

Tais fatos nos permitiram concluir que as sócias, apesar de estarem inseridas em um mesmo grupo cultural específico, possuem conhecimentos matemáticos próprios, que diferem uns dos outros por serem provenientes de suas visões de mundo. Estes

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