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KONKLUSJON

In document PRISRETTFERDIGHET OG KJØPSINTENSJON (sider 50-64)

A avaliação pode ser feita de diversas formas, e em nossa cultura o meio mais utilizado é a prova, que pode ser escrita, oral ou de múltipla escolha. A prova é necessária para que se identifique os erros e acertos que estão sendo cometidos e para avaliar se os objetivos e metas estão sendo alcançados. Entretanto, a forma com que é realizada nem sempre permite a efetiva percepção da aprendizagem, pois geralmente o professor pede ao aluno exatamente aquilo que foi dado em sala de aula e se espera que o aluno tenha aprendido como se fosse um acumulador de informações. O professor pergunta, mas já tem em sua cabeça a resposta que considera correta.

Vasco Pedro Moretto afirma:

Nessa visão de ensino, o aprender tem sido visto como gravar informações transcritas para um caderno (cultura cadernal) para devolvê-la da forma mais fiel possível ao professor na hora da prova200.

As provas das linhas tradicional têm as seguintes características: a) explorar de forma exagerada a memorização, ou seja, visa apenas verificar o acúmulo de informações que o aluno é capaz de reter, sem se preocupar com o que foi realmente compreendido, é por essa razão que a maioria das pessoas não se lembra do que “aprenderam” nos anos anteriores, pois foi somente uma memorização de conteúdos sem significados;

b) falta de parâmetros para a correção, deixando grande arbitrariedade em poder do professor, ou seja, só é correto aquilo que o professor espera que o aluno responda;

c) utilização de palavras de comando sem precisão de sentido no contexto, por exemplo: comente, discorra, dê sua opinião, o que você sabe sobre e como você justifica. Todos esses comandos fazem com que qualquer resposta que o aluno dê esteja correta, pois parte de pontos de vista internos. Para maior precisão é necessário que o professor estabeleça a linha da resposta que espera, como exemplifica o trecho abaixo:

No estudo que fizemos sobre filosofia da educação, afirmamos que, para haver o desenvolvimento do indivíduo para a cidadania, é preciso que ele conheça seu contexto social. Além disso, que ele tenha um profundo conhecimento de si mesmo. Nos debates que fizemos em aula, citamos uma frase atribuída a Sócrates: conhece-te a ti mesmo. Partindo da frase e das discussões feitas em aula sobre o assunto, explique o significado da frase no contexto da filosofia da educação 201.

Assim, o aluno sabe o que se espera dele e que a resposta será analisada dentro de um contexto específico: a filosofia da educação. Sobre esse aspecto destaca Silvia Mamede:

De uma forma genérica, pode-se afirmar que deve existir uma relação quase linear e direta entre os objetivos de aprendizagem, métodos instrucionais e métodos de avaliação dos estudantes. Se um sistema de avaliação de estudantes não se porta de modo congruente com os objetivos de aprendizagem, os resultados dessa avaliação podem ser contraditórios e ambíguos 202.

A avaliação no PBL para que seja eficaz deve estar em conformidade com a filosofia do novo método, com seus processos inovadores. A avaliação não pode ser um mero acerto de contas do professor com o aluno, deve ser feita com o propósito de melhorar a aprendizagem do educando. Ela deverá prover informações os objetivos alcançados e se os alunos estão tendo progresso.

201 MORETTO,Vasco Pedro. Op. Cit p. 107. 202 MAMEDE, Silvia. Op. Cit., p. 185

Através das informações obtidas será possível observar a forma pela qual ocorre o ensino, o ritmo das atividades, a relevância do conteúdo e o nível dos alunos. A instituição deve analisar também se o tutor está conduzindo os grupos tutoriais da forma adequada.

Não pode haver uma única forma de avaliação, é preciso que todos os estudantes tenham a oportunidade de demonstrar seu empenho no aprendizado, por isso convém que o aluno não seja avaliado em apenas um dia determinado. No PBL é necessário que a avaliação seja constante, ou seja, sempre se deve atentar ao progresso do aluno desde o primeiro dia de aula, sua participação nas discussões em sala, material que traz para complementar os assuntos, e não apenas o que ele escreve em um único dia pré estipulado, o dia da prova.

Todos os participantes do processo educacional devem estar conscientes do modo pelo qual se realiza a avaliação, que deve ser feita com ética, a fim de demonstrar, de forma confiável, o desempenho do aluno sem seja retirada sua individualidade, pois o aprendizado não é igual para todos.

Ao tratar das disposições básicas para a educação, a LDB traz a seguinte previsão no art 24, V:

Art. 24... V - A verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:

a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais.

Discorrendo sobre o ensino contínuo afirma Sonia Maria Nogueira Balzano:

Um processo contínuo pressupõe acompanhamento e controle constante da aprendizagem, de modo a prevenir as dificuldades, agindo de imediato sobre elas, por meio de recursos pedagógicos adequados, capazes de identificar suas causas e de enfrentá-las. Sobre o sentido dinâmico ou contínuo da avaliação, Lucese afirma que ‘não existe avaliação sem ação, a não ser por exercício de nominalismo: avaliar é ver, julgar e agir, num ciclo ininterrupto203.

É exatamente nos termos da lei e da Constituição que o PBL atua. Ele tem um processo de avaliação contínuo em que o docente está avaliando a evolução do aluno, e sempre que uma falha for detectada pode ser prontamente corrigida. Como o sistema fundamenta-se na auto-aprendizagem permite-se que o aluno aprimore suas deficiências ao focar o estudo nas áreas que possui mais dificuldades.

Uma avaliação eficiente precisa ser abrangente, ou seja, ter variedade de procedimentos:

Testes de múltipla escolha e de respostas curtas são úteis para a mensuração da compreensão e aplicação do conhecimento aprendido, mas ensaios e outros projetos escritos são necessários para avaliar a habilidade de organizar e expressar idéias. Assim, uma imagem completa do que foi aprendido pelo aluno requer o uso de diferentes procedimentos de avaliação204.

Com base nos ensinamentos de Silvia Mamede205, descrevemos a

seguir os três tipos de avaliação mais abordados pela literatura

1) Avaliação de situação: pretende avaliar quais são os conhecimentos que o estudante possui ao iniciar o curso, com a finalidade de

203 Do direito ao ensino de qualidade ao direito de aprender com qualidade – o desafio da nova

década. In: LIBERATI, Wilson Donizeti. Direito à educação: uma questão de justiça. São Paulo:

2004. p. 154.

204 BORDENAVE, Juan Díaz. Op. Cit. p. 269. 205 Op. Cit. p. 190-192.

observar se ele será capaz de atingir aos objetivos de aprendizagem, conforme relata a autora:

O uso de pré-testes sobre os objetivos do curso, técnicas observacionais, entre outros, podem auxiliar na determinação – não só para o curso atual, mas inclusive para as futuras turmas – da posição do estudante na seqüência e no modo instrucionais mais benéficos.

2) Avaliação formativa: monitora o processo de aprendizagem durante a instrução. Deve ser feita por módulos e preparada em conformidade com cada um deles.

Devido ao fato de que a avaliação formativa é direcionada para a melhoria ensino-aprendizagem, os resultados tipicamente não são utilizados para a obtenção de notas para o curso. Entretanto, quando se verifica que o estudante possui reiterados problemas de aprendizagem, deve ser feita uma avaliação diagnóstica para verificar se a dificuldade é do aluno com o método educacional, ou se ele tem problemas de ordem comportamental, psicológica, cognitiva ou mesmo problema físico.

3) Avaliação somativa ou certificativa: verifica se foram atingidos os objetivos ao final da instrução. Tem como principal objetivo a avaliação dos estudantes para a verificação de seu aprendizado e para obtenção de notas.

No PBL não se usa a prova como meio de teste porque isso limita as habilidades dos alunos nas resoluções dos problemas que é de grande importância metodológica.. Para a citada autora, os mecanismos de avaliação tradicionais, como os testes de múltipla escolha, são considerados inapropriados, uma vez que podem desencorajar os estudantes a autodeterminar o conteúdo de sua aprendizagem e estudar com foco no teste206.

Os métodos de avaliação orientados por processo estruturam suas estratégias avaliativas nas habilidades de comunicação dos

participantes nas sessões tutoriais, na aceitação da

responsabilidade para a aprendizagem, no processo de aprender a aprender, na seleção e uso apropriado de recursos de aprendizagem e no desenvolvimento de habilidades de resolução de problemas207.

A avaliação deve englobar um todo: participação, desempenho, interesse e apreensão do conteúdo. O aluno está em constante avaliação e a vantagem é que o professor pode ir notando as falhas e corrigindo-as durante o processo de aprendizagem

Objetivando um caráter elucidativo, descrevemos na seqüência o método de avaliação da UEL (Universidade Estadual de Londrina) 208, que tem

quatro tipos de avaliação: modular, progressiva, de habilidades e informal:

a) Avaliação modular: ocorre ao fim de cada módulo temático. Refere-se ao conteúdo desses módulos e tem por finalidade principal avaliar a qualidade do módulo. Um módulo temático deve conduzir os alunos a determinados objetivos de conhecimento. O núcleo central do módulo temático são os problemas desenvolvidos para a abordagem dos temas. Um bom problema deve ensejar uma boa discussão no grupo tutorial, de modo que, ao final da discussão, os alunos elejam objetivos de aprendizado adequados ao conhecimento do tema em estudo.

b) Avaliação progressiva: ocorre a intervalos regulares. Tem por finalidade avaliar a progressão dos conhecimentos do aluno. Um dos modelos de avaliação progressiva é a aplicação de uma prova comum a todos os alunos do

207 Idem, ibdem.

curso, independentemente de sua série, com um número fixo de questões que versem sobre toda a medicina. Um bom parâmetro para determinar a profundidade dessas questões e o balanceamento das disciplinas na prova é o perfil determinado pelo currículo e as exigências legais vigentes no país para a graduação. Em um currículo PBL é fundamental que o aluno receba retroalimentação quanto ao seu desempenho nessas avaliações, assim como ao desempenho relativo de seus parceiros de série. Sua colocação entre esses parceiros permitirá a ele avaliar com propriedade se seu estudo está adequado ou inadequado, bem como quais áreas de conhecimento ele precisa melhorar.

c) Avaliação de habilidades: constitui-se da observação metódica do desempenho do aluno na realização das habilidades esperadas para sua série. Um método (OSCE - Objective Structured Clinical Examination) é a gincana entre situações preparadas para o desempenho destas habilidades. Para cada situação há uma banca que dispõe de um fluxograma de desempenho preparado para aquela situação específica. Essa avaliação geralmente requer um grande esforço do corpo docente, razão pela qual é feita com menos freqüência do que a avaliação progressiva ou a avaliação dos módulos temáticos.

d) Avaliação informal: além das três avaliações descritas, há ainda a avaliação informal permanente feita pelos tutores e pelos monitores nos grupos tutoriais e nas práticas. Esta avaliação tem por objetivo verificar o interesse, a conduta e a responsabilidade. Também há uma avaliação permanente do curso que é desenvolvida pelos alunos por meio de suas representações nos colegiados diretivos da escola e na Comissão de Currículo.

Na Faculdade de Medicina de Marília a avaliação ocorre já no inicio das tutorias. Ao final de cada tutoria ocorre uma auto-avaliação, na fala inicial, e posteriormente o membro do grupo levanta dados positivos ou negativos, de forma individual, a cada membro do grupo tutorial, inclusive o tutor.

Ao final do módulo, por escrito e em impresso adequado, o tutor irá classificar individualmente cada discente. Os conceitos serão: suficiente ou

insuficiente, que indica a reprovação do aluno. Essa avaliação feita pelo docente será conhecida pelo aluno, que verificará todos os argumentos positivos ou negativos a ele referidos. Os discente também avaliam o tutor em relação aos mesmos critérios, e seus formulários escritos também conterão os aspectos positivos ou negativos do docente, bem como se ele foi suficiente ou insuficiente ao grupo tutorial.

As provas escritas e as teóricas realizadas ao final de cada módulo não são formuladas e nem aplicadas pelos tutores, mas sim por um grupo denominado de “grupo de avaliação”. Os discentes realizarão as provas escritas ou práticas com a avaliação final de “suficiente” ou “insuficiente”. O discente será considerado suficiente se responder de forma adequada a todas as questões formuladas. Caso seja insuficiente, o discente será submetido a nova prova, que versará apenas sobre os temas em que demonstrou insuficiência. Exemplo: se um aluno do módulo de direito constitucional não se qualificar no tema de controle de constitucionalidade, ele será reexaminado somente sobre quanto a esse assunto.

Diante disso, depreende-se que o aluno não pode ser considerado “meio” qualificado para determinada área do conhecimento, tal como ocorre nas universidades e escolas que possuem média final 5,0 (cinco), ou média 7,0 (sete) para não fazer exame. O ser humano deve dominar a área do conhecimento que será objeto de sua atuação profissional. Não formamos “semi-profissionais”, mas também não formamos “super-especialistas”.

Por fim, não é somente o conteúdo material que deve ser examinado, pois o aluno precisa ser capaz de analisar os aspectos biológicos, psíquicos e mentais de cada ser humano envolvido no problema da questão.

Podemos perceber que embora existam diversas formas de avaliação, todas têm como fundamento a mesma base. Importante notar que esse tipo de avaliação pode, também, ser usado no método tradicional, não sendo aplicado somente ao PBL.

CONCLUSÕES

Embora por meio de um processo lento e cumulativo, verifica-se que desde seus primórdios a humanidade reuniu extensas informações às quais denominamos conhecimento. Devido à sua natureza, o ser humano necessita de conhecimento para as mais variadas funções, desde obter elementos que satisfaçam sua necessidade biológica, até a proteção frente à biosfera que habita. Além disso, como ser pensante que é, pelo conhecimento o ser humano relembra seu passado, vive plenamente seu presente e é capaz de pensar de forma abstrata seu futuro, buscando respostas para sua existência e a manutenção da vida.

Posteriormente, com suas necessidades básicas já satisfeitas, o ser humano procurou explicações, por meio da filosofia, para os fenômenos que despertam nossa admiração ou nos causam espanto.

Vimos que o conhecimento está em franco desenvolvimento e o que hoje é uma verdade, amanhã deixa de ser, passando a uma nova forma de pensar. Isso decorre da evolução inerente a todas as ciências, sobretudo a ciência jurídica. Por essa razão o ensino deve ser capaz de estimular o aluno a estar sempre em busca das respostas e não ter o professor como a fonte única de informação. Nosso sistema legal é diariamente alterado, o que nos impõe a constante atualização.

Apesar dessa realidade, constatamos que no Brasil ainda não há uma faculdade que utilize do método da aprendizagem baseada em problemas. Nota-se que o ensino é baseado na transmissão do conhecimento pelo professor.

Verificou-se que o ensino tradicional foi o que proporcionou nossa formação e ainda é metodologia mais utilizada no mundo científico, muito embora não se mostre suficiente. Esse método demonstrava-se efetivo para a época em

que os conhecimentos eram limitados, pois pouco se conhecia da física, da química, da medicina, enfim de todas as áreas do conhecimento. O estudo do Direito, nessa perspectiva anterior, reportava-se aos grandes filósofos, ao estudo da história do direito pátrio, estrangeiro e, da sociologia.

A sociedade, apesar de dinâmica, possuía limitações diversas, desde o número populacional até a ausência de tecnologia, o que gerava um corpo de conhecimentos jurídicos com objetivos mais restritos que na atualidade. Ao nosso entender, o método tradicional era um instrumento relativamente adequado para o ensino – aprendizagem da sociedade até os anos 60-70.

Com o aumento do volume do conhecimento, da tecnologia, das necessidades sociais e humanas frente à manutenção de sua sobrevivência digna e humanizada, os conteúdos a serem conhecidos, sua multidisciplinaridade, transdisciplinaridade, tornaram-se imensos, por isso afirmamos que a mudança radical dos conceitos que regem a sociedade é o principal agravante do quadro de ensino e aprendizagem.

Os conhecimentos adquiridos pelo homem ao longo do tempo devem ser valorizados em qualquer ensino escolar, e isso não exclui as universidades. Por isso acreditamos que a tarefa primordial da universidade é preservar uma identidade cultural. Nesse cenário, entendemos que seria absolutamente válido o ensino de uma língua em via de desaparecimento, não porque é útil, mas porque, sendo inútil, corre o risco de para sempre se perder. Em suma, a universidade é a memória intelectual e crítica de uma sociedade.

Além disso, é fundamental o estímulo à reflexão e associação de ciências entre si, pois a interdisciplinaridade que, infelizmente, é mais proclamada que praticada, não é uma opção, é o meio de sobrevivência da universidade.

Precisamos ter o “todo” como nosso objeto do conhecimento, a relação do ser humano com toda a vida, sua responsabilidade. A faculdade de Direito deve habilitar seu aluno a perceber quais são os valores e interesses que

nossa sociedade busca. Temos que aplicar o Direito em prol da maioria, em conformidade com o objetivo da solidariedade previsto em nossa Constituição, coibindo a aplicação dos conhecimentos para a prática de lobbies.

Com o avanço das descobertas científicas e a vigorosa criação legislativa em nosso país, faz-se necessário capacitar profissionais que avaliem criticamente a aplicação de seus esforços na sociedade, bem como tenham consigo o compromisso social de estarem sempre atualizados, para que possam exercer adequadamente o papel esperado pela sociedade. Para tanto, é preciso que saibam desenvolver de forma autônoma o aprendizado ao longo de suas vidas profissional.

A nosso ver o método de aprendizagem baseada em problemas (ABP - PBL) não é a última fronteira para o ensino – aprendizagem. Esse método visa fornecer ao estudante um instrumento que lhe permita a atualização continua de sua profissão futura, tendo como ponto de partida a natureza humana, que é apenas um fragmento da natureza global, em suas feições biológica, psíquica e social, que anseia a felicidade e a dignidade para a sua existência.

Acreditamos que o presente método é o mais adequado a cumprir a finalidade estabelecida na Constituição Federal de garantir o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

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