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Kommuneforvaltningens økonomi 52

O relato de frei Paulo do Rosário, embora trate principalmente sobre a primeira expedição holandesa à Capitania da Paraíba, ocorrida no começo de dezembro do ano de 1631, estende-se para além desse acontecimento bélico, alcançando também o testemunho da primeira expedição holandesa à Capitania do Rio Grande, campanha essa ocorrida ainda em dezembro daquele ano, nas vésperas de Natal e se prolongando até os idos de janeiro, quando a armada neerlandesa decidiu abandonar a tentativa de ocupação da cidade de Natal, capital do Rio Grande.

Logo, no que diz respeito à invasão da Paraíba, as datas de 5 a 12 de dezembro correspondem ao período da campanha holandesa. Quanto à invasão do Rio Grande, na narrativa existe um lapso de datação de 13 a 21 de dezembro, período o qual WIC esteve se reorganizando até que se decidisse pelo ataque ao Rio Grande. Esse recorte é coberto pelos comentários do frei, antes de retomar a narrativa bélica potiguar que começa em 24 de dezembro e se encerra em 12 de janeiro.

Todavia para o intuito desse trabalho, não serão abordados os acontecimentos referentes à história da Capitania do Rio Grande, no entanto, fica a menção de que essa

48 “A Biblioteca John Carter Brown é um centro de estudos avançados na área de Histórias e

Humanidades, com administração independente e verba própria, fundada em 1846 e localizada no campus da Brown University, em Providence, Rhode Island, Estados Unidos, desde 1901. A missão essencial da biblioteca é reunir e preservar as fontes primárias do período colonial das Américas entre os anos de 1492 e 1825, aproximadamente. Nos últimos 160 anos, a biblioteca logrou reunir obras impressas sobre a época colonial desse continente, tornando-se o mais importante acervo sobre esse período hoje existente”. (FIERING in LAET, 2007, p. 11).

obra embora dedique cerca de cinco páginas a falar desse acontecimento, ainda assim, é uma fonte de estudo tanto sobre a Paraíba, quanto para o Rio Grande do Norte.

O livro de Rosário como o próprio título deixa bem claro, trata-se de uma relação e não de uma crônica, pois de acordo com o próprio autor, sua ideia era escrever os principais acontecimentos sobre essas duas invasões, sem decorrer em pormenores, logo, ele acabou optando por uma relação, a qual atendia sua iniciativa de um relato breve e objetivo, pois ele alegara que uma crônica consistia num relato mais amplo e profundo.

Crônica seria uma narrativa histórica ou literária na qual segue uma determinada cronologia. No caso de uma crônica histórica, normalmente dizia respeito ao governo e vida de reis, acontecimentos militares; no entanto, algumas crônicas eram feitas para descrever locais e fatos históricos em geral. As crônicas variavam de tamanho, podendo possuir centenas de páginas, e geralmente abordavam temas que embora começassem em épocas bem anteriores a de seus autores, a cronologia terminava no período de vida do autor ou próximo à sua época (BELLINI, 2011, p. 218-223).

No caso de uma relação, normalmente, tratava-se de assuntos de curta duração, como uma batalha, uma festividade, uma visita real, uma viagem curta. Uma relação não precisava seguir uma cronologia restrita como numa crônica. A chamada “relação curiosa” abordava temas sobre os costumes, fauna, flora, etc., questões de curiosidade para os europeus, logo, não possuíam uma cronologia determinada. Uma relação consistia, em geral, numa narrativa objetiva, logo, eram textos breves, possuindo normalmente entre 8 e 30 páginas49, embora algumas excedessem as trinta páginas, como o caso da obra de Rosário.

Tendo optado por uma relação, seu livro consiste numa narrativa contínua sem divisões ou longas pausas, algo característico desse tipo de escrita, na qual visa à objetividade, como mencionado. A narrativa é fluida do começo ao fim, embora em alguns momentos ele interrompa os relatos sobre as batalhas, para apresentar seus comentários e opiniões. Embora não possua divisões internas, o livro traz um anexo no

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O acervo digital da BNP disponibiliza algumas dezenas de relações para download. Disponível em: http://purl.pt/index/geral/title/PT/R.html. A maioria possui entre 8 e 15 páginas, tendo sido escritas nos séculos XVI, XVII e algumas no XVIII.

qual consta uma lista das companhias militares participantes, seus capitães, e o levantamento de quem morreu e quem se feriu nestas companhias50.

Além de trazer o nome de pessoas que participaram daquelas batalhas, sua obra também cita nomes bíblicos como Judas Macabeu, o patriarca Abraão e seu sobrinho Ló, os quais possuem um papel importante no seu sermão. Além deles, Rosário também fez menção a personagens históricos como São Bernardo, ao vice-rei da Índia, Afonso de Albuquerque (1453-1519) e o sultão indiano Hidalcão (1459-1511)51. Esses homens não viveram na sua época, mas são mencionados como exemplo de comparação por ele. O autor também alude aos deuses romanos, quando fala de Marte e Vulcano, uma característica legada pela literatura classicista.

Ainda que se percebam esses singelos traços do classicismo que aludem à cultura greco-romana, o livro Relaçam Breve e Verdadeira, não foi uma obra que se possa incluir nesse período, mas foi fruto da época da literatura barroca em Portugal. De acordo com Massaud Moisés (2008) o período barroco em Portugal compreendeu os anos de 1580 a 1756; advindo da Espanha ele adentrou Portugal durante a União Ibérica, e acabou por desenvolver características próprias nas terras lusitanas, das quais Moisés destacou: “No entender de alguns estudiosos, o Barroco tornou-se a arte da Contrarreforma, visto as características básicas do movimento estético servirem aos desígnios doutrinários e pedagógicos da Igreja na luta antirreformista”. (2008, p. 111).

Essa visão antirreformista52 se encontra presente na obra de Rosário, quando se nota sua oposição ao protestantismo e a forma na qual ele trata os holandeses, utilizando palavras depreciativas para designá-los, como os chamando de rebeldes e traidores. Embora que tais palavras também reflitam um aspecto político como já exposto na introdução.

No entanto, esse posicionamento não foi algo exclusivo da escrita de Rosário por ele ter sido um clérigo, mas de acordo com o historiador português Antônio José

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Embora não seja preciso esse levantamento como assinalado pelo autor, entretanto seu anexo é bastante interessante, pois consiste numa espécie de memorial aos homens, que segundo o autor, lutaram bravamente para defender a Paraíba dos rebeldes de Holanda.

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A menção de Afonso de Albuquerque e Hidalcão se deve ao fato que ambos se enfrentaram pelo controle de Goa, no que resultou em 1510 na vitória das forças portuguesas. Façanha essa que rendeu fama ao vice-rei Afonso, além de se tornar num acontecimento memorável a respeito da dominação portuguesa na Índia (MARTINS, 2010, p. 160).

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O Barroco também se desenvolveu em países protestantes como a Inglaterra, Holanda e a Alemanha, logo, ele adquiriu características contrárias à antirreforma. No entanto, foi uma característica geral da cultura Barroca essa ligação com a religião cristã (MARAVALL, 2009, p. 54, 126).

Saraiva, a produção literária portuguesa do século XVII foi marcada por uma cultura religiosa propagandista que estava em alta.

A produção literária mais abundante em Portugal neste período foi certamente a de propaganda e edificação religiosa: sermões, hagiografias, tratados moralistas, etc. Prolonga-se a corrente que apontámos já no século XVI, porque permanecem as circunstâncias que lhe dão origem: importância numérica da população eclesiástica, controle dos meios de difusão da cultura pelas ordens religiosas, orientação neo-escolástica das universidades, rigidez hierárquica e ideológica ligada à repressão inquisitorial e a uma formalística devoção popular. (SARAIVA, 1993, p. 527).

Embora a obra de frei Paulo do Rosário não seja um sermão, uma hagiografia ou um tratado moralista, seguindo aqui os exemplos dados por Saraiva, sua relação sobre as invasões às capitanias da Paraíba e do Rio Grande possui características moralistas e edificantes que são esboçadas no seu discurso religioso pelo qual ele interpretou aquelas batalhas.

Frei Paulo não foi o único a redigir um relato de guerra com esse tom religioso. Frei Manoel Calado do Salvador (1584-1654) autor de O Valeroso Lucideno e o Triunfo da Liberdade na Restauração de Pernambuco (1648), assinalou logo no começo de seu livro, que entendia a conquista e destruição de Olinda, como tendo sido uma “punição divina” (CALADO, 1648, p. 8).

Para Manoel Calado, cujo pensamento era baseado nas interpretações bíblicas, os feitos, históricos ou não, eram, em sua ocorrência natural e mecânica, resultados de uma Providência divina. A identidade divina está presente enormemente nos esquemas alegóricos dos escritos seiscentistas. A religião ocupava um posto central para os homens do século XVII, fossem eles católicos ou protestantes. (BRITO, 2012, p. 73).

Da mesma forma que os mouros invadiram Portugal e Espanha ainda na Idade Média, e ali se estabeleceram ao longo de séculos, tendo a invasão moura sendo considerada uma praga aos católicos, as invasões holandesas foram tomadas por alguns como um acontecimento similar. Aqui se nota, tanto no relato de Calado, quanto no de Rosário, esse sentimento antirreformista, o qual Moisés e Saraiva assinalaram como fazendo parte do pensamento geral naquela época, em nações como Portugal e Espanha.

Além de Calado, outros como frei Antônio Rosado, Diogo Lopes de Santiago autor de História da Guerra de Pernambuco (1654), os padres Simão de Vasconcelos e Antônio Vieira e o frei Rafael de Jesus, autor do Castrioto Lusitano (1679), foram alguns dos quais compartilharam essa visão providencialista acerca das invasões holandesas no Brasil (MELLO, 2008, p. 220-236). No entanto, frei Paulo foi o único no quesito de ter escrito algo especificamente sobre a Capitania da Paraíba. Sua obra

apresenta dois tipos de discursos53 principais: um discurso de caráter religioso e outro de caráter político.

No que se refere ao seu discurso religioso, é visível a sua antipatia ao protestantismo, e sua argumentação de que a primeira invasão contou com a “intervenção” divina de Nossa Senhora das Neves, a padroeira da capitania.

No segundo caso, nota-se um discurso de lealdade à coroa espanhola, uma vez que falar de patriotismo e nacionalismo seria anacrônico, pois tais noções não existiam naquele tempo, no sentido que hoje normalmente a entendemos. Entretanto, a ideia de lealdade se encaixa, pois ao longo do livro, Rosário não se refere aos invasores os chamando pelo gentílico de holandeses, flamengos, neerlandeses ou batavos, mas os chamava apenas de rebeldes, “os rebeldes de Holanda”, que parte de dois motivos: o primeiro, já foi retratado na introdução, no qual consistiu em cunho político, devido à insubordinação dos holandeses a Coroa Espanhola.

Embora Rosário fosse um português de nascença, ele se considerava um súdito leal do rei de Espanha, que na época era Filipe IV, e essa sua identificação com a soberania de um rei estrangeiro se revela no livro, nas várias referências que ele faz aos capitães e comandantes serem fiéis e devotos súditos de Sua Majestade, como também menciona que os holandeses enfrentariam a força da Armada de Espanha e a bravura dos “leões de Espanha”. Logo, ele toma para si essa desavença entre espanhóis e holandeses, englobada com a Guerra dos Oitenta Anos, mostrando que os portugueses eram súditos fiéis, ao contrário dos holandeses, que eram “rebeldes” e “traidores”.

O segundo motivo adveio de uma causa religiosa. Desde que Martinho Lutero em 31 de outubro de 1517, pregou suas 95 teses na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, tornando público sua opinião contra os dogmas da Igreja Católica Apostólica Romana, iniciou-se o movimento da Reforma Protestante, que levou a uma nova cisão entre os cristãos europeus, os dividindo em católicos e protestantes (ou reformados). A Igreja Católica tentou contornar esse problema com a Contrarreforma, mas sua iniciativa acabou falhando, e a cisão se mantém até hoje.

No caso de frei Paulo, é visível essa sua indignação com os holandeses protestantes, os quais ele considerava como desviados da “verdade cristã”, “rebeldes da

53 “Também não se deve confundir discurso com “fala” na continuidade da dicotomia (língua/fala)

proposta por F. de Saussure. O discurso não corresponde à noção de fala, pois não se trata de opô-lo à língua como sendo esta um sistema, onde tudo se mantém, com sua natureza social e suas constantes, sendo o discurso, como a fala, apenas uma sua ocorrência casual, individual, realização do sistema, fato histórico, a-sistemático, com suas variáveis etc. O discurso tem sua regularidade, tem social e o histórico,

Igreja” e até mesmo os chamou de “seguidores da serpente”, uma alusão ao Pecado Original, onde Lúcifer enviara uma serpente para tentar Eva a comer do fruto proibido.

Aqui se confirmarão de todos a esperanças da victoria por orde[m] da Mãy de Deos, porq[ue] que veyo ao mundo a vencer a serpente infernal, a que a Virge[m] atr[o]pelleou, como o Spiritu Santo o tinha dito, ipsa conteret caput tuum, não permitindo que no seu dia nos fizesse algum dano os sequaces da serpente, nos assegurou na victoria que deles auiamos de ter com seu fauor, & ajuda. (ROSÁRIO, 1632, p. 12).

Na citação acima se pode notar tanto o posicionamento contrário aos protestantes, como também se pode ver o discurso religioso no que concerne numa espécie de “providência”, ou seja, que a primeira invasão holandesa segundo frei Paulo do Rosário, teria sido um tipo de “provação” enviada pelos Céus para testar seus fiéis.

Esse teor religioso é visível em sua escrita, na qual ele chegou a dizer que a vitória ocorrida no dia 8 de dezembro (dia de Nossa Senhora da Conceição) e a vitória no dia 10 de dezembro, foram alcançadas graças à fé dos portugueses e espanhóis, a qual foi respondida pelas bênçãos de Deus e de Nossa Senhora das Neves.

Além dessas duas datas específicas, ele também fez suas menções religiosas em outros momentos, dizendo que os soldados lutaram bravamente para defender sua terra, mas também lutaram e morreram servindo ao rei e a Deus. Tal menção é reflexo não apenas do seu ofício como religioso, mas também da cultura do Barroco, a qual procurava produzir um sentimento de devoção, independente se o autor fosse católico ou protestante, com essa identidade de ser um “guerreiro cristão”, o qual vivia pelo seu senhor e pelo seu Deus.

No que se refere ao motivo ou motivos que levaram frei Paulo do Rosário a redigir sua relação, não possuímos muitas informações e certezas, mas de acordo com Bellini (2011, p. 216), na Portugal dos séculos XVII e XVIII os clérigos e clérigas enxergavam como um de seus deveres o registro escrito.

El estrecho vínculo que existió entre misión y escritura viene a subrayar, por un lado, el papel que los miembros del clero pudieron llegar a desempeñar, mediante sus textos, en la construcción y configuración de uno y otro imperio. Al margen de la labor específica de evangelización, las propias funciones que desempeñaron en el campo misionero y en el seno de las nuevas sociedades constituidas en los espacios coloniales, les otorgaron a menudo una condición – no siempre puesta em valor por la historiografia –

de “prácticos” o de “expertos” del imperio; condición que dejaron patente en

memoriales, tratados políticos, cartas, crónicas, relaciones de misión, etc.

(pero también en “textos” de naturaleza visual y cartográfica), por medio de

los cuales trataron de articular proyectos político-religiosos, saberes, percepciones e intereses de las realidades locales, contribuyendo directa o indirectamente al desarrollo de aquellas dinámicas de naturaleza política, social y cultural que acompañaron y caracterizaron las experiencias imperiales de las monarquias peninsulares. (PALOMO, 2014, p. 12).

Sendo os religiosos os principais membros alfabetizados da população, ainda naquela época, e estando alguns envolvidos nas atividades missionárias que os levavam a ter que viajar para outros países e continentes, alguns desses religiosos como Palomo (2014) apontou, passaram a atuar como “diplomatas”, tratando de assuntos de ordem política e não apenas religiosa, como também o fato de serem letrados, acabaram se tornando cronistas, relatores sobre o que viram e ouviram nas terras que visitaram.

Febvre e Martin (2000, p. 232) também assinalam que nos séculos XV ao XVI a grande maioria de obras impressas, eram produzidas por clérigos, como trabalhos teológicos, traduções de obras da Antiguidade, trabalhos de filosofia e direito canônico, relatos históricos, crônicas, etc. No século XVII essa produção eclesiástica decaí um pouco, mas ainda se mantém até o XVIII.

Pelo fato da Relaçam Breve e Verdadeira ter sido escrita por um religioso, ela se encaixa nessa produção eclesiástica mencionada pelos dois historiadores, os quais também salientam que até o começo do XVII, livros produzidos por clérigos com temas religiosos eram garantia de venda certa, embora que a obra de Rosário não fosse necessariamente um trabalho de cunho teológico, mas mantinha um discurso religioso.

Não obstante, além dessa procura dos clérigos em difundir suas produções, eles viam como um dever preservar a história dos acontecimentos, logo, muitos clérigos escreviam crônicas, relações, histórias, anais ou compilavam outras obras. Isso fica evidente quando notamos que alguns livros como História do Brazil (1627) de frei Vicente do Salvador, além das crônicas sobre o período holandês, feitas por Manoel Calado, Rafael de Jesus e Simão de Vasconcelos, foram obras escritas por religiosos.

Clérigos y religiosos – cabe recordarlo – siguieron ocupando un lugar central en el campo de la cultura escrita altomoderna. No sólo se dedicaron afanosamente a la tarea de escribir y componer textos, como fueron también lectores ávidos de las obras que conservaban en las bibliotecas de cabildos, conventos y colegios; aquéllas ciertamente que en la época reunirían acervos más importantes. No faltaron siquiera hombres de Iglesia que se significaron por su erudición y su bibliofilia, reuniendo notables coleciones particulares de libros que, en ocasiones, funcionaron para sus coetáneos como referentes del conocimiento erudito y de la actividad literaria. El clero mantuvo una posición de particular relevancia en aquellos espacios que, como universidades y colegios, se erigían como lugares de producción de un saber escolástico e institucionalizado. Y, al mismo tiempo, sus miembros no dejaron de tener una presencia destacada en las academias y círculos eruditos que habrían de proliferar a partir del siglo XVII y que, muchas veces, se convirtieron en âmbitos en los que cultivar saberes alternativos. (PALOMO, 2014, p. 13).

Nesse sentido, se percebe o fato mencionado por Bellini (2011) e por Palomo (2014) ao dizerem que havia essa percepção entre os religiosos, de que havia uma

necessidade de registrar a História. Por esse viés, isso possa delinear-se como um dos motivos que levou frei Paulo a redigir sua relação, embora não seja uma explicação definitiva, pois como Rosário nos informa, havia outros clérigos naquele momento com ele durante a invasão, e, até onde se sabe não se conhece nenhum outro relato sobre tais batalhas escritos por esses outros clérigos. Talvez possa ter havido outros escritos sobre tais acontecimentos, mas que desconhecemos hoje.

De qualquer forma, embora houvesse essa percepção dos clérigos em registrar a história, pelo fato de não conhecermos a personalidade de frei Paulo do Rosário, não podemos identificar quanto de seu caráter influenciou na sua decisão de escrever sua obra, mas um fato pode ser dito: ele teve pressa em tornar público sua relação.

Dos quatro autores aqui estudados, Rosário foi o que levou menos tempo para publicar seu livro. Menos de um ano depois de testemunhar a invasão, em setembro de 1632 ele publicava seu livro na tipografia do impressor Jorge Rodrigues, passando a vender seu livro no Adro da Misericórdia em Lisboa, como é informado no frontispício da sua obra.

Mas no caso da Relaçam Breve e Verdadeira o fato de seu autor ter se empenhado em publicá-la em tempo curto conota que para ele tal acontecimento foi importante a ponto de ser não apenas registrado, mas se tornar público. E nesse sentido podemos enxergar alguns motivos para isso, os quais por sua vez revelam algumas das