Nos meses que se seguiram à frustrada expedição à Paraíba, os exércitos da WIC ficaram quase que exclusivamente ocupados com assuntos em Pernambuco e alguns em Itamaracá. Conquistar o Arraial do Bom Jesus e o Cabo de Santo Agostinho eram objetivos mais importantes do que tomar a capitania paraibana; no entanto, tão difícil quanto. Ambos só seriam conquistados no ano de 1635, mas no caso da Paraíba, a capitania se renderia antes.
Duarte de Albuquerque CoelhoO (1654, p. 151) informa que, nos meses que se seguiram à derrota da segunda invasão holandesa à capitania paraibana, isso não significou que o governador Antônio de Albuquerque Maranhão tivesse relaxado na guarda de sua capitania, mas manteve-se em vigília constante, pois Rio Grande e Itamaracá haviam sido subjugados, além do fato que o quartel-general no Arraial do Bom Jesus em Pernambuco dependia no momento de dois pontos de apoio: o Cabo de Santo Agostinho e a Paraíba.
Para se evitar que tropas holandesas estabelecidas no Rio Grande e em Itamaracá pudessem acometer a Paraíba novamente, decidiu manter-se as tropas portuguesas em alerta ao longo do ano, ao mesmo tempo em que Antônio de Albuquerque recebia do general Matias de Albuquerque relatórios sobre a movimentação das tropas inimigas no Recife. Ambos acreditavam que um terceiro ataque ainda estaria para ocorrer naquele ano.
Joannes de Laet (1925, p. 50) informa que no dia 8 de novembro, quase um mês antes da terceira campanha se iniciar, foi deliberado pelos comandantes, conselheiros e delegados que seria realizada uma nova expedição à Paraíba. Nos dias seguintes navios que se encontravam entre o Rio Grande e a Bahia foram convocados ao Recife; tropas foram deslocadas para lá, suprimentos, munição e armas foram estocados.
Para liderar essa nova expedição o coronel Sigismund von Schkoppe foi eleito novamente, mas dessa vez seria acompanhado pelo coronel polonês Crestofle d’Artischau Arciszewski123
, o qual havia chegado no começo de novembro, na frota de reforço enviada anualmente a Pernambuco.
123
Sobre o coronel Arciszewski, existe um antigo livro publicado por FISCHLOWITZ, Estanislau. Christoforo Arciszewski. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1959.
O Conselheiro Político Servaes Carpentier novamente participaria dessa expedição. Em sua companhia ia também o conselheiro Jacob Stachouwer. Essa expedição seria a maior de todas as três em número de navios, embarcações de apoio e quantidade de soldados. Tais dados nos revelam que dessa vez a WIC estava mais comprometida em empreender um ataque sério.
A força compunha-se de 22 companhias, a saber: 15 do regimento do Coronel Shuppe e sete do de Artichofski, montando ao todo 2.354 homens. [...]. A esquadra compunha-se de 29 velas sob o commando de Jan Cornelisz.
Lichart, e foi repartida em duas divisões: n’uma, hasteando o pavilhão do
Príncipe, iam os seguintes navios: Salamander como capitanea, Domburgh da Zelandia como vice-almiranta, Enchuysen da Hollanda Septentrional como sota-almiranta, e mais o Amsterdan e os yachts: Katte, Mauritius, Spreeuw, Gondt-Vinck, Leeuwerck, Schuppe, Ceulen, Lichthart, Spieringh, Vliegende Sparwer, de Maegh van Dordrecht, Meerminne, Graef-Ernest, Zudyt-Sterre e Kemp-haen, nos quaes iam embarcados 1.945 soldados. Na outra, hasteando o pavilhão vermelho, iam os seguintes navios e yachts: Pernambuco como almirante, o Goude Sonne como vice-almiranta, Erasmus como sota-almiranta e mais Goude Leeuw, Windt-hondt de Amsterdam, Windt-hont de Hoorn, Spreeuw da Zelandia, Sparwer de Dordrecht, Sout- bergh, Vleer-muys e o bote Elburgh; nos quaes estavam embarcados 409 homens. (LAET, 1925, p. 50).
A armada neerlandesa partiu no dia 25 de novembro do Recife, mas devido alguns dias de ventos contrários, a armada chegou à costa do Cabo Branco no dia 4 de dezembro, em um número bem menor do que o mencionado por Duarte de Albuquerque (1654, p. 152), o qual em suas Memórias Diá ria s relatou serem pelo menos seis mil soldados e quarenta embarcações.
Figura XIV: Crestofle d'Artischau Arciszewski, Tenente-coronel no Brasil. Autor desconhecido. Ano: 1639. Fonte: Biblioteka Narodowa, Polônia.
A situação das defesas paraibanas de acordo com Duarte de Albuquerque Coelho era a seguinte: O forte do Cabedelo naquele momento estava sob o comando do capitão João de Matos Cardoso, auxiliado por seu genro Simão de Albuquerque e Melo, e o capitão D. Jacinto Arias de la Serna, o qual possuía o comando de uma companhia de artilheiros.
O forte de Santo Antônio estava sob o comando do capitão Luiz de Magalhães, com disposição de 60 homens. Ambos os fortes se encontravam totalmente abastecidos de suprimentos e munições, o que significava que já estavam prontos para uma guerra. O reduto da Restinga estava sob o comando do capitão Pedro Ferreira de Barros, o qual dispunha de 40 homens ao seu serviço.
Coelho também informa que trincheiras e pequenos redutos foram erguidos para o sul do Cabedelo indo até a foz do rio Gramame. Outro reduto foi erguido nas terras da família francesa Boisson, local que ficou conhecido como Fazenda Boi Só124, e que ainda conserva esse nome nos dias de hoje. O reduto estava ao encargo do capitão Antônio Ferreira de Lemos, o qual contava com alguns canhões e uma milícia formada pelos moradores da fazenda.
No caso da capital Filipeia, foram escavadas trincheiras defensivas no perímetro da pequena cidade, como também se reforçou as defesas no forte do Varadouro, o qual estava a encargo do capitão Manuel Peres Correia, senhor de engenho. Na cidade também se encontrava o sargento-mor Antônio de Madureira Trigo, incumbido pelo governador de formar a força de socorro. O engenheiro Diogo Paes também se encontrava presente na capitania.
La gente que avia para defender esta plaça eran 800 hombres, con los moradores, en las compañias de los Capitanes do Gaspar de Valcaçar, Domingo de Arriaga, Luis de Magallanes, don Jacinto Ayres de la Serna, Cosme de Rocha, Miguel de Padilla, Manuel de Quiros y Siqueyra, con su compañia, que era de la gente de la ciudad; Domingo de Almeyda, Antonio Ferreyra de Lemos, i Rui Calaça Serpa. Las de Leonardo de Albuquerque, i Juan de Silva i Azevedo, que aun estavã con Martin Suarez en Cuñau, tambien vinieron. (COELHO, 1654, p. 153).
Além dessas defesas locais, o general Matias de Albuquerque enviou três companhias de reforço. Foram designados para tal missão os capitães Simão Caieiro, Gregório Guedes de Souto Maior e Jerônimo Pereira, os quais se uniram a tropa do capitão Lourenço Cavalcanti de Albuquerque.
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Originalmente as terras da fazenda dos Boisson eram imensas, englobando hoje o Bairro dos Estados e os bairros vizinhos.
Figura XV: Retrato de Matias de Albuquerque Coelho. 1º Conde de Alegrete, lugar-governador de Pernambuco, governador-geral do Brasil, general das forças de resistência luso-brasileira. Autor:
desconhecido. Ano: desconhecido. Fonte: Galleria degli Uffizi, Florença, Itália.
Ao chegarem à Paraíba, o capitão-mor Antônio de Albuquerque tratou de dividir as três companhias, pelos vários postos erguidos ao longo da costa entre o Cabedelo e a foz do rio Gramame125. Duarte de Albuquerque (1654, p. 152) listou tais localidades:
As companhias de Caieiro, Souto Maior e Pereira foram enviadas para a enseada chamada de Manuel Álvares126, ao sul do Cabedelo, a uma distância de quatro léguas (26,4 km). O capitão Manuel de Queiroz Siqueira foi enviado com sua milícia para o posto chamado de Nicolau dos Reis, ficando uma légua127 ao norte da enseada de Manuel Álvares.
O governador Antônio de Albuquerque se reuniu com o capitão Lourenço Cavalcanti no posto de Jácome de Oliveira, ao norte da enseada do rio Jaguaribe,
125
Do forte do Cabedelo até a foz do rio Gramame são cerca de 35 km de distância, o que conota uma grande extensão de território a ser defendido.
126
Tal enseada ficaria localizada entre a Ponta dos Seixas e a Penha, o que dista mais de 26 quilômetros do forte.
127
Cruz (2009) salienta que a medida de comprimento chamada de léguas não teve um valor fixo entre os países que a adotavam, logo a légua portuguesa era ligeiramente diferente da légua espanhola e holandesa. Todavia, em Portugal o valor médio da légua era de 6.600 km. Logo, adotamos tal valor para este estudo.
distando uma légua e meia deste128. Do posto de Oliveira até o Cabedelo havia outros dois postos. Dentre os quais, o posto da Rede de João de Matos, onde encontravam os capitães D. Gaspar de Valcaçar e Domingos de Arriaga.
Em Lucena, ao norte do Cabedelo, a localidade estava sob a guarda do capitão Domingos de Almeida e de Duarte Gomes da Silveira. Os quais ocuparam a costa que outrora os holandeses usaram para aportar e montar acampamento durante a segunda expedição.
No amanhecer do dia 4 de dezembro de 1634 os maiores navios holandeses fundearam suas âncoras próximas da costa, enquanto as tripulações iniciavam o dia com uma prece, e depois quebraram o jejum. Enquanto isso, as demais embarcações atracavam próximas aos navios; os iates e chalupas foram usados para desembarcar as tropas, pois segundo Joannes de Laet (1925, p. 50) os ventos estavam fortes naquele dia.
O iate Phenix foi enviado para encontrar um local adequado ao desembarque. Talvez o Phenix tenha sido o “patacho”129 que Duarte de Albuquerque Coelho mencionou que havia ancorado na enseada do Jaguaribe, tendo sido a primeira embarcação inimiga a atracar e iniciar o desembarque, pois outros barcos se aproximaram dali e começaram a levar as tropas para terra.
Recebendo a notícia que o Phenix havia encontrado local apropriado e seguro para o desembarque, o coronel Schkoppe ordenou que mais companhias se dirigissem para lá. Laet (1925, p. 50) informa que em pouco tempo já havia 600 homens em terra. Recebendo a notícia de que o inimigo desembarcava suas tropas, o capitão-mor Antônio de Albuquerque reuniu-se com as companhias dos capitães D. Gaspar de Valcaçar e Domingos de Arriaga e marcharam em direção à enseada do Jaguaribe.
Não era uma marcha que seria feita em pouco tempo, mas levaria mais de uma ou duas horas, dependendo do ritmo da marcha, pois do forte até a enseada a distância é de quase 10 km. E tal demora repercutiu no fato de que, quando eles chegaram à enseada, o exército inimigo já havia desembarcado e já estava sendo organizado em fileiras na praia.
128
A enseada do rio Jaguaribe se localiza na costa dos atuais bairros do Bessa e Intermares, municípios de Cabedelo. Sendo mais conhecida atualmente como manguezal de Intermares. O posto de Jácome de Oliveira distava dessa enseada cerca de uma légua e meia, o que equivale a 9,9 km. O que significa que o posto não ficaria tão distante do forte, mas ficaria a uma distância considerável da enseada.
129
Evaldo Cabral (2002, p. 204) assinala que no século XVII, os portugueses e espanhóis ainda não possuíam uma tradução ou termo para definir o iate holandês. Daí encontrarem-se distintas palavras para se referir a ele.
Foram organizadas três fileiras: uma na direção de onde vinha o governador (provavelmente no sentido norte), outra voltada para a direção do mar (leste), e a terceira já em direção à floresta (oeste). Cada fileira possuía um canhão consigo. Três barcaças e uma lancha naufragaram devido à ressaca do mar naquele momento, mas a perda teria sido ínfima (COELHO, 1654, p. 152).
Três navios da frota continuaram a seguir caminho, indo ancorar diante da Ponta de Lucena. O governador da Paraíba ordenou que o capitão Miguel de Padilha que estava com ele, destaca-se 50 dos 500 homens que estariam presentes ali, e seguisse até Lucena, a fim de reforçar as companhias de Domingos de Almeida e Duarte Gomes. Tendo partido a tropa de Padilha, o restante se pôs a entrar em conflito com as companhias que haviam desembarcado.
Enquanto o confronto se desenvolvia em torno da enseada do Jaguaribe, o mar ficou agitado na ocasião, então o coronel Schkoppe ordenou que o coronel Arciszewski desembarcasse duas de suas companhias mais para o sul dali. Arciszewski prosseguiu com a ordem para desembarcar as tropas.
Não obstante, o capitão-mor Antônio de Albuquerque vendo que a vantagem não lhe era favorável, ordenou retirada. De acordo com Duarte de Albuquerque Coelho (1654, p. 155), o capitão-mor teria sido ferido na ocasião, tendo levado um tiro de mosquete, no peito, no entanto, graça a couraça que usava, à bala não lhe perfurou130.
Joannes de Laet (1925, p. 50) relata que os portugueses tiveram nove mortos e vários feridos, o que os obrigou a fugir. Depois conta-nos que o saldo de mortos foi de 18 ou 20. Coelho (1654, p. 157) informa que foram 15 mortos e pelo menos 23 feridos, sendo que os holandeses tiveram mais perdas, sendo que mais de 40 foram mortos.
No entanto, além desse saldo de mortos e feridos, durante a fuga dos portugueses, alguns destes acabaram sendo capturados. Coelho relata que três soldados e um alferes foram feitos prisioneiros. Laet confirma a informação que houve prisioneiros, embora não diga quantos haviam sido, mas fale que um deles era morador da capitania, chamado Bento do Rego131, o qual teria oferecido informações em troca de sua liberdade.
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Além da couraça, Antônio de Albuquerque deve também ter contado com a sorte, pois de acordo com Parker (1996, p. 17), disparos de arcabuzes e de mosquetes conseguiam penetrar uma armadura facilmente até uma distância de 100 metros.
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Segundo o relato das Memórias diárias (1654, p. 157), Bento do Rego havia falecido durante o combate. Porém nos Anais da Companhia (1925, p. 61), é dito que Rego estava vivo durante a capitulação da capitania. Ele teria falecido posteriormente? Ou Coelho se equivocou?
Posteriormente o comandante Lichthart, seguindo com seus navios tentaram adentrar o rio Paraíba, mesmo correndo risco de ser atingido pelos canhões dos fortes. No entanto, ventos desfavoráveis o fizeram desistir do intento. Em sua retirada o governador Antônio de Albuquerque decidiu retornar ao forte do Cabedelo. Pelos relatos de Coelho e Laet parece que não houve novos conflitos naquele dia, restando aos holandeses desembarcar as tropas e montar os acampamentos.
No dia 5 de dezembro, o capitão-mor da Paraíba ordenou que as companhias dos capitães D. Gaspar, Arriaga e Pereira as quais estavam estacionadas no posto de Manuel de Álvarez, deveriam seguir para o forte do Cabedelo. As três companhias seguiram caminho ao longo da margem do rio Paraíba. Enquanto seguiam marcha, em dado momento, eles foram pegos numa emboscada feita pelos holandeses.
Um alferes reformado e dois soldados foram presos. O restante que não foi preso ou morto conseguiu fugir, indo se agrupar no Porto do Jacaré (atualmente a Praia do Jacaré, no município de Cabedelo), onde embarcaram em algumas chalupas e foram levados rio acima até o forte. O capitão Diogo Paes, que estava na cidade, também chegou ao forte neste mesmo dia (COELHO, 1654, p. 156).
Os coronéis Schkoppe e Arciszewski decidiram realizar uma investida ao forte do Cabedelo. Schkoppe comandava na ocasião três companhias e Arciszewski duas, sendo elas responsáveis pela vanguarda e a retaguarda. Cada uma levava consigo um pequeno canhão de bronze. As cinco companhias seguiram caminho pela praia até chegarem a um lugar chamado Camboinha (atualmente no município de Cabedelo). De lá, enviou alguns homens até o rio, de onde avistaram os dois fortes e o reduto na Restinga.
Os prisioneiros feitos naquele dia e no dia anterior informaram que havia uma estrada que conduzia até o forte do Cabedelo. O capitão Gaspar van Ley foi incumbido de levar três companhias por aquela estrada, e as outras duas seguiriam próximo à margem do rio. Segundo o relato, eles se depararam com trincheiras pelo caminho, mas estavam sem homens, no entanto, à medida que se aproximavam o pessoal do forte começou a disparar, mesmo não possuindo visibilidade de alvo, pois as árvores e o mato ocultavam a tropa inimiga.
Todavia, o intuito naquele momento não era se atacar o forte, mas fazer reconhecimento de suas defesas e montar acampamento nas proximidades. Segundo Coelho (1654, p. 156), um dos acampamentos foi erguido no mesmo local em que havia sido montado o primeiro acampamento durante o ataque de 1631. Por sua vez, o capitão
Ley encontrou um posto seguro e estratégico atrás de uma colina, a distância de “um tiro de arcabuz do forte”. A colina os protegeria dos tiros de canhões e poderia ser usada para montar uma bateria (LAET, 1925, p. 55).
Foi ordenado que os iates que pudessem cruzar os arrecifes fundeassem próximo ao acampamento. Os navios de grande calado deveriam encaminhar suprimentos para oito dias, e depois deveriam fundear diante da barra. Os acampamentos holandeses e as baterias começaram a ser montados.
Três acampamentos (figura XVI) foram erguidos nas cercanias do forte do Cabedelo, um pertencente ao coronel Schkoppe; o segundo, o qual ficava localizado próximo ao mar, pertencia ao coronel Arciszewski, o qual ficava menos protegido do que os demais, mas possuía uma boa visão do forte, e o terceiro estava com o capitão de Ley (LAET, 1925, p. 52).
Ainda naquele dia, o governador ordenou ao capitão Lourenço Cavalcanti que fosse para o Passo do Boi Só, no intuito de reforçar aquela região, que era caminho tanto para o Cabedelo e para a cidade. Sua preocupação era que o inimigo pudesse usar tais estradas para se espalhar pelo território. O capitão-mor optou em se estabelecer no Forte de Santo Antônio, por considerá-lo melhor estruturado (COELHO, 1654, p. 156).
No dia 6, a bateria do capitão Gaspar van Ley estava pronta, estando munida com duas peças de artilharia. Graças à altura do monte, isso ajudava no posicionamento dos disparos. Por sua vez, o coronel Arciszewski ainda concluía a montagem de seu acampamento, o qual não dispunha de trincheiras no momento. Todavia, o capitão Ley ordenou que algumas trincheiras dos portugueses, que estavam abandonadas fossem ocupadas por suas tropas e ali posicionassem canhões.
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Figura XVI: Cabodelo ad monding vd rivier P arahyba met de forten St. Catharina en St. Anthonio, alsmede redouten, batterijen, kwartieren en magazijnen Ligging (Cabedelo e a foz do Rio Paraíba com os fortes Santa Catarina e Santo Antônio, bem como redutos, baterias, quartéis e armazéns). Autor: Cornelis Bastianez Goliaht, 1634. Dimensões: 57 x 47 cm. Fonte: Stadsarchief Deventer, Países Baixos. A legenda deste mapa foi traduzida para esse estudo, pelo prof. Dr. Bruno Romero Ferreira Miranda (UFPE).
Legenda:
A. O Forte Cabedelo ou Santa Catarina, de 22 peças de artilharia, das quais seis são de metal.
N. Nossos entrincheiramentos [aproches] com redutos.
B. O Forte Santo Antônio, de 24 peças de artilharia, das quais 5 são de metal.
O. Um reduto no qual foi instalado um morteiro.
C. Um reduto do inimigo, no qual estão 5 peças de ferro e 2 de metal. É chamado de Restinga [ou] Cabeça Seca.
P. O iate O Estorninho, de Midelburgo.
D. O quartel do Senhor Governador Sigismundus Schoppen.
Q. O iate O Galdo, de Hoorn. E. O quartel do Senhor Coronel
Arciszewski.
R. O iate O Tentilhão Dourado, de Amsterdã.
F. O Armazém. S. O iate O Morcego, de Enkhuizen.
G. O quartel dos marinheiros. T. O iate O Gavião, de Midelburgo.
H. Um reduto nosso. V. O iate O Estorninho, de Amsterdã.
I. A nova bateria, de três peças. W. O iate Schoppe, de Amsterdã.
K. Bateria velha de 2 peças. X. O barco onde o senhor comandante estava e os outros barcos, a saber: o barco do iate Pernambuco, o barco do Sol Dourado, o barco do Erasmus, o barco do Leão Dourado, o barco do Montanha de Sal, o barco do iate Drilborg e o barco do Galdo, de Hoorn. O último [do barco] Amsterdã, não o barco do filibote O Arenque.
L. Reduto onde estão os morteiros. Y. Floresta.
M. Dois de nossos redutos. Z. É seco, que pode ser visto (águas com baixios).
Percebe-se que nestes três primeiros dias, a batalhas não foram tão intensas como na primeira invasão, pois os holandeses procuraram focar-se no seu estabelecimento no campo de batalha, o que revela uma mudança de estratégia, pois a fundação de distintos acampamentos de guerra mostra não apenas que essa expedição era maior do que as anteriores, mas que os comandantes dessa campanha estavam se preparando para um conflito mais longo.
A guerra de assédio era demorada e trabalhosa porque os meios de trazer fogo suficiente para acossar uma fortaleza com bastião exigiam um enorme esforço de escavação. A fortaleza com bastião era uma construção
“científica”, o que significava que seu projeto era feito com base em cálculos
matemáticos para minimizar da melhor maneira a área da muralha que o tiro
podia atingir. Portanto, o ataque tinha de ser “científico” também. Os
engenheiros de assédio logo estabeleceram os princípios. Era preciso cavar uma trincheira paralela a um dos lados do traçado do bastião, onde se pudessem colocar canhões para iniciar o bombardeio. Sob a proteção desse
fogo, trincheiras “de aproximação” eram então cavadas adiante, até que uma nova “paralela” mais próxima pudesse ser cavada, para onde eram levados os
canhões, a fim de continuar o bombardeio a distância mais curta. (KEEGAN, 1995, p. 337).
Na manhã do dia 7 de dezembro de 1634, o governador Antônio de Albuquerque quando soube da existência desses três acampamentos, ordenou que os canhões do