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Em estilo clássico, o palacete50 (FIGURA 27) contava com 227

cômodos distribuídos em três andares com dependências externas, com um mirante, um grande jardim lateral, um jardim interno e um vasto pomar, constando entre as novidades do projeto, a presença de um rico saguão de distribuição e a instalação dos cômodos de utilidade no

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De propriedade de Joaquim Policarpo Aranha, Barão de Itapura, político destacado e um dos cafeicultores mais abastados do final do Império, o luxuoso palacete urbano, outrora conhecido como “sobrado do Nenê Aranha” foi erguido nos primeiros anos da década de 1880 e inaugurado em 1883, pelo arquiteto italiano Luigi Pucci. O palacete serviu de residência do Barão e Baronesa de Itapura até o final de suas vidas (1902, falecimento de Policarpo; 1921, falecimento de Libânia de Souza Aranha). O casal teve cinco filhos, quatro homens e uma mulher, única solteira na família que herdou o palacete urbano.Da sala de jantar tinha-se acesso a um terraço interno com escadarias, seguindo-se por uma galeria coberta e gradeada até uma nova sala, com acesso a quartos e cômodos. No segundo andar, subindo a escadaria de mármore no saguão, surgia uma terceira grande sala, além de novos cômodos e quartos em conexão com o terraço interno. E num terceiro lance, voltado para o jardim lateral, ficavam os cômodos de serviço que também podiam ser acessados por um portão monumental com figuras de leões. Vendida por um valor simbólico pela herdeira Isolethe Augusta Aranha, para que a Arquidiocese instalasse a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-CAMPINAS). Permanece ainda em uso pela PUC (Fonte: www.cultura.sp.gov.br).

terceiro piso do edifício. Adornado por uma fachada imponente (com dois corpos superpostos e colunas jônicas), o edifício empregava mármore de carrara nas escadarias de entrada, no vestíbulo e no saguão de acesso aos demais andares, situando -se no primeiro lance uma sala de visitas ricamente adornada (com colunas coríntias, espelhos “biseautés”) e a sala de jantar, ambas decoradas com assoalho em mosaico, iluminação a gás acetileno e, à semelhança dos de mais cômodos, com pinturas do artista Salinari nas paredes e forro.

A arquitetura se transformou com o passar do tempo, os espaços foram reequacionados no interior das residências, como as cozinhas, por exemplo, que antes eram situadas na parte de fora da casa, passou a integrar o corpo desta. De forma vagarosa foram realizadas outras mudanças como casas que continham, e ainda contém em casas mais antigas, duas cozinhas: cozinha limpa ou a que fica dentro da casa e cozinha suja 51ou auxiliar ainda do lado de fora para os

procedimentos de tarefas mais pesadas e menos higiênicas.

Em seguida os padrões de moradia dos séculos XX e XXI, onde constam os surgimentos dos primeiros edifícios, em especial os de Art Decó, período modernista, até os tipos de moradia do mega condomínio Península localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

2.2 Padrões de Moradias nos Séculos XX e XXI: residências

unifamiliares e multifamiliares da Art Decó ao Condomínio Península.

Nos primeiros anos do século XX, a burguesia ligada à extração e comercialização do café, passou a trocar seus pequenos palácios rurais, construídos em fazendas do interior do estado, pela visibilidade e refinamento dos palacetes urbanos, conforme

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Cozinha limpa e cozinha suja são expressões utilizadas por Gilberto Freyre para designar a função das mesmas de acordo com os serviços utilizados fora ou dentro da residência.

demonstrado na seção anterior. O que de alguma forma se refle tiu nas transformações urbanas e habitacionais de todo o país.

Por sua vez, Natal52 (FIGURAS 28 e 29) capital do estado do

Rio Grande do Norte, na primeira década do século XX contava com apenas cerca de 16.000 habitantes (natal.rn.gov.br) após intervenções de diferentes países (França, Holanda e Portugal) entre 1535 e 1654 se efetivando dois séculos e meio depois com a colonização portuguesa. Até então, pouco tinha se desenvolvido. No final do século XIX e ao longo do século XX, “Natal cresceu rapidamente e m todas as direções geográficas e em todos os setores da vida urbana”. (SOUZA, 2008). Ganhou ritmo acelerado53 com o aparecimento das primeiras atividades

urbanas consolidadas em duas áreas: Ribeira (anteriormente zonas de sítios para plantações) (FIGURA 30 ) e Cidade Alta (bairro residencial e comercial) (FIGURA 31), estes independentes entre si em virtude das dificuldades de acesso decorrentes da presença de áreas alagadiças e falta de infra -estrutura. Outras áreas da cidade também eram ocupadas, como as Rocas e o Paço da Pátria, sendo habitadas por pescadores e pequenas comunidades que se isolavam nas periferias dos dois bairros. (FERREIRA et al, 2008).

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Entre 1535, com a primeira expedição portuguesa com o objetivo de colonizar as terras (tentativa impedida por franceses e índios potiguares); mas sucesso em 1597 com a expulsão dos franceses e reconquista da capitania; construção da Fortaleza dos Reis Magos (iniciado no dia dos Santos Reis, projetado pelo Padre/arquiteto Gaspar de Samperes); formação do povoado, chamado inicialmente por Cidade dos Reis, depois Natal, cujo nome tem duas versões: no dia que a esquadra entrou na barra do Rio Potengi, ou a data da demarcação do sítio realizada por Jerônimo Albuquerque no dia 25 de dezembro de 1599. Invasão Holandesa, em 1633, quando a rotina do povoado, que começara a evoluir, foi totalmente modificada. O forte passou a se chamar Castelo de Keulen, em homenagem ao diretor da Companhia das Índias Ocidentais e Natal, Nova Amsterdã. Com a saída dos holandeses, a cidade volta à normalidade após 21 anos de massacres religiosos, exploração e destruição. (SOUZA, 2008), (natal.rn.gov.br).

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Devido a Guerra de Secessão (1860-1865) nos Estados Unidos, (produtora de algodão) a Inglaterra desviou sua atenção para o Brasil e Egito, na compra do algodão, o que favoreceu a expansão da cotonicultura potiguar, aumentando as rendas do Estado o que possibilitou a realização de investimentos tanto pelo poder público quanto pela iniciativa privada. Assim como da boa produção do açúcar. (SOUZA, 2008, p.62).

FIGURA 28 – MAPA DO BRASIL COM LOCALIZAÇÃO DE NATAL-RN