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CHAPTER 4 – ANALYSIS AND FINDINGS

4.2 Cross-Cultural Communication Challenges

Apesar do declínio no uso dos fogões nas áreas urbanas, esses equipamentos ganharam destaque, sobretudo nas habitações construídas para o lazer como cháca ras e ranchos, ou espaços gourmet em condomínios fechados. Isso, porque a publicidade, segundo Lefebvre (1991)

[...] não fornece apenas ideologia do consumo; uma representação do “eu” consumidor, que se satisfaz como consumidor, que se realiza em ato e coincide com sua imagem (ou seu ideal). Ela se baseia também na existência imaginária das coisas, da qual ela é a instância. (p. 100).

Esse vai e volta, fruto dos modismos, demonstram o caráter decepcionante do con sumo. (LEFEBVRE, 1991). Assim como a classe operária que Lefebvre cita, a camada social média -alta e a camada social alta vivem:

[...] no meio dos signos de consumo e [consomem] uma massa enorme de signos. Sua cotidianidade se compõe, sobretudo, de pressões e comporta um mínimo de apropriações. A consciência, nessa situação, se realiza no nível imaginário, mas logo sente aí uma decepção fundamental. É que as modalidades de sujeição e de exploração dissimulam às [classes

consumidoras] sua verdadeira condição. Ela não percebe que é facilmente explorada e subjugada no plano da continuidade e de consumo, assim como no plano da produção. (LEFEBVRE, 1991, p. 101 [ grifos

Até o momento, abordou-se os hábitos ali mentares e de como e

onde estes alimentos eram preparados desde o século XIX até a contemporaneidade. A cozinha, assim como sua evolução, foi detectada como espaço que garantiu o consumo dos alimentos do brasileiro.

Mas, onde consumiam e consomem as suas refeições? por que sala de jantar e não sala de almoço? Como se serviam e se servem?; quais foram e quais são os hábitos e maneiras à mesa do brasileiro entre os séculos XIX e XXI?

Segundo Bryson (2011) se referindo à Inglaterra, todos esses alimentos, assim como todas as descobertas acima descritas, acabaram aterrissando nas mesas de jantar, em um novo tipo de aposento: a sala de jantar. Pois este cômodo adquiriu seu significado moderno apenas no fim do século XVII e só mais tarde se generalizou nas resid ências.94

Mas, o que possibilitou a existência da sala de jantar, conforme ainda, sugere Bryson (2011) foi a atitude tomada pela dona de casa para salvar os móveis novos de serem profanados por dedos gordurosos. Com o advento da sala de jantar, mudanças oco rreram não só em relação ao local onde a comida era servida, mas também nos horários e na maneira de servi-la, nas camadas sociais de alto padrão.

A sala de jantar desempenha um papel decisivo na recepção aos convidados. Mas, esta observação está longe de esgotar a questão, pois há outro espaço/lugar privilegiado onde o dono da casa presidia ou preside as reuniões após as refeições, mais comumente o jantar. São aqueles aposentos, como sugere Thébert (2009) de ostentação, com dimensões geralmente inferiores às das salas de refeições, mas não menos importantes, porque lá, além da relativa amplidão, o referido cômodo se distingue dos demais pelo fato de poder de se comunicar

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Segundo Bryson (2011) quando Thomas Jefferson (3º Presidente dos Estados Unidos 1801-1809) colocou uma sala de jantar em sua mansão em Monticello, foi considerado algo muito arrojado. Antes disso as refeições eram servidas em mesinhas, em qualquer aposento conveniente. (p.207).

com o exterior, seja em forma de varanda, seja em forma de terraço, ou de primar pelo cuidado com a decoração.95

Para exemplificar como a burguesia carioca utilizava este espaço no século XIX, tomo de empréstimo uma descrição de Borges (2007) não só sobre o ambiente oitocentista carioca, mas a forma como o dono da casa utilizava determinado espaço para dar continuidade às conversas iniciadas na sala de jantar. Borges se utilizou de cenas do romance Quincas Borbas ([1957]) de Machado de Assis:

A mobília e os ornatos expostos, aos olhos dos convivas, eram sinais de distinção, de adequação e inserção de seus proprietários em dados círculos da sociedade. Desta forma, os convidados de Rubião, que foram certa feita, a seu gabinete, fizeram-no precedidos por um criado, que acendeu o gás e assim, „admiraram os móveis bem feitos e bem dispostos. A secretária captou as admirações gerais; era de ébano, um primor de talha, obra severa e forte.‟ Mas, além disso, „uma novidade os esperava: dois bustos de mármore, postos sobre ela, os dois Napoleões, o primeiro e o terceiro‟, governantes burgueses, símbolos de ascensão e poder dessa classe. (BORGES, 2007, p. 51). („Grifos do autor‟).

O mesmo autor (2007) ao analisar a cena de um lar carioca oitocentista, machadiana, coloca que o mito napoleônico irradiou -se de tal forma na sociedade que se uma casa de classe média não tivesse aquela época o busto de Napoleão, esta não estaria completa. E finaliza, citando Hobsbawn (1994), que os homens de negócios tinham um nome para suas ambições “ser _ os próprios clichês o denunciam _ um Napoleão das finanças ou da indústria.” (Hobsbawn citado por Borges, 2007, p. 51).

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A preocupação com a decoração, com o interior da casa e até mesmo com a imagem pública dos moradores burgueses tornou-se imprescindível a partir do século XIX no Brasil, em especial a sociedade carioca oitocentista.

No entanto, entre finais do século XX, e primeiras décadas do século XXI o ambiente de refeição deixou de ser a sala de jantar/estar (embora ainda continue com o espa ço destinado ao mesmo) para algumas famílias e passou a ser o espaço da copa/cozinha, costume ou hábito bastante utilizado até metade do século XIX no horário de almoço. Hoje, as refeições são realizadas em quartos, salas de estar, utilizando bandejas/este iras de madeiras para braço de sofá (figura 65) em substituição a mesa de refeições, home office, ou na copa/cozinha, geralmente com mesas pequenas ou projetadas para fins específicos quais sejam o de cozinhar, o mínimo de tempo e com menos gente possível. Ou sem nunca utilizar.

FIGURA 73 - BANDEJA/ESTEIRA DE MADEIRA PARA BRAÇO DE SOFÁ FONTE: clickmoda.com

Além disso, tornou-se corriqueiro o fato da cozinha ser integrada a sala de estar e jantar. A figura 66 mostra um ambiente integrado cozinha -sala-estar-jantar, tendência de morar de forma mais prática típica do século XXI. Trata -se de uma casa clássica, com móveis sérios e pesados, mas com harmonia de conjunto. Pelos adereços,

móveis e estilo de decoração do ambiente percebe -se que nesta casa mora um casal de idoso.

FIGURA 74 - COZINHA-SALA DE ESTAR-JANTAR INTEGRADA