4. Metode
4.6 Intervjuguiden
A revisão bibliográfica empreendida até este ponto sugere a adequação do uso da abordagem de opções reais para avaliação de investimentos em TI. A literatura sobre decisão de investimentos em tecnologia, de um modo geral e particularmente em tecnologia de informação, apresenta evidências dessa adequação, em alguns casos.
Clemons e Weber acreditam que a tecnologia dá aos gestores a opção de quando adotar uma inovação. Segundo eles, “a habilidade de escolher quando
implementar um sistema é valiosa“ (CLEMONS; WEBER, 1990, p. 17, tradução
nossa). Scarso (1996) observou também a existência da opção de postergar um investimento em TI. Segundo ele, “a abordagem de opções reais parece prover uma
poderosa ferramenta para a avaliação de investimentos em tecnologia porque permite considerar a irreversibilidade e a incerteza e, explicitamente, reconhece que o tempo afeta o retorno dos investimentos” (SCARSO, 1996, p. 41, tradução nossa).
Para Kumar (1996, p. 188, tradução nossa), “alguns investimentos em TI
podem ser analisados como investimentos de primeiro e segundo estágios. [...] Após realizar o investimento de primeiro estágio, o investidor adquire o direito (e não a obrigação) de fazer o investimento de segundo estágio”. Wehrs (1999, p. 37)
também enxergou projetos de TI como investimentos em pesquisa e desenvolvimento, ambos podendo ser divididos em etapas intermediárias, de maneira a observar o desenvolvimento parcial dos elementos de incerteza. Lubbe (1999, p. 22) observou que a análise ex-ante de investimentos em TI poderia ser determinada através de modelos similares aos de precificação de opções financeiras, dadas suas características apropriadas.
Benaroch e Kauffman (1999, p. 84) também concordam, afirmando que a lógica do pensamento de opções reais é adequada ao problema de avaliação de investimentos em tecnologia. Segundo eles, “modelos de precificação de opções
podem ser aplicados a decisões de orçamento de capital envolvendo ativos de TI”
(BENAROCH; KAUFFMAN, 1999, p. 85, tradução nossa).
Em outro artigo, os mesmos autores reforçam o uso de opções reais na avaliação de investimentos em TI. Para eles, após a avaliação de um investimento em TI por parte de uma instituição financeira, tal análise “provou-se adequada à
visão estruturada dos gestores sobre o valor estratégico de um investimento envolvendo uma opção, permitindo uma interpretação lógica e intuitiva dos resultados” (BENAROCH; KAUFFMAN, 2000, p. 220, tradução nossa).
Ross e Beath (2002, p. 57-58) sugerem que o uso de opções reais é adequado para a avaliação de investimentos em TI dos tipos experimentos e transformação. Isso porque tais investimentos envolvem opções de crescimento e o estabelecimento de oportunidades futuras para as organizações, que não seriam adequadamente avaliadas pelos métodos tradicionais.
Schwartz e Zozaya-Gorostiza observaram a adequação de opções reais aos casos de investimentos em TI, por suas características de “alto potencial de
crescimento, alto nível de incerteza e retornos indiretos” (2003, p. 57, tradução
109), ao sugerirem que investimentos em alta tecnologia apresentam opções gerenciais.
Ao analisar investimentos em infra-estrutura de TI, Kumar (2004) também identificou a existência de opções em tais investimentos. Segundo ele, apesar de ser um conceito complexo e multidimensional, a flexibilidade desta infra-estrutura representa a habilidade de “responder aos múltiplos tipos de incerteza, incluindo
mudanças de requerimentos de usuários, tecnológicas e no uso dos sistemas”
(KUMAR, 2004, p. 13-14, tradução nossa). Portanto, há um valor inerente à flexibilidade que pode ser captado pelo método de opções reais.
Miller, Choi e Park (2004) também apresentaram uma pesquisa sobre o uso de opções reais em investimentos em infra-estrutura de TI Essa aplicação foi possível predominantemente em função da característica de múltiplos estágios do projeto, além de flexibilidade gerencial e incerteza sobre os resultados esperados.
Fichman, Keil e Tiwana (2005) evidenciaram a existência de características em projetos de TI que permitem o emprego dos conceitos de opções reais para seu gerenciamento e avaliação. Eles argumentam que, mesmo sem calcular formalmente o valor das opções, é possível utilizar seus conceitos na justificativa dos investimentos.
Benaroch, Lichtenstein e Robinson (2006) apresentaram um estudo de caso no qual é observada a relação entre a gestão do risco nos projetos de TI e a existência de opções reais. Os resultados evidenciaram uma série de fatores de risco com opções reais associadas, que podem ser usadas para mitigar aqueles.
Benaroch, Shah e Jeffery (2006) realizaram uma pesquisa na qual verificam a viabilidade de usar métodos fechados para avaliar opções reais em projetos de TI. Segundo os autores, o uso de métodos fechados pode levar a uma sobre-avaliação do projeto, sendo melhor indicado o uso de métodos baseados em árvores, cujas implementações são mais flexíveis e adaptáveis à realidade específica do projeto.
Benaroch, Jeffery, Kauffman e Shah (2007) descreveram um estudo de caso, no qual foi calculado o valor de múltiplas opções em um projeto de consolidação de um sistema de Datamart em uma empresa aérea.
Chulkov e Desai (2008) estudaram o problema de gestores continuarem um projeto, mesmo quando os indicadores apontam resultados negativos (escalation). Apesar desse comportamento poder ser explicado por fatores, tais como o desejo de justificar as decisões e a proteção da reputação pessoal, eles encontraram elementos associados a opções reais que podem explicá-lo. Ao contrário das outras razões para esse comportamento, o modelo proposto apresenta uma racionalidade potencialmente geradora de valor.
Correia Neto e Leite (2008) apresentam um estudo de caso, no qual um projeto de TI é avaliado através da abordagem de opções reais. O projeto de TI, analisado em uma empresa desenvolvedora de softwares de logística para a internet, foi dividido em duas etapas. A primeira etapa foi avaliada através do fluxo de caixa descontado, usando simulação de Monte Carlo para considerar o risco assumido. A segunda etapa foi considerada como uma opção real de expansão, na qual se tinha ganhado um direito, e não uma obrigação, de continuar o projeto de acordo com as circunstâncias mercadológicas. Este caso mostrou uma aplicação prática do uso de opções reais em um projeto de TI. Isso foi possível devido aos seguintes aspectos. Primeiro, o projeto foi dividido em duas etapas, das quais a segunda configurou-se como uma opção real derivada da etapa inicial. Segundo, a segunda etapa dependia parcialmente da realização da primeira para ser executada. Em terceiro lugar, o projeto estava sujeito a fatores de risco que tornavam os resultados incertos. E, por último, a equipe responsável pelo projeto tinha flexibilidade gerencial para tomar decisões contingenciais de maneira a incorporar novas informações e maximizar os resultados do projeto.
Dessa forma, ao conseguir acomodar esses aspectos no caso, pôde-se adotar a abordagem de opções reais e, com isso, captar o valor adicionado ao projeto pela possibilidade de assumir a segunda etapa conforme o surgimento de circunstâncias favoráveis.
4.5 TIPOS DE INVESTIMENTOS EM TI PASSÍVEIS DE AVALIAÇÃO ATRAVÉS