3. Oppgavens teoribidrag
3.4 Praksisfellesskapet
Os métodos tradicionais de orçamento de capital são ancorados fortemente nos princípios da matemática financeira e engenharia econômica (BREALEY; MYERS; MARCUS, 2002, p. 59-94; ROSS; WESTERFIELD; JAFFE, 2002, p. 126-142; BRIGHAM; GAPENSKI; EHRHARDT, 2001, p. 241-267). Conceitos como valor do dinheiro no tempo, equivalência de capitais, taxas de desconto ajustadas ao risco do projeto e previsão de fluxos de caixa compreendem as técnicas, cujos exemplos mais comuns são valor presente líquido (VPL), retorno sobre o investimento (ROI), taxa interna de retorno (TIR) e período de payback (PPB).
Amram e Kulatilaka (1999, p. 3) sugerem dois motivos pelos quais os métodos atualmente usados não são adequados à realidade dos negócios: a incerteza que envolve os projetos de investimentos e o reconhecimento da existência de investimentos estratégicos, com retornos de longo prazo e sujeitos a alterações de acordo com as circunstâncias.
Os métodos tradicionais, quando usados com valores projetados estáticos, desconsideram os riscos específicos do projeto e, nessa circunstância, são chamados determinísticos. Em outras palavras, negligenciam o comportamento estocástico de determinadas variáveis dos fluxos de caixa gerados pelo investimento, assumindo a inexistência de desvios possivelmente observados sobre os valores esperados (MUN, 2002, p. 58).
Amram e Kulatilaka (1999, p. 4) alertam que os projetos de investimento são avaliados e realizados em um mundo incerto. Ao considerarem o risco, que, nesse caso, é definido pela variação que podem sofrer os valores esperados de cada variável, passam a ser chamados métodos probabilísticos. Os valores relevantes à análise podem seguir comportamentos parcialmente aleatórios, estando fora da capacidade de previsão completa dos gestores. Assim, são usadas distribuições de probabilidades para representar as estimativas das variáveis dos
fluxos de caixa esperados, tendo geralmente o desvio-padrão como uma medida adequada de risco. “Quanto menor o desvio, maior a concentração de
probabilidades em torno da média e, portanto, mais representativa é a média”
(SECURATO, 1996, p. 31), indicando, nesse caso, menor risco.
Considerando o risco específico, métodos como análise de sensibilidade, análise de cenários e simulação de Monte Carlo podem ser utilizados nas avaliações, com a vantagem adicional de considerarem o risco associado à variabilidade dos fluxos de caixa esperados (CORREIA NETO, 2007; CORREIA NETO; MOURA; FORTE, 2002).
O risco também é contemplado por estes métodos através do ajuste da taxa de desconto para manipulação dos fluxos de caixa (CORREIA NETO, 2009, p. 197). Além das dificuldades inerentes ao cálculo dessas taxas (YAO; JAAFARI, 2003, p. 59; MUN, 2002, p. 61; DOS SANTOS, 1991, p. 79), quanto maior o nível de risco atribuído ao projeto, maior será a taxa de desconto, cujo ajuste tende a depreciar acentuadamente projetos considerados arriscados.
Apesar desses mecanismos utilizados para considerar o risco específico dos projetos, tais métodos não compreendem algumas características importantes dos projetos de investimentos.
Vários autores concordam que os métodos convencionais subestimam o real valor de alguns projetos que apresentam características de flexibilidade gerencial e incerteza (MILLER; CHOI; PARK, 2004, p. 202; KUMAR, 2004, p. 12; BARDHAN; BAGCHI; SOUGSTAD, 2004, p. 34; YAO; JAAFARI, 2003, p. 57-58; BENNINGA; TOLKOWSKY, 2002, p. 151; DAMODARAN, 2002, p. 211; KOGUT; BENAROCH; KAUFFMAN, 2000, p. 200; PANAYI; TRIGEORGIS, 1998, p. 676; KUMAR, 1996, p. 187; SCARSO, 1996, p. 41; KULATILAKA, 1994, p. 56).
Isto abre espaço para a corroboração do segundo motivo apontado por Amram e Kulatilaka para a inadequação dos métodos tradicionais e adequação das opções reais. O uso de abordagens tradicionais, como o fluxo de caixa descontado, não é apropriado para avaliar certos projetos estratégicos envolvendo flexibilidade
gerencial (MUN, 2002, p. 77) e elas assumem a tomada de decisão estática, normalmente no momento inicial do investimento (MUN, 2002, p. 82).
Dos Santos (1991, p. 77, tradução nossa), em um artigo seminal sobre o uso de opções reais aplicadas à justificativa de novas tecnologias, afirma que “um
sério problema com o VPL é a não consideração da flexibilidade que as empresas têm no gerenciamento de novas tecnologias”, uma vez que há similaridade de tais
investimentos com opções financeiras (DOS SANTOS, 1991, p. 80).
Para Mun (2002, p. 10), opções reais são ferramentas de negócio para apoiar as decisões de investimentos estratégicos. Essa abordagem permite a melhor tomada de decisão à medida que algumas incertezas são resolvidas com o passar do tempo, além de indicarem as “condições sob as quais executar uma estratégia é
ótimo” (MUN, 2002, p. 150, tradução nossa).
Para Davern e Kauffman (2000, p. 138), há duas razões para a subestimação dos retornos esperados por projetos de TI. A primeira é o foco direcionado fortemente aos custos, e a segunda é a inabilidade dos métodos usados em reconhecer o valor das opções inerentes à maior parte destes projetos. Yao e Jaafari (2003, p. 54, tradução nossa) consideram que a “aplicação da abordagem de
opções reais não somente é uma avaliação mais apropriada do que o VPL na verificação de projetos arriscados e complexos, como também resulta em decisões estratégicas ótimas”.
Schwartz e Zozaya-Gorostiza (2003, p. 57, tradução nossa) confirmam essa visão, argumentando que “em contraste com o método tradicional do VPL, esta
abordagem reconhece a habilidade dos gestores postergarem, suspenderem ou abandonarem um projeto uma vez ele iniciado”. Portanto, métodos baseados em
opções reais incorporam a habilidade dos gestores responderem à incerteza ao longo do tempo, ao contrário dos métodos tradicionais que suprimem essa flexibilidade (CHILDS; TRANTIS, 1999, p. 1359).
Correia Neto (2009, p. 221) complementa esse posicionamento argumentando que, em muitos casos, estratégias podem sofrer alterações de rumo
decorrentes de mudanças ambientais. Nesses casos, os fluxos de caixa decorrentes de investimentos e financiamentos também devem refletir tais alterações. Assim, as decisões de investimentos não devem ser realizadas em um ambiente estático, alheio às possíveis variações de curso.
Kester (2004, p. 36-37), ao tratar sobre o papel dos investimentos atuais sobre a criação de oportunidades futuras de novos investimentos, discorre sobre a sub-avaliação dos projetos pelo método do VPL. Tal erro, na visão do autor, não aconteceria no caso do uso de opções reais.
Assim, espera-se uma interpretação direta de muitas decisões com opções (KOGUT; KULATILAKA, 1994, p. 53) e, dessa forma, a lógica de opções financeiras pode ser aplicada aos investimentos sem necessariamente ser desenvolvida uma matemática formal para sua avaliação (COFF; LAVERTY, 2001, p. 74). Para Copeland e Antikarov (2001, p. 49), “a análise de opções reais não é
apenas um método, mas também uma nova forma de encarar a dinâmica da decisão de investir”.
Na realidade, o uso intuitivo de opções reais parece existir nas decisões dos gestores (AMRAM; KULATILAKA, 1999, p. 18). Apesar de algumas decisões não serem baseadas formalmente em métodos algébricos de cálculo do valor das opções, a lógica de obter direitos sobre projetos pode prevalecer, principalmente naqueles de difícil mensuração dos retornos. “A abordagem de opções reais é uma
forma de pensar e, quando a estrutura da aplicação se torna muito complexa, muito do seu benefício se perde” (AMRAM; KULATILAKA, 1999, p. 97, tradução nossa).
Consistente com essa visão, pesquisas indicam que gestores, apesar de não calcularem os valores das opções, “intuitivamente vêem opções reais de forma
consistente com a teoria de opções” (FICHMAN; KEIL; TIWANA, 2005, p. 90,
tradução nossa). Para os autores, não há estrita necessidade de quantificar as opções para poder usar favoravelmente seus conceitos. “O grande trunfo surge ao
usar os conceitos de opções para ativamente criar e extrair valor das opções que, de outra forma, seriam difíceis de perceber” (FICHMAN; KEIL; TIWANA, 2005, p. 75,
Esse ponto, porém, tem diferentes perspectivas. Benaroch, Shah e Jeffery (2006, p. 241-242) indicam que há atualmente duas linhas principais de entendimento debatendo sobre a aplicação de opções reais em investimentos em TI.
O primeiro grupo entende que o uso de opções reais pode ser meramente a fim de indicar idéias e conceitos para subsidiar as discussões em torno do projeto e de seu desenrolar. Os participantes deste grupo argumentam, dessa forma, que não são necessários cálculos precisos para justificar os projetos através das opções disponíveis.
O outro grupo argumenta que a análise de opções reais, além de prover conceitos importantes sobre os projetos, principalmente no que se refere ao risco inerente, é uma importante ferramenta de avaliação precisa sobre os benefícios esperados do projeto. Segundo os autores, a imprecisão na abordagem de opções reais pode levar a decisões inadequadas.