Neste eixo busco compreender e explicitar qual noção de subjetividade ampara as reflexões no campo das relações humanas em saúde, isto é, quem é o sujeito que vincula. Os autores que tocam a questão subjetiva no campo da saúde coletiva têm como fonte de referência recorrente Emerson Merhy, Gastão Wagner e Tulio Franco, dentre outros. Estes autores, por sua vez, trazem uma compreensão de subjetividade depositária das ideias dos filósofos franceses Gilles Deleuze e Felix Guatarri. Apresento a seguir de maneira sucinta as ideias que abordam a noção de subjetividade defendida pelos filósofos.
Duas publicações de Deleuze e Guatarri “O Anti-Édipo” e “Mil Platôs” marcam o contexto dos anos 70. As ideias defendidas por eles se apresentam como uma reação à Psicanálise e desenvolve uma crítica ao Inconsciente de Freud, se opondo a clássica interpretação freudiana do desejo como falta. Deleuze e Guatarri fazem uma inversão do conceito e apresentam um inconsciente como produção desejante, isto é, instância responsável pelo desejo como algo cuja intensidade produz a realidade. Eles propõem a Esquizoanálise como forma de resistência ao modelo edipiano clássico.
Resumidamente a Esquizoanálise regula-se por três tarefas. A primeira é a destruição do “eu normal” cuja intenção é desneurotizar o indivíduo, retira-lo de seu entorpecimento de se entender pela falta que lhe impossibilita criar, e o faz reprodutor de modelos. A segunda tarefa consiste em fazer o indivíduo descobrir- se como máquina desejante fazendo com que o desejo retome o seu lugar e
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potencialize o indivíduo a criar coisas por meio de novas territoliaridades e linhas de fuga. O indivíduo deve afastar-se da esfera do interpretar e aproximar-se do sentir na produção de si mesmo, aumentando assim a sua potência, criando para si um
corpo sem órgãos. E a terceira tarefa consiste em subordinar o social às máquinas
desejantes, isto é, trata-se de inserir o corpo individual como peça de uma máquina social na micropolítica das relações que subordinam o campo social às máquinas desejantes que são.
A proposição da Esquizoanálise é interferir na produção da realidade se afastando de interpretações do tipo “o que significa isso” para abraçar o “para que serve
isso”. Um esquizoanalista não diz em que mundo devemos viver, ou se interessa em
como o mundo deveria ser. Considera o desejo em si como revolucionário, algo que por nada espera para realizar-se; o desejo só quer a si mesmo. A Esquizonálise se apresenta como o processo de retirar do indivíduo sua sujeição a normas, despertando-lhe o desejo. O sujeito, como máquina desejante, adquire a potência necessária para subordinar o social e recriá-lo à imagem e semelhança do seu desejo.
A Esquizoanálise se detém na micropolítica das relações desejantes e de poder. Traça uma relação entre Capitalismo e Esquizofrenia, e não mais entre Família e
Neurose como na psicanálise. O inconsciente é visto como uma usina intensiva e o
desejo é produção, não falta. Tal arquitetura de ideias traz novos conceitos, tais como o de rizoma, corpo sem órgãos, linhas de fuga.
A Esquizonálise também se afasta de leituras marxistas e busca apreender o político relacionando-o aos fenômenos psíquicos. Para Deleuze e Guatarri o capital agenciou a todos numa mentalidade que o reproduz, do operário ao rico empresário, tornou a todos servos prisioneiros, situação em que a luta de classes perde sentido para dar lugar a luta pelo acúmulo do capital. O micropolítico em que se insere a produção de novas subjetividades não tem relação com um macro, em termos reduzidos, mas relaciona-se com a análise dos agenciamentos desejantes do campo social. A arena micropolítica é palco para o encontro entre as máquinas
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desejantes e o campo social. A política nesta arena refere às forças do desejo que atuam na configuração do poder instituído, e resultam na produção da vida e de subjetividades.
Nesta perspectiva de compreensão dos processos subjetivos delineados por Deleuse e Guatarri os autores Tulio Franco, Emerson Merhy e Ricardo Ceccim analisam os processos de produção do cuidado em saúde. Apresentarei suscintamente a linha de pensar desses autores para em seguida tecer alguns comentários e problematizações.
Inspirados nas ideias de Deluse e Guatarri os autores acreditam no desejo como força motriz revolucionária para invenção da realidade social e a criação de um novo devir na produção subjetiva do cuidado em saúde. A noção de subjetividade encara o desejo como a força motriz para tornar os sujeitos protagonistas dos processos de mudança social. Nas palavras dos autores a força
motriz de construção da sociedade é o desejo, que se forma em nível inconsciente, é constitutivo das subjetividades, que no plano social torna os sujeitos protagonistas por excelência de processos de mudança. (FRANCO & MERHY, 2013, p. 155).
Franco e Merhy (2013) advogam a inclusão da subjetividade como dimensão de análise nos processos de avaliação qualitativa e seus modos de produção em saúde. Incluir a subjetividade implica compreender a micropolítica no cotidiano de trabalho no sentido de desvelar os modos de produzir o cuidado, ao mesmo tempo em que revelam a produção de si mesmo como sujeitos do trabalho.
Inspirados na ideia do Rizoma os autores defendem que o modo de produção do cuidado se revela na micropolítica das relações cotidianas sendo marcada por uma constante construção e desconstrução de territórios existenciais. A ideia de rizoma significa um movimento em fluxo horizontal e circular ao mesmo tempo,
ligando o múltiplo, heterogêneo em dimensão micropolítica de construção de um mapa, que está sempre aberto, permitindo diversas entradas e ao se romper em determinado ponto, se refaz
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encontrando novos fluxos que permitem seu crescimento, fazendo novas conexões no processo.
(FRANCO & MERHY, 2013, p.152).
Na microfísica do trabalho em saúde o lugar da produção do cuidado passa a ser visto como um platô, lugar em que ocorrem encontros de intensidades que afetam os sujeitos em interação. O encontro dos trabalhadores da saúde entre si, e destes com os usuários, formam um campo energético que funciona como fluxos circulantes que envolvem o cuidado em ato. Esse fluxo pode, segundo os autores, se configurar como linha de vida, caso resulte em acolhimento, vínculo, autonomia, satisfação, ou linha de morte, quando o modo de agir é preponderantemente burocrático, gerando heteronomia e insatisfação, aumentando ou reduzindo a potência de agir, conforme a linha para qual se direciona o resultado.
Franco e Merhy apresentam, então, a Cartografia como método de análise do processo subjetivo de produção do cuidado em saúde. Segundo eles, numa cartografia há processos de formação e desconstrução de territórios existenciais, que são formas singulares de significar e interagir com o mundo. A cartografia delineia o percurso dinâmico de produção subjetiva da realidade revelada pela multiplicidade da ação humana na micropolítica de sua interação social.
A complexidade da tarefa de se avaliar os serviços de saúde por meio de uma cartografia que revele os processos de produção de subjetividades faz dela um método ad hoc, reconhecem os autores. Isso porque ela não teria e nem poderia ter alguma pretensão de verdade ou funcionar como um modelo a ser seguido. Os autores esclarecem, contudo, que a realidade social pode se manifestar não na produção,
mas na reprodução, em processos de captura subjetiva dos sujeitos, em que a ética do cuidado está aprisionada pela normatividade da vida e do trabalho, pela repetição de sentidos, a desfiguração dos signos. (FRANCO & MERHY, 2013, p. 160).
Na visão dos autores uma mudança nos processos subjetivos de produção do cuidado se opera mediante uma desterritorialização das subjetividades que deve
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ocorrer nos limites do atual modelo, ainda agenciado pelos modos de produção capitalísticos.
Uma transição tecnológica que resulte numa reestruturação produtiva deve ser capaz de romper com as atuais estruturas do modelo biomédico, cujos processos de trabalho centram-se no ato prescritivo. Nenhuma ruptura á possível, advertem os autores, se a dimensão relacional do cuidado em saúde é vista como secundária em relação ao consumo das tecnologias duras. Uma mudança estrutural duradoura nos processos de trabalho pressupõe a produção de novas subjetividades que sejam ativas na produção do cuidado e tenham como centro o campo relacional, em que o encontro com os usuários seja um espaço aberto para uma comunicação que faça sentidos para usuário e trabalhador que, juntos, formam o centro dos processos de trabalho.
Em síntese é em função de encontros-acontecimentos transcorridos na micropolítica do cotidiano, que se criariam linhas de fuga para invenção de novas práticas em saúde e produção subjetiva do cuidado em saúde.
Em outra publicação, essas ideias são reafirmadas por Merhy e Ceccim (2009) como aposta para as Políticas de Humanização do SUS. Como primeiro ponto os autores falam dos encontros micropolíticos que, por serem abertos, apresentam distintas possibilidades de subjetivação. Esses encontros podem seguir um caminho que sairia de uma ordem biopolítica, serializadora, para a ordem da biopotência e singularização. Eles defendem que tais encontros são intensamente
pedagógicos, operam, ante as práticas inculcadoras/homogeneizadoras, com trocas entre domínios de saberes e fazeres, construindo um universo de processos educativos em ato, em um fluxo contínuo e intenso de convocações, desterritorializações e invenções. (MERHY & CECCIM, 2009 p. 8).
Um segundo ponto que eles levantam é compreender que em um mundo marcado por uma fragilização da vida há o paradoxo de que os processos de mudanças são, como sempre, estratégias de resistência e criação. Assim há um confronto não muito explícito entre os vários modos de subjetivação capitalísticos, que convivem com seu contrário, como paradoxo. Contudo, onde há captura, há também,
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disruptura e processos de singularização. O paradoxo, defendem eles, seria oportunidade de invenção de novas práticas no plano individual e coletivo em cada lugar onde se produz saúde, seja no hospital, nos serviços básicos ou especializados.
Os autores trazem para a cena um aspecto que quase sempre está no escuro, embora presente nas práticas de saúde: a subjetividade humana. Afirmam que a transformação das práticas em saúde em direção da humanização depende de novos processos de subjetivação que recriem os sujeitos em interação no ambiente de trabalho. Trazem para cena o aspecto relacional implicado nos processos de trabalho em detrimento dos aspectos técnico normativos.
A subjetivação implicada nestes processos tem no desejo sua força motriz para criar um novo devir na produção do cuidado em saúde. Há uma crença que aposta numa transformação das pessoas em seu cotidiano de trabalho mediado por tais encontros-acontecimento. Não estou convencida dessa possibilidade em função de um relativismo que se mostra na aposta em linhas de fuga, que pode apontar em toda e qualquer direção. Importa é fugir do que está dado, afastar-se da ordem do biopoder normatizador e serializante que dita modos de produção do cuidado. Cada coletivo, em sua co-gestão, guiados pela força revolucionária de seus desejos, criariam novas práticas em saúde, mediante novas formas de subjetivação baseadas em encontros acontecimento. A solidariedade, no caso, se apresenta como algo importante no processo. Mas aonde se quer chegar com tais linhas de fuga?
Quando acendemos ou direcionamos a luz para a subjetividade implicada nos processos sociais, institucionalizados ou não, não quer dizer que tais processos não estejam presentificados desde sempre. As práticas normatizadoras e serializantes da ordem do biopoder é um modo de produção subjetiva da qual se quer fugir em função do seu resultado em termos da produção do cuidado em saúde. O resultado seria a superação dos desafios que se apresentam, como por exemplo, a deshumanização dos serviços revelada na desresponsabilização dos profissionais em relação a produção do cuidado, no descompromisso com seus
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processos de trabalho, e também no descaso e despersonalização que marcam a relação do trabalhador da saúde com os usuários. Ora, tal resultado não seria, justamente, já as linhas de fuga dos processos de produção subjetiva do cuidado, quando centrados em normatizações da ordem do biopoder? É possível construir quais linhas de fuga apostando no desejo dos trabalhadores e usuários implicados nesse processo?
Tais formas de encarar os processos subjetivos se coadunam com a Esquizoanálise que em sua proposta não menciona ou se interessa na defesa de qual mundo devemos viver ou como o mundo deveria ser, e colocam no desejo, a força motriz de transformação sem, no entanto, se ater que transformação se quer. Para o esquizoanalista o que interessa é retirar o indivíduo de seu entorpecimento neurótico que o torna reprodutor de modelos, e fazê-lo descobrir-se como máquina desejante capaz de subordinar a máquina social para tecer realidades à imagem e semelhança de seus desejos. Há um pressuposto da neurotização de todos em função dos agenciamentos capitalísticos.
O modo como a produção do cuidado se dá hoje no cotidiano de trabalho é sustentado pelo desejo de grande parte das pessoas implicadas, tanto usuários quanto trabalhadores da saúde. A situação tal qual se apresenta em sua normatividade serializante, certamente, é benéfica e realizadora para o desejo de muitos que o sustentam. Se assim não o fosse, tais linhas de fuga já teriam traçados novos rumos para processos sociais que se institucionalizam na produção do cuidado em saúde.
Há toda uma rede invisível de privilégios que atende aos desejos e justificam posturas normatizantes, despersonalizadas e burocráticas na produção do cuidado em saúde. A desvalorização do público somada às condições de trabalho precarizadas do SUS criam limites e ditam as formas de agir na produção do cuidado, gerando processos de trabalho em que toda desresponsabilização e descaso têm justificativa plausível traduzidas em frases do tipo: “com estas condições de
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Outro ponto para refletir é como transformar práticas de cuidado em saúde em direção da humanização imerso em um cotidiano social em que a justiça é vista e sentida como privilégio de alguns em termos de processos subjetivos em questão. A injustiça se torna lugar comum e esperado para processos sociais em que o direito à saúde é encarado como favor; um serviço de “graça” oferecido para os que não podem pagar. Que compromisso com a qualidade é possível criar em processos subjetivos de produção do cuidado em que a oferta de serviços é compreendida e sentida como benesse ou favor, e não como um direito humano que se presta àqueles que recorrem aos serviços? Como os encontros-acontecimentos solidários impulsionariam uma renovação das práticas de cuidado em saúde? A
biopotência e as singularidades seriam os meios ou os fins para produção de novas
subjetividades? Que novas subjetividades seriam estas? Ficaria a mercê do desejo de cada processo social? Que solidariedade é essa que se fala como necessária? É aquela pautada no favor que se concede aos que não podem recorrer aos serviços privados, encarados sempre como melhor e mais qualificados? O desejo seria a força motriz revolucionária para quem?
Tais apostas em processos de produção subjetiva do cuidado centradas nas micropolíticas do cotidiano revelam um modo de compreensão do tencionamento entre o individuo/coletivo. Parece que o crédito da aposta incide sobre o individuo com o trunfo da força do desejo que carrega, como fenômeno inconsciente.
Em que pese a importância dos trabalhadores em saúde se sentirem capazes de transformar seus cotidianos de trabalho pela força de seu desejo e qualificar os processos de produção do cuidado, a questão a se pensar é: até que ponto estas linhas de fuga criariam realmente novos processos subjetivos com potência de transformação na efetivação das políticas públicas, ou apenas trariam uma ilusão de poder aos indivíduos que participam de processos de mudança com tais pressupostos?
As experiências individuais de se sentir capaz de influir e mudar processos nem sempre se relaciona com a real habilidade e possibilidade de ser influente para
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gerar uma transformação social e política com capacidade para criar novos processos de subjetivação. Até que ponto não há uma confusão instalada entre as habilidades de poder e influência de cada um no processo de produção do cuidado, e o real poder dos indivíduos circunscritos aos seus espaços de trabalho? Claro que isso não significa que os indivíduos não experimentem algum poder de influência embalado pelo seu desejo, e até possam mudar algo aqui e ali em seu cotidiano. Acredito que isso de fato ocorra. Até que ponto tais transformações, que de fato podem acontecer no espaço das micropolíticas, não se encerrariam justo aí, ou teriam alguma força de transformação mais ampla em termos macro? Isso se torna delicado porque há uma aposta que incide no desejo dos indivíduos de forma isolada, embora se reconheça que a força de transformação esteja na interação e no tencionamento que ela gera. A relação desejo e poder expressa pelo poder do desejo, ou pelo desejo de poder tenciona por conservação ou transformação, a depender dos processos sociais em jogo.
Há certamente um avanço nas ideias pós-estruturalistas em que o poder não está mais identificado com a figura do Estado, como na tradição moderna que tende a confundir relações de poder com relações de dominação. Há um avanço em retirar as relações de poder do âmbito macro para compreendê-las na microfísica das relações sociais em cotidianos diversos de interação humana, e trazer à tona o desejo imbricado na micropolítica cotidiana. O poder é algo que se presentifica em quaisquer âmbitos de relações humanas, desde o ambiente familiar, amoroso até o institucional, e passa a ser visto mais como prática social do que como algo natural da posse de alguns. O poder compreendido de forma difusa e com capacidade de tecer uma complexa teia de relações sociais traz a vantagem de refletir sobre sua positividade e capacidade de produção de novas subjetividades e domínios de verdade, bem como, permite explicitar melhor as estratégias e mecanismos que se usam para manipular e governar coletivos sociais.
Entretanto, o que gostaria de ressaltar neste ponto é o modo de compreender a relação indivíduo/coletivo que está por traz destas questões do
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poder e do desejo imbricados. Há um dualismo que resulta em tencionamentos que desembocam em paradoxos. As apostas são feitas creditando as transformações, aos paradoxos, vistos como oportunidade de invenção de novas práticas de produção subjetiva do cuidado em saúde. E a aposta transformadora incide ou acontece nos espaços micro, embalada pela força do desejo dos indivíduos. O olhar se volta mais para os indivíduos e seus desejos no espaço micropolítico das relações sociais e a relação indivíduo/coletivo é tomada por um tencionamento excludente que tende para um dos lados. O micropolítico no caso não se relaciona com um macro, mas com os agenciamentos desejantes do campo social, e a política se reduz as forças desejantes que atuam na configuração do poder instituído. Há um silêncio para falar do coletivo e dos âmbitos macrossociais de formulação de políticas que parece, simplesmente, desaparecer de vista, em função das três tarefas magnas da Esquizonálise. Tais processos de subjetivação tende para um lado, o do individual, e parece reduzir o humano à máquina desejante.
Algumas ideias de Morin (1996, 2002, 2003a, 2003b) em seus escritos sobre a identidade humana nos permitem compreender a articulação complexa que se tece entre o individual e o coletivo. Para o autor, o indivíduo não deve ser entendido como noção primeira, nem última, mas está no nó górdio da trindade humana indivíduo/sociedade/espécie. Aqui o indivíduo é um termo desta trindade, e cada termo contém os demais.
A relação indivíduo/sociedade/espécie é dialógica, o que significa que são antagônicos e complementares ao mesmo tempo, são meios e fins uns dos outros. Cada um dos termos é irredutível ao outro, ainda que deles dependam. É isso que