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KAPITTEL 3 DEN IDEOLOGISKE TILNÆRMINGEN MELLOM IRAN OG SAUDI-ARABIA

3.2 Den ideologiske relasjonen etter 1989

3.2.4 Intern strid og proislamisme i Saudi-Arabia

A CECAP e o Conj unto Habitacional Zezinho Magalhães Prado.

O Conj unt o Habit acional Zezinho Magalhães Prado f oi escolhido como est udo de caso dest a dissert ação por ser um ícone da Arquit et ura Moderna no Brasil. Os conceit os inovadores que f oram aplicados e sua f orma revelam alguns índices de indust rialização na const rução. Nest e capít ulo pret ende-se most rar a realidade das quest ões que envolveram essa grande obra iniciada no f inal da década de 1960 e concluída em 1981, que t eve como prot agonist as expoent es da arquit et ura nacional e do debat e polít ico-cult ural.

Para a análise f eit a, nos valemos dos conceit os apresent ados inicialment e e da discussão sobre a arquit et ura moderna em geral e da arquit et ura moderna brasileira e suas relações com a polít ica e o desenvolviment ismo apresent ada nos capít ulos ant eriores.

Um dos nomes pelo qual o Conj unt o é conhecido é Parque CECAP. Iniciamos a nossa análise j ust ament e pela explicit ação dest e órgão est adual, essencial para a int elecção do processo, a CECAP.

A CECAP

A CECAP (Caixa Est adual de Casas para o Povo) aut arquia1 criada em 1949, por Adhemar de Barros (FICHER, 1972) para desenvolver programas de polít ica habit acional no Est ado de São Paulo, em seus primeiros 18 anos de exist ência havia const ruído 40 (quarent a) habit ações populares (PENTEADO, 2007).

A CECAP era um órgão da administ ração pública com cert a aut onomia f inanceira, cuj o obj et ivo era const ruir e vender casas para os t rabalhadores sindicalizados. Os crit érios de habilit ação para as moradias eram: menor

1 Na administ ração pública brasileira, uma autarquia é uma ent idade auxiliar da administ ração pública est at al

aut ônoma e descent ralizada. Seu pat rimônio e receit a são próprios, porém, t ut elados pelo Est ado. O Decret o-Lei nº 200 de 1967, no seu art igo 5º, inciso I, def ine aut arquia como "Serviço aut ônomo criado por lei, com personalidade j urídica de direit o público, pat rimônio e receit a próprios, para execut ar at ividades t ípicas da Administ ração Pública, que requeiram para seu melhor f uncionament o gest ão administ rat iva e f inanceira descent ralizada" (ht t p:/ / pt .wikipedia.org).

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salário, maior número de f ilhos menores, ser sindicalizado, t empo de sindicalização e maior t empo na Grande São Paulo (REVISTA DESENHO 4, 1972).

Em 1966 Zezinho Magalhães Prado é empossado superint endent e da aut arquia (PENTEADO, 2007)2 e implement aria uma dinâmica inusit ada, para qual concorreu a nomeação como seu assessor o arquit et o Ruy Gama (PUNTONI, 2007)3. Est e t eve inf luência na decisão de chamar os arquit et os Vilanova Art igas e Fábio Pent eado, que post eriorment e chamariam Paulo Mendes da Rocha, para coordenarem o proj et o de um grande Conj unt o Habit acional em Guarulhos. Not e-se que naquele moment o, em plena dit adura milit ar, Art igas j á era uma personalidade polít ica de esquerda reconhecida, que não havia ainda sido cassado como prof essor da FAUUSP, mas que era alvo de inquisições por part e do aparelho repressivo do Est ado.

Em 18 de dezembro de 1975 a CECAP t em a sua nomenclat ura alt erada para Compainha Est adual de Casas Populares e é desat ivada em 1980. Assim t odos os direit os f oram passados para a Companhia do Desenvolviment o Habit acional e Urbano (CDHU), sendo lá encont rados os dados remanescent es daquela época.

Guarulhos e o Bairro Parque CECAP

O Conj unt o Habit acional Zezinho Magalhães Prado, ou Parque CECAP, pela sua grandiosidade, acabou dando nome ao bairro (Parque CECAP) est á localizado em Guarulhos, no nordest e da Região Met ropolit ana de São Paulo (f igura 17), sendo um dos 39 municípios que a int egra. Sit ua-se no eixo Rio/ São Paulo, a 19km da capit al (ISSAC, 2007).

2 Ent revist a de Fabio Pent eado a aut ora em 09/ 03/ 2007.

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Figura 17 – Localização do Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado/ Parque CECAP; Font e: Solimar Mendes Issac.

“ Est rat egicament e posicionado ent re o eixo Rio/ SP, o município de Guarulhos f oi escolhido para a implant ação de equipament os de impact o regional t ais como: o Aeroport o Int ernacional de São Paulo – Guarulhos (inaugurado em 1985 e com a t erceira pist a em f ase de proj et o), Rodoanel, Dryport , o Parque Ecológico do Tiet ê e o Parque Est adual da Cant areira” .4

Pela f igura 17, vemos que a área do t erreno dest acada (cor f errugem), f az divisa com o Rio Baquirivú, o Aeroport o Int ernacional de Cumbica e a Base Aérea, além de t er a Rodovia President e Dut ra (f igura 17 – vermelho) e a Avenida Perimet ral (f igura 17 – amarelo) margeando-a e um pouco mais af ast ada a Rodovia Ayrt on Senna da Silva (f igura 17 – rosa). Cabe regist rar que à época o Aeroport o (enquant o equipament o de uso civil) era uma possibilidade e a Avenida Perimet ral e a Rodovia Ayrt on Senna da Silva não haviam sido implant adas.

4 ISSAC, S. M. (2007); Parque CECAP Guarulhos: t ransf ormação urbana. Dissert ação (mest rado) – FAU, USP, São Paulo.

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Área do Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado

O t erreno era de propriedade da Caixa Econômica do Est ado de São Paulo (CEESP) (f igura 18) com cerca de 1.780.000 m2. Em 23 de agost o de 1967 houve um processo de desapropriação amigável movido pela CECAP cont ra a CEESP, originando a t ranscrição de nº 19.403 (ISSAC, 2007).

A área f oi ut ilizada em sua t ot alidade para o proj et o inicial do conj unt o habit acional, porém, como será vist o a diant e, est e não f oi const ruído na sua t ot alidade. Na part e do t erreno à direit a da Rodovia President e Dut ra não houve qualquer t ipo de const rução, e na área à esquerda da rodovia f oram const ruídos part e dos blocos habit acionais e part e dos aparelhos colet ivos.

Sylvia Ficher, em 1972, est agiária da CECAP, f ez um relat o muit o int eressant e sobre o t erreno, corroborando e ref orçando as bases de proj et o que sediment avam a implant ação do conj unt o e a implant ação das edif icações sobre pilot is:

“ A área do t erreno é de 180ha e sua conf ormação t opográf ica apresent a relevo pouco acent uado, predominando a várzea do rio Baquirivu, af luent e do principal curso d’ água da Região Met ropolit ana que é o Tiet ê. A nat ureza do t erreno part icularment e das camadas superf iciais t urf osas, aliada à condição do relevo, f oram dados muit o import ant es para elaboração do plano urbaníst ico e dados t écnicos da análise do solo inf luenciaram sobremaneira às t écnicas e const rut ivas dos edif ícios previst os. Todos os edif ícios habit acionais se apóiam em pilot is, do que result a melhor condição t écnica em f unção do t ipo do solo e maiores vant agens econômicas, liberando a camada superf icial para a circulação dos pedest res e recreação inf ant il” .5

5 FICHER, S. (1972); Subsídios para um Est udo do Conj unt o Habit acional Zezinho Magalhães Prado. Monograf ia de

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Figura 18 – Matrícula de 1.780.000 m2 – Terreno Incial CEESP;

Font e: Solimar Mendes Issac.

Dados de Projeto

No Debat e sobre o Conj unt o realizado na FAUUSP em 1968, e publicado em 1972 na Revist a Desenho 4, há uma descrição sint ét ica do proj et o, conf orme a t abela 01, que se aplica apenas à primeira f ase, pois f oi uma obra muit o longa que passou por t ransf ormações em cada f ase da obra. O superint endent e, quando do debat e, havia sido mudado em f unção do f aleciment o de Zezinho Magalhães Prado, no seu lugar ent rou Juvenal Juvêncio.

Como pode ser observado na t abela 01, além dos arquit et os cit ados acima, exist e a part icipação de muit as pessoas envolvidas no processo de proj et o e de const rução.

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Tabela 016 – Dados de proj et o do Conj unt o Habit acional Zezinho Magalhães Prado.

Descrição Projeto 1ª Fase

Moradias 10.680 unidades

População previst a 55.000 habit ant es

Terreno 180 ha

Descrição habit ações edif ícios de 3 andares sobre pilot is, organizados em Freguesias (32 edif ícios) Serviços Colet ivos 8 grupos escolares,3 ginásios,

1 escola indust rial, 1 hospit al geral, Pront o-socorro ambulat ório,

Cent ro de saúde, Post o de puericult ura, Est ádio para 10.000 pessoas, 2 cinemas, Hot el, Teat ro, Comércio próprio, Igrej a, Clube, Ent repost o de Abast eciment o, Caixa d’ água e Gasômet ro.

Coordenação do Proj et o João Vilanova Art igas Fábio Pent eado

Paulo Mendes da Rocha Arquit et os que t rabalharam

no Proj et o

Arnaldo Mart ino Renat o Nunes Ruy Gama

Giselda Cardoso Viscont i Geraldo Vespasiano Punt oni Est udos Sócio-econômico CEMACO (Eugênia Paesani) Pesquisa do Sist ema

educacional

Celso Lamparelli Maiumy Souza Lima Alice Gonzaga Sist ema de Abast eciment o PROAGRI

Cálculo Est rut ural José Carlos Figueiredo Ferraz José Ant ônio Del Nero

José Almeida Cast anho Engenharia Hidráulica e

Sanit ária

PLANIDRO Inst alações Elét ricas e

Hidráulicas

Henrich Zwilling e Cia. Lt da Orçament o e programação da

obra

L. Falcão Bauer Lt da

Geologia St elavio Ranzini

6 Não est ão nest a t abela t odos os nomes das pessoas que t rabalharam no proj et o e sim as pessoas que f oram

cont rat adas para o proj et o, muit os colaboradores eram f uncionários públicos t ransf eridos do ext int o DOP para a CECAP, dent re eles, Ruy Gama, Giselda Viscont i e Geraldo Vespasiano Punt oni.

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A idéia inicial do conj unt o f oi f azer moradias agrupadas em 6 set ores denominados f reguesia, sendo que cada set or t eria um raio de 150m, uma escola e pequeno comércio para o cot idiano, port ant o pode ser verif icada a idéia moderna de unidade de vizinhança, ou superquadra. O serviço de t ransport e propost o at ravessa o conj unt o de f orma t al, que passa igualment e a 150m de cada moradia.

Cada lâmina é compost a por 3 andares sobre pilot is, sendo o bloco f ormado por dois edif ícios int erligados por um j ardim sombreado onde se localizam as escadas de acesso, cada uma servindo a 12 apart ament os.

O apart ament o, com 64m2 de área, t eria como caract eríst ica uma plant a de uso f lexível, a f im de permit ir a cada morador várias hipót eses de adapt ação, segundo os hábit os ou o t amanho da f amília (FICHER, 1972). O equipament o hidráulico e de serviços do apart ament o est á concent rado em uma f aixa do bloco que compõe a cozinha, o banheiro e a lavanderia.

Alguns dos dados acima podem ser vist os na implant ação no t erreno (f igura 19) most rada a seguir, t ais como os blocos de edif ícios e os serviços colet ivos.

Para melhor ent endiment o, seguir a legenda: (1) Habit ação (azul); (2) Comércio da Freguesia (amarelo); (3) Comércio Cent ral (magent a); (4) Cent ro Educacional (rosa); (4A) Ensino Técnico (rosa); (5) Hospit al (cinza); (5A) Cent ro de Saúde (cinza escuro); (6) Igrej a (laranj a); (7) Teat ro de Arena (roxo); (8) Esport e (verde); (9) Cent ro de Abast eciment o (verde claro); (10) Piscina (roxo escuro); (11) Caixa d’ água (vermelho).

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Figura 19 – Implantação do todas as construções no projeto de 1967. Font e: Revist a Desenho 4.

Figura 20 – Implantação do projeto completo de 1967 na malha urbana atual de Guarulhos. Font e: Solimar Mendes Isaac.

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Na f igura 20, podemos ver como seria a implant ação do proj et o na malha urbana at ual de Guarulhos, caso o conj unt o t ivesse sido implant ado na sua t ot alidade.

Conceitos Aplicados ao Projeto

Figura 21 – Edifícios da primeira fase de construção. Font e: Revist a Desenho 4.

Como podemos ver na f igura 21, algumas das soluções ut ilizadas são bem nít idas, conf igurando o conj unt o, t ais como os pilot is, edif ícios em f orma de lâminas em quat ro paviment os (t érreo mais t rês pisos), j anelas horizont ais que cort am t oda a f achada, o bloco sem cobert ura aparent e, dist ância ent re edif ícios respeit ando a ent rada de raios solares de f orma adequada em t odos apart ament os. Nessas soluções t ransparecem conceit os claros da arquit et ura moderna, porém out ros conceit os, não t ão explícit os, são t ambém observados, como a plant a das unidades, de 64 m2 (f igura 26), t ot alment e racionalizada com o mínimo de espaço possível perdido para a circulação, paredes int ernas na f orma de divisórias com 9 cent ímet ros de espessura, os

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armários como caixas que avançam nas f achadas, possibilit ando maior espaço int erno.

Um dos obj et ivos que f oi mais perseguido em t oda a obra, t alvez o f io direcionador de t udo, que deveria validar o paradigma da indust rialização e da racionalização da const rução civil, f oi à redução do cust o da obra. Como diz Ficher7, f oi aplicado em vários pont os dif erent es, como por exemplo:

redução de consumo de concret o: (-37%) e espessura da parede 9,4cm;

redução nos condut os d’ água: pois f oi escolhido a ent rada diret a da

água da rua, sem caixas d’ água nos blocos;

solução racional dos pisos: sem cont rapiso;

eliminação de baldrames: a amarração dos pilares f oi f eit a diret o no primeiro paviment o;

caixilhos: grande quant idade de caixilhos da mesma especif icação, e;

armários: necessário apenas a colocação de port as.

No Debat e realizado na FAUUSP em 1968, os arquit et os aut ores expuseram o proj et o e explicaram alguns dos conceit os usados. Abaixo um t recho da explanação de Ruy Gama, que nesse processo cumpriu um papel int ermediário ent re a CECAP e os arquit et os:

“ A CECAP ent ão se propôs a elaborar um proj et o para aproveit ament o de área no Município de Guarulhos, próximo ao aeroport o de Cumbica que pudesse capit alizar t oda experiência obt ida no nosso t rabalho ant erior, cont ando ainda com arquit et os de f ora do serviço público e apresent ar uma solução que pudesse realment e est ar de acordo com

7 FICHER, S. (1972); Subsídios para um Est udo do Conj unt o Habit acional Zezinho Magalhães Prado. Monograf ia de

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as necessidades dos t rabalhadores da região met ropolit ana de São Paulo, e que pudesse expressar aquilo que f osse possível obt er de melhor em mat éria de proj et o e de planej ament o” .8

Nesse t rabalho, um dos dif erenciais f oi mesmo a relação ent re proj et o e planej ament o. O planej ament o racional inf orma o proj et o e organiza a relação ent re o proj et o (concepção) e obra (produção), t ornando a prát ica do arquit et o, ou do const rut or em t ermos genéricos, uma prát ica racional, quase cient íf ica, ext irpando os aspect os int uit ivos do proj et o e da obra. Cada det alhe f oi t razido ao papel ant es de ser colocado em prát ica, o que assegurou um result ado superior em relação à maioria das const ruções de conj unt os habit acionais.

Um dos coordenadores gerais do proj et o, Fábio Pent eado, que em f unção das limit ações que Art igas acabou sof rendo por cont a de sua milit ância de esquerda, acabou exercendo o papel de gerenciador por part e dos aut ores, expôs no Debat e o conceit o urbano-paisagíst ico do proj et o:

“ O conceit o básico adot ado no plano, f oi à abert ura de áreas, as mais generosas possíveis e nos ent ornos dest a área a colocação, de maneira compact a, daquilo que no nosso proj et o passou a se chamar de f reguesia. Result a num conj unt o de soluções apoiadas nos 150m. Est es 150m result am num cent ro de abert ura da f reguesia para um espaço de comércio e out ras ut ilizações, cada uma delas por sua vez, se comunica com um grande espaço abert o que é a área para onde convergem t odos os moviment os” .9

Out ro t recho import ant e do debat e é quando Paulo Mendes da Rocha expõe a preocupação com os moldes brasileiros de habit ação, mas, sobret udo, a preocupação com a propost a const rut iva e as suas mot ivações:

8 Revist a Desenho nº 04 – Debat e CEB 1968. 9 idem.

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“ Um dos aspect os mais int eressant es é o problema ligado à viabilidade do proj et o em relação à sua qualidade como casa, como habit ação de uma f aixa de população de det erminado poder aquisit ivo, limit ada e conhecido (...) o proj et o f oi ent ão vist o de f orma a ser execut ado dent ro de uma t écnica de concret o armado com perspect iva de aproximação à pré-f abricação, e da pré-moldagem (.. .) em relação aos edif ícios em si, o proj et o f oi pensado de maneira que pudesse dar uma condição de habit abilidade e que f osse ao mesmo t empo razoável em relação aos cost umes, ao que é molde do povo brasileiro.”10

A “ aproximação” com a pré-f abricação e a pré-moldagem, ist o é, com processos que implicam na indust rialização da const rução, reaf irmando a prát ica racional do f azer arquit et ônico, aparecem possibilit ando, em t ermos t écnicos, um morar mais qualif icado (habit abilidade), irmanado com o morar em t ermos subj et ivos (cost umes do povo brasileiro).

Art iculando o “ f io condut or” Paulo Mendes da Rocha f ez uma declaração sobre a quest ão da economia geral da obra, que ganha o st at us de economia social:

“ O problema do cust o, da economia, da viabilidade de um proj et o como est e, apresent a aspect os da ordem do que seria uma economia social, no caso. Nós poderíamos dar a vocês dados, que se encont ram no corrent e dos proj et os racionalment e f eit os, porque são f at ias dent ro da exigüidade da área, o problema da casa de 70m2, o volume de concret o armado, a t écnica adot ada, t udo enf im me parece j á bast ant e discut ido e conhecido por nós” .11

É import ant e observar como os “ proj et os racionalment e f eit os” art iculam uma “ economia social” . Ainda que o t recho não cit e, mas

10 Revist a Desenho nº 04 – Debat e CEB 1968. 11 idem.

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ordenando est as noções com as present es nas out ras declarações, f ica claro, que o proj et o do Conj unt o é apresent ado como a expressão do paradigma de um modo de ver a racionalidade produt iva, vinculada aos processos indust riais, propiciando melhorias sociais.

No t recho, especif icament e, além da quest ão do espaço da unidade, f ica subent endida a opção em propor unidades mult if amiliares, e não várias unidades habit acionais unif amiliares, em f unção do ganho no espaço f ísico, ou sej a, economia do t amanho do t erreno. Ist o porque, j á naquela época, os ef eit os da especulação imobiliária j á se f aziam sent ir na Grande São Paulo. A preocupação social vinha t ambém por ser um proj et o pré-f abricado, ou sej a, com possibilidade de ser reproduzido em grande escala.

No debat e, Art igas t ambém discorreu sobre o assunt o da economia versus a opção pela indust rialização. Not e-se que est a discussão é f undament al, pois no debat e ent re Art igas e companheiros f rent e às posições de Sérgio Ferro e Rodrigo Lef èvre, devia-se comprovar que a propost a de execução do empreendiment o a part ir de pré-moldados de concret o havia de se most rar compet it iva em relação ao uso de t écnicas t radicionais. Assim Art igas af irmou:

“ Digamos que f osse colocado para nós, o problema de um

apart ament o de 64m2, represent a em área, um t amanho quase

exagerado com relação à média universal que se dá para uma f amília de 5 pessoas. Nas condições brasileiras eu acredit o que não deva ser menor porque cert ament e haverão acumulações maiores numa boa part e dos apart ament os. Mas at ingir um preço que pudesse ser acessível em t ermos de prest ação, corresponderia a propor essas est rut uras de const rução com t al crit ério de escolha de preço, o que agrava o problema de maneira ext raordinária. Foi preciso propor um processo de const rução no qual podemos f azer est e edif ício com espessuras médias de 9cm de concret o armado; f oi preciso t ambém modif icar a est rut ura de f orneciment o de água, f oi preciso ir ao

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aspect o que nos levaram a proj et ar um t ipo de f ogão e ver como era possível arranj ar uma geladeira” .12

Ou sej a, f rent e às crít icas à vinculação da arquit et ura com o desenvolviment ismo, a crença de que o Brasil repet iria o processo hist órico