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Chapter 4: Methodology and Research Design

4.5 Methods used in the data collection

4.5.3 Material Analysis

Inicialmente, torna-se importante lembrar que, para sobreviver e competir na “sociedade do conhecimento”, as organizações devem aprender a administrar seus ativos intelectuais.” (PROBST; RAUB; ROMHARDT, 2002). Muito mais que aspectos intangíveis, o conhecimento é considerado, hoje, no cenário organizacional, um ativo de relevância indiscutível capaz de agregar valor às informações coletadas e ajudar no processo de tomada de decisão.

Um conceito novo que, para alguns, é coberto por descrédito, típico das ideias inovadoras e, para outros, uma maneira inteiramente nova e dinâmica de se produzir resultados concretos. “O conhecimento tornou-se um recurso econômico proeminente mais importante que a matéria prima, mais importante muitas vezes que o dinheiro” (STEWART, 1998, p.05).

No entanto, a discussão do conhecimento como um novo “ativo” organizacional e sua significação na sociedade atual vão muito além de sua definição apenas como mais um recurso organizacional, definição esta, por vezes, muito criticada por algumas correntes teóricas. A significação do conhecimento passa pela questão de como efetivamente se podes trabalhar com um conceito tão abstrato, tão difícil de ser mensurado.

A maioria das organizações está preparada para medir coisas relativamente simples, como volume de vendas, estoques ou fluxo de receitas, entretanto, quando se trata de conhecimento, surge a dúvida acerca da forma de mensuração de algo que nem ao menos se consegue definir (MICKLETHWAIT; WOOLDRIGE, 1998). Essa inquietação segue os estudos na área, principalmente naqueles em que se objetivam transformar o conhecimento em algo palpável passível de mensuração.

A definição do conhecimento como elemento de diferenciação nas organizações é fruto de uma discussão epistemológica que tem, nos discursos filosóficos, principalmente na tradição filosófica ocidental, sua base de sustentação. A epistemologia ocidental tratou de separar o sujeito que conhece do objeto conhecido, baseado na metodologia cartesiana de divisão entre o conhecedor e o conhecido.

Essa tradição influenciou, consideravelmente, disciplinas ligadas à área de economia e administração, bem como as teorias organizacionais, dando a essas, uma visão gerencial sobre inovação e conhecimento (NONAKA; TAKEUCHI, 1997). Assim, suas influências levaram alguns estudiosos a postular teorias focadas na divisão cartesiana do conhecimento, naquilo que os autores retro mencionados chamam de um esforço mal sucedido de superar esse dualismo.

Ao longo da história humana vê-se a discussão epistemológica como o centro da atenção dos filósofos e estudiosos, de Platão a Aristóteles, de Descartes a Locke, até os dias atuais, o debate se configura entre o racionalismo, segundo o qual o conhecimento pode ser adquirido por dedução, através do raciocínio; e o empirismo, que diz ser possível adquirir conhecimento por indução, a partir das experiências sensoriais. Essas contribuições filosóficas ressaltam um aspecto frequentemente esquecido na literatura atual sobre gestão do conhecimento: o fato de que o conhecimento não se compõe somente de respostas e de know-how, mas também de indagações, questões, dúvidas e incertezas (VASCONCELOS, 2001).

Assim, ficou impossível desconsiderar o conhecimento, ou a geração dele, como o elemento de desenvolvimento essencial do homem moderno. “O conhecimento é o conjunto total incluindo cognição e habilidades que os indivíduos utilizam para resolver problemas” (PROBST; RAUB; ROMHARDT, 2002, p. 23). Desta forma, a utilização do conhecimento se torna essencial para organizações e pessoas, já que representa o acúmulo de elementos que caracterizam suas formas de atuar e de ser.

Na contramão do pensamento cartesiano, surge a epistemologia de Michael Polaniy, apresentada na obra Personal Knowledge, de 1958, na qual o autor defende que, na percepção do indivíduo, executar-se-á uma ação, criando, desta forma, uma integração tácita de sensações no objeto percebido ao qual lhe é conferido um significado que não possuía anteriormente (SAIANI, 2004). Desta forma, o autor postula que a percepção é sempre significativa e que o conhecimento

é algo que pode ser capturado, criado, ou visto por uma mente, no que chamou de conhecimento tácito.

O conhecimento tácito passa a ser, então, considerado como o entendimento da relação entre aquilo que se percebe de forma particular, as características de determinado objeto, e o todo que o forma, dando a compreensão do objeto por inteiro. Esta percepção não está relacionada apenas ao que o indivíduo enxerga, mas influenciado, sobretudo, por suas crenças, valores e trajetória de vida. Em termos práticos, seria aquele conhecimento percebido pelo indivíduo através da relação entre as particularidades e o todo, formando uma percepção pessoal, inigualável e intransferível sobre determinado objeto ou ação, ou seja, um conhecimento tácito sobre ele.

Partindo da dimensão tácita do conhecimento, Nonaka e Takeuchi (1997) propõem a intitulada Teoria do Conhecimento Organizacional. Segundo esses autores, existem duas dimensões a serem consideradas quando do estudo sobre o conhecimento: a ontológica, onde o conhecimento é criado por indivíduos, sem o qual uma empresa não o desenvolve; e a dimensão epistemológica, baseada na distinção entre conhecimento tácito e explícito. O conhecimento tácito, aquele pessoal, específico ao contexto, difícil de ser formulado e comunicado, e o conhecimento explícito, aquele transmissível em linguagem formal e sistematizada, “codificado”. Assim, esses autores destacam quatro modos de conversão de conhecimento, que são: a socialização; a externalização; a combinação e a internalização.

A socialização está baseada nas experiências e no conhecimento tácito dos indivíduos; é o processo de compartilhamento desses conhecimentos com os demais indivíduos da organização. A externalização, como chave para a criação do conhecimento, se materializa mediante a utilização de metáforas, analogias e modelos para a efetivação do processo de compartilhamento desses conhecimentos.

A combinação, por sua vez, é a sistematização de conceitos processados através da classificação, do acréscimo, da combinação e da categorização dos conhecimentos agora explicitados. E, por fim, a internalização, com a incorporação do conhecimento explicitado e transformado novamente em tácito, dá início a uma nova espiral do conhecimento, ao que os autores chamam de “aprender fazendo” (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).

Em termos de orientação principal, esta dissertação toma, como base, a conceituação de conhecimento explícito, dentro dos modos de conversão do conhecimento definidos pelos autores citados (NONAKA; TAKEUCHI, 1997). O propósito intencionado pretende discorrer sobre a representação gráfica proposta na perspectiva dos conhecimentos explicitados nas leis e instrumentos desenvolvidos pelo SINAES, no tocante à Avaliação in loco proposta pelo sistema, tomando aquilo como base, é possível ser gerenciado como elemento organizacional, que são os conhecimentos explicitados.

Alguns estudos mais recentes (LI; KETTINGER, 2006; CHEN; EDGINGTON, 2005; DENNIS; VESSEY, 2005; NAH; BENBASAT, 2004) discutem, de forma prática, a aplicação desses conceitos, levando suas análises para o campo do estudo de desenvolvimento de sistemas de informação, do valor criado pelo processo de criação do conhecimento, das várias maneiras de se classificar a gestão dos conhecimentos (knowledge hierarchy, a knowledge market and a

knowledge community), bem como da investigação do uso das bases de

conhecimento para facilitar o processo de suporte à tomada de decisão em grupo. Esses trabalhos também oferecem suporte para o embasamento teórico desse estudo, oferecendo a sustentabilidade necessária ao desenvolvimento dos objetivos da presente investigação científica.

No entanto, antes que se discorra sobre os elementos a serem estudados, apresentados acima, torna-se necessária uma imersão em alguns conceitos que, como será visto mais adiante, darão sustentabilidade aos objetivos alcançados neste trabalho. As próximas seções deste trabalho concentrar-se-ão nas definições necessárias à temática abordada, bem como nos pressupostos teóricos que lhe conferem entendimento. Assim, começa-se com as definições pertinentes ao conhecimento e às discussões sobre sua utilização como recurso organizacional, o uso da Tecnologia da Informação na representação do conhecimento e, finalmente, a avaliação do ensino superior nesse contexto.