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Incremental cost–effectiveness estimates in the base case scenario The results of the probabilistic sensitivity analysis in the base case scenario with a

6 - Economic evaluation – Results

6.1 Incremental cost–effectiveness estimates in the base case scenario The results of the probabilistic sensitivity analysis in the base case scenario with a

Ao longo do primeiro capítulo, pretendíamos evidenciar elementos teóricos da concepção keynesiana do capital financeiro, entendidos a partir da moeda e da relação entre agentes econômicos, em que o processo da financeirização destaca a influência das incertezas de mercado sobre as decisões capitalistas. A partir dessa concepção, podemos entender que as relações financeiras permitem que os agentes rentistas busquem segurança por meio das inovações financeiras, de modo a possibilitar a transferência de perdas ou a apropriação de uma renda gerada em outro processo. Nesse sentido, lembrando que os atributos monetários são resultado da preferência pela liquidez dos capitalistas e que os ativos financeiros incorporaram parte desses atributos já que são “quase moeda”, alguns rentistas podem possuir poder de decisão e de influenciar o mercado. Além disso, pretendíamos evidenciar

para a prática especulativa, orientando o fluxo da riqueza na esfera financeira em detrimento da riqueza na esfera real.

De certa maneira, pudemos evidenciar que as interpretações keynesianas da economia monetária apontam para a importância da moeda no fluxo da riqueza e para a subordinação de todo o processo de reprodução e acumulação da riqueza em função da dominância financeira; que dizer, tais interpretações apontam para uma economia monetária financeirizada que parece ser autodeterminada e cuja instabilidade proporciona ganhos de capital por meio das inovações financeiras, sem criar bases produtivas e condições para a reprodução da riqueza real.

Nesse sentido, na impossibilidade de um livre mercado, a teoria keynesiana aponta para um desenvolvimento capitalista que levaria à “eutanásia do rentista”, mas não antes sem crises sistêmicas que arrastaria todos os setores econômicos para uma recessão. Para evitar essa crise e emancipar as relações econômicas para além das influencias financeiras, cabem constantes planejamentos econômicos por meio de políticas públicas de Estado, capazes de coordenar sistemicamente, de perceber os desequilíbrios e de salvar a sociedade contra um processo que levaria a novas crises do capitalismo. Caso contrário, em período de crise, entendida a partir do arcabouço keynesiano como uma reversão generalizada de expectativas, a crença rentista de autovalorização da riqueza se torna uma frustração concreta, um processo que leva à depressão econômica.

Contra isso, aponta-se para a necessidade de uma reforma profunda no sistema capitalista, de modo que o sistema se desenvolva por meio de constantes investimentos e, consequentemente, uma crescente demanda agregada, mas uma reforma que, na concepção keynesiana, seria possível apenas por meio do Estado. Uma síntese desse caráter reformador pode ser observada na parábola que Keynes pronuncia sobre o que seria sua solução contra uma demanda descoordenada por moeda:

Quer isso que o emprego aumenta porque as pessoas querem a Lua; os homens não podem conseguir emprego quando o objeto de seus desejos é uma coisa [o dinheiro] que não se produz e cuja demanda não pode ser facilmente contida. O único remédio consiste em persuadir o público de que Lua e queijo verde são praticamente a mesma coisa, e a fazer funcionar uma fábrica de queijo verde sob o controle do poder público [isto é, um banco central criando ativos financeiros]. (KEYNES, 1983, p. 164)

Nesse sentido, defende-se uma reforma que possa garantir a reprodução e crescimento dos investimentos, independentemente do fluxo de renda na esfera financeira, com possíveis medidas de legislação, normatização e novos instrumentos para o Estado e para as agências reguladoras e supervisoras.

Minsky, que observa que a instabilidade financeira e as crises são geradas endogenamente na economia, e são recorrentes – “como essa recente instabilidade financeira é uma repetição de fenômenos que caracterizam regularmente nossa economia antes da Segunda Guerra Mundial, é razoável encarar as crises financeiras como sistemáticas ao invés de acidentais” (MINSKY, 1977, p. 6) – não poderia deixar de enfatizar de modo especial a necessidade de sua reforma:

A conclusão final que emerge aqui é que os problemas, tão evidentes na economia americana desde meados dos anos 60, não são devidos às extravagâncias dos déficits orçamentários ou devidos aos erros no controle da oferta monetária: os problemas refletem a maneira normal como a nossa economia opera após um período de anos bem sucedidos. Se temos que fazer o melhor, é necessário reformar a estrutura da nossa economia, de tal modo que a instabilidade decorrente de uma estrutura financeira fortemente endividada seja reduzida. (MINSKY, 1992, p. 40, grifo nosso)

Se a reforma da economia no plano nacional é defendida, é coerente que o mesmo aconteça no plano internacional, com a defesa de instituições internacionais que possam coordenar o fluxo de capital entre nações, promovendo o bem estar social imediato nos países do centro capitalista e o desenvolvimento econômico e social nas periferias do sistema.

Sem uma reforma profunda, cujas bases devem ser desenvolvidas, não será possível uma expansão econômica, via sistema de crédito, sem que os bancos se tornem os agentes dominantes no processo. Pior do que isso, se o capitalismo não superar suas barreiras, as crises serão inevitáveis e cada vez piores.

A partir da leitura keynesiana, cuja escola é consideravelmente discutida e criticada no âmbito acadêmico e político, e cuja forma e conteúdo foram brevemente observados ao longo deste capítulo, acreditamos ter evidenciado os elementos mais relevantes para se compreender a lógica de funcionamento da economia monetária.

Percorrer Keynes e nos pós-keynesianos, de forma crítica, não foi tarefa fácil nem simples e trivial, mas foi de grande necessidade para compreendermos algumas especificidades que a economia monetária contemporânea apresenta, sobre as quais Keynes e alguns discípulos puderam dar dupla contribuição: expor as concepções e instrumentos por

e efeitos que o Estado proporciona ao sistema monetário.

Nessa leitura keynesiana, essas especificidades se fazem axiomáticas e são incorporadas pelo sistema na forma monetária, a qual é observada e desejada pelo público e validada pela lógica da valorização financeira que o sistema engendra, seja via inovações pelos bancos privados, seja pela segurança dos títulos da dívida estatal. De qualquer maneira, de origem privada ou pública, a lógica financeira encontra e aprimora uma flexibilidade que o sistema cria ao longo de seu desenvolvimento na busca pela contínua valorização do capital.

Não obstante, acreditamos haver várias limitações não só na exposição deste trabalho, como também na matriz teórica até aqui observada, no que se refere ao apontamento do fundamento das contradições do capitalismo presentes no capital financeiro. Portanto, parece- nos prudente avançarmos, ao menos por meio de mais uma escola de pensamento que nos forneça um outro método de análise, com o objetivo de pensarmos novos elementos em torno do conteúdo e da forma capitalista.

CAPÍTULO 2 – A contradição expressa no capital: uma leitura de Marx e de autores