5. IMPACTS OF RUDEP: WHAT IS THE RUDEP LEGACY TODAY?
5.1 I MPACTS ON THE ECONOMIC AND SOCIAL CONDITIONS OF THE POOR
Como vimos na seção 3.2, Vergnaud considera que é com base nos
problemas a resolver e nas situações a serem dominadas que um conceito
adquire sentido à criança, e define conceito como a terna C = (S, I, R), já
apresentada anteriormente.
Vergnaud a fim de estabelecer uma relação entre conceito e situação,
retoma Piaget e suas idéias sobre função simbólica. Assim, utiliza-se de
elementos básicos da função simbólica, associando-os à sua terna (S, I, R), de
sustentação da formação do conceito, expressando-a sob a perspectiva da
Psicologia, em que se tem:
• S referindo-se à realidade ou referente;
• (I, R) referindo-se à representação.
Desta forma, sob a perspectiva da Psicologia, a representação pode ser
considerada como a interação entre esses dois aspectos do pensamento, quais
sejam, o significado (I) e o significante (R). Mas, é importante salientar que a
interação entre significado e significante não é simples nem ocorre
espontaneamente. Esta interação requer grande esforço, tanto do professor como
da criança, já que nem sempre conseguimos representar graficamente aquilo que
estamos pensando ou entendendo (M
AGINA; C
AMPOS; G
ITIRANA2001).
Conforme Vergnaud (1990), as representações simbólicas, tais como:
diagramas, álgebra, gráficos, tabelas podem ser decisivas para a extração de
relações relevantes, mas podem também ser mal interpretadas pelos alunos e
desorientadoras. Assim, os diferentes tipos de representações simbólicas podem
ser úteis para representar problemas, entretanto o autor salienta que não são
igualmente significativos aos alunos, visto que dependem do problema e do nível
de análise dos alunos, pois tabelas, diagramas, gráficos, equações apresentam
propriedades distintas.
Embora Vergnaud (1998) reconheça a importância dos símbolos no
pensamento, o conhecimento não é, em essência, simbólico. Neste sentido,
considera que o reconhecimento de invariantes em ação e a progressiva
construção de objetos e predicados de nível mais alto, são aspectos mais
essenciais do conhecimento.
Este estudo trata de média aritmética, que é um conceito abstrato, ou
seja, não diretamente acessível à percepção, assim torna-se relevante o uso de
representações que favoreçam sua apreensão. Desta forma, as representações
por meio de símbolos, gráficos, tabelas são bastante significativas, tendo em vista
que estas representações permitem a comunicação entre os alunos e suas
atividades de pensamento.
Para estudar os objetos de estudo inseridos neste trabalho, nos
baseamos no Campo Conceitual Tratamento da Informação, elaborado por
Santos (2003). A seguir, apresentamos um esquema com o objetivo de explicitar
ao leitor o conjunto de situações, invariantes e representações simbólicas dos
dois objetos de estudo utilizados nesta pesquisa: leitura e interpretação de
gráficos e, média aritmética.
R
(representações simbólicas)
S
(Situações)
Leitura e Interpretação de Gráficos
Coleta e organização de dados Construção de gráficos Elaboração de listas e tabelas • Localização de ponto de máximo/mínimo de um gráfico; • Composição de grupos (soma dos valores do conjunto)
•
Quantificação/com paraçãoa de dados• Gráfico de barras
• Gráfico de dupla entrada
• Tabela
Extrapolações
CAMPO CONCEITUAL: TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO
Média Aritmética
Algorítmica Relações formais
• Propriedades;
• Soma dos valores do conjunto; • NúmeroTotal de valores • Gráfica • Numérica • Tabular Quantidade eqüitativa ValorRepresentativo
R
(representações simbólicas)S
(Situações)I
(
invariantes –objetos, propriedades erelações)I
(invariantes – objetos, propriedades e relações)
Gráficos com diferentes escalas
Conforme exposto no quadro 3.1, tomaremos por base os elementos da
terna C=(S, I, R) proposta por Vergnaud para cada um dos objetos de estudo de
nossa pesquisa. A seguir, especificaremos os elementos das duas ternas
apresentadas: primeiro para leitura e interpretação de gráficos e na seqüência
para o conceito de média aritmética.
Quanto à leitura e interpretação de gráfico, consideraremos cinco
situações: coleta e organização de dados; elaboração de listas e tabelas;
construção de gráficos; gráficos com diferentes escalas e extrapolação.
No presente estudo, estaremos considerando como coleta e organização
de dados as situações em que os alunos farão a coleta de dados por meio de
uma investigação, tratando-se, assim, de uma coleta direta
21. Outra situação
empregada, será a organização dos dados coletados em tabelas no banco de
dados do Tabletop. Na construção dos gráficos, serão utilizadas situações
apoiadas em dados previamente organizados em tabelas e usados os recursos
disponíveis do software para gerar representações gráficas.
Estaremos oferecendo situações de extrapolação, para que o aluno
possa realizar previsões baseadas na leitura e interpretação do gráfico que
construiu no Tabletop.
Para trabalhar as situações descritas, pretendemos empregar, dentre os
recursos oferecidos pelo Tabletop, três tipos diferentes de representação: tabular;
gráfico de freqüência; gráfico de dupla entrada.
21
Segundo Crespo (1999), quando os dados são coletados pelo próprio pesquisador partindo de inquéritos e questionários, a coleta de dados é considerada direta.