4. THE OUTPUTS OF RUDEP AND THE SITUATION TODAY – MAIN AREAS OF
4.2 I MPROVEMENT OF LAND USE
4.4.2 Forestry: an uphill battle
Considerando que a proposta de nosso trabalho tem como foco a
introdução do conceito de média aritmética, buscamos analisar os resultados de
pesquisas que pudessem contribuir para este estudo. Embora muitas tenham
tratado do assunto, poucas se destinaram à mesma faixa etária dos sujeitos do
presente estudo. Aliás, o fato pode ser decorrente da recente implantação da
Estatística nas séries iniciais.
Segundo o PCN (1997), em 1980, o National Council of Teachers of
Mathematics
− NCTM, dos Estados Unidos da América (EUA), destaca a
resolução de problemas como foco no ensino de Matemática, compreendendo,
também, a relevância de aspectos sociais, antropológicos, lingüísticos na
aprendizagem da Matemática. Estas idéias influenciaram as reformas ocorridas
mundialmente a partir desse momento. Desde então, as propostas elaboradas no
período de 1980/1995 em diferentes países apresentam pontos de convergência,
dentre os quais destacamos:
• Importância de se trabalhar com um amplo espectro de conteúdos, incluindo-se já no ensino fundamental, elementos de estatística, probabilidade e combinatória, para atender à demanda social que indica a necessidade de abordar esses assuntos;
• Necessidade de levar os alunos a compreenderem a importância do uso da tecnologia e a acompanharem sua permanente renovação.(BRASIL, 1997, p. 22)
A implantação da Estatística no Ensino Fundamental foi recentemente
sugerida não apenas no Brasil mas, também, em outros países. Neste sentido,
dentre os conceitos elementares de Estatística, nosso estudo escolheu a média
aritmética, em razão de seu amplo uso nos diversos meios de comunicação e por
se tratar de um conceito fundamental para análise de dados e tomada de decisão.
Muitas informações apresentadas diariamente, envolvem o conceito de média,
como: a média salarial, o consumo médio de energia, tempo médio de espera
para atendimento, dentre outros. Para compreensão das informações, nas quais
se insere o termo “média”, fica evidente a necessidade de compreensão desse
conceito por parte do leitor.
Neste sentido, conforme citado por Cai (1995) o Conselho Nacional de
Professores de Matemática (NCTM, 1989, p.105)
18dos Estados Unidos sugere
que: “é importante que seja desenvolvido nos estudantes a compreensão de
conceitos e processos utilizados na análise de dados”.
Tendo em vista, a necessidade proposta pelo próprio NCTM, muitos
autores vêm considerando a média aritmética, como um dos conceitos estatísticos
fundamentais na análise de dados e tomada de decisões (C
AI, 1995). Para o
autor, embora o conceito de média seja, aparentemente, tão simples como seu
algoritmo computacional, pesquisas anteriores indicam que muitos estudantes
apresentam “misconceptions” sobre tal conceito não apenas no Ensino Médio,
mas também no Superior (S
TRAUSSeB
ICHLER, 1988).
No Brasil, destacamos duas pesquisas recentes que envolveram o
conceito de média aritmética, uma no Ensino Superior e outra no Ensino Médio.
A primeira trata-se da pesquisa de Cazorla (2002), que investigou 814
estudantes de graduação matriculados em diferentes turmas de Estatística de
18
National Council of Teachers of Mathematics. Curriculum and evaluation standards for school mathematics. Reston, VA: NCTM,1989.
uma Universidade Estadual do interior da Bahia. Seu trabalho buscou analisar as
relações existentes entre habilidade viso-pictórica, domínio de conceitos
estatísticos e as atitudes em relação à Estatística e à leitura de gráficos. No
estudo, a autora observou que a maioria dos sujeitos vê a média apenas como
uma medida de tendência central que representa um conjunto de dados. Os
sujeitos que conseguiram ver a média em sua integridade, como uma poderosa
medida de inferência estatística foram poucos.
Pelos resultados obtidos, Cazorla conclui que o domínio do conceito de
média atingiu um nível razoável e a leitura de gráficos um nível fraco, sendo estes
resultados pouco satisfatórios para o nível universitário. Neste sentido, a autora
enfatiza a necessidade de dedicar mais atenção ao conceito de média, sobretudo
ao processo de ponderação e algumas propriedades, bem como seu domínio
pleno, tendo em vista seu potencial como estimador em seu uso na inferência
estatística.
A segunda pesquisa é de Stella (2003), que investigou a respeito das
interpretações do conceito de média com alunos do Ensino Médio que seguem o
currículo brasileiro. Neste trabalho, a autora mostra uma análise de quatro
instrumentos: Parâmetro Curricular do Ensino Médio, resultados do ENEM
(Exame Nacional do Ensino Médio), SAEB (Sistema de Avaliação da Educação
Básica) e, também, 12 livros didáticos mais usados nas escolas brasileiras,
buscando identificar as características do conceito de média enfatizadas nesses
instrumentos. Na seqüência, a pesquisadora selecionou algumas questões que
contemplassem diferentes aspectos do conceito de média e aplicou nas
entrevistas a alunos de 3ª série do Ensino Médio, identificando as concepções
desses alunos sobre o referido conceito. Os resultados indicaram que a maioria
dos alunos pesquisados apresentou uma interpretação algorítmica do conceito de
média e dificuldade para resolver problemas que envolvem o cálculo de média,
quando os dados são apresentados na forma gráfica.
Outra pesquisa que contribuiu para o desenvolvimento de nosso trabalho
foi a de Lopes (1998), focalizando o ensino de Probabilidade e Estatística. A
autora desenvolveu um estudo sobre as propostas curriculares dos Estados de
São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais e apresentou uma análise do
desenvolvimento desse ensino em alguns países, examinando as propostas dos
Parâmetros Curriculares Nacionais em relação a esses temas.
Para a pesquisadora, ao realizar observações, registros e representação
de dados, os estudantes estarão preparados à leitura e interpretação de
informações diferenciadas; enfatizando que os conceitos estatísticos são
importantes “ferramentas” na resolução de problemas. No estudo, Lopes (1998)
cita que, no currículo francês, o trabalho com média aritmética é proposto,
empregando situações de quantidade eqüitativa para crianças com faixa etária
semelhante às do presente estudo.
Considerando as pesquisas de âmbito internacional, uma de grande
interesse para nosso estudo é a realizada por Strauss e Bichler (1988). Neste
estudo, os autores trabalharam com uma população, cuja faixa etária de sujeitos é
semelhante à nossa e utilizaram as propriedades de média aritmética que,
também serão adotadas em nosso estudo. Os autores tiveram como objetivo
determinar o desenvolvimento da compreensão de algumas propriedades de
média aritmética, sob o efeito de diferentes materiais (contínuo ou discreto) e
métodos de apresentação (história hipotética, forma real e numérica) desse
conceito em crianças de 8, 10, 12 e 14 anos, pertencentes a uma região de classe
média, localizada em Ramat Hacharon, um subúrbio de Tel Aviv.
Para seis das propriedades de média, apresentadas na Figura 2.6, foram
aplicadas cinco tarefas e, para a propriedade restante havia apenas duas tarefas.
A seguir, apresentamos as propriedades utilizadas por esses autores,
acrescentadas de exemplos da pesquisadora para melhor compreensão por parte
do leitor das tarefas aplicadas no referido estudo.
A) A média está localizada entre os valores extremos.
Ex.: A quantidade média de lápis das crianças de uma sala de aula está entre a quantidade da criança que tem mais lápis e da que tem menos lápis. Por exemplo, Pedro tem 5 lápis, Roberto tem 12 lápis e Fernanda 4 lápis. Assim, a Média entre 5, 12 e 4 é 7. Desta forma, a média não pode ser inferior à menor quantidade de lápis nem superior a maior quantidade de lápis dos alunos desta classe.
B) A soma das variações da média é zero.
Ex.: A média entre 10, 8 e 6 é 8.
Sendo assim, (10 - 8) + (8 – 8) + ( 6 – 8) = 0
C) A média é influenciada por valores diferentes da média.
Ex.: A média de 2, 4 e 6 é 4. Entretanto, ao acrescentar 8 ao conjunto de dados cuja média está sendo calculada a média é alterada para 5.
D) A média não é necessariamente igual a um dos valores que está sendo somado.
Ex.: A média entre 8, 6, 4 e 2 é 5.
E) A média pode ser uma fração sem equivalência na realidade física.
Ex.: A média de crianças por família no Brasil em 2000 é 2,3.
F) Quando se calcula a média, um valor zero, se aparecer, deve ser considerado.
Ex.: A média dos valores 8, 0 e 1 é 3, ou seja, (8 + 0 + 1)/3 = 3
G) O valor médio é representativo dos valores, cuja média foi calculada.
Ex.: Quando se tem o número de brinquedos trazidos por cada uma das crianças da sala, achamos o valor representativo da sala.
Para Strauss e Bichler (1988), salientamos que a escolha das sete
propriedades do conceito de média refere-se ao fato de que as mesmas são
consideradas básicas e exploram três aspectos do conceito de média aritmética.
Um deles é o estatístico, que é apreendido nas propriedades A, B e C, o outro se
trata do aspecto abstrato que pode ser observado nas propriedades D, E e F e, o
último, reporta-se ao aspecto representativo de um grupo de valores individuais,
que é a essência da propriedade G, sendo considerado o aspecto central da
média.
A seguir, apresentamos resumidamente as tarefas referentes à
propriedade A, para que o leitor possa conhecer os distintos tipos de materiais e
métodos de apresentação usados no estudo, iniciando pelo método de
apresentação de história:
“As crianças de uma classe decidiram reunir-se em uma praia. Todas levaram batatas para assar na fogueira para um lanche durante a festa. Yael levou a maior quantidade de batatas - 3. Quando elas estavam prontas para serem comidas, as crianças decidiram distribuir todas as batatas, de modo que cada uma recebesse a mesma quantidade. Quando foram distribuídas, cada criança recebeu 4 batatas. Você acha isso possível? Por que você acha que isso pode (ou não pode) acontecer?
Figura 2.7: Tarefa proposta para propriedade A – História
Semelhante à tarefa acima proposta, os autores desenvolveram,
atividades nas quais o método de apresentação era real. Neste caso, o
examinador mostrou, por exemplo, bonecas e peças de Lego, as mesmas
questões descritas na Figura 2.7 foram adaptadas às tarefas propostas para o
método de apresentação real.
Outro método de apresentação foi o numérico, a tarefa proposta foi a
seguinte:
Tomamos alguns números e os somamos. Antes de somá-los, o maior número que nós tínhamos era 5. Depois, dividimos igualmente os números, e terminamos com 6. Você acha isso possível? Por que você acha que isso pode (ou não pode) acontecer?”
Figura 2.8: Tarefa proposta para propriedade A – Numérico