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5. Hvem gir blod, og hvorfor? Hvordan opplever giverne blodbankens mottak og oppfølgning av dem?

5.4 Hvordan rekrutteres blodgiverne?

Iremos a partir daqui ver o que é a entrevista e o que são os grupos de foco no âmbito dos estudos qualitativos nas ciências sociais. Daremos maior destaque à entrevista, pois acabou por ser a técnica usada com maior peso na investigação.

A primeira pessoa a conduzir uma pesquisa social com a entrevista foi Charles Booth, que em 1886 iniciou uma investigação sobre as condições sociais e económicas das populações de Londres. Nesse trabalho, Booth não se limitou a fazer as entrevistas, também cruzou esta metodologia com as observações etnográficas. O trabalho inspirou muitos outros que se lhe seguiram em Londres e nos Estados Unidos, neste último caso muito particularmente em Filadélfia e em Chicago. Rapidamente, esta técnica de pesquisa tornou-se imprescindível entre pesquisadores que queriam conhecer melhor as grandes cidades e os seus problemas.

No âmbito da universidade, foi precisamente na Escola de Chicago, no início do século XX, com Robert Park, que se difundiram numerosos estudos sobre a cidade e os seus problemas sociais, que tinham a entrevista como uma das bases de trabalho. A Escola de Chicago colocou o indivíduo como a referência da problemática da sua relação com a sociedade, lançando-se nas teorias da interação e na sociologia do quotidiano. No contexto da Escola de Chicago, a entrevista, especialmente usada nos trabalhos de Nels Anderson e de Frederic Thrasher, este último sobre membros de gangues de Chicago, veio contribuir para que esta Escola de certa forma respondesse positivamente àqueles que a criticavam por se cingir muito aos estudos etnográficos, com ausência de atividade analítica. Assim, os seus estudos passaram a incluir, além das observações etnográficas e documentais, também as entrevistas.

Nos anos 50 e 60 do século XX o interesse na entrevista alterou-se. Já não era importante enquanto instrumento qualitativo para compreender os elementos sociais, mas sim para mensurar informação. Esta não era uma característica nova, uma vez que já tinha sido inventariada nas sondagens dos inícios do século XX. A esta mudança não foi alheio o facto de durante a II Guerra Mundial se ter recorrido ao uso de inquéritos no

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seio do exército norte-americano, que contratou sociólogos e especialistas para a sua implementação para analisarem o estado mental e emocional dos soldados (muito à semelhança do que tinha sucedido no conflito anterior). Esta situação acabou por influenciar o trabalho académico empírico que passou a ser, em boa medida, suportado pelo inquérito e a ter um carácter mais quantitativo e, supostamente, mais objetivo.

Ao mesmo tempo, continuou a utilizar-se as entrevistas qualitativas, com o cuidado de as desprover ao máximo de subjetividades, mantendo uma preocupação na relação que se consegue estabelecer entre o entrevistado e o entrevistador. Não é fácil esta relação que deve ser suficientemente distante e suficientemente próxima. Neste caso particular, não estamos a encarar a entrevista enquanto fornecedora de informação em estudos de produção (como seria apenas com entrevistas a jornalistas ou editores da área da política), mas sim fornecedora de sentidos da receção. “A análise de receção estabelece que os textos e os seus recetores são elementos complementares de análise de uma área de pesquisa que nos conduz aos aspetos discursivos e sociais da comunicação. Em duas palavras a análise de receção assume que não pode haver um ‘efeito’ sem ‘sentido’” (Jensen, 1995: 135). O sentido está normalmente imbuído de orientações sociais, que preferencialmente devem ser estudadas o mais próximas possível do seu contexto (Jensen, 2002: 236). A entrevista tem-se revelado uma técnica de investigação importante no âmbito dos estudos de receção. As análises de receção nos estudos dos

media foram buscar às ciências sociais as técnicas de investigação, como a entrevista enquanto processo de interação entre as mensagens mediáticas e as suas audiências (Jensen, 1995: 135).

Fazer perguntas e conseguir respostas é uma tarefa bem mais complicada do que pode parecer à partida. Uma das maiores dificuldades prende-se com o facto de fazer despir ao máximo as perguntas de ambiguidades. É difícil, se não mesmo impossível, fazê-lo, mas esta é uma das técnicas de pesquisa mais usadas em disciplinas como a sociologia e a psicologia, como meio para compreender melhor o ser humano e as suas interações (Fontana & Frey, 1994: 361). “A entrevista torna-se a ferramenta e o objeto, a arte da sociabilidade sociológica” (Fontana & Frey, 1994: 361) e um encontro no qual as duas partes se comportam como semelhantes. Na entrevista, o outro já não é visto como uma pessoa distante que está ali apenas para ser entrevistada, categorizada, medida e catalogada. Ao estudarmos os outros estudamos o self (Fontana & Frey, 1994: 373).

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Formalmente, a entrevista assume diversas formas e pode ser usada com vários fins. A mais comum, e a que nos interessa, é a entrevista individual face a face, mas também há entrevistas em grupo, por e-mail e por questionário escrito ou telefónico. As entrevistas devem ser escolhidas tendo em conta o objeto e os meios envolvidos na pesquisa. Além disso, as entrevistas podem ser usadas para fins muito diversos, desde em terapêuticas médicas, passando pelas entrevistas jornalísticas e chegando às científicas/académicas, de metodologia qualitativa. São estas últimas que verdadeiramente nos interessam.

Ghiglione e Matalon, estabelecem uma categorização pormenorizada e diferenciada das entrevistas. Relativamente às não diretivas pressupõem perguntas e respostas abertas (2005/1977: 63). Distinguem quatro técnicas:

a) Entrevista não estruturada, na qual o entrevistador propõe um tema e só intervém para encorajar as respostas.

b) Entrevista semiestruturada, o entrevistador está consciente das perguntas a fazer, estruturadas por blocos temáticos, cabendo-lhe obter por parte do entrevistado as respostas, mesmo que tenha de alterar os blocos de perguntas. Nós acrescentamos aqui que o entrevistador pode adicionar perguntas à medida que a conversa flui, sempre que se mostrem úteis à investigação, sem deixar escapar o tema da entrevista.

c) Questionário aberto, as perguntas têm uma ordem previamente estabelecida e o entrevistado pode demorar o tempo que quiser a responder, podendo as respostas ser incentivadas pelo entrevistador.

d) Questionário fechado, também designado de inquérito, pressupõe que as perguntas e a ordem seja cumprida, sendo que as respostas são anteriormente fixadas.

Entende-se aqui que a entrevista e a conversa tenham um propósito definido, que não surge, portanto, ao acaso. A entrevista semiestruturada é a que mais se adequa aos objetivos e também à intenção de envolver os informantes ao longo da investigação, pois permite a aproximação entre entrevistados e entrevistador e também facilita processos de opinião dos informantes. A formulação da ordem das perguntas é previamente fixada, embora o entrevistado possa responder tão longamente quanto quiser e possa ser incitado pelo entrevistador. Ao longo das entrevistas semiestruturadas, o entrevistado, pela liberdade que lhe é dada na resposta, até pode responder a uma pergunta antes de esta lhe ter sido colocada. A entrevista

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semiestruturada “intervém a meio caminho entre um conhecimento completo e anterior da situação por parte do investigador, o que remete para a entrevista diretiva ou para o questionário […], e uma ausência de conhecimento, o que remete para entrevista não diretiva” (Ghiglione & Matalon, 2005/1977: 88). Neste tipo de entrevista, pretende-se um conhecimento aprofundado de um tema, tendo diretrizes e partindo do pressuposto que o entrevistado já domina alguns conceitos.

Neste caso, o indivíduo é convidado a responder de forma exaustiva, pelas suas próprias palavras e com o seu próprio quadro de referência, a uma questão geral (tema) caracterizada pela sua ambiguidade. Mas se não abordar espontaneamente um dos subtemas que o entrevistador conhece, este coloca uma nova questão (subtema), cuja característica já não é ambiguidade, para que o indivíduo possa produzir um discurso sobre esta parte do quadro de referência do investigador (Ghiglione & Matalon, 2005/1977: 88).

Nas entrevistas semiestruturadas, ao contrário das livres, o entrevistador possui um quadro de referência, que é usado quando o entrevistado se esquece desse mesmo quadro. Como estas são entrevistas em profundidade, envolvem a predeterminações de várias perguntas, divididas por blocos de temas. Assim, as perguntas sendo pré-feitas devem ser preparadas com o cuidado de serem formuladas com uma linguagem familiar e acessível ao entrevistado. As chamadas questões extra são perguntas bastante equivalentes a algumas que se encontram no questionário, mas que são colocadas de outra forma, com ligeiras mudanças de palavras, para servirem de perguntas de verificação (Berg, 2004: 86).

As entrevistas podem começar com perguntas mais amplas que permitam que o entrevistado se comece a confrontar com a conversa e também a enquadrar-se no ambiente e, depois, indicar temas mais precisos (Ghiglione & Matalon, 2005/1977: 93). Este tipo de perguntas diretas mas suficientemente amplas pode também dar enquadramentos ao entrevistado. Ghiglione e Matalon aconselham ainda a evitar começar a entrevista por perguntas fechadas e muito específicas, que podem originar respostas breves e fechadas. Sendo muito personalizadas, podem levá-lo a retrair-se.

Há algumas técnicas tradicionais em entrevistas estruturadas e semiestruturadas (Fontana & Frey, 1994: 371) que podem ajudar o entrevistador a prosseguir o trabalho com mais sucesso. Além de ser importante começar por “quebrar o gelo”, iniciando a

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conversa com algumas perguntas gerais, partindo, depois, para as mais específicas, devem estar previstas questões de verificação das respostas. As perguntas não devem ser tendenciosas, por isso, é importante ter algumas preparadas, para manter um tom neutral, mesmo nos imprevistos. Além disso, o entrevistador deve evitar fazer duas perguntas numa mesma, pois pode acontecer que o entrevistado só responda a uma delas (Berg, 2004: 88 e 89)81. O entrevistador neste tipo de entrevistas também deve ter a capacidade de, mesmo seguindo um guião, fazer ajustamentos. É ainda aconselhado que se evitem questões pela negativa e termos técnicos.

O enquadramento das entrevistas tem de ser feito com muito cuidado, desde logo percebendo que tipo de entrevista é selecionada, que técnicas são usadas, como é que a informação é registada. A informação, depois de recolhida, tem de ser tratada e o investigador tem de se posicionar de forma isenta perante o manancial de dados que possui, para então selecionar. Os critérios de seleção são, por isso, muito importantes. Entrevistar não é apenas mostrar ser uma pessoa simpática. A atenção dada à comunicação não-verbal, partindo do princípio de que a conversa é feita face a face, é de grande relevância, uma vez que a informação não deve ser medida apenas nas palavras. Deixamos aqui uma espécie de súmula do que foi explicitado atrás. No original, estes são os Dez Mandamentos da Entrevista (Berg, 2001: 99 e 100; Berg, 2004: 110 e 111):

1 – Não iniciar a entrevista a frio: antes de iniciar a entrevista propriamente dita, encetar uma conversa para quebrar o gelo (Couldry et al., 2007: 203).

2 – Não esquecer o objetivo: ou seja, enfocar, a entrevista serve para obter informação necessária à pesquisa.

3 – Manter um tom natural: ao colocar as perguntas dar um tom coloquial no sentido de que não pareçam formadas, mas que vão fluindo na cabeça.

4 – Mostrar atenção: ir reagindo ao que o entrevistado diz na sua expressão verbal e não-verbal.

5 – A aparência: é importante que a pessoa se contextualize e se apresente em conveniência com o local.

6 – Realizar a entrevista num local confortável: este ponto é muito importante

81 O investigador poderá usar esta fórmula quando se justificar até para explicar o contexto da

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pois o entrevistador tem de pensar se vai levar gravador, caneta, papel ou outros elementos com quais queira confrontar o entrevistado, por exemplo resultados de análise qualitativa precedente, e pensar num local onde consiga fazer tudo.

7 – Não ficar satisfeito com monossílabos: por vezes as pessoas respondem com monossílabos, que não dão grande informação para análise. Pedir para ser mais aprofundado: pode dizer mais alguma coisa sobre isso?

8 – Ser respeitador: este é um ponto fundamental para ser respeitado, não magoar sentimentos.

9 – Praticar: só através da prática é que as entrevistas se vão aprimorando, o pesquisador deve desenvolver os seus modus operandi.

10 – Ser cordial, por exemplo agradecer no fim e responder a perguntas que os entrevistados tenham sobre a pesquisa. É possível necessitar de voltar a falar com eles e assim a porta fica aberta.

Além destes dez mandamentos, fazemos um acrescento que nos parece ser fundamental em especial nos estudos longitudinais:

11 – Manter níveis de alerta elevados para perceber a existência de novos

elementos de investigação e conquistar o informante para continuar a participar na investigação. Além de concentrado no assunto central, o entrevistador deve estar preparado para identificar nas respostas dos entrevistados elementos que, não surgindo no alinhamento, devem ser aprofundados como mais um elemento de análise. Além disso, as entrevistas constituem, em especial na investigação longitudinal, oportunidades para captar a atenção dos informantes para contribuírem de forma mais ativa para a investigação e eventualmente estarem à-vontade para servirem eles mesmo de quasi-investigadores.

Em suma, a utilização desta técnica de pesquisa, como de resto todas as outras, apresenta alguns condicionalismos, vantagens e desvantagens e deve ser encarada com respeito. Mas é uma técnica relevante para o estudo da sociedade, dando voz a quem é o objeto de estudo. De qualquer modo, deve ser sempre encarada como uma entre outras técnicas, que em conjunto permitem um saber mais aprofundado das realidades sociais.

Deacon, Pickering, Golding e Murdock (2002: 71-76) apontam que questões sobre comportamentos pretendem perceber o que as pessoas fazem. Nestas perguntas o

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pesquisador deve ter especial atenção aos esquecimentos, designadamente quando já decorreu algum tempo. Relativamente às crenças e atitudes, o investigador deve estar particularmente atento às respostas multidimensionais e também preparar as questões de forma menos direta. Por exemplo, perguntar diretamente como define política pode significar uma resposta formatada; essa dimensão pode melhor ser apreendida noutras questões (ver capítulo 7). Algumas das questões que colocámos nas entrevistas irão precisamente dar conta desta situação.