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6. Analyser av det empiriske datamaterialet for å få svar på forskingsspørsmålet: Hva bidrar til at folk gir blod?

6.3 a Faktoranalyse av dimensjoner

As questões éticas são particularmente relevantes quando investigamos com jovens (alguns deles com menos de 18 anos) (Fontana & Frey, 1994: 372) e é necessário obter consentimento e respeitar o direito à privacidade (Berg, 2001: 128). Se essas questões se colocam em relação às entrevistas, muito mais se colocam em relação aos grupos de foco. Nas entrevistas o anonimato poderá ser conseguido, mas nos grupos de foco isso poderá não acontecer. Por isso mesmo, nestes deixamos as apresentações a cargo dos intervenientes, para poderem escolher o que querem ou não revelar sobre os seus identificativos.

As questões éticas levantam-se inclusive durante o processo de transcrição das entrevistas. Depois de realizados, as entrevistas e os grupos de foco devem ser transcritos (na totalidade), para se facilitar a análise dos discursos e das interações (Kitzinger, 2004b: 30). Esta foi a nossa opção, apenas assinalamos com “[…]” casos absolutamente excecionais de cortes em algumas entrevistas, quando se verificou em absoluto que não tinham leitura para o contexto do trabalho. A transcrição cuidada das gravações áudio foi fundamental para a análise mas optámos por não colocar as transcrições em anexo. Conscientes de que esta é uma decisão controversa, pois a academia divide-se quanto a esta opção, mas tendo em conta que tal não foi expressamente requerido aos informantes no início da investigação, não faria sentido expor esses detalhes, ainda que fazendo todos os esforços da confidencialidade das respostas e anonimato dos entrevistados. Estaríamos sempre a expor particularidades da vida privada (muito em especial em alguns dos casos) ou, pelo contrário, a proceder a uma excessiva limpeza das entrevistas e dos grupos de foco que os despojaria de boa parte dos dados transcritos. Esta questão é especialmente pertinente na investigação qualitativa, e diríamos, na longitudinal. Berg (2001: 58) chama a atenção para o facto de nas metodologias qualitativas os pesquisadores deverem provir os participantes de regras excecionais de confidencialidade. É inclusive sugerido que os investigadores devem reter os dados de identificação primária consigo mesmos o menor tempo possível evitando alguma intrusão inusitada dos dados (2001: 59).

Depois da transcrição, segue-se a codificação, que é um processo complexo que deve resultar do que foi interpelado nos textos/entrevistas e também das perspetivas e propostas do investigador. Uma das possibilidades é seguir os subtemas dos

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entrevistados (Höijer, 1990: 40-41). Os momentos mais delicados na análise dos discursos, por exemplo em grupos de foco, podem ter que ver com comentários dos participantes, hesitações, receios, reações de surpresa, atitudes defensivas ou até muito ativas (Kitzinger & Farquhar, 1999: 156), assim como posicionamentos táticos face ao resto do grupo.

As entrevistas e os grupos de foco pressupõem uma riqueza da fala, são polifónicas. Porém, nessa riqueza muitas vezes as entrevistas são contraditórias, contêm negações, recuos, atalhos (Bardin, 2009/1977: 90). “A análise de conteúdo de entrevistas é muito delicada” (Bardin, 2009/1977: 90). Importa esclarecer que não nos interessa uma análise quantitativa, que se centra na frequência da aparição, mas sim qualitativa, centrada nas marcas dos discursos, nas presenças e nas ausências. A abordagem qualitativa do discurso, em comparação com a quantitativa, implicou uma alteração relevante na conceção do que é a análise de conteúdo (Bardin, 2009/1977: 142). Na análise particular dos grupos de foco e das entrevistas, Kitzinger optou por duas formas de codificação e de análise de segmentos: por temas e por tipos de interação discursiva (ou seja, piadas, gargalhadas e mudança de opinião, ou de discurso) (2004b: 30).

A categorização é necessária em qualquer um dos casos. Segundo Bardin, pode ter dois formatos. Um deles está relacionado com os cenários teóricos hipotéticos, as categorias resultam de uma avaliação teórica prévia. Já no segundo caso, as categorias vão nascendo da avaliação dos elementos (Bardin, 2009/1977: 147). Maria João Leote considera que a opção de ir beber informação à teoria e deixar os dados falar é a melhor e mais profícua (2010: 23). Delorme diz mesmo: “Nessa movimentação composta de aproximações e de distanciamentos, os procedimentos metodológicos da pesquisa são questionados pelos aportes teóricos previamente pensados, e vice-versa, no afã de atender à complexidade do campo” (2008: 22). A revisão de literatura é fundamental

para criar categorias e hipóteses, mas a voz dos dados também conduz a uma categorização e à evolução dos quadros teóricos.

Codificar é um dos processos mais difíceis na análise das falas, especialmente na análise qualitativa, uma vez que uma boa parte está intimamente ligada à riqueza do discurso. É possível pensar o processo de codificação como espaço de indução e de dedução, no primeiro caso as falas dos entrevistados ganham vida, no segundo caso as

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categorias deduzidas da revisão de literatura permitem criar um quadro de análise (Berg, 2001: 245-246).

Neste processo de codificação das entrevistas e de descodificação dos discursos, é importante que as entrevistas e os grupos de foco sejam sujeitos a análise de discurso, uma ferramenta importante para que a linguagem produzida seja cruzada com os contextos de produção, sejam eles as falas dos autores, os locais e elementos a que se referenciaram, assim como o momento histórico em que tiveram lugar. Para Fairclough, a descrição linguística do texto, a interpretação das relações entre os processos discursivos e os processos sociais constituem o método de análise do discurso (1997: 83). O enraizamento dos hábitos discursivos na prática sociocultural é visível em patamares diferentes, na situação imediata, no âmbito mais organizacional e, por último, a nível societal. São relevantes as contextualizações, também elas produtoras de significados e de descodificações discursivas.

Van Dijk defende que a complexidade da análise do discurso não se limita à análise de texto, mas tem em atenção as conectividades entre as estruturas textuais e de fala e os seus contextos diversos, ao nível social, cultural e histórico (Van Dijk, 2005: 63). O domínio das implicações é importante, na medida em que os discursos nem sempre são explícitos, mas possuem uma dimensão simbólica, muitas vezes associada a um conhecimento comum. Há palavras e expressões conotadas negativamente que em associação a determinados grupos ou classes minoritárias produzem significadas. As palavras, as expressões, os contextos políticos e sociais produzem canais de comunicação onde há códigos mais ou menos entendidos por todos, mesmo quando não estão explícitos. Por isso, as palavras podem ser tão perigosas. “Os códigos são sistemas de significado cujas regras e convenções são partilhadas pelos membros de uma cultura […]. Damos sentido ao mundo através da nossa compreensão dos códigos e das convenções comunicativas” (McQuail, 2003: 355).

A contextualização prévia dos fenómenos é decisiva para um superior entendimento do problema. Tendo em conta esta premissa, fazemos em qualquer um dos períodos uma contextualização de cariz histórico-social (ver capítulo 3).

A representação é o processo pelo qual os membros de uma cultura usam a linguagem […] para produzir sentido. Porém, esta definição acarreta

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uma importante premissa segundo a qual as coisas – objetos, pessoas, acontecimentos, no mundo – não têm qualquer significado fixo, final, ou verdadeiro. Somos nós – na sociedade, com culturas humanas – que fazemos com que as coisas tenham sentidos (Hall, 2003/1997: 61).

Algumas das questões a que procuraremos dar atenção, são: Quais são as

evidências que suportam ou afastam as hipóteses? Quais são os aspetos em que os entrevistados concordam/discordam? Além disso, é nossa intenção cruzar as entrevistas, sempre que possível, com anotações que fomos tirando noutras situações em que convivemos com os entrevistados, assim como com expressões não-verbais que denotam um reforço, contraposição ou ironia face ao que expressam verbalmente (Stokes, 2003: 120). O conhecimento que provém da interação entre as narrativas de texto e de contexto complexifica a análise, mas é fundamental para fazer aumentar os significados (Frost, 2009: 11).