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4. Undersøkelsesopplegg og datainnsamling

4.2 b Begrunnelser (motiver) for å gi blod

Um dos temas recorrentes ao longo dos anos é a discussão em torno da antecipação da idade de voto para os 16 anos52 e ainda a possibilidade de os jovens dos anos 2000 terem ideais políticos menos vincados face aos adultos. Os temas vão sendo recorrentes na imprensa, em especial nos últimos anos.

O politólogo Pedro Magalhães referia no Público53: “Há boas razões para a inclusão política de menores de 18 anos. Estudos mostram que, a partir dos 15 anos, os jovens deixam de conceptualizar o sistema político como um mero somatório de ‘serviços’ estatais e passam a usar raciocínios políticos abstratos e de longo prazo.” Pedro Magalhães considera, no mesmo artigo, que uma “das explicações para a alta abstenção dos jovens está precisamente ligada à idade tardia em que se procede à mobilização pelo voto, ou seja, quando já abandonaram a escolaridade obrigatória e deixaram de ser uma audiência cativa de programas de educação cívica.” António José Seguro54, que foi líder da Juventude Socialista, considera-se o “‘pai da antecipação do direito de voto’ em Portugal”. A ideia surgiu em 1991, quando era líder da JS. O assunto é recorrente. Ainda em 2010 voltou a estar na agenda: JSD junta-se ao BE para

defender voto aos 16 anos55.

Este é um tema fulcral ao longo das entrevistas que realizámos, designadamente entre os que ainda não têm idade para votar, como veremos nos capítulos de análise de dados. A revista Visão56 identifica esse sentido numa reportagem junto de juventudes partidárias, considerando que hoje a juventude está mais bem preparada, por via do acesso à internet, e ainda porque em Portugal os jovens são responsabilizados criminalmente a partir dos 16 anos. Além disso, esta reportagem identifica ainda uma

52 Público, 27 de fevereiro de 2001, Direito de voto aos 16 anos não mobiliza ninguém. 53 27 de fevereiro de 2001, Três observações sobre a redução da idade de voto. 54 Público, 2 de agosto de 2007: Será que os mais novos deveriam votar? 55 Público, 29 de novembro de 2010.

56 Visão, 5 de junho de 2008, reportagem (Com voto na matéria, reportagem sobre juventude

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semelhança inegável entre a votação em quatro turmas de secundário (Secundária Carolina Michaelis e na Secundária José Afonso) e a das freguesias onde se situam essas escolas (Cedofeita e Loures), usando boletins de voto idênticos aos das legislativas de 2005. Os resultados indicam uma aproximação entre a votação na escolas e a votação nas eleições, com jovens e adultos encontram-se no sentido de voto, o que é semelhante a outros dados já identificados por Manuel Braga da Cruz em pesquisas anteriores (1995: 360).

As ações de participação dentro das escolas por vezes têm pouca visibilidade mediática, mas há exceções, claro que também pelo seu lado insólito. Como veremos, é sobretudo o insólito que dá visibilidade mediática às manifestações nas escolas (exemplo dos jovens do bairro que se manifestaram na escola secundária por causa de uma alegada discriminação a um dos funcionários). A 16 de outubro de 2009, o Liceu Camões, em Lisboa, comemorou 100 anos e deslocaram-se políticos (e ex-alunos) à escola, como Cavaco Silva, enquanto Presidente da República. Um dos alunos, Pedro Feijó(tornou-se presidente da AE e aderiu ao Bloco de Esquerda), aproveitou a ocasião para fazer um discurso em prol da liberdade na escola, criticou as políticas de Maria de Lurdes Rodrigues, então ministra da Educação, que também estava presente, mostrou de forma pública o descontentamento face ao Estatuto do Aluno, que já referenciamos atrás, e devido à presença de jornalistas e de figuras públicas o assunto entrou na agenda dos media, como é este exemplo da revista do Expresso57.

Em termos históricos, as organizações políticas de juventude foram uma criação do sistema político que saiu do 25 de Abril. Mas há exceções, pois apesar de ter aparecido formalmente em 1979, a JCP resultou da unificação da União dos Estudantes Comunistas (UEC), criada no tempo da ditadura, em 1972, e da União da Juventude Comunista (UJC), de 1975. O mesmo aconteceu com a JS, que derivou de jovens que intervinham sobretudo a nível estudantil universitário (Cruz, 1990: 224). Da mesma maneira, a JS, embora criada apenas em 1974, é herdeira dos grupos de intervenção política integrados por jovens ligados à Acção Socialista Portuguesa (ASP) e ao PS que atuavam, sobretudo, a nível estudantil e universitário. Neste ponto, parece-nos importante anotar que as juventudes partidárias ou jovens afetos a partidos políticos continuam a ter alguma relevância nas escolas. As juventudes partidárias emancipam-se

57 Revista Única, 30 de janeiro de 2010, reportagem sobre jovens ativistas (Juventude

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das estruturas partidárias e os próprios slogans partidários aproximam-se de um ideário de juventude, como a campanha de Mário Soares à presidência: “Soares é fixe”. As campanhas passaram também a recorrer a grupos rock para captar os novos eleitores58 (Vieira, 2000b: 125). Nos anos 80, os jovens começam a ser influenciados pelos movimentos ambientalistas e de globalização e são criados encontros sobre o ambiente e sua preservação. A política começa a alargar-se59.

Conforme já indicámos, os anos 80 e inícios de 90 constituíram bases para a filiação dos jovens nas juventudes partidárias, que conquistaram autonomia. Essa autonomia evidenciava, contudo, o reverso da medalha: o facto de se estar numa juventude partidária não significa que se consiga passar para o partido (Cruz, 1995: 372- 373). “As organizações partidárias de juventude foram criadas pelos partidos ou à sombra deles, como forma de implantação junto das juventudes” (Cruz, 1995: 373). Há uma implícita subordinação das juventudes aos partidos60, inclusive a nível ideológico (1995: 374).